Porto Alegre, 06 de agosto de 2026 Ano 20 - N° 4.687
IFCN | Leite: alta de cinco meses termina e mercado global se reequilibra
O preço do leite no mercado mundial interrompeu, em junho de 2026, uma sequência de cinco meses consecutivos de alta.
O indicador global da International Farm Comparison Network (IFCN) recuou 0,2% na comparação com maio, um ajuste pequeno, mas que marca uma pausa num movimento que vinha sustentando o setor lácteo internacional desde o início do ano.
A oscilação, ainda que mínima, expõe a volatilidade que caracteriza esse mercado. Segundo a IFCN, o mesmo indicador havia caído cerca de 17% — o equivalente a US$ 9 — ao longo de sete meses, e depois recuperou integralmente esse valor em apenas quatro meses. É nesse contexto de recuperação acelerada que a leve queda de junho aparece: mais como uma pausa do que como uma mudança de rota.
Do lado da oferta, a explicação para o freio nos preços está na produção. A IFCN aponta que o volume mundial de leite segue crescendo acima da média histórica, o que começa a conter novas altas. Os Estados Unidos lideram esse movimento, com produção em expansão sustentada que amplia a disponibilidade global. Já a Nova Zelândia atravessa o período do ano de menor produção, com oferta reduzida antes do início da nova temporada.
Na Europa, o cenário é desigual entre os países. Na Alemanha, a estabilidade do rebanho leiteiro mantém os níveis de produção sob controle.
Na França, a combinação de baixa disponibilidade de forragens com as altas temperaturas registradas no fim de junho preocupa tanto pelo impacto direto na produção quanto pelo bem-estar animal. Para a IFCN, as condições climáticas devem seguir como um dos principais fatores de incerteza para a oferta europeia nos próximos meses.
O comportamento também variou entre os produtos lácteos. Enquanto a maioria das commodities registrou quedas moderadas em junho, o soro de leite em pó subiu 5,7% no mês, e a leite em pó desnatada manteve leves aumentos.
A IFCN relaciona esse desempenho ao interesse internacional sustentado por proteínas lácteas e por produtos com maior vida útil, sobretudo entre os principais países importadores. Do outro lado, queijo, leite integral em pó e manteiga tiveram quedas moderadas ou sinais de estabilização.
Os custos de produção seguem como ponto de atenção. A moderação recente das tensões geopolíticas ajudou a estabilizar parcialmente os preços do petróleo e dos fertilizantes, mas a IFCN alerta que esses custos continuam expostos a alta volatilidade. A evolução da energia, dos fertilizantes e da alimentação animal deve seguir sendo decisiva para a rentabilidade das propriedades leiteiras.
O retrato que emerge é o de um mercado mais equilibrado, mas ainda vulnerável a mudanças bruscas na produção, na demanda e nos custos. O crescimento da oferta nos Estados Unidos contrasta com as limitações sazonais da Nova Zelândia e com as condições climáticas na Europa. A partir daqui, será a demanda por leite em pó, proteínas lácteas, queijo e manteiga que deve definir a direção do mercado no segundo semestre de 2026. (Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por EDairyNews Es)
Receita das cooperativas agropecuárias cresce 11% e alcança R$ 487 bilhões
A receita das cooperativas agropecuárias brasileiras se aproximou de meio trilhão de reais em 2025, uma alta de 11,2% em relação ao ano anterior. O ingresso de R$ 487,3 bilhões no caixa no ano passado foi impulsionado pelo aumento dos preços dos insumos usados pelos agricultores, como fertilizantes e defensivos agrícolas, e pelo salto na cotação de alguns produtos no período, como o café e as proteínas animais.
O cenário de custos elevados, no entanto, se refletiu nas sobras, como é chamado o lucro das cooperativas. O valor recuou de R$ 30,2 bilhões para R$ 29,2 bilhões, o equivalente a 6% do faturamento total no ano passado. Os dados são do Anuário do Cooperativismo 2025 da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), divulgado nesta sexta-feira (31/7).
As cooperativas agropecuárias são responsáveis por 53% da originação de grãos e fibras no país, com destaque para algumas culturas de inverno, leite e proteínas animais. O ramo também emprega 277,2 mil pessoas diretamente e tem 1,1 milhão de cooperados.
“Temos um modelo consistente, que trabalha forte a perenidade e a sustentabilidade”, afirma Tânia Zanella, presidente-executiva da OCB. Os ativos totais das cooperativas agropecuárias, que consideram imóveis e investimentos, por exemplo, chegaram a R$ 340 bilhões em 2025, alta de 10,6% em relação a 2024.
Segundo o anuário, em 2025 havia 1.254 cooperativas agropecuárias no país, 7,7% mais que no ano anterior. O número total passa por uma estabilização, diz a presidente da OCB, que destaca a importância da solidez das instituições. “Algumas têm mais de 100 anos, e inúmeras já passaram dos 50 anos”, observa. “O que importa é o crescimento do cooperado”.
Um dos desafios apontados por ela é a necessidade de profissionalização da gestão de negócios das cooperativas agropecuárias, com a segregação dos conselhos administrativos e executivos.
