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09/07/2026

Porto Alegre, 09 de julho de 2026                                                          Ano 20 - N° 4.667


Rabobank | Rabobank projeta freio na produção de leite e novo cenário global

A produção mundial de leite deve desacelerar em 2026, alterando o ambiente para preços, comércio e planejamento do setor brasileiro.

A produção mundial de leite deve entrar em uma nova etapa em 2026, segundo o relatório trimestral do Rabobank.
Depois da forte expansão registrada em 2025, a expectativa é de um crescimento muito mais moderado, indicando uma fase de reequilíbrio entre oferta e demanda que poderá influenciar o ambiente de negócios também para o setor brasileiro.

O relatório mostra que os principais países produtores deixam para trás um ciclo de expansão acelerada. Os chamados “Sete Grandes” — União Europeia, Estados Unidos, Nova Zelândia, Austrália, Brasil, Argentina e Uruguai — deverão registrar crescimento conjunto próximo de 1% em 2026, bem abaixo dos 3,1% observados no ano anterior. A projeção indica avanço da produção no primeiro semestre, estabilização no terceiro trimestre e contração no último trimestre do ano.

Essa mudança ocorre em um contexto de rentabilidade mais apertada. O Rabobank destaca que os produtores enfrentam redução das margens devido à queda dos preços do leite combinada ao aumento dos custos de produção. Ao mesmo tempo, o comportamento dos mercados de derivados é desigual: enquanto os produtos proteicos seguem sustentados, manteiga e queijo continuam pressionados pelo excesso de oferta.

Do lado da demanda, o cenário permanece frágil. A inflação, as incertezas geopolíticas e o risco de ocorrência do fenômeno El Niño aparecem entre os fatores que continuam limitando uma recuperação mais consistente do consumo mundial.

Entre os grandes produtores, os movimentos são bastante distintos. Na União Europeia e no Reino Unido, a produção permanece elevada, mas perde intensidade após um longo período de expansão apoiado pelo ganho de produtividade. O crescimento previsto para o segundo trimestre é de apenas 0,2%, seguido por retrações próximas de 1% na segunda metade de 2026. A redução de aproximadamente 17% nos preços do leite desde setembro, somada ao aumento dos custos de energia e fertilizantes, reduziu as margens e direcionou maior volume para leite em pó desnatado e manteiga, ampliando a pressão sobre esses mercados.

Nos Estados Unidos, o cenário é diferente. O Rabobank projeta crescimento próximo de 2% na produção em 2026, sustentado por um rebanho recorde de 9,7 milhões de vacas e por ganhos de produtividade. Custos menores com alimentação e receitas adicionais provenientes da criação de bovinos destinados ao consumo ajudam a preservar as margens.

Na Oceania, a Nova Zelândia encerra uma temporada forte, com produção 3,5% superior à do ano anterior, próxima de um recorde. Ainda assim, o banco espera desaceleração para cerca de 1% em 2026/27, principalmente pelo efeito da elevada base de comparação. Na Austrália, a situação permanece mais desafiadora, com produção 0,3% inferior até abril e expectativa de nova retração semelhante na temporada seguinte, em um ambiente de custos crescentes e preços praticamente estáveis.

Na América do Sul, o Brasil também entra em uma fase de menor dinamismo. Depois do crescimento de 8,0% registrado em 2025, o Rabobank projeta estabilidade da produção em 2026, com recuos na segunda metade do ano. O relatório aponta recuperação parcial das margens, mas ressalta que a demanda continua limitada pela inflação e pelo elevado nível de endividamento.

A Argentina também deverá desacelerar. O crescimento esperado fica entre 1% e 2% em 2026 antes de perder força no final do ano, enquanto a demanda permanece concentrada em produtos de menor valor e o processo de consolidação do setor continua avançando.

Na China, a produção deverá permanecer estável em torno de 40,9 milhões de toneladas. Os ganhos de produtividade compensam a redução do tamanho dos rebanhos, enquanto o consumo cresce cerca de 2%, impulsionado pelos serviços de alimentação e por produtos de maior valor agregado. O país também deverá aumentar as importações de leite em pó integral e reduzir as compras de leite em pó desnatado.

Mais do que uma simples projeção de produção, o relatório descreve um mercado internacional que passa da expansão acelerada para um ritmo mais equilibrado. Em um ambiente de margens menores, demanda ainda cautelosa e comportamentos distintos entre as principais regiões produtoras, a evolução da oferta global tende a ser um dos principais fatores de atenção para toda a cadeia láctea ao longo de 2026.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Fedeleche


QUAL O PIB DOS LÁCTEOS?

