Porto Alegre, 24 de agosto de 2026 Ano 20 - N° 4.699
Arena Láctea de Inovação Sebrae
Na Expofest, durante o Milk Summit Mercosul 2026, que acontece nos dias 14 e 15 de outubro, em Ijuí/RS, o Sebrae terá um espaço para conectar inovação, tecnologia e os desafios reais do do Agronegócio.
Convidamos startups e negócios inovadores, especialmente aqueles com soluções aplicáveis à cadeia produtiva do leite e derivados, a participarem da chamada de seleção para Exposição de Empresas Inovadoras na Arena Láctea de Inovação Sebrae, apresentando suas tecnologias, produtos e modelos de negócio a produtores, indústrias, cooperativas, lideranças e demais atores do setor.
Buscamos soluções que contribuam para uma cadeia mais eficiente, competitiva, sustentável e conectada, aproximando quem desenvolve inovação de quem pode aplicá-la no campo e na indústria.
Se sua solução pode transformar o agro e gerar impacto na cadeia do leite, este espaço é para você.
Onde?
📍 Ijuí/RS
📅 14 e 15 de outubro de 2026
🥛 Milk Summit Mercosul | Inovação que conecta o futuro da cadeia do leite
Período de Exposição?
- 13 e 14 de Outubro de 2026
Vagas?
20 Startups e Negócios Inovadores
O que está incluso no espaço:
- Espaço modelo startup
- 4m²
- Identificação da Startup
- 2 cadeiras;
- Tomada individual
Valores
O espaço será disponibilizado de maneira gratuita.
OBS: Demais custos serão de responsabilidade do expositor.
Critérios de Classificação para Participar do Espaço Startups Sebrae:
A classificação se dará pela soma das pontuações de 1 a 5 nos critérios abaixo.
- Grau de maturidade da startup;
- Nível de Inovação da Solução;
- Modelo de Negócio
- Conexão da solução com a cadeia do leite
- Participante do Programa Campo Inovador terá pontuação extra.
*a avaliação dos Critérios de Classificação será realizado pela equipe organizadora, e fica a critério do mesmo a escolha final.
NÃO PERCA TEMPO, candidate sua empresa a estar presente na maior feira agro do estado!!
Tecnologia eleva produtividade da cadeia leiteira gaúcha
Se fizéssemos uma viagem no tempo e lá do passado vislumbrássemos a vaca do futuro, ela usaria uma coleira altamente tecnológica, com informações sobre sua saúde, nutrição e condição reprodutiva. O animal também teria acesso a pastagens e silagens inovadoras, capazes de proporcionar maior conversão alimentar e incremento na produção de leite.
A vaca do futuro produziria um novo tipo de leite chamado A2, especial para intolerantes à proteína A1 do leite, a partir de trabalhos intensivos de melhoramento genético. Uma tal Inteligência Artificial ajudaria a monitorar esses animais, fornecendo informações precisas sobre diferentes estágios da vida deles.
Os robôs tomariam conta das salas de ordenha e teriam papel crucial para suprir a baixa oferta de mão de obra nos tambos gaúchos. De volta para o futuro, todas essas tecnologias já são realidade, contribuindo para incrementar a produtividade a campo, aumentar a margem dos produtores e qualificar ainda mais o leite produzido por esses pagos.
Para o assistente técnico regional da Emater-RS/Ascar Jaime Ries, entre as tecnologias mais utilizadas para a produção leiteira estão a melhoria da alimentação, a genética do rebanho, a adequação das instalações, a inseminação artificial e a gestão da propriedade, visando o aumento da produtividade e da qualidade do leite.
“A inovação não chega de forma uniforme aos produtores. Tecnologias mais avançadas, como robótica, chegam primeiro aos produtores maiores. Na agricultura familiar, o foco ainda está em tecnologias consideradas básicas, mas de alto impacto, pois a instabilidade dos preços torna o produtor mais cauteloso para investir.”, afirma o especialista.
