Porto Alegre, 05 de maio de 2026 Ano 20 - N° 4.623
Governo do Estado valida solução biológica inédita contra carrapato com aplicação por drone nas pastagens
Pesquisadores testam produto em Hulha Negra, com tecnologia que pode transformar o controle do parasita no campo
O governo do Estado, por meio de pesquisadores da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), avança na validação a campo de um produto biológico inédito para o controle do carrapato bovino, com aplicação direta nas pastagens por meio de drones. A fase mais recente dos testes ocorreu nesta semana em Hulha Negra, na Campanha gaúcha, marcando um novo passo rumo a uma alternativa mais sustentável ao modelo tradicional baseado em químicos. O Rio Grande do Sul concentra um dos principais focos de infestação de carrapato bovino nas Américas.
Desenvolvido pelo Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor (IPVDF), o projeto propõe uma mudança de paradigma: em vez de tratar o animal com produtos químicos, a estratégia atua no ambiente onde o carrapato passa a maior parte do seu ciclo de vida.
A iniciativa parte de uma lacuna tecnológica. Atualmente, não há produtos disponíveis, em escala pecuária, voltados ao controle de parasitas no ambiente. “A maior parte dos carrapatos está na pastagem, aguardando o hospedeiro. Mesmo assim, o controle segue concentrado no animal”, enfatiza o pesquisador e diretor do IPVDF, José Reck.
Reck explica que o estudo utiliza micro-organismos presentes no solo, como fungos e bactérias, selecionados por sua capacidade de atingir o carrapato sem causar danos aos bovinos, aos seres humanos ou ao ambiente. Esses agentes biológicos são concentrados em uma formulação e aplicados diretamente no campo, com apoio de drones, o que amplia a escala e a eficiência da operação.
“Projetos assim são fundamentais para avançarmos em soluções práticas diante de um problema recorrente no dia a dia dos produtores. A atuação técnica e a expertise da Secretaria da Agricultura permitem não apenas o desenvolvimento, mas também a validação de alternativas inéditas, mais sustentáveis e alinhadas às demandas atuais da pecuária”, destaca o secretário da Agricultura, Márcio Madalena.
Conhecimento e inovação
Iniciado no começo de 2025, o projeto está em fase de validação em escala real, com monitoramento contínuo das áreas experimentais. Atualmente, dois tratamentos estão em teste, com avaliação sistemática de custo-benefício. “A previsão é manter os experimentos até julho, quando a chegada do inverno reduz naturalmente a população de carrapatos, permitindo um balanço mais preciso dos resultados”, prevê Reck.
A proposta combina conhecimentos já consolidados na agricultura — onde o uso de micro-organismos no controle de pragas é amplamente difundido — com o manejo sanitário animal. “Trata-se de uma abordagem que considera todo o sistema produtivo, e não apenas o animal”, destaca a professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), diretora da Agência de Inovação e uma das pesquisadoras integrantes do projeto, Patrícia Golo.
Segundo ela, o diferencial está na atuação integrada sobre todas as fases do parasito. “Avaliamos a infestação nos bovinos, as fases no ambiente e a persistência do fungo no solo, em um experimento conduzido em escala próxima à realidade do produtor”, afirma.
A pesquisa representa um avanço em uma linha de trabalho iniciada em 2012 no IPVDF, voltada ao controle biológico de carrapatos. Até recentemente, os esforços estavam concentrados no desenvolvimento de soluções para aplicação direta nos animais. A mudança para o controle no ambiente marca um novo estágio da investigação.
Problema estrutural no RS
A combinação entre o uso predominante de raças europeias — mais suscetíveis — e condições climáticas favoráveis ao parasita ao longo do ano intensifica a infestação de carrapato bovino no Estado.
Como consequência, o Estado lidera o uso de carrapaticidas químicos, o que acelera o desenvolvimento de resistência. Esse cenário cria um ciclo difícil de romper: quanto maior o uso de químicos, menor sua eficácia ao longo do tempo, aponta Reck.