As cooperativas respondem por 25% da capacidade de armazenagem do Brasil e por 10,3% das exportações do agronegócio brasileiro, segundo o anuário. São 140 cooperativas exportadoras, com faturamento próximo a US$17 bilhões em 2025. Os principais produtos da pauta de exportação são café não torrado, carne de aves, soja triturada, carne suína e óleo de soja. Os principais destinos são China, Estados Unidos, Alemanha, França, Itália, Espanha, Holanda, Reino Unido, Japão, Suíça, Bélgica e Canadá.
A escalada das receitas das cooperativas agropecuárias começou na pandemia, com o salto nos preços das commodities e dos insumos. De 2020 até 2025, a movimentação financeira mais que dobrou nessas organizações, passando de R$239,4 bilhões para R$487,3 bilhões. Já as sobras triplicaram. Saíram de R$9,7 bilhões há seis anos para quase R$30 bilhões.
Com custos ainda altos e preços de commodities agrícolas andando de lado, a previsão da OCB é que não haja reduções significativas nos números do segmento neste ano, mas não é possível cravar crescimento de dois dígitos novamente, afirma João José Prieto Flávio, gerente técnico e econômico da entidade.
Ele ressalta a importância do modelo de negócios do cooperativismo em situações de adversidades no campo. Nos últimos anos, afirma, as cooperativas agropecuárias atuaram como um “colchão de amortecimento” para os produtores rurais diante de maior aperto financeiro, de perdas por conta do clima e de endividamento. Segundo ele, a cooperativa não pode deixar o cooperado “refém” em momento de dificuldade.
“Para ser sustentável e amparar o produtor, a cooperativa tem que ter resiliência como CNPJ e olhar perenidade do produtor rural. O resultado auxilia o produtor que está com as margens apertadas em duas pontas: nesse retorno aos cooperados que ocorre com a distribuição das sobras e com os investimentos que a cooperativa faz em suas estruturas e na agregação de valor aos produtos”, afirma.
Na avaliação da gerente-geral da OCB, Clara Maffia, o ramo agropecuário mostrou resiliência e um crescimento acima da média de outras atividades em meio a adversidades climáticas e econômicas.
“Estamos em um momento desafiador do setor agropecuário, falamos de endividamento e de questões climáticas, mas o cooperativismo vem para mostrar resiliência e manutenção do produtor no longo prazo”, opina.
A meta traçada pelo sistema cooperativista brasileiro é chegar a R$1 trilhão de receita até 2028. Ao considerar os oito ramos (agropecuário, consumo, crédito, infraestrutura, saúde, trabalho, transporte e seguros), as cooperativas tiveram receita de R$848,3 bilhões em 2025. O ramo agropecuário representou 57,4% desse bolo.
O Brasil já tem 29 milhões de cooperados em 4,4 mil cooperativas. A geração direta de empregos passou de 613,3 mil em 2025. Os ativos totais somam R$1,6 trilhão, de acordo com a OCB. (Globo Rural)
Copom reduz Selic para 14% ao ano após corte de 0,25 ponto percentual
Decisão do Banco Central já era esperada pelo mercado diante da desaceleração da inflação, que acumula alta de 4,64% em 12 meses
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (5), reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. A decisão foi unânime e ficou em linha com as expectativas do mercado financeiro.
Este foi o quarto corte consecutivo da Selic. Desde março, quando o Banco Central iniciou um ciclo de flexibilização da política monetária, a taxa já acumula redução de 1 ponto percentual. Antes disso, os juros permaneceram em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas, por dez meses consecutivos, entre junho de 2025 e março de 2026.
A redução já era esperada diante da desaceleração da inflação. Nos últimos 12 meses, o índice oficial acumula alta de 4,64%, ainda ligeiramente acima do teto da meta, de 4,5%.
Em comunicado, o Copom afirmou que os próximos passos dependerão da evolução do cenário econômico e da inflação. “A magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações, visando assegurar a convergência da inflação à meta”, informou o comitê.
A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 15 e 16 de setembro.
Com informações de Estadão Conteúdo.
Jogo Rápido
Inscrições gratuitas abertas para o Milk Summit Mercosul 2026
As inscrições para o Milk Summit Mercosul 2026 já estão abertas. A participação no evento é gratuita, mas é obrigatória a inscrição prévia para garantir o acesso à programação. Nos dias 14 e 15 de outubro, em Ijuí (RS), durante a ExpoFest Ijuí, o evento reunirá especialistas nacionais e internacionais, produtores, indústrias, cooperativas, pesquisadores, empresas e lideranças para debater os principais desafios e oportunidades da cadeia leiteira. Com uma programação voltada à inovação, competitividade, sustentabilidade, mercado, gestão e políticas públicas, o Milk Summit Mercosul consolida-se como um dos principais encontros do setor no Brasil e no Mercosul. A participação é gratuita, mas as vagas devem ser garantidas por meio de inscrição antecipada. Inscreva-se clicando aqui: https://milksummitbrazil.com/inscricao/. (Sindilat/RS)