Porto Alegre, 30 de setembro de 2026 Ano 20 - N° 5.025
ANTT reajusta tabela do frete mínimo com diesel a R$ 7,33; novos valores valem a partir de quarta-feira
Nova tabela entra em vigor em 30 de setembro e altera o valor mínimo que deve ser pago aos caminhoneiros, conforme o tipo de carga, a distância percorrida, o número de eixos e a modalidade de contratação.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) reajustou os valores da tabela de pisos mínimos de frete do transporte rodoviário de cargas. A medida consta da Portaria SUROC nº 22, de 28 de setembro de 2026, publicada em edição extraordinária do Diário Oficial da União desta terça-feira (29).
Os novos valores entram em vigor nesta quarta-feira, 30 de setembro, e devem ser considerados nas operações de transporte sujeitas à tabela de frete mínimo.
A atualização utiliza o preço médio nacional do diesel S10 de R$ 7,33 por litro, registrado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) entre 20 e 26 de setembro.
O novo preço de referência substitui o valor de R$ 6,97 utilizado na atualização de julho. A mudança afeta os coeficientes empregados no cálculo do valor mínimo de transporte, conforme as características de cada viagem.
O que muda para os transportadores e caminhoneiros?
Na prática, os transportadores precisam consultar os novos valores antes de contratar viagens abrangidas pela tabela.
A ANTT atualizou os coeficientes de quatro modalidades de transporte:
Tabela A: transporte de carga lotação com contratação do caminhão completo ou da composição veicular.=
Tabela B: transporte de carga lotação com contratação somente do cavalo-mecânico.
Tabela C: operações de carga lotação de alto desempenho com contratação do veículo completo.
Tabela D: operações de alto desempenho com contratação apenas do cavalo-mecânico.
Os valores variam conforme o tipo de carga, o número de eixos carregados e a modalidade de contratação.
O reajuste contempla diferentes mercadorias, incluindo cargas gerais, frigorificadas, conteinerizadas, granéis sólidos e líquidos, produtos perigosos e cargas a granel pressurizadas.
Fonte: Setcesp / Leia na íntegra
'Robôs queijeiros' viram, limpam e cuidam de queijos no RS
(Ao mesmo tempo que mantém a tradição da receita italiana, a RAR Gastronomia, unidade de negócios da RAR Agro & Indústria, de Vacaria (RS), usa robôs importados da Itália para padronizar a produção dos queijos tipo Grana. Em atividade desde 1999, os “robôs queijeiros” autônomos trabalham nas câmaras de maturação ao lado dos funcionários e realizam a movimentação e a limpeza das 32 mil formas durante o processo.
De acordo com Angelo Sartor, CEO da RAR Agro & Indústria, as máquinas auxiliam uma vez que cada peça sai da fábrica pesando 40 quilos e, ao longo desse período, perde peso com a redução da umidade. Além disso, atuam no processo de padronização dos produtos.
Da tradição italiana às prateleiras do Rio Grande do Sul
Sartor conta que, assim como o modo de produção, os equipamentos também vieram da Itália. Quando o projeto começou em Vacaria, no Rio Grande do Sul, não havia leite com as características necessárias para fabricar o produto nem uma estrutura capaz de reproduzir o padrão de produção italiano.
“Foi uma questão de empreendedorismo do Raul Randon. Alguém o convenceu de que poderia produzir um Grana Padano, o primeiro produzido fora da Itália, aqui em Vacaria”, conta o CEO.
Por questões de denominação de origem, Sartor explica que o produto brasileiro não pode usar o mesmo nome do italiano e, por isso, recebeu a denominação de “queijo tipo Grana”. Segundo ele, desde o início, o processo buscou reproduzir as características do produto italiano.
Para viabilizar a produção, Randon precisou começar pela criação do gado. Ele viajou até Ohio, nos Estados Unidos, e trouxe dois aviões de vacas prenhas para o Rio Grande do Sul. A partir daí, também foi necessário estruturar a alimentação dos animais que, para esse tipo de queijo, não pode incluir pasto verde, já que isso alteraria as características do produto.
A alimentação precisa permanecer igual ao longo de todo o ano para garantir a padronização do queijo. Segundo Sartor, isso permite que uma forma produzida em janeiro tenha as mesmas características de outra fabricada em junho ou setembro, inclusive na coloração.
