Porto Alegre, 01 de outubro de 2026 Ano 20 - N° 5.026
Tecnologia reduz custos e é caminho da longevidade dos tambos
A adesão de tecnologias e projetos de inovação na rotina dos tambos leiteiros é o caminho base para reduzir custos da atividade e manter as novas gerações conectadas com o campo. Projetos sustentáveis de reuso de materiais, adoção de biodigestores que convertem dejetos em energia e a gestão de áreas verdes para assegurar o bem-estar animal são ações práticas que serão apresentadas pelo engenheiro florestal Jackson Brilhante durante palestra no dia 15 de outubro, no Milk Summit Mercosul, em Ijuí (RS).
Coordenador do Plano ABC+, programa que reúne oito tecnologias voltadas à produção de baixa emissão de carbono no Rio Grande do Sul, Brilhante defende que manejos sustentáveis e mais eficientes são a forma de manter o campo atrativo para os filhos de produtores, garantindo assim uma sucessão tranquila.
Novidades que ganham força em tempos de desafios climáticos, aumento do custo de mão de obra e alta concorrência no mercado. Optar por reforço tecnológico na propriedade tem sido o caminho adotado por quem decide se manter na atividade mesmo em um período caracterizado por alta evasão.
Segundo dados do Relatórios Socioeconômicos da Cadeia Produtiva do Leite da Emater/RS-Ascar, 55.253 famílias deixaram de produzir leite entre 2015 e 2025, passando de 84.199 produtores para 28.946. Por outro lado, a produção estadual se manteve relativamente estável em aproximadamente 4 bilhões de litros/ano, o que sinaliza que há menos produtores operando no Rio Grande do Sul mas com produção maior por unidade.
“A cadeia produtiva do leite no Rio Grande do Sul atravessa um processo de reconfiguração estrutural marcado pela intensificação tecnológica, pela maior exposição à concorrência externa e pelo aumento da vulnerabilidade climática”, diz o assistente técnico da Emater, Jaime Ries, que também fará apresentação de estudo de campo durante o Milk Summit.
Apesar de o aumento na eficiência ser positivo, Ries menciona que manter o produtor no campo e estimular a atividade leiteira também é uma forma de pulverizar a renda no campo e movimentar a economia de inúmeros municípios.
“É um processo multifatorial de transformação. “A permanência na atividade não depende exclusivamente da estrutura produtiva ou da capacidade tecnológica da propriedade. Ela também está relacionada à disponibilidade de pessoas e à disposição da família para manter uma atividade que exige trabalho contínuo e presença cotidiana”.
Mas a escolha da tecnologia empregada em cada propriedade rural não é receita pronta. Segundo Brilhante, a adoção de tecnologias precisa estar associada às características de cada propriedade. Medidas que podem ir da instalação de complexas usinas de geração de energia ao simples plantio de árvores.
“Os bovinos de leite são muito sensíveis às altas temperaturas. Adotar algumas linhas de eucalipto pode melhorar o conforto térmico, e isso interfere diretamente na produção de leite”, exemplifica.
CARBONO
Outro assunto a ser abordado durante o Milk Summit é a medição de carbono. O Plano ABC+ RS dispõe de equipamentos capazes de avaliar gases de efeito estufa e a quantidade de carbono estabilizada no solo, permitindo realizar o balanço de carbono das propriedades.
Tema que, segundo Brilhante, vem ganhando destaque em um momento em que a tecnologia é ferramenta para conciliar produção e conservação dos recursos naturais.
“O Plano ABC+ RS é uma política de Estado em que buscamos reduzir as emissões de gases de efeito estufa no setor agropecuário do Rio Grande do Sul, trazendo mais eficiência e resiliência para o produtor rural. Ou seja, ter também a produção e a conservação dos recursos naturais caminhando lado a lado”, completa.
Oito bases do Plano ABC+ RS
1. Práticas de recuperação de pastagens degradadas
2. Sistemas agroflorestais
3. Bioinsumos
4. Integração lavoura-pecuária-floresta
5. Florestas plantadas
6. Manejos de resíduos da produção animal
7. Sistemas irrigados
8. Terminação intensiva
O Milk Summit Mercosul 2026 é uma realização conjunta do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Estado do Rio Grande do Sul (Seapi), da Prefeitura Municipal de Ijuí, da Emater/RS-Ascar, Sebrae/RS, Suport D’ Leite e Impulsa Ijuí.
O evento conta com o patrocínio Diamante de Fecoagro/RS, Italac, Lactalis, Piracanjuba e Tetra Pak; Ouro: Sicredi das Culturas RS/MG e Sistema FIERGS; Prata: Unianálises/Univates; Bronze: Launer Química, Santa Clara, Senar e Suifarma. Apoio Plus: Laticínios Frizzo e Apoio: Unijuí, SulPasto, VS Lunardi Genética Bovina e Cogent Brasil.
