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17/07/2026

Porto Alegre, 17 de julho de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.673


Bets e medicamentos GLP-1 disputam espaço no orçamento dos brasileiros

Dados mostram que 47% dos usuários de GLP-1 abriram mão de outros gastos para manter o tratamento, enquanto as apostas esportivas já alcançam 4% dos lares brasileiros.

O orçamento do brasileiro continua pressionado, mas o que mais influencia as decisões de compra hoje não é apenas a renda disponível. De acordo com dados da Worldpanel by Numerator, novas prioridades vêm transformando a forma como as famílias distribuem seus gastos, com destaque para o crescimento das apostas esportivas (bets) e dos medicamentos à base de GLP-1, utilizados popularmente para a perda de peso.

O estudo revela que 31% dos brasileiros se declaram em dificuldade financeira. Ao mesmo tempo, cresce o grupo de consumidores mais comprometidos com saúde e bem-estar: os chamados health actives passaram de 26% para 30% da população em apenas um ano. Em um contexto de pressão financeira e desgaste emocional, investir na própria saúde deixa de ser apenas um desejo e passa a ocupar um espaço cada vez maior no orçamento.

Esse movimento ajuda a explicar o avanço dos medicamentos GLP-1 no país. Embora ainda estejam presentes em apenas 2,4% dos domicílios brasileiros, os impactos financeiros do tratamento já são significativos. Segundo a Worldpanel by Numerator, o custo anual gira em torno de R$ 10 mil, e 47% dos usuários afirmam ter reduzido outros gastos para conseguir manter a medicação.

Os efeitos também aparecem diretamente na cesta de consumo. Após iniciar o tratamento, 55% dos usuários reduziram o consumo de alimentos e bebidas. Metade afirma que pretende consumir menos farinha, enquanto 37% dizem que devem diminuir a ingestão de pães. Nas compras efetivamente realizadas, os gastos com massas são 15% menores, assim como os desembolsos com farinha de trigo (-15%) e biscoitos recheados (-10%).Por outro lado, o estudo mostra que o orçamento destinado ao autocuidado cresce entre os usuários de GLP-1. Os gastos com bebidas esportivas são 68% superiores aos da média da população, enquanto energéticos registram alta de 56%. Também há aumento nas despesas com cremes faciais (+43%), além de shampoos, condicionadores e creme dental.

Nem mesmo categorias tradicionalmente associadas à indulgência deixam de fazer parte da rotina desses consumidores. O chocolate continua presente na cesta de compras: metade dos usuários afirma que pretende manter ou ampliar o consumo, e os gastos na categoria são 60% superiores à média. O comportamento indica que o consumidor não abandona os pequenos prazeres, mas passa a fazer escolhas mais seletivas para equilibrar saúde e bem-estar.

Para a Worldpanel by Numerator, esse é um movimento com potencial para ganhar ainda mais força nos próximos meses, impulsionado pela ampliação do acesso aos medicamentos, pela chegada das versões nacionais após o vencimento de patentes e pela discussão de políticas públicas voltadas ao tratamento da obesidade.

Bets também ganham espaço no orçamento familiar

Enquanto cresce o investimento em saúde, outro fenômeno avança sobre as despesas das famílias brasileiras: as apostas esportivas.

Os dados da Worldpanel by Numerator mostram que, em 2025, 4% dos lares brasileiros realizaram apostas esportivas, com gasto médio anual de R$ 820 por domicílio — crescimento de 7,3% em relação ao ano anterior. Entre as famílias endividadas, esse desembolso é 14% maior.

Embora representem comportamentos distintos, bets e medicamentos GLP-1 refletem uma mesma transformação no consumo. Ambos passaram a disputar recursos que antes eram destinados predominantemente às categorias tradicionais de bens de consumo.

Para a indústria e o varejo, isso representa uma mudança estrutural na dinâmica competitiva. A disputa já não acontece apenas entre marcas da mesma categoria. Ela passa a ocorrer entre necessidades, aspirações e formas distintas de enfrentar uma realidade cada vez mais desafiadora. Nesse cenário, compreender quais necessidades estão conquistando espaço dentro de um orçamento cada vez mais limitado torna-se essencial para empresas que buscam manter sua relevância junto ao consumidor brasileiro.

As informações são da Worldpanel by Numerator, adaptadas pela Equipe MilkPoint. 


EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1928 de 16 de julho de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE

O manejo dos rebanhos ficou restrito às condições das pastagens e da umidade do solo. A melhora da oferta de forragem favoreceu o desempenho produtivo em algumas regiões, mas o excesso de barro nas áreas de circulação e de ordenha continuou dificultando o manejo, a higiene dos animais e o controle de mastite.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, devido à limitação do desenvolvimento das pastagens cultivadas de inverno das últimas semanas, o desempenho produtivo das matrizes em lactação diminuiu. Contudo, a menor ocorrência de barro facilitou a higiene durante a ordenha e o acesso dos animais às pastagens.

