Porto Alegre, 07 de agosto de 2026 Ano 20 - N° 4.688
Lácteos registram aumento nas importações e nas exportações em julho
As importações somaram 230 milhões de litros em equivalente-leite, sendo o segundo maior volume registrado para o mês de julho em toda a série histórica.
O mês de julho foi marcado por avanço no volume total das importações e das exportações de lácteos. As importações somaram 230 milhões de litros em equivalente-leite, sendo o segundo maior volume registrado para o mês de julho em toda a série histórica, atrás apenas do resultado observado em 2024. Já as exportações atingiram 5,1 milhões de litros em equivalente-leite.
Com o aumento das importações, o saldo da balança comercial de lácteos voltou a diminuir e apresentou piora em relação ao mês anterior, registrando um déficit de 224,9 milhões de litros em equivalente-leite.
Gráfico 1. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos – equivalente leite. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.
As importações registraram aumento de 9,0% em relação ao mês anterior e de 33,9% na comparação com julho do ano passado. O resultado reforça que os volumes importados seguem em patamares elevados, sustentados pela maior competitividade dos produtos externos frente aos nacionais. A disponibilidade de leite no Mercosul segue como fator importante nessa dinâmica, favorecendo a entrada de lácteos no mercado brasileiro.
Gráfico 2. Importações em equivalente-leite. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.
Os principais movimentos observados nas importações foram:
Leite em pó integral (LPI): registrou aumento de 5% no volume importado em relação ao mês anterior;
Leite em pó desnatado (LPD): apresentou avanço de 13% nas importações frente a junho;
Queijos: registraram alta de 13% no volume importado, reforçando a relevância da categoria na pauta de importações de lácteos. Dentro da cesta de queijos, a muçarela foi a de maior destaque, apresentando avanço mensal de 23,9%.
Já em relação às exportações, julho apresentou aumento de 17,2% frente ao mês anterior. Apesar da recuperação mensal, o volume exportado ainda ficou 5,2% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. Esse movimento mostra uma melhora pontual nos embarques, mas ainda dentro de um cenário de menor competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.
Gráfico 3. Exportações em equivalente-leite. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado a partir dos dados da COMEXSTAT.
Nas exportações de julho, foram observados os seguintes movimentos entre os principais produtos:
Manteiga: apresentou aumento de 70% no volume exportado em relação ao mês anterior;
Cremes de leite: registraram avanço de 87% nos embarques frente a junho;
Leites condensados: apresentaram crescimento de 58% nas exportações.
Soro de leite: apresentou aumento de 17% no volume exportado, representando 36% dos embarques lácteos no mês, mantendo seu protagonismo mais um mês de principal produto da pauta exportadora.
As tabelas 1 e 2 mostram as principais movimentações do comércio internacional de lácteos nos meses de julho de 2026 e junho de 2026.
Tabela 1. Balança comercial de lácteos em julho de 2026. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT.
Tabela 2. Balança comercial de lácteos em junho de 2026. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT.
O que podemos esperar para os próximos meses?
Em julho, as importações voltaram a avançar e atingiram o maior nível desde março, reforçando a permanência de volumes elevados ao longo de 2026. O movimento segue associado à maior disponibilidade de leite no Mercosul, à competitividade dos produtos externos e às condições cambiais que continuam influenciando a atratividade dos lácteos importados no mercado brasileiro.
No curto prazo, caso os importados sigam competitivos, as importações tendem a permanecer em patamares relevantes. Ainda assim, os preços de alguns derivados, como a muçarela, seguem elevados, indicando uma demanda interna ainda persistente.
Apesar do aumento mensal das exportações, os embarques brasileiros ainda permaneceram abaixo do observado no mesmo mês do ano anterior. Dessa forma, os próximos meses exigem atenção à evolução do câmbio, dos preços internacionais, da disponibilidade de leite no Mercosul e do ritmo de importações, fatores que seguirão relevantes para a formação de preços no mercado interno. (Milkpoint)
Livro reúne 50 anos de experiência para uma visão integrada da ordenha mecânica
Depois de mais de 50 anos dedicados à cadeia do leite, Carlos Alberto Della Favera Machado decidiu reunir a experiência acumulada nesta obra.
Segundo o autor, o projeto nasceu de um propósito construído ao longo de toda a sua trajetória profissional. "Sempre tive a convicção de que nossa caminhada precisa ter um propósito. É ele que dá sentido, direção e dimensão real às nossas ações", afirma.
Machado conta que, ao longo das últimas cinco décadas, acumulou experiências como fabricante de ordenhadeiras, técnico de campo, palestrante, autor e participante da elaboração de normas técnicas para o setor. Essa vivência, segundo ele, permitiu compreender que os resultados da atividade leiteira dependem de muito mais do que equipamentos. "Depois de mais de 50 anos vivendo a cadeia do leite, compreendi que as ordenhadeiras são apenas parte da história. O verdadeiro diferencial está nas pessoas, nos valores e nas decisões que transformam tecnologia em resultados", destaca.
Com essa perspectiva, Ordenhadeira Mecânica 360° propõe uma abordagem sistêmica da ordenha, conectando aspectos de engenharia, manejo, qualidade do leite, bem-estar animal, manutenção, gestão e legislação. A proposta é mostrar como diferentes fatores se relacionam e influenciam diretamente a produtividade, a saúde do rebanho e a rentabilidade da propriedade.