O rebanho bovino diminuiu 1,7% em 2025, na comparação com 2024, na segunda queda anual consecutiva. A quantidade de bovinos reduziu para 234,3 milhões de cabeças, a menor desde 2022, quando o efetivo era de 234,9 milhões de cabeças.
Leite de vaca é recorde de produção e produtividade pelo terceiro ano seguido
A produção de leite de vaca cresceu pelo terceiro ano seguido, com alta de 2,7% na passagem de 2024 para 2025 e recorde de 36,7 bilhões de litros. O resultado foi alcançado mesmo com a queda de 2,7% no número de vacas ordenhadas nesse período. Foram 14,7 milhões de vacas ordenhadas em 2025, a menor quantidade desde 1979 na série iniciada em 1974.
Esses dados explicam também o aumento recorde de 5,6% na produtividade, a terceira alta seguida, chegando a 2.498,7 litros de leite por vaca por ano. O resultado reflete condições climáticas favoráveis e investimento em aprimoramento genético e manejo do rebanho, aliado a um processo de otimização e reorganização da base produtiva.
O município de Castro (PR) liderou o ranking com 532,8 milhões de litros, alta de 10,0% em relação a 2024. Carambeí (PR) manteve a segunda posição, com 306,8 milhões de litros, e Patos de Minas (MG) ocupou a terceira posição, com 249,2 milhões de litros.
A região Sul liderou em produtividade e reassumiu a primeira posição na produção de leite com 12,5 bilhões de litros, correspondendo a 34,0% da produção nacional, com um crescimento de 4,4% em relação a 2024. O Sudeste vem na sequência, com crescimento de 2,3% e 12,3 bilhões de litros de leite, o equivalente a 33,5% do total nacional.
Já o Nordeste manteve a terceira colocação, com 6,6 bilhões de litros e um aumento de 2,7%, respondendo por 18,0% da produção. O Centro-Oeste chegou a 3,6 bilhões, queda de 1,0%, e contribuiu com 9,8% da produção leiteira nacional. Já o Norte apresentou a menor contribuição da produção (4,6%), e teve aumento de 1,4%, com produção de 1,7 bilhão.
Fonte: IBGE / Adaptado pelo Sindilat
O que exatamente mudou na cobrança do Fundesa para bovinos e búfalos?
A principal mudança é o momento da contribuição. Antes, o recolhimento dos produtores era realizado apenas no momento do abate. A partir de 2026, a contribuição passa a ser calculada e recolhida após o final do prazo da Declaração Anual de Rebanho, pela existência de animais.
Por que o modelo de cobrança mudou?
A mudança foi proposta pelos setores da pecuária de corte e leite em 2021, após a retirada da vacinação contra a febre aftosa, para garantir um fundo mais robusto para o atendimento ao rebanho gaúcho. O objetivo é tornar o sistema mais justo para todos os integrantes da cadeia. Como a contribuição passa a ser feita sobre o rebanho existente na propriedade, o fundo fica mais forte e distribuído de forma justa entre todos os produtores, independentemente de terem enviado animais para o abate naquele período.
O que acontece se eu não fizer o pagamento ou a declaração?
A Declaração Anual de Rebanho é uma obrigação sanitária, exigência do Ministério da Agricultura. Já manter-se em dia com o Fundesa-RS garante que a sua propriedade esteja elegível para receber as indenizações em caso de necessidade de sacrifício sanitário e terá a cobertura do seguro pecuário relacionado à febre aftosa..
Quanto vou pagar?
O valor para bovinos e búfalos de corte ou leite é de R$ 1,33 por animal, uma vez ao ano.
Como foi calculado o valor do boleto?
O valor foi calculado com base no saldo existente no dia em que se encerrou o prazo para a Declaração Anual de Rebanho, neste ano, em 10 de julho.
O valor está diferente do que eu declarei
É que o valor é calculado sobre a existência de animais após o último dia da Declaração Anual de Rebanho, que neste ano teve o prazo encerrado em 10 de julho. Você pode consultar o saldo existente no Produtor Online ou na Inspetoria de Defesa Agropecuária.
Outra possibilidade é de os animais estarem concentrados em outro CPF cadastrado no agronegócio. Verifique com seus familiares se os animais existentes podem estar em outro CPF.
O Fundesa-RS não é responsável pelo número de animais informado para a geração dos boletos, apenas recebeu a informação da Secretaria da Agricultura via Procergs.
Se ainda assim houver divergência, envie e-mail para fundesa@fundesa.net.
Como o fortalecimento do fundo beneficia o meu bolso diretamente?
