Porto Alegre, 14 de maio de 2026 Ano 20 - N° 4.630
Fenasul Expoleite 2026 é aberta em Esteio e destaca importância da cadeia produtiva do leite na economia gaúcha
O governador em exercício Gabriel Souza abriu oficialmente, nesta quarta-feira (13/5), a 19ª Fenasul e a 46ª Expoleite, no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio. A expectativa para o evento é de ampliação do público visitante, fortalecimento dos negócios e valorização da produção agropecuária gaúcha. O secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Márcio Madalena, também participou da cerimônia de abertura.
A edição de 2026 reúne cerca de 1,5 mil animais inscritos — crescimento de 4,76% em relação ao ano passado — e conta com concursos leiteiros, julgamentos de animais, provas e rodeios, feira da agricultura familiar, multifeira, seminários técnicos, atrações culturais e programação gastronômica.
Durante a cerimônia, Gabriel e Madalena destacaram a importância estratégica do setor leiteiro para o Rio Grande do Sul e a diversidade que a feira oferece. Gabriel ressaltou que a cadeia produtiva do leite possui papel fundamental na economia gaúcha, especialmente pelo forte vínculo com a agricultura familiar, já que mais de 90% dos produtores de leite do Estado pertencem a esse segmento.
O governador em exercício também afirmou que o fortalecimento da atividade depende da criação de condições estruturais e competitivas para quem produz no campo. “A atividade leiteira precisa ser valorizada não só pelo produto de alta qualidade que produz, mas também pela característica árdua, suada e diária do trabalho dos produtores. Essa é uma atividade que gera muito emprego e renda no campo. Temos no Rio Grande do Sul a terceira maior bacia leiteira do Brasil, que produz milhões de litros de leite que geram produtos variados de alta qualidade que chegam ao consumidor.”
“Aproveitamos esse momento de abertura da feira também para discutir assuntos inerentes ao setor, como o grave endividamento dos produtores causado pelos eventos meteorológicos e que deve ser votado no Senado. Também temos a questão do ingresso de leite estrangeiro no Estado a partir de acordos do Mercosul em um sistema que gera competição desleal e prejudica o produtor gaúcho, que defendemos de todas as formas possíveis”, disse Gabriel.
Melhorias na infraestrutura e na organização da feira
Neste ano, o governo do Estado está investindo cerca de R$ 1 milhão na realização da feira, com melhorias na infraestrutura, na organização e na qualificação dos espaços destinados a expositores, criadores e visitantes.
Madalena ressaltou que essa é a maior feira de 2026 no primeiro semestre do Rio Grande do Sul. “Este é um marco importante para o setor agropecuário e para todos os envolvidos na organização do evento. Além disso, damos início a um novo modelo de feiras e exposições no Parque Assis Brasil, com a realização inédita da Fenovinos em Esteio. É um passo estratégico para ampliar oportunidades, fortalecer as cadeias produtivas e consolidar ainda mais o parque como referência nacional na realização de grandes eventos do setor”, afirmou o titular da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).
As demais autoridades presentes também ressaltaram a relevância da feira para o desenvolvimento da agropecuária gaúcha, especialmente das cadeias leiteira e da pecuária de corte, além do papel estratégico do evento na valorização genética, tecnológica e econômica do setor.
Crescimento da Fenasul Expoleite
Considerada a segunda maior feira agropecuária realizada anualmente no Parque Assis Brasil (atrás apenas da Expointer), a Fenasul Expoleite vem registrando crescimento nos últimos anos e consolidando-se como espaço de exposição de animais, difusão de conhecimento técnico, qualificação genética e geração de negócios.
A feira ocorre de 13 a 17 de maio, com entrada gratuita para pedestres e veículos. O acesso de pedestres ocorre pelos portões 3 e 7, enquanto os estacionamentos para visitantes estão disponíveis nos portões 5 e 10.
A Fenasul Expoleite é realizada pela Seapi e pela Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), com copromoção da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac), da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) e da prefeitura de Esteio. (SEAPI)
Governo anuncia subvenção para reduzir preço da gasolina e nova subvenção para o diesel
Anúncio ocorre enquanto Petrobras, que fixa os preços, sofre forte pressão. Setor calcula defasagem de 39% no diesel e de 73% na gasolina em relação aos preços internacionais.