Nas de Caxias do Sul, Frederico Westphalen e Soledade, os sistemas à base de pasto enfrentaram dificuldades de manejo devido às condições das pastagens. Para manter a produtividade, as vacas em lactação receberam silagem de milho e concentrados proteicos. Nos sistemas confinados, a alimentação ficou inalterada.

Nas de Erechim e Santa Maria, o acúmulo de barro nos corredores e nas áreas de descanso e espera dificultou a higiene dos animais e da ordenha, favorecendo problemas de casco, locomoção e controle de agentes patogênicos.

Na de Ijuí, a redução do teor de umidade no solo beneficiou o manejo dos animais e a higiene nas salas de ordenha, principalmente nos sistemas de produção a pasto. Nos sistemas confinados, ainda há desafios para diminuir a umidade na cama dos animais, e alguns produtores optaram por troca do material das camas.

Na de Passo Fundo, a produção ficou estável. Foi mantida a restrição do tempo de pastoreio dos animais, priorizando os lotes em lactação para o pastejo direto. O fornecimento de silagem foi ampliado, e houve ajuste no nível de ração ofertada nos cochos. 

Na de Pelotas, em Capão do Leão, Pelotas, São Lourenço do Sul, Rio Grande e no Chuí, a produção aumentou, sustentada pela maior oferta de pastagens de inverno, que proporcionou também redução de custos. Por outro lado, em Arroio Grande, Jaguarão, Pedro Osório, Cerrito e Pedras Altas, os rebanhos ainda dependem de silagem e de concentrados, uma vez que houve limitações decorrentes das geadas e do crescimento lento das pastagens de inverno.

Na de Porto Alegre, o atraso no desenvolvimento das pastagens aumentou a necessidade de suplementação alimentar com silagem de milho e ração formulada. Em relação ao aspecto sanitário, houve aumento dos casos de mastite ambiental, associado aos períodos de chuva e ao acúmulo de barro nas proximidades das instalações. Os produtores seguem realizando adubação de cobertura das pastagens cultivadas e implantação de piquetes para manejo rotacionado.

Na de Santa Rosa, as baixas temperaturas favoreceram o conforto térmico dos animais e contribuíram para a manutenção da produção de leite. Por outro lado, a elevada umidade do solo dificultou o manejo, favoreceu a formação de barro e aumentou os riscos de pisoteio e de compactação das pastagens, comprometendo seu rebrote. A qualidade das pastagens de inverno está satisfatória, permitindo reduzir os teores de proteína das rações e os custos de alimentação. Contudo, a suplementação ainda é necessária para atender às exigências nutricionais dos rebanhos. Nos municípios onde choveu, foram intensificados os cuidados sanitários e os protocolos de higiene durante a ordenha para prevenir mastite. (Emater/RS)

Exportações de lácteos dão fôlego ao Uruguai, mas setor vê incertezas para o segundo semestre

Entre janeiro e junho foram embarcadas 122.518 toneladas de lácteos, o maior volume já registrado para um primeiro semestre e 8,5% acima do mesmo período de 2025.

O Uruguai encerrou o primeiro semestre de 2026 com recorde nas exportações de produtos lácteos, impulsionado pelo crescimento da produção de leite registrado nos últimos meses. Entre janeiro e junho foram embarcadas 122.518 toneladas de produtos lácteos, o maior volume já registrado para um primeiro semestre e 8,5% acima do mesmo período de 2025.

Apesar do desempenho histórico, o setor já olha com cautela para o restante do ano. A combinação de queda recente nas cotações internacionais, indefinições comerciais e mudanças estruturais nos principais mercados importadores gera preocupação entre produtores e indústria.

Receita cresce menos que o volume

Segundo dados da aduana uruguaia, as exportações renderam US$ 436 milhões no primeiro semestre, ante US$ 419,5 milhões no mesmo período de 2025. Embora o volume embarcado tenha crescido significativamente, a receita avançou apenas 0,4%, reflexo da queda no preço médio dos produtos exportados.

Exportações de lácteos do Uruguai no primeiro semestre

O valor médio das exportações passou de US$ 3.736 para US$ 3.560 por tonelada, uma redução de aproximadamente US$ 180 por tonelada. O leite em pó integral continuou sendo o principal produto exportado, representando cerca de dois terços dos embarques. Foram exportadas 81.640 toneladas, aproximadamente 10,3 mil toneladas a mais que no primeiro semestre do ano passado, crescimento de 14% que explica grande parte do avanço das exportações.

Também houve aumento de 10% no volume exportado de queijos. Em contrapartida, caíram os embarques de leite em pó desnatado e manteiga. No caso da manteiga, a retração ocorreu em função das restrições sanitárias impostas pelo mercado russo, segundo principal destino do produto em 2025, que impediram os embarques em 2026.

Junho manteve o bom ritmo

Somente em junho, os produtos lácteos ocuparam a quinta posição entre os principais itens exportados pelo Uruguai, com vendas de US$ 72 milhões, valor 8% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. Segundo a agência Uruguay XXI, as exportações apresentaram boa diversificação de mercados. Treze países importaram mais de US$ 1 milhão em produtos lácteos uruguaios durante o mês.