A maior vantagem é a segurança. Se houver um surto sanitário, o Fundesa garante a indenização rápida ao produtor que precisar sacrificar animais. Sem o fundo, o produtor teria que arcar com o prejuízo total sozinho. Além disso, a sanidade controlada abre portas para que a carne gaúcha continue sendo valorizada e exportada.
Onde posso emitir a guia para o pagamento?
Se o seu cadastro junto ao Sistema de Defesa Agropecuária estiver atualizado, você receberá o link para a emissão do boleto por e-mail. O endereço que irá enviar essa mensagem é comunicados@comunicados.guiasfundesa.com.br e o CNPJ emissor do boleto deve ser 07.355.749/0001-09.
E se eu não receber o e-mail?
Caso não receba por e-mail (ou não utilize e-mail no dia a dia), você poderá acessar o site fundesa.com.br e clicar no banner que diz “Emissão de boletos para contribuição de bovinos e búfalos” e digitar o seu CPF ou CNPJ que o boleto será gerado automaticamente de acordo com o número de animais existentes após a Declaração Anual de Rebanho. Se você não tiver acesso a um computador ou telefone celular, pode procurar o Sindicato Rural, Sindicato dos Trabalhadores Rurais ou Inspetoria de Defesa Agropecuária da sua cidade para gerar a guia para pagamento.
Até quando posso pagar o boleto?
Neste ano, 2026, para estar em dia com o Fundesa-RS, o boleto deve ser pago até o dia 30 de outubro, excepcionalmente.
Vou continuar pagando a contribuição no abate?
Não. A partir de agora o pagamento do rebanho bovino e bubalino de corte será somente uma vez ao ano, sobre o saldo de animais existentes após a Declaração Anual de Rebanho.
Se não receber o e-mail ou não conseguir emitir o boleto pelo site do Fundesa-RS, o que devo fazer?
Entre em contato com o Fundesa-RS pelo Whatsapp oficial 51 40421901 informando seu CPF ou envie e-mail para fundesa@fundesa.net.
Sou produtor de leite. Eu também vou pagar essa taxa pela existência?
Sim, os produtores de leite seguem pagando a contribuição sobre a produção entregue ao laticínio, para serem elegíveis à indenização por abate sanitário em razão de brucelose e tuberculose. Agora pagam também o valor por animal existente uma vez ao ano para cobertura do seguro para febre aftosa.
Se eu não pagar o boleto até a data de vencimento, o que acontece?
Após o vencimento, sobre o valor do boleto vai incidir multa de 2% e juros de 4% ao mês.
Minha propriedade pode ficar bloqueada pela falta de pagamento?
Não, o bloqueio da propriedade pode ocorrer apenas pela falta da Declaração Anual de Rebanho ou de outra obrigação sanitária.
E se eu não quiser pagar a taxa?
A contribuição de R$1,33 é uma obrigação tributária. Se o produtor não cumprir esta obrigação na forma de contribuição ao Fundesa, não terá direito, por parte do fundo, à indenização no caso de um evento sanitário.
Ao contribuir ao Fundesa, o produtor, além contar com seguro e indenização ágil, estará contribuindo para a estruturação do Serviço Veterinário, garantindo o apoio à manutenção e avanço do status sanitário do estado.
Vale lembrar que a taxa existe desde o ano 2000 e foi condição para a evolução de status sanitário do rebanho gaúcho. A partir de 2005, o produtor passou a poder optar pelo Fundesa e sua gestão privada, com a aplicação dos recursos somente para as atividades das cadeias produtivas e o fortalecimento da defesa sanitária animal. Fonte: FUNDESA
Jogo Rápido
Cepea, 30/09/2026 – Pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, mostram que o preço médio do leite cru captado por laticínios ficou praticamente estável em agosto. Na “Média Brasil” líquida, o preço alcançou R$ 2,8869/litro, altas de 0,7% frente a julho/26 e de 9,18% em relação a agosto/25, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de agosto/26). A estabilidade ocorreu mesmo diante do avanço da oferta em algumas regiões. O ICAP-L (Índice de Captação de Leite) cresceu 3,86% de julho para agosto na “Média Brasil”, evidenciando que a produção vem se recuperando, especialmente no Sul do País. Por outro lado, a sustentação dos preços de alguns derivados e a demanda ainda relativamente firme limitaram movimentos mais intensos de baixa no período. Após dois meses de relativa estabilidade, os custos de produção da pecuária leiteira voltaram a subir em agosto. O Custo Operacional Efetivo (COE) avançou 0,63% na “Média Brasil”, refletindo, principalmente, o encarecimento dos insumos utilizados na alimentação do rebanho. As valorizações do milho e da soja no mês anterior foram repassadas aos concentrados, que subiram 1,2% em agosto. Clique aqui e acesse a matéria na íntegra
Fonte: CEPEA / Adaptado pelo Sindilat
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