Para isso, foram construídos galpões de confinamento, além da estrutura de ordenha e do próprio laticínio. Como esse modelo de produção ainda não existia no Brasil, os equipamentos necessários também seguiram o padrão utilizado na Itália.
O robô na missão de padronizar a produção
Sartor explica que os robôs queijeiros fazem parte do processo desde o início da produção do queijo tipo Grana no Brasil. A tecnologia ajuda a não só manter o padrão de fabricação, mas também a qualidade inspirado no modelo italiano.
A produção ocorre diariamente. Como o queijo é feito com leite cru, o CEO explica que o leite não pode ser armazenado nem pasteurizado antes da fabricação. Por isso, a produção acompanha diariamente a disponibilidade do leite.
A maturação também exige cuidados específicos. As formas ficam apoiadas em prateleiras de madeira de pinho ou araucária, que não podem ter nós para não marcar o queijo. As peças permanecem nessa posição durante, no mínimo, 12 meses, e a madeira faz parte dos detalhes do processo de fabricação.
Ao todo, sete robôs atuam na movimentação e na manutenção das formas. Dois colocam os queijos nas prateleiras, enquanto os outros cinco retiram as peças para realizar o processo de manutenção. Os equipamentos escovam tanto o queijo quanto a tábua onde ele está apoiado e, em seguida, viram a forma antes de recolocá-la na prateleira.
A frequência das viradas varia conforme o estágio de maturação. Até o quarto mês, os queijos passam pelo processo praticamente uma vez por semana. Entre o quarto e o oitavo mês, a frequência cai para cerca de duas vezes por semana. A partir do oitavo mês, as viradas ocorrem aproximadamente a cada 20 dias.
Sartor conta ainda que cada robô dos modelos mais novos consegue virar duas formas ao mesmo tempo.
“Antigamente, quando iniciamos os robôs, cada um virava um queijo. Agora, o mesmo vira, ao mesmo tempo, dois queijos. Ele pega um na prateleira de cima e outro de baixo”, afirma
No ritmo da produção, o executivo estima cerca de 1,5 milhão de viradas de queijo por ano. “Então, um robô faz o trabalho de dois. A própria tecnologia vai evoluindo e dando mais agilidade ao processo”, diz.
A legislação brasileira e a manutenção
Além da padronização, Sartor afirma que os robôs também ajudam a atender às exigências da legislação de ergonomia. As prateleiras que armazenam os queijos são altas, enquanto cada forma recém-produzida pesa cerca de 40 quilos. Com a perda de umidade durante a maturação, o peso chega a aproximadamente 35 quilos.
“O trabalhador tem limitações de carga. No caso do homem, são 23 quilos que um homem pode carregar. Então, o robô faz esse papel, que é fundamental até para atender à legislação trabalhista que nós temos hoje, dentro do Ministério do Trabalho”, explica
As máquinas mais antigas continuam em funcionamento, embora apresentem produtividade menor em comparação com os modelos novos. Segundo o CEO, a manutenção e as adaptações permitem preservar a performance de cada equipamento dentro das limitações de seu modelo.
Parte das adaptações também ocorreu para atender às exigências da legislação trabalhista brasileira. Sartor afirma que, em algumas atividades, as regras no Brasil são mais rigorosas do que na Europa. Segundo ele, isso aumenta a proteção e a segurança dos trabalhadores.
Enquanto as máquinas mais antigas conseguem virar uma forma de queijo por vez, os equipamentos novos são capazes de movimentar duas simultaneamente, o que aumenta a agilidade do processo.
A expectativa, segundo Sartor, é que novos modelos sejam desenvolvidos no futuro com capacidade para virar três formas ao mesmo tempo, ampliando a agilidade da produção.
Fonte: Globo Rural
O secretário da Presidência do Uruguai, Alejandro Sánchez, afirmou que a disposição do país em permitir que o Brasil gerencie o acesso a parte do volume da cota de carne uruguaia que, de outra forma, ficaria sem uso, pode ser comparada à intervenção política do Brasil durante o processo antidumping sobre produtos lácteos.