O médico veterinário da Seapi, Gabriel Fiori, reforça que esse tipo de experimento com insumos biológicos para o controle de carrapatos é uma estratégia fundamental diante da crescente resistência aos acaricidas químicos tradicionais, do aumento das exigências por sustentabilidade e da necessidade de reduzir resíduos em produtos de origem animal.
“O desenvolvimento e a validação dessas alternativas representam avanços importantes dentro do conceito de sustentabilidade econômica e ambiental da pecuária moderna”, observa Fiori.
Caminho para a sustentabilidade
O governo do Estado, por meio da a Seapi, tem investido em alternativas ao controle convencional, incluindo o uso racional de medicamentos e práticas de manejo, como a rotação de pastagens. O novo projeto amplia esse esforço ao propor uma solução de base biológica, com potencial de reduzir impactos ambientais, riscos à saúde e custos no longo prazo.
“Se os resultados se confirmarem, a tecnologia poderá representar uma mudança significativa no controle de carrapatos no campo, alinhando produtividade e sustentabilidade na pecuária gaúcha”, avalia o pesquisador José Reck. (Seapi)
GDT - Global Dairy Trade
Fonte: GDT editado pelo Sindilat/RS
Argentina reforça controle sanitário na produção de leite mirando exportações para União Europeia
O Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (SENASA) da Argentina estabeleceu um novo marco regulatório para os estabelecimentos de produção primária de leite com o objetivo de fortalecer a competitividade do setor lácteo em mercados internacionais altamente exigentes, como a União Europeia e o Reino Unido.
Através da Resolução 200/2026, publicada no Diário Oficial, fixam-se condições sanitárias, estruturais e de controle que deverão ser cumpridas pelas fazendas leiteiras que abastecem indústrias lácteas destinadas à exportação. Esta normativa busca garantir padrões internacionais em matéria de inocuidade alimentar, rastreabilidade e bem-estar animal.
Um novo esquema de habilitação para fazendas exportadoras
A medida introduz um sistema de habilitação obrigatória para os estabelecimentos de produção primária que integram a cadeia exportadora láctea. Para operar sob este esquema, as fazendas deverão solicitar a aprovação perante o SENASA e demonstrar o cumprimento de requisitos técnicos e sanitários específicos.
As inspeções estarão a cargo de veterinários oficiais, que avaliarão as condições de produção, infraestrutura, manejo sanitário e cumprimento de protocolos de qualidade. Além disso, a normativa incorpora a figura de um médico veterinário privado como corresponsável sanitário do estabelecimento, reforçando o sistema de controle e acompanhamento permanente das condições produtivas.
Requisitos sanitários e produtivos para a exportação de leite
O novo esquema regulatório estabelece um conjunto de exigências alinhadas com os padrões internacionais dos principais mercados compradores de produtos lácteos. Entre os principais aspectos, incluem-se:
Controle sanitário integral do rebanho leiteiro.
Protocolos de higiene na ordenha e armazenamento do leite.
Registros de rastreabilidade desde o estabelecimento primário até a indústria processadora.
Aplicação de boas práticas de produção leiteira.
Cumprimento de normas de bem-estar animal reconhecidas internacionalmente.
Estes requisitos buscam assegurar que o leite produzido na Argentina cumpra com os padrões exigidos por mercados como a União Europeia, que mantém uma das regulações mais estritas do mundo em matéria de segurança alimentar.
Exportações lácteas e exigências do mercado internacional
O setor lácteo argentino faz parte de um complexo agroindustrial com forte orientação exportadora, especialmente em produtos como leite em pó, queijos e derivados industrializados. A demanda internacional impulsionou a necessidade de fortalecer os sistemas de controle na origem para garantir o acesso a mercados premium.
Nos últimos anos, organismos internacionais como a FAO destacaram a importância da rastreabilidade e da biossegurança como fatores determinantes para o comércio global de alimentos de origem animal. Neste contexto, a adequação normativa impulsionada pelo SENASA alinha-se com tendências globais que priorizam a transparência na cadeia de produção e a certificação sanitária como requisito indispensável para o comércio internacional.