Dados do Relatório Socioeconômico da Cadeia Produtiva do Leite no Rio Grande do Sul de 2025, elaborado pela Emater, apontam que a produção de leite destinado à industrialização no Estado vem se mantendo estável, apresentando um leve aumento de 0,2% em relação ao último relatório, de 2023, passando de 3,83 bilhões de litros para 3,84 bilhões por ano.
Por outro lado, o número de estabelecimentos produtores que comercializam o leite cru para a indústria ou processam em agroindústria legalizada caiu de 33.019 (2023) para 28.946 (2025), uma redução de 12,3%. Há dez anos, quando o primeiro relatório foi elaborado, eram 84.199 estabelecimentos no Estado. O rebanho leiteiro também vem apresentando redução, apesar de ser menos expressiva que o número de agricultores.
Nos últimos dois anos, a queda de 3,5% representa 27,234 vacas leiteiras a menos, totalizando 742.578 em 2025. A produtividade por vaca e o volume médio diário produzido nos estabelecimentos também vem aumentando. Em 2015, a produtividade média era de 11,8 litros/vaca/dia e o volume médio diário de 137,1 litros/estabelecimento.
Em 2025, passou para 17 litros e 363,8 litros, respectivamente. Isso significa que um menor número de produtores, com um rebanho menor, consegue produzir a mesma quantidade de leite. O segredo para esses resultados é o aumento de produtividade a partir do investimento em novas tecnologias.
Dados Relatório Socioeconômico da Cadeia Produtiva do Leite no RS de 2025
Produção de leite destinado: de 3,83 bilhões de litros (2023) para 3,84 bilhões por ano (2025), aumento de 0,2%.
Número de estabelecimentos produtores de leite: caiu de 33 mil (2023) para 28,9 mil (2025), queda de 12,3%. Há dez anos, eram 84,1 mil estabelecimentos no Estado.
Rebanho leiteiro: 742,5 mil vacas em 2025, queda de 3,5% em relação a 2023.
Produtividade por vaca/volume médio diário produzido: Em 2015, a produtividade média era de 11,8 litros/vaca/dia e o volume médio diário de 137,1 litros/estabelecimento. Em 2025, passou para 17 litros e 363,8 litros, respectivamente.
Cabanha usa tecnologia para aliar bem-estar das vacas com aumento de produtividade
Investir em novas tecnologias, mas sem perder a ternura. Esse é poderia ser o slogan da Cabanha Ventana, de Boa Vista do Incra, região do Alto Jacuí, que há quase 40 anos trabalha com produção leiteira, a partir do rebanho de vacas da raça Jersey. “Elas são meus bebês e também a base do sustento da minha família, então preciso aliar o uso de ferramentas de última geração pensando no bem-estar delas e também numa forma de aumentar a nossa rentabilidade, sem deixar para trás a nossa essência, baseada no carinho e respeito pelo nosso rebanho”, afirma a proprietária da cabanha Carmem Dias da Costa.
Os incrementos iniciaram nos últimos dez anos quando foi instalada a “praça de alimentação para as vacas”, com bicos aspersores que ficam jorrando água a cada quatro minutos, o que melhorou a questão do estresse térmico, especialmente no verão, e consequentemente os animais respondem com mais leite. “Também colocamos na ordenha ventiladores para o bem-estar delas”, acrescenta.
A produtora conta que também implementou a tecnologia das coleiras nas vacas que passam para o celular tudo o que acontece com a saúde, alimentação e status reprodutivo dos animais, permitindo monitorar o quanto elas caminham e a ruminação. “Sempre fizemos tudo que está ao nosso alcance para elas terem uma vida feliz e saudável. Minhas vacas não são confinadas, elas pastam livremente no campo. E ganham silagem e ração duas vezes ao dia no horário mais quente nesse galpão para se sentirem fresquinhas”, diz.
A questão energética da propriedade também foi incrementada com a instalação de placas solares para diminuir o gasto com a energia elétrica, além disso, conta com um gerador para quando falta luz manter o leite gelado, a ordenha e os bicos aspersores funcionando.