A explicação gerou debate no Uruguai, enquanto o procedimento comercial relativo ao leite em pó permanece em aberto no Brasil.
O que o leite em pó tem a ver com a quota de carne?
A China concedeu ao Uruguai uma quota de 324.000 toneladas de carne bovina para 2026 , com acesso sob condições tarifárias preferenciais.
O governo uruguaio acredita que a indústria não conseguirá concluir esse volume antes do final do ano. Brasil e Austrália manifestaram interesse em utilizar parte do restante da oferta.
Sánchez apresentou a disposição em relação ao Brasil como um gesto dentro da relação bilateral e a relacionou às ações do governo de Luiz Inácio Lula da Silva durante o conflito sobre as importações brasileiras de leite em pó.
No entanto, o Uruguai não pode transferir essa cota unilateralmente . Qualquer realocação depende de uma decisão do Ministério do Comércio da China, e nenhuma autorização final foi concedida até o momento.
O Brasil estabeleceu taxas antidumping, mas não as está cobrando.
O precedente no setor lácteo começou com uma investigação brasileira sobre a importação de leite em pó do Uruguai e da Argentina.
A Resolução nº 907 da Gecex, publicada em junho, estabeleceu direitos antidumping definitivos sobre certas importações de leite em pó integral e desnatado de ambos os países.
Para a Conaprole, o Brasil fixou uma taxa de US$ 613,32 por tonelada . Para outras empresas uruguaias, os valores estabelecidos foram diferentes.
A mesma resolução, no entanto, ordenou a suspensão imediata da aplicação desses direitos por razões de interesse público , pelo que não estão atualmente a ser cobrados.
O Brasil mantém um processo aberto de avaliação do interesse público antes de adotar uma definição mais precisa.
O Uruguai questiona a investigação brasileira.
A existência de uma determinação antidumping brasileira não significa que o Uruguai a aceite.
Na última reunião do Grupo do Mercado Comum do Mercosul, Uruguai e Argentina questionaram tanto a magnitude dos direitos estabelecidos quanto aspectos do procedimento utilizado pelo Brasil.
A Conaprole também sustentou que a investigação foi irregular e levantou objeções quanto à sua compatibilidade com as normas do comércio internacional. Esses são argumentos das partes uruguaias , enquanto a autoridade brasileira mantém formalmente a resolução que estabeleceu as tarifas, embora sua aplicação esteja suspensa.
Portanto, não se pode afirmar com certeza que o Uruguai pratica dumping, mas também não se pode afirmar que a investigação tenha concluído o contrário.
O debate que agora transcende os setores da carne e dos laticínios.
A coluna publicada pelo jornal Todo El Campo questionou a vinculação feita pelo governo entre os dois assuntos e argumentou que a competitividade da pecuária leiteira uruguaia se deve à sua eficiência produtiva.
O governo, por outro lado, apresentou a possível disponibilidade da cota de carne como parte de uma lógica de cooperação com o Brasil.
A discussão surge num momento em que a quota chinesa permanece sem uma realocação aprovada e o processo antidumping sobre o leite em pó também não foi encerrado .
Para a indústria de laticínios uruguaia, a questão central continua sendo o Brasil: embora a aplicação da Resolução 907 permaneça suspensa, as exportações podem continuar sem a cobrança de tarifas adicionais, mas persiste a incerteza quanto às futuras condições comerciais.
Fonte: Todo El Campo tradução livre Sindilat/RS
Jogo Rápido
Cepea, 28/09/2026 – Os preços da soja seguem firmes no mercado brasileiro, sustentados pela menor oferta. Segundo o Cepea, produtores estão resistentes a negociar grandes volumes tanto para entrega imediata, remanescentes da safra 2025/26, quanto para contratos a termo da temporada 2026/27. Pesquisadores do Cepea destacam que, além disso, preocupações quanto ao clima e aos possíveis impactos do El Niño no desenvolvimento da nova safra e a valorização do dólar frente ao Real também sustentaram os valores. No cenário internacional, de acordo com o Cepea, especulações sobre acordos entre a China e os Estados Unidos elevaram as cotações da soja nos últimos dias, e a valorização do farelo também contribuiu para dar suporte à oleaginosa. Fonte: Cepea (www.cepea.esalq.usp.br)