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07/10/2026

Porto Alegre, 07 de outubro de 2026                                                     Ano 20 - N° 5.030


Últimos dias de inscrição para o Milk Summit Mercosul

Entrou na reta final o período de inscrições para o Milk Summit Mercosul, que será realizado de 13 a 15 de outubro, no Parque de Exposições Wanderley Burmann, em Ijuí (RS), integrado à programação da Expofest. As inscrições são gratuitas, mas precisam ser feitas antecipadamente, já que as vagas são limitadas.

Neste ano, o encontro amplia a proposta apresentada em 2025 e passa a reunir representantes da cadeia leiteira do Brasil e de outros países do Mercosul, como Argentina e Uruguai. A expectativa dos organizadores é receber mais de 700 participantes por dia, entre produtores, indústrias, cooperativas, técnicos, estudantes, pesquisadores e representantes do setor. 

Ao longo dos três dias, serão mais de 16 horas de conteúdo técnico e estratégico, além de momentos de networking e visitação aos estandes.

Uma das novidades desta edição é a Arena Láctea de Inovação Sebrae, espaço destinado à apresentação de soluções tecnológicas para a cadeia do leite. A iniciativa reunirá startups e negócios inovadores, que terão a oportunidade de apresentar seus produtos, tecnologias e modelos de negócio diretamente a produtores, indústrias, cooperativas e outros profissionais do setor.

A programação também reúne temas como gestão de riscos, mercado futuro, produtividade, qualidade do leite, competitividade internacional, sustentabilidade, exportações, inovação e políticas públicas. 

Entre os nomes confirmados estão especialistas da Embrapa, StoneX, MilkPoint, Universidade de São Paulo (USP), Rabobank, Ministério da Agricultura, Emater/RS e Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul.

Além das apresentações realizadas dentro da programação do evento, a proposta é criar um ambiente de conexão entre quem desenvolve novas tecnologias e quem enfrenta, no campo e na indústria, os desafios que essas soluções podem ajudar a resolver.

O evento será realizado na próxima semana, e as inscrições podem ser feitas diretamente no site oficial do Milk Summit até a véspera do evento ou enquanto houver vagas disponíveis.

O Milk Summit Mercosul 2026 é uma realização conjunta do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Estado do Rio Grande do Sul (Seapi), da Prefeitura Municipal de Ijuí, da Emater/RS-Ascar, Sebrae/RS, Suport D’ Leite e Impulsa Ijuí. 

O evento conta com o patrocínio Diamante de Fecoagro/RS, Italac, Lactalis, Piracanjuba e Tetra Pak; Ouro: Sicredi das Culturas RS/MG e Sistema FIERGS; Prata: Unianálises/Univates; Bronze: Launer Química, Santa Clara, Senar e Suifarma. Apoio Plus: Racon Consórcios, Laticínios Frizzo e Apoio: Integra, Unijuí, SulPasto, VS Lunardi Genética Bovina e Cogent Brasil. 
Serviço

Milk Summit Mercosul 2026
Data: 13 a 15 de outubro de 2026
Local: Parque de Exposições Wanderley Burmann – Expofest, Ijuí (RS)
Inscrições: gratuitas e obrigatórias
Vagas: limitadas

Fonte: Sindilat/RS

 
 
Balança comercial: importações de lácteos voltam a crescer e ampliam déficit em setembro

Setembro foi marcado pelo crescimento das importações e das exportações brasileiras de lácteos. As compras externas somaram 243 milhões de litros em equivalente-leite, avanço de 8,7% em relação ao mês anterior, enquanto os embarques totalizaram 5,4 milhões de litros em equivalente-leite, alta de 6,5% na mesma comparação.

Com o avanço das compras externas, o déficit da balança comercial de lácteos aumentou, passando de cerca de 219 milhões de litros em agosto para 237,6 milhões de litros em equivalente-leite em setembro.

Gráfico 1. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos – equivalente leite.

Saldo da Balança Comercial de Lácteos

 
 
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.

As importações reverteram o leve recuo observado em agosto, com aumento expressivo das compras da Argentina e do Uruguai. O movimento ocorre em um cenário de elevada disponibilidade de leite no Mercosul, com a produção dos países fornecedores acima dos patamares registrados no ano anterior.

Gráfico 2. Importações em equivalente-leite.

 
 
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT. 