A Ventana também tem se destacado na produção de A2, um tipo de leite de vaca que contém exclusivamente a variante A2 da proteína beta-caseína, sem a presença da proteína A1. Ele é obtido de vacas selecionadas por meio de teste genético (genótipo A2A2) e costuma ser mais fácil de digerir para quem sente leve desconforto com o leite comum. A ideia surgiu em 2022, com a criação de uma agroindústria familiar focada em produtos elaborados com esse tipo de leite: manteiga, nata, doce de leite, vários tipos de queijos e bebida láctea leite, além de leite enfrascado integral, semidesnatado e desnatado.
“Inseminei as vacas com sêmen de touros A2 e hoje meu plantel tem 95% de vacas A2. Como faço genoma em todo o meu gado há mais de 10 anos, isso é uma ferramenta bem importante para saber como está a genética do plantel”, explica. Quando nasce a terneira é feita uma coleta da cartilagem da orelha, que vai para os Estados Unidos. Em 60 dias vem o resultado desse animal, com informações como quanto ela vai dar de leite, se é portadora de alguma doença e se é A2A2.
Carmem conta que decidiu trabalhar com leite A2 porque muitas pessoas que acham que têm alergia à lactose na verdade são alérgicas a proteína beta caseína A1. “Há alguns anos, não se sabia desse desconforto causado por esta proteína, só culpavam a lactose”, explica. (Jornal do Comércio)
Do "modo sobrevivência" à exportação: o leite brasileiro está preparado para competir?
O painel da Sala de Gestão do Interleite 2026 alerta que o resultado econômico não garante liquidez e mostra como o fluxo de caixa, mais do que o volume, dita quem mantém a porteira aberta.
O segundo dia do Interleite 2026 foi marcado por debates sobre a viabilidade econômica e o futuro da produção de leite no Brasil. Durante um painel na sala de gestão, o grande questionamento que norteou as discussões foi a competitividade do produtor brasileiro e as possibilidades de exportação do leite brasileiro. Esse cenário foi apresentado por Thiago Rodrigues, representante do Educampo e do Sebrae/MG, que evidenciou os desafios estruturais do país.
Com um perfil historicamente importador, que em 2025 chegou a trazer de fora um volume equivalente a 7,8% de sua produção formal, o Brasil esbarra em custos muito elevados. Competir com gigantes como a Argentina, um dos maiores exportadores de leite em pó do mundo e detentor de custos operacionais consideravelmente mais baixos, exige uma mudança radical na forma como as propriedades rurais são administradas.
A régua da competitividade muda de acordo com o tamanho e a eficiência da fazenda. Segundo o levantamento de Rodrigues, enquanto propriedades que produzem a partir de 5.000 litros por dia tentam buscar melhores margens, a grande maioria das fazendas brasileiras encontra-se estagnada, operando com um custo operacional total que varia entre um e três reais por litro.
Curiosamente, as propriedades menores das regiões Sul e Sudeste, com produção diária na faixa de 2.000 litros, demonstram uma resiliência notável. Elas sofrem menos pressão que as fazendas americanas de mesmo porte e chegam a apresentar margens superiores às de produtores argentinos e uruguaios. Esse fenômeno é impulsionado pelo mercado interno brasileiro, que premia significativamente o volume de sólidos e a qualidade do leite. No entanto, o palestrante fez uma provocação pertinente: caso os prêmios praticados na cadeia caíssem ou não existissem, quantas propriedades ainda conseguiriam se manter competitivas no mercado atual, visto que o valor bruto equivalente do leite despencaria em relação direta?
A resposta para a sobrevivência e o crescimento passa diretamente pela eficiência operacional e pelas escolhas assertivas nos sistemas de produção. O que explica o custo de uma fazenda é a sua eficiência na utilização de ativos, a extração de produtividade por recurso, a gestão de indicadores e uma forte disciplina. Entre 2020 e 2025, muitas fazendas que adotaram o modelo confinado viram sua produtividade saltar 22%, consolidando-se dentro de uma zona de resiliência financeira onde conseguem girar e reter o capital imobilizado.