O governo federal anunciou, nesta quarta-feira (13), mais uma medida provisória (MP) com ações para conter a alta dos combustíveis, mais especificamente a gasolina e o diesel, produzidos no Brasil ou importados.
A MP prevê um benefício tributário na Cide e do PIS/Cofins, tributos federais que incidem sobre os combustíveis. A nova subvenção terá início pela gasolina, que ainda não foi alvo de nenhuma medida para conter o aumento de preço, mas, de acordo com o governo, pode se estender ao diesel.
O desconto no imposto não poderá ultrapassar o teto dos tributos federais. Atualmente, esses valores são:
R$ 0,89 por litro na gasolina, o que inclui PIS/Cofins e Cide; e
R$ 0,35 de PIS/Cofins por litro de óleo diesel, que já teve sua tributação suspensa em março por uma outra MP.
A medida anunciada nesta quarta pode valer para o diesel quando a MP de março, com duração prevista para abril e maio, deixar de ser aplicada.
Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, a medida tem neutralidade fiscal, ou seja, não pressiona os cofres públicos. Ele calcula que o custo da medida ficará entre R$2,7 bilhões a R$3 bilhões por mês, somando os valores da gasolina e diesel.
Segundo Moretti, um ato do Ministério da Fazenda, que será publicado nos próximos dias, trará os valores da subvenção. Para a gasolina, o ministro estima que o valor deve ficar entre R$0,40 a R$0,45. O do diesel deve ser de R$0,35.
"Como a receita da União por meio de dividendos, royalties e participação tem crescido com o aumento da cotação do petróleo no mercado internacional, a medida será neutra do ponto de vista fiscal", justificou o governo.
Com as mudanças, o governo pretende diminuir o impacto do aumento do preço do petróleo a cinco meses das eleições de outubro, que disparou após o início do ataque dos Estados Unidos e Israel ao Irã, no custo dos combustíveis.
Medidas provisórias têm força de lei assim que são publicadas no "Diário Oficial da União", com validade por 60 dias, podendo ser prorrogadas por igual período. Para continuar valendo, precisam ser aprovadas pelo Congresso Nacional.
O valor será pago aos produtores e importadores por meio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
A medida funcionará como um cashback para amortizar eventuais aumentos de preços pela retirada do tributo. (Jornal do Comércio)
Setor leiteiro lança ferramenta para enfrentar volatilidade de preços
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) sediou, na quarta-feira (13), o lançamento de uma nova ferramenta de proteção de preços voltada ao setor lácteo brasileiro. Desenvolvida pela StoneX Leite Brasil, com apoio da CNA e parceria do Cepea, a iniciativa busca introduzir no país mecanismos de gestão de risco já consolidados em mercados mais maduros. A proposta chega em um momento em que a cadeia leiteira ainda enfrenta um problema estrutural: a baixa previsibilidade de preços e margens em um ambiente de alta volatilidade.
Na abertura do evento, o vice-presidente da CNA, Gedeão Pereira, destacou a evolução do agronegócio brasileiro nas últimas décadas e o papel da eficiência produtiva nesse avanço. Segundo ele, a cadeia do reúne aproximadamente 1,2 milhão de produtores e registrou crescimento de 50% nos últimos 20 anos, mesmo com redução de 25% no rebanho. Para Pereira, a adoção de ferramentas que aumentem a previsibilidade é um passo necessário para a continuidade desse desenvolvimento, especialmente em um cenário de sucessão no campo e maior digitalização das propriedades.
O presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA e um dos maiores produtores de leite do Brasil, Jonadan Ma, classificou o lançamento como um marco para o setor. Segundo ele, a falta de previsibilidade sempre foi um dos principais gargalos da atividade. “O Brasil é um dos poucos países em que o produtor trabalha o mês inteiro sem saber exatamente quanto vai receber pelo leite”, afirmou.