Os principais movimentos observados nas importações foram:

Leite em pó integral (LPI): apresentou recuo de 3,0% no volume importado, após dois meses consecutivos de avanço;
Leite em pó desnatado (LPD): registrou aumento de 26% nas compras externas, revertendo a queda observada em agosto;
Queijos: a categoria apresentou crescimento de 19% no volume importado. Dentro desse grupo, as compras de muçarela também avançaram 19% em relação ao mês anterior.

As importações de WPC (Whey Protein Concentrate, ou concentrado proteico de soro de leite) também avançaram em setembro, com alta de 7,2% na comparação mensal, passando de aproximadamente 546,5 toneladas em agosto para 586,0 toneladas. Nesse contexto, a utilização do leite em pó desnatado em substituição parcial ao WPC, em determinadas formulações industriais, é uma possível explicação para o crescimento das compras de LPD.

Em relação às exportações, setembro apresentou avanço de 6,5% frente ao mês anterior, com o volume total somando 5,4 milhões de litros em equivalente-leite. Entre os produtos, os embarques de soro de leite cresceram, enquanto as vendas externas de queijos recuaram.

Gráfico 3. Exportações em equivalente-leite.

 
 
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado a partir dos dados da COMEXSTAT.

Nas exportações de setembro, foram observados os seguintes movimentos entre os principais produtos:

Soro de leite: apresentou aumento de 54,1% no volume exportado em relação ao mês anterior, com os embarques totalizando 1,28 milhão de kg;
Queijos: registraram recuo de 15,2% no volume exportado na comparação mensal.
As tabelas 1 e 2 apresentam as principais movimentações do comércio internacional de lácteos nos meses de setembro e agosto de 2026.

Tabela 1. Balança comercial de lácteos em setembro de 2026

 
 
Tabela 2. Balança comercial de lácteos em agosto de 2026
 
 
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT. 

O que podemos esperar para os próximos meses?
O avanço das importações em setembro, com aumento expressivo das compras da Argentina e do Uruguai, ocorre em um cenário de elevada disponibilidade de leite no Mercosul. A produção dos países fornecedores permanece acima dos níveis registrados no ano anterior, favorecendo a oferta de lácteos para o mercado brasileiro.

Apesar desse volume elevado, o crescimento da produção na região vem perdendo intensidade, contribuindo para certo avanço dos preços. Os preços de LPI e LPD no GDT também seguem elevados, o que também contribui para dar sustentação às cotações dos produtos no Mercosul.

Em contrapartida, o dólar em patamares inferiores aos do ano passado ainda reduz o custo de internalização dos importados. 

A valorização dos produtos na origem, porém, vem reduzindo sua vantagem frente aos brasileiros, observado na aproximação entre os custos de aquisição de alguns derivados externos e nacionais.

Para os próximos meses, o ganho de competitividade dos produtos brasileiros pode moderar o ritmo de novas compras externas. A evolução dos preços no Mercosul e no mercado doméstico será, portanto, importante para avaliar a continuidade dos avanços nas importações. Fonte: Milkpoint

GDT 413º recupera queda anterior, com destaque para valorização do leite em pó desnatado
O 413º leilão da Global Dairy Trade (GDT) registrou alta de 1,2% no GDT Price Index, com preço médio negociado de USD 3.928/tonelada.

O movimento praticamente recompôs a queda de 1,1% observada no leilão anterior e reforça a sustentação das cotações internacionais, mesmo em um período de crescimento sazonal da oferta na Oceania. 

Gráfico 1: Preço médio leilão GDT. Fonte: Global Dairy Trade (GDT). 

 
 
Nos leites em pó, o movimento foi positivo, com os dois principais produtos negociados do leilão apresentando valorização.

O leite em pó integral (LPI) avançou 1,2%, atingindo USD 3.605/tonelada, enquanto o leite em pó desnatado (LPD) registrou alta de 4,3%, alcançando USD 3.847/tonelada, atingindo o maior patamar de preços em quatro anos.

Com esse movimento, o LPD ampliou a diferença em relação ao LPI, mantendo a inversão observada recentemente entre as cotações dos dois derivados.

A valorização do LPD não se restringe ao GDT: o produto também vem ganhando valor no mercado brasileiro e no Mercosul, reforçando uma leitura de demanda firme. Parte desse movimento está relacionada à busca por fontes de proteína mais competitivas em custo.

Com teor proteico próximo ao do WPC 34% e preço mais baixo, o LPD pode assumir papel relevante em determinadas formulações, especialmente em um ambiente de cotações elevadas de outras fontes proteicas. 

Gráfico 2. Preço médio LPI vs LPD. Fonte: Global Dairy Trade (GDT). 