Em contrapartida, outras propriedades semiconfinadas analisadas estagnaram e hoje flertam com o risco de insustentabilidade. O segredo dos produtores que se destacam está na redução de custos operacionais focando em mão de obra, depreciação, concentração e aumento de volume, além de adotar uma taxa de giro que atua como integradora da estratégia. A lucratividade precisa ser o verdadeiro alvo das decisões.
Como a relação entre a receita e os custos de alimentação tem exercido grande pressão sobre os menores, a adoção de ferramentas de análise do mercado futuro se tornou peça chave para antever flutuações. Afinal, a verdadeira licença para competir exige não apenas alcançar o topo da produtividade, mas sustentar essa relevância no longo prazo, já que o resultado econômico positivo não garante liquidez. Como bem ressaltou Thiago, “é necessário negociar e produzir bem”, lembrando que o fluxo de caixa é o juiz final que determina se uma fazenda fecha ou não as portas.
A transição da teoria para a prática ganhou vida com o estudo de caso da Fazenda Ouro Verde, localizada no município de Prata, em Minas Gerais. Vinícius de Oliveira Rezende, que atua na atividade desde 2006 e usou o leite para custear seus próprios estudos, compartilhou como a gestão orientada por dados transformou a realidade de sua propriedade. Assistida pelo Educampo, a fazenda passou por um ponto de virada quando deixou de arcar com os altos custos de terceirizar a tecnologia reprodutiva e, seguindo uma sugestão do Sebrae, implementou um programa próprio de fertilização in vitro.
Aliada à introdução da silagem para um controle muito mais rigoroso da dieta do rebanho, a estratégia elevou simultaneamente a qualidade genética e a nutrição dos animais, permitindo o aumento do número de vacas em lactação. O impacto da mudança guiada por dados foi expressivo na linha do tempo: a produção, que era de 600 litros diários em 2017, alcançou a marca de 1.719 litros por dia agora em 2025. Embora as inovações tenham gerado um aumento temporário nos gastos, o retorno veio de forma avassaladora com uma expressiva recuperação financeira, culminando em uma receita de 314 mil reais no ano de 2024.
O sucesso de produtores como Vinícius reflete o impacto direto da atuação do Educampo, iniciativa detalhada no painel por Breno Assis Mendonça, também do Sebrae/MG. Criado em 1997 com o objetivo de fomentar a gestão profissional dos negócios rurais, o programa se apoia na premissa de empoderar produtores e consultores por meio da geração de parcerias de alto valor. Hoje, a rede já conta com 65 consultores atuando ativamente no campo, prestando assistência a 842 produtores rurais com o respaldo institucional de 20 empresas parceiras.
Os investimentos contínuos do Sebrae em novas ferramentas de gestão e tecnologias aplicadas mostram que o caminho para uma pecuária de leite lucrativa, resiliente e competitiva não é trilhado no escuro, mas sim iluminado pela integração inteligente entre análise de mercado, conhecimento técnico e aplicação de dados na rotina do campo. (Milkpoint)
Jogo Rápido
Pesquisa sobre saída de produtores de leite no RS será apresentada na Expointer
A Emater/RS-Ascar apresenta, no dia 1º de setembro, os resultados de uma pesquisa que analisa a saída de produtores da cadeia produtiva do leite no Rio Grande do Sul. O estudo traça o perfil dos produtores que deixaram a atividade e reúne informações sobre como produziam, os fatores que motivaram a decisão de abandonar a produção leiteira e as consequências desse movimento para o setor. A apresentação será realizada às 14h30, na Casa da Emater/RS-Ascar, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, durante a Expointer 2026. O levantamento contribui para dimensionar as transformações em curso na produção de leite gaúcha e ampliar a compreensão sobre os desafios enfrentados pelos produtores no Estado. (Sindilat/RS com informações da Emater/RS)