Rastreabilidade e bem-estar animal como eixos centrais
Um dos pilares da nova regulação é a rastreabilidade completa do produto lácteo, desde o estabelecimento primário até sua industrialização e exportação. Este sistema permite identificar a origem de cada lote de produção e melhorar a capacidade de resposta perante eventuais alertas sanitários.
Da mesma forma, o bem-estar animal adquire um papel central dentro da normativa, em linha com padrões internacionais adotados pela União Europeia e outros mercados de alto valor. Isso inclui condições de alimentação, manejo, saúde e ambiente dos animais em produção.
Impacto na competitividade do setor lácteo argentino
A implementação destes padrões representa um desafio de adaptação para os produtores, mas também uma oportunidade estratégica para melhorar a competitividade do setor lácteo argentino no comércio internacional.
O cumprimento de requisitos sanitários mais rigorosos pode facilitar o acesso a mercados de maior valor, reduzir barreiras técnicas ao comércio e melhorar a percepção de qualidade dos produtos argentinos. Além disso, a formalização de processos e a incorporação de controles mais rígidos contribuem para fortalecer a eficiência produtiva e a sustentabilidade do sistema lácteo.
Em um cenário global onde a segurança alimentar e a qualidade são fatores determinantes, estas medidas contribuem para consolidar a inserção do setor lácteo argentino no comércio internacional de alto valor agregado.
As informações são da E-Aduana, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.
Jogo Rápido
Grupo Piracanjuba avança no digital e amplia presença em buscas e inteligência artificial
O Grupo Piracanjuba avançou em sua estratégia digital ao implementar um modelo de conteúdo orientado por dados, com foco em SEO (Search Engine Optimization, otimização para mecanismos de busca) e GEO (Generative Engine Optimization, otimização para respostas em inteligência artificial). Desenvolvida em parceria com a BASE Digital, consultoria de tecnologia especializada em transformação digital, a iniciativa teve como objetivo ampliar a presença da marca em buscadores e plataformas de inteligência artificial (IA), acompanhando a mudança na jornada de consumo. Os resultados indicam ganho relevante de visibilidade. O blog institucional superou 11 milhões de impressões, com crescimento de quase 50% em menos de um ano, além de registrar 673 mil cliques orgânicos. O desempenho consolida o canal como um ponto de contato relevante para consumidores em busca de informações sobre categorias como leite, queijos e produtos zero lactose. Nas plataformas de inteligência artificial, o avanço foi ainda mais expressivo. As menções à marca cresceram 244% em 2025, com centenas de páginas do site sendo utilizadas como fonte em respostas automatizadas. “Hoje, não basta um site institucional aparecer em buscadores como o Google. As marcas precisam ser fontes de referência para respostas generativas de Inteligência Artificial sobre a empresa”, afirma Guilherme Corsetti, co-CEO da BASE Digital. Dentro da estratégia, um dos destaques foi o reposicionamento digital da linha ProForce, voltada a bebidas e suplementos proteicos. Após o rebranding, o site passou a operar com foco em performance e experiência do usuário, incorporando ferramentas como uma calculadora de proteínas. A iniciativa gerou mais de 1 milhão de impressões e 16 mil cliques orgânicos, além de posicionar a marca entre os primeiros resultados do Google para mais de 270 palavras-chave estratégicas. O impacto nas plataformas de IA também foi significativo para a linha, com crescimento de 900% nas menções ao longo do ano, reforçando o papel do conteúdo estruturado como ativo estratégico para visibilidade e construção de marca. Segundo Lisiane Campos, diretora de Marketing do Grupo Piracanjuba, o movimento está alinhado à estratégia de fortalecimento da relação com consumidores nos canais digitais. “O objetivo é transformar os sites institucionais em uma fonte de informação confiável, conectando o conteúdo produzido pelos nossos especialistas às dúvidas frequentes dos consumidores. A estratégia digital ajudou a ampliar a visibilidade das marcas no digital em um momento em que as plataformas de inteligência artificial ganham cada vez mais protagonismo na jornada do consumidor”, afirma. As informações são do Super Varejo, adaptadas pela equipe MilkPoint.