Artigo de Paulo do Carmo Martins

O café, o açúcar e a mineração viabilizaram tudo o que importamos de produtos industrializados ao longo dos anos, até o Governo JK. Eram com os dólares da venda desses produtos agrícolas que pagávamos até as latrinas dos nossos banheiros, importadas da Europa.

 Os barões do café acumularam o capital usado para, tardiamente, iniciarmos nosso processo de industrialização, no meio do século passado. Isso explica, em grande parte, São Paulo ter saído na frente do Brasil.

 No centro de São Paulo tem o famoso prédio do Banespa (hoje farol Santander). Por décadas, foi o arranha-céu mais alto da cidade. Alí, no seu topo, disponível para visitação, você tem uma vista panorâmica de 360 graus da capital. Mas, poucos sabem que, no seu subterrâneo tem o bar do cofre, em que é possível voltar no tempo e tomar um chopp no local que ficou guardada a riqueza do agronegócio, que viabilizou o início de tudo que se vê lá do topo.

 Atualmente, agronegócio é visto como produtos de exportação. E, faz sentido. Afinal, o Brasil está entre os primeiros na exportação de açúcar, café, carnes (bovina, frango e suína), celulose, etanol, fumo, milho, soja e suco de laranja. E os lácteos?

 Os lácteos nunca são lembrados, apesar do Brasil estar entre os maiores produtores do mundo. Isso ocorre porque eles impactam negativamente a balança comercial brasileira. Importamos mais que exportamos. Mas, e sob outros ângulos, leite e derivados devem continuar a serem vistos como o patinho feio do agronegócio brasileiro?

 Celulose é um produto importante para nós. Mas, gera muito pouco emprego e é produzido em somente regiões específicas do Brasil. O suco de laranja também tem pouco impacto nacional, embora seja relevante para as regiões bem delimitadas espacialmente, que produzem e processam este fruto. Etanol está em crescimento, com vários projetos de unidades processadoras em construção. Mas, o impacto de geração de emprego é pequeno.

 Um olhar para os grãos, mostra que a produção de soja e de milho cresceu nos últimos vinte anos no Brasil de modo impressionante. O milho surpreende, por já ser possível a obtenção em até três safras em apenas um ano, algo que os produtores e técnicos de outros países não conseguem entender. Além de gerar renda em praticamente todo o Brasil, tem a virtude de ser um produto que viabiliza também o setor de proteína animal no mercado interno. O mesmo pode ser dito para a soja. Todavia, ambos geram mais renda que empregos diretos.

 Fumo tem forte impacto na geração de emprego, mas é cultura espacialmente restrita. Já o café e o açúcar, dois produtos presentes ao longo da história econômica brasileira, continuam sendo muito importantes. Mas, ambos vem perdendo vigor na geração de emprego. Sob este aspecto, as carnes suínas e de frango continuam sendo importantes na geração de emprego, enquanto que a de bovinos se destaca pela geração de renda.

E o leite? Ora! De todos os onze produtos citados, o leite ganha de todos em número de empregos diretos permanentes gerados. Além disso, gera empregos no interior do Brasil, até onde não há indústrias e serviços em grande proporção.

 Por desconhecimento técnico, além da exportação, é comum ser dada importância ao Valor Bruto da Produção de cada produto, ou seja, ao valor obtido com o produto vendido na porteira, sem beneficiamento. Sob este aspecto, dos onze produtos listados, o leite perde para sete. Mas, e se compararmos o Produto Interno Bruto (PIB) gerado por cada um produto?

O PIB tem uma metodologia única, usada por todos os países do mundo. No cálculo, não está correto somar o valor gerado em cada elo da cadeia. Portanto, para calculá-lo, exige conhecimento técnico. Pois, ao gerar um PIB anual de R$ 186 bilhões, leite e derivados conseguem distribuir estes recursos em todo o território nacional, para múltiplos segmentos que estão antes e depois da porteira. E, ao compararmos o seu PIB com o PIB dos onze produtos citados, os lácteos perdem somente para soja, milho e carne bovina. (Linkedin)

Sooro Renner divulga Relatório de Sustentabilidade 2025 e reforça ESG como eixo estratégico

A publicação reúne avanços em governança, gestão ambiental e responsabilidade social, em um contexto em que transparência e sustentabilidade ganham peso crescente na atuação das empresas.