O livro é direcionado a produtores, médicos-veterinários, zootecnistas, engenheiros, técnicos, consultores, estudantes e demais profissionais ligados à cadeia leiteira. A apresentação da obra é assinada por Marcos Veiga dos Santos, professor da USP e referência nacional nas áreas de qualidade do leite, mastite e ordenha mecânica.
O lançamento acontecerá no dia 3 de setembro, às 14h, na Casa do SIMERS, no Parque de Exposições Assis Brasil, durante a Expointer 2026. (Milkpoint)
EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1931 de 06 de agosto de 2026
BOVINOCULTURA DE LEITE
As frequentes chuvas, a baixa luminosidade e o excesso de umidade dificultaram o manejo dos rebanhos, principalmente em áreas com acúmulo de barro, comprometendo o acesso às pastagens, às instalações e aos locais de alimentação. Essas condições climáticas também exigiram maior atenção à higiene durante a ordenha e elevaram o risco de mastite e de lesões de casco. Em parte das propriedades, a menor oferta de forragem e a dificuldade de pastejo aumentaram o uso de silagem, feno, concentrados e outros suplementos para a manutenção da produção e da condição corporal.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, em São Gabriel, a produção continua em patamares bastante baixos devido à restrição de desenvolvimento das pastagens nativas e de pequenos potreiros de espécies anuais de inverno, já que muitos rebanhos são formados por vacas de raça mista em sistemas altamente dependentes da oferta dessas áreas, com aporte limitado de concentrados e silagens. As vacas alimentadas basicamente com campo nativo seguem apresentando baixa produção.
Na de Erechim, a produção ficou estável na maior parte da região. Porém, houve redução em algumas propriedades em razão da menor oferta de forragem e das condições meteorológicas adversas. Houve aumento de incidência de mastite e de lesões de casco em alguns rebanhos, o que exigiu a intensificação dos cuidados sanitários.
Na de Ijuí, a produção e a produtividade ficaram estáveis em relação ao período anterior. Em função da sequência de dias com alta umidade, as condições de manejo foram dificultadas, principalmente no deslocamento para as pastagens e próximo aos locais de alimentação. Foi observado, pelos produtores, aumento da incidência de infecções nos cascos dos animais devido ao longo tempo em contato com a umidade.
Na de Pelotas, os produtores intensificaram o uso de silagem, de rações e de concentrados para complementar a alimentação dos animais e manter a produção. A produção de leite está, de modo geral, estável e dentro do esperado para o período, embora, em algumas propriedades, tenha sido observada redução em função da menor oferta de volumoso. As frequentes chuvas têm dificultado o manejo das pastagens e dos animais, além de interferirem nas atividades ao redor das instalações. Também foram registradas dificuldades relacionadas a interrupções no fornecimento de energia.
Na de Santa Maria, a dificuldade de pastejo em áreas encharcadas, aliada ao menor consumo de matéria seca, resultou em nova queda no volume da produção leiteira.
Na de Santa Rosa, as chuvas acumuladas e o temporal de granizo no período trouxeram desafios operacionais significativos para os produtores. O excesso de umidade no solo exigiu um manejo rigoroso do pastejo rotacionado para evitar o desperdício pelo pisoteio. Os produtores também redobraram a atenção em relação à higiene na ordenha e ao monitoramento preventivo da mastite devido ao acúmulo de lama nos acessos dos piquetes e nos arredores das instalações. O uso estratégico de suplementação no cocho com silagem de milho e feno foi intensificado nos dias de maior encharcamento das áreas de pasto.
Em Ubiretama, o granizo gerou danos significativos em inúmeras estruturas produtivas, como nos telhados das salas de ordenha, em galpões de alimentação ou para armazenamento de insumos e feno, nas lonas de cobertura dos silos de silagem. Essas condições também elevaram o nível de estresse dos animais. Há relato de morte de um animal jovem em decorrência do evento. (Emater editado pelo Sindilat/RS)
Jogo Rápido
BOLETIM INTEGRADO AGROMETEOROLÓGICO No 32/2026 – SEAPI
Na próxima semana, haverá a formação de um ciclone extratropical, seguida de acentuado declínio das temperaturas e de possibilidade de ocorrência de geadas. Na sexta-feira (07/08), um sistema de baixa pressão deverá se formar nas proximidades da Argentina e do Uruguai e se deslocar em direção ao oceano. Durante esse processo, o sistema irá evoluir rapidamente para uma frente fria que, associada a um ciclone extratropical, poderá provocar aumento da nebulosidade e ocorrência de chuva, além da possibilidade de rajadas de vento significativas. No sábado (08/08), o sistema deverá se afastar, diminuindo sua influência sobre o estado. Há previsão de chuva apenas em pontos isolados. No domingo (09/08), as temperaturas deverão apresentar acentuado declínio, e o tempo voltará a ficar estável em grande parte do estado. Há possibilidade de ocorrência de geadas em alguns pontos, principalmente na metade sul. Na segunda-feira (10/08) e na terça-feira (11/08), as temperaturas deverão permanecer baixas, e o tempo seguirá estável em grande parte do estado. Há possibilidade de ocorrência de geadas em alguns pontos, principalmente na metade sul. Na metade norte, no dia 11/08, há previsão de chuva isolada devido aos efeitos da circulação atmosférica, que deverão favorecer o transporte de umidade para essa região. Na quarta-feira (12/08), o transporte de umidade deverá se intensificar em todo o estado, e há previsão de chuva em todas as regiões. De forma geral, os acumulados de precipitação deverão variar entre 10 mm e 100 mm ao longo da semana, com maiores volumes previstos para a metade sul do estado. (SEAPI editado pelo Sindilat/RS)