 
 
Entre os demais derivados, o movimento foi distinto. A muçarela manteve a trajetória de queda, com recuo de 3,9%, sendo negociada a USD 3.833/tonelada. A manteiga apresentou estabilidade, com leve queda de 0,3%, atingindo USD 4.740/tonelada, enquanto a gordura anidra do leite recuou 1,1%, para USD 5.683/tonelada. 

A maior atratividade do LPD também merece atenção pelo efeito potencial sobre o balanço de gordura: caso estimule maior direcionamento de leite para a produção do desnatado, pode ampliar a disponibilidade de gordura láctea. Ainda assim, o movimento deste leilão não deve ser atribuído exclusivamente a esse fator. 

Já a lactose, registrou a maior queda do leilão, de 6,9%, atingindo USD 1.677/tonelada. Já o cheddar apresentou correção de 3,7%, para USD 3.925/tonelada, após as fortes valorizações observadas nos leilões anteriores.

Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 06/10/2026. Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

 
 

Volume negociado permanece elevado, enquanto número de compradores aumenta

O volume negociado totalizou 41.692 toneladas, queda de 1,8% frente ao último leilão e de apenas 0,8% na comparação com o mesmo período de 2025. Mesmo com o leve recuo, o volume permanece elevado, acompanhando o aumento sazonal da produção na Oceania típico desta época do ano. Neste ciclo, porém, esse avanço ocorre em ritmo inferior ao observado em anos anteriores.

Esse crescimento mais limitado ocorre em um contexto de El Niño mais intenso, com condições mais secas em importantes regiões produtoras, restringindo o potencial de avanço da produção ao longo da safra.

Pelo lado da demanda, o número de compradores aumentou 6,5%, passando de 155 para 165 participantes, mostrando que a participação dos agentes segue elevada e contribuindo para a manutenção das negociações em patamares próximos aos observados nos últimos leilões. A combinação entre crescimento mais limitado da oferta e demanda ainda firme ajuda a manter os preços internacionais em patamares elevados.

Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT. Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

 

Impacto nos contratos futuros

Na NZX, os contratos futuros de leite em pó integral apresentaram alguma acomodação nos vencimentos mais próximos do final do ano e permanecem em patamares elevados, indicando que o mercado ainda precifica um cenário de oferta relativamente restrita. Embora a produção da Oceania avance sazonalmente em direção ao pico, o crescimento vem ocorrendo de forma mais limitada do que em ciclos anteriores, em um contexto climático menos favorável.

Assim, mesmo com o avanço sazonal da produção, a combinação entre crescimento mais contido da oferta e demanda firme mantêm suporte às cotações para os próximos meses.

Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures). Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2026.

 

 
E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?

O resultado do GDT 413º reforça a sustentação das referências internacionais, com destaque para a valorização do LPD e para a capacidade do mercado de absorver o aumento sazonal da oferta. 

No Brasil, a valorização do LPD pode abrir espaço para mudanças na dinâmica de produção dos derivados lácteos, caso os preços internacionais e domésticos sinalizem maior atratividade para o processamento do produto.

Um aumento da produção de leite em pó desnatado, por exemplo, pode resultar em maior disponibilidade de gordura láctea e potencialmente adicionando pressão sobre os preços de derivados como a manteiga e o creme.

Mesmo com o avanço sazonal da produção internacional, o crescimento mais limitado da oferta na Oceania, Europa e América Latina, somado à demanda ainda firme, tende a manter suporte às cotações ao longo dos próximos meses.

Os contratos futuros, apesar de alguma acomodação recente, permanecem em níveis elevados e reforçam essa leitura. Fonte: Milkpoint

 

Jogo Rápido

MILHO/CEPEA: Baixo interesse comprador e queda externa pressionam cotações
Cepea, 5/10/2026 – Os preços do milho recuaram no mercado brasileiro nos últimos dias, pressionados pelo baixo interesse de compradores e pela retração no mercado internacional. Segundo o Cepea, de modo geral, compradores brasileiros seguem afastados das aquisições de novos lotes, visto que parte deles indica ter estoques para consumo imediato. De acordo com pesquisadores do Cepea, além disso, como as exportações brasileiras seguem inferiores às do ano passado, esses agentes acreditam que a oferta possa aumentar. Segundo a Conab, a produção da safra 2025/26 deve ser recorde, totalizando 144 milhões de toneladas, apesar da redução na produtividade. O Centro de Pesquisas destaca que produtores, por sua vez, estão mais flexíveis nas negociações, seja com relação aos valores e/ou às condições de entrega e ao prazo de pagamento. Fonte: Cepea