A Sooro Renner divulgou seu Relatório de Sustentabilidade 2025, documento que apresenta os principais resultados, práticas e compromissos da companhia nos pilares Ambiental, Social e de Governança. Durante o mês de junho, o relatório consolida as iniciativas desenvolvidas pela empresa e reforça a integração da agenda ESG à estratégia corporativa, em um momento em que o tema deixou de ser apenas um indicador reputacional e passou a orientar decisões de gestão, investimentos, relacionamento com públicos estratégicos e competitividade de longo prazo.

O primeiro  Relatório de Sustentabilidade ganhou relevância especial em 2026, ano em que a Sooro Renner celebrou 25 anos de atuação. Ao reunir indicadores, projetos e diretrizes institucionais, o relatório evidencia como a empresa tem estruturado sua atuação para responder a demandas cada vez mais presentes no ambiente empresarial: uso responsável de recursos naturais, fortalecimento das relações de trabalho, impacto positivo nas comunidades, integridade nos processos e transparência na condução dos negócios.

No cenário corporativo, a agenda ESG passou a ocupar um papel central porque conecta desempenho econômico a critérios ambientais, sociais e éticos. Para empresas com atuação industrial, essa pauta ganha ainda mais importância ao envolver temas diretamente relacionados à eficiência operacional, à segurança dos processos, à gestão de riscos, à conformidade regulatória e à capacidade de gerar valor de forma consistente. Nesse contexto, relatórios de sustentabilidade funcionam como instrumentos de prestação de contas, mas também como ferramentas de gestão, ao tornar públicos os avanços, os desafios e as prioridades da organização.

No pilar de Governança, o Relatório de Sustentabilidade 2025 da Sooro Renner destaca os movimentos importantes para o amadurecimento institucional da empresa. Entre eles, estiveram a atualização do Código de Ética e Conduta, a elaboração da primeira Matriz de Materialidade do Grupo e o início da estruturação da Governança ESG. O documento também registrou a manutenção de certificações e auditorias de qualidade e socioambientais, reforçando a importância de processos formais, critérios de conformidade e mecanismos de controle para sustentar uma atuação empresarial responsável.

Na dimensão Social, a companhia apresenta os avanços em ações voltadas ao bem-estar, à saúde e ao acolhimento dos colaboradores, além de iniciativas direcionadas ao desenvolvimento de lideranças e talentos. O relatório também registrou o apoio a projetos sociais locais e incentivados, ampliando a conexão da empresa com as comunidades em que está inserida e demonstrando que a sustentabilidade corporativa também se expressa na forma como a organização se relaciona com as pessoas.

Já no eixo Ambiental, a Sooro Renner aponta os resultados ligados à gestão eficiente de recursos e à redução de impactos. Entre os destaques estiveram o recorde de reúso de água nas unidades industriais, o avanço na quantificação das emissões de CO₂ e a ampliação do volume de compensação de embalagens por meio da logística reversa. As iniciativas indicaram a busca por maior controle ambiental da operação e por práticas alinhadas às exigências contemporâneas de responsabilidade produtiva.

Mais do que apresentar números, o relatório demonstra como a sustentabilidade vem sendo incorporada à lógica de gestão da companhia. A leitura dos dados mostrou uma empresa atenta à necessidade de combinar crescimento, inovação e responsabilidade, sem dissociar resultados de compromissos ambientais, sociais e institucionais.

Segundo o Diretor Presidente da Sooro Renner, Eduardo Serra Ferreira, a construção de umfuturo sustentável depende de ações contínuas, visão de longo prazo e, sobretudo, das pessoas que impulsionam os resultados da companhia. A mensagem reforça um dos pontos centrais do relatório: a sustentabilidade não se sustenta apenas em metas ou indicadores, mas na capacidade de transformar compromissos em práticas consistentes dentro da operação. Aos 25 anos de história, completados em 2026, a companhia marcou o período com a consolidação de iniciativas que associam desempenho empresarial, responsabilidade socioambiental e governança como fundamentos para sua continuidade. Acesse aqui. (Sooro)


Jogo Rápido

Declaração de rebanho
Os produtores gaúchos têm até amanhã para entregar a Declaração Anual de Rebanho 2026 e realizar a Atualização Cadastral. O prazo, prorrogado no fim de junho, se encerra definitivamente nesta data