A África respondeu por 41% do total exportado em junho, considerando principalmente Argélia, Mauritânia e outros países da região. O Brasil permaneceu como principal destino individual, com compras de aproximadamente US$ 19 milhões.

Receita das exportações de lácteos do Uruguai

Segundo semestre começa cercado de dúvidas

Apesar dos números positivos, representantes do setor avaliam que o ambiente comercial se tornou mais incerto. Justino Zavala, dirigente da Associação dos Produtores de Leite de Canelones, afirmou que o primeiro semestre terminou com aumento dos volumes exportados e maior faturamento em relação a 2025, mas que os próximos meses trazem desafios importantes para a comercialização da produção.

Nos últimos sete leilões da plataforma Global Dairy Trade (GDT), da Fonterra, foram registradas cinco quedas e apenas duas pequenas altas. O preço do leite em pó integral caiu de US$ 3.863 para US$ 3.589 por tonelada. Ainda assim, permanece acima do piso de US$ 3.161 por tonelada registrado em dezembro de 2025.

Outro fator de preocupação é que a Conaprole, principal cooperativa de lácteos do Uruguai, normalmente já teria comercializado parte da produção da primavera nesta época do ano. Em 2026, porém, isso ainda não ocorreu, justamente quando se espera uma produção próxima de 6,5 milhões de litros de leite por dia, ou até superior.

Indonésia e Argélia são as principais apostas

Entre as alternativas avaliadas pelo setor está um aumento das compras por parte da Indonésia, embora os preços atualmente não sejam considerados atrativos e as perspectivas ainda sejam limitadas — até o momento foram embarcados apenas dois contêineres para aquele mercado. Outra expectativa é a abertura de uma nova licitação de importação pela Argélia, permitindo ao Uruguai ampliar suas vendas para o país. Segundo Zavala, a preocupação é que o setor, que investiu fortemente para elevar a produção, enfrente dificuldades justamente no momento em que começa a colher os resultados desses investimentos.

Mudanças estruturais preocupam o setor

Além das questões conjunturais, o dirigente chamou atenção para uma mudança estrutural no mercado internacional. Na avaliação dele, o mercado mundial de leite em pó tende a perder espaço como principal destino das exportações. O Brasil caminha para maior autossuficiência, impulsionado pelo crescimento da produção, especialmente entre grandes produtores, enquanto pequenos produtores deixam a atividade.

Ao mesmo tempo, a Argélia — atualmente o principal comprador dos produtos lácteos uruguaios — desenvolve projetos para ampliar sua produção doméstica e reduzir a dependência das importações. Diante desse cenário, Zavala defende que a indústria uruguaia avance na produção de ingredientes de maior valor agregado, especialmente proteínas do soro de leite. "Precisamos começar a caminhar para outro lado. A proteína do soro é para onde devemos ir. Precisamos embarcar na onda das proteínas", afirmou o dirigente em entrevista ao programa Tiempo de Cambio, da Rádio Rural.

Produção continua crescendo

No campo, as perspectivas seguem positivas. Segundo Zavala, a produção de leite continua crescendo impulsionada principalmente pelos ganhos tecnológicos. Mesmo com menos produtores, sem aumento do número de vacas e sem expansão da área destinada à atividade, a produção deve crescer entre 15% e 16% ao ano.

Os ganhos de produtividade por animal e o maior uso de grãos na alimentação passaram a fazer parte do sistema produtivo e sustentam esse avanço. Para o segundo semestre, a expectativa é de manutenção dos preços pagos aos produtores, mesmo diante do aumento dos custos de produção, graças ao crescimento da oferta de leite.

As informações são do Blasina y Asociados, traduzidos e adaptados pela equipe MilkPoint.


Jogo Rápido

BOLETIM INTEGRADO AGROMETEOROLÓGICO No 29/2026 – SEAPI
Na próxima semana, haverá possibilidade de temporais acompanhados por rajadas de vento, volumes expressivos de precipitação e possível ocorrência de granizo. Na sexta-feira (17/07), os efeitos da circulação atmosférica poderão provocar chuva em alguns pontos isolados e trazer rajadas de vento para algumas localidades. Há previsão de chuva principalmente na metade sul do estado. Na metade norte, não há previsão de chuva significativa ao longo desses dois dias. Entre o sábado (18/07) e o domingo (19/07), a atuação de um sistema de baixa pressão deverá aumentar a instabilidade sobre o Rio Grande do Sul. Há previsão de tempestades, que podem ser acompanhadas por rajadas de vento e possível ocorrência de granizo. Entre a segunda-feira (20/07) e a quarta-feira (22/07), a atuação dos efeitos da circulação atmosférica deverá continuar transportando grande quantidade de umidade para o Rio Grande do Sul. Há previsão de tempestades, que podem ser acompanhadas por rajadas de vento e possível ocorrência de granizo. Os maiores volumes de precipitação deverão ocorrer nas porções mais ao sul e centro do estado. (Seapi)