Ele também chamou atenção para os impactos diretos dessa dinâmica no fluxo de caixa, apontando que a instabilidade de receitas compromete a sustentabilidade financeira da produção. Nesse contexto, a ferramenta surge como uma tentativa de estruturar melhor a gestão e reduzir a exposição às oscilações de mercado. Apesar do tom otimista, o próprio dirigente reconheceu que se trata de um ponto de partida: “Entramos em campo. Ainda precisamos ajustar o jogo, mas pode ser um divisor de águas”.
O CEO da StoneX no Brasil, Glauco Monte, destacou a trajetória da empresa no agronegócio e a experiência internacional na atuação com gestão de risco. Segundo ele, a companhia já atua há cerca de duas décadas no agro brasileiro e acompanha de perto a dinâmica dos mercados em que está inserida, com presença em diferentes regiões do país. Na mesma linha, o diretor da StoneX, Caio Toledo, afirmou que a entrada no setor lácteo responde a uma lacuna identificada pela empresa. De acordo com ele, a ausência de instrumentos estruturados de gestão de risco no leite colocava o Brasil como uma peça ainda não integrada ao modelo já aplicado em outros mercados.
Um mercado que ainda opera no curto prazo
A pesquisadora do Cepea, Nathalia Grigol, trouxe uma leitura mais estrutural sobre os desafios da cadeia. Segundo ela, o setor leiteiro brasileiro ainda opera excessivamente focado no curto prazo, o que limita os ganhos de competitividade no longo prazo.
De acordo com a pesquisadora, essa dinâmica incentiva comportamentos oportunistas e reduz a capacidade de planejamento dos agentes, especialmente em uma atividade de ciclo produtivo longo como a leiteira. “O produtor fica exposto à volatilidade e, com isso, sua margem também se torna volátil. Isso gera instabilidade nos investimentos e acaba comprometendo o desenvolvimento do setor”, explicou. Na avaliação dela, a ausência de instrumentos de gestão de risco contribui para gargalos importantes, como a menor competitividade internacional e a dificuldade de avançar rumo à autossuficiência.
A introdução de ferramentas de hedge, nesse sentido, pode ajudar a deslocar o foco do curto para o longo prazo, criando condições mais estáveis para investimentos, produção e formação de preços, com reflexos que chegam até o consumidor final. É importante destacar que hedge é uma estratégia para reduzir o risco de variação de preço, fazendo uma operação no mercado financeiro que anda no sentido oposto da sua exposição principal. Em outras palavras: você cria uma “proteção” para que oscilações de preço afetem menos o seu resultado.
Como funciona a ferramenta
Responsável pela operação, Marianne Tufani, Manager da StoneX Leite Brasil, explicou que a solução não envolve negociação em bolsa, funcionando em um modelo de balcão. Na prática, há um comprador e um vendedor, com a StoneX atuando como intermediadora financeira da operação. “O objetivo não é ganhar dinheiro com a ferramenta, mas proteger margem”, ressaltou.
O mecanismo permite que produtores, indústrias e cooperativas fixem preços futuros para seus produtos, reduzindo a exposição às oscilações do mercado. Caso o preço caia, o agente recebe a diferença na conta da corretora; se subir, ele paga essa diferença. Independentemente do movimento, o preço efetivo da operação permanece travado. A operação é exclusivamente financeira, sem entrega física obrigatória.
A ferramenta contempla quatro produtos:
Leite UHT (40 mil litros)
Leite ao produtor (40 mil litros)
Queijo muçarela (4 mil quilos)
Leite em pó integral (5 toneladas)
Segundo Tufani, os volumes foram definidos com base na experiência internacional da empresa, buscando atender desde pequenos até grandes agentes da cadeia. Apesar do tamanho padrão dos contratos, há possibilidade de fracionamento, o que, em tese, amplia o acesso. A entrada na operação exige abertura de conta na corretora, e as ordens podem ser feitas por canais diretos, como e-mail, telefone ou WhatsApp.
Um dos pontos mais enfatizados por Tufani foi a necessidade de entendimento correto da ferramenta. Segundo ela, o hedge só cumpre seu papel quando utilizado como instrumento de proteção, e não como tentativa de antecipação de ganhos. “O produtor precisa saber qual margem faz sentido para ele. A partir disso, ele trava o preço. Se usar a ferramenta para tentar ganhar com o mercado, já é outra lógica”, explicou.
Ela também destacou que o uso adequado pode facilitar o acesso a crédito, uma vez que a previsibilidade de receitas reduz o risco percebido pelas instituições financeiras.
Liquidez e construção de mercado
Um dos desafios apontados é a construção de liquidez. Como se trata de um mercado novo no Brasil, a própria StoneX terá o papel de articular compradores e vendedores. As contrapartes não são divulgadas, seguindo padrão comum em operações financeiras desse tipo. Segundo Tufani, a experiência internacional mostra que esse processo é gradual. “Há anos, estávamos nesse mesmo estágio na Europa. Hoje, a grande maioria do mercado já utiliza hedge”, afirmou.
Custo e percepção na cadeia
Questionada sobre o receio de que a ferramenta represente mais um intermediário e, consequentemente, mais custo, Tufani afirmou que a proposta não é onerar a cadeia, mas reduzir perdas já existentes. “Hoje, muitos agentes perdem dinheiro com a volatilidade. A ideia é justamente evitar isso”, disse, reconhecendo, no entanto, a existência de custos de corretagem.
O evento foi encerrado com uma operação simbólica de venda realizada por Jonadan Ma, marcando o início das atividades da ferramenta no país.
Mais do que uma solução imediata, o lançamento representa uma tentativa de mudança estrutural na forma como o setor leiteiro brasileiro lida com preços, risco e planejamento, um movimento que ainda dependerá de adesão, entendimento e adaptação dos diferentes elos da cadeia. (Milkpoint)
Jogo Rápido
Président convida público a cozinhar em campanha inspirada nos musicais franceses
A Président, marca francesa de queijos e manteigas pertencente à Lactalis, apresenta sua nova plataforma de comunicação “Bora Cozinhar com Président”, que transforma a cozinha em um palco inspirado nos grandes musicais franceses. A campanha une entretenimento, gastronomia e storytelling para convidar o público a redescobrir o prazer de cozinhar em casa. Embalada pelo clássico ritmo do Can Can, a produção dá vida aos produtos da marca, como queijos fatiados, parmesão e manteigas Président, em uma narrativa visual lúdica e bem-humorada. Segundo Raul Sanches, diretor de marketing da Président, o movimento busca ampliar as ocasiões de consumo de queijo no Brasil e incentivar novas experiências gastronômicas dentro de casa. “Apesar de sua magnitude, o mercado brasileiro de queijos possui um enorme potencial de expansão. Nosso consumo per capita atual é de 5,6 kg anuais, muito abaixo de vizinhos como Argentina e Chile. A proposta da Président chega justamente para quebrar essa barreira e ampliar o repertório, fazendo um convite para que o brasileiro leve o queijo para o centro da culinária”, afirma o executivo. A inspiração criativa da campanha nasceu da linguagem clássica dos musicais, trazendo personalidade para ingredientes e utensílios de cozinha em uma atmosfera cinematográfica. “A nossa inspiração veio da magia narrativa dos grandes musicais, onde é possível dar vida e personalidade aos objetos de cena, criando um universo lúdico e memorável. Queremos ativar essa memória afetiva e levar a marca ao topo da lembrança dos consumidores sempre que o palco for a cozinha”, explica Gustavo Victorino. Além do filme principal, a estratégia inclui a websérie “Cozinha de Chef em 15 minutos”, estrelada pelo chef francês Claude Troisgros. Produzida especialmente para o ambiente digital, a série apresenta receitas práticas e acessíveis finalizadas em até 15 minutos, reforçando a proposta de transformar refeições cotidianas em experiências gastronômicas. A campanha também aposta em uma presença multiplataforma, com conteúdos adaptados para Instagram, TikTok e YouTube Shorts, além de veiculação nas principais emissoras do país. Com a nova fase, a Président reforça sua estratégia de aproximar a marca da rotina dos consumidores por meio de experiências, entretenimento e da valorização do ato de cozinhar. As informações são do Adnews, adaptadas pela equipe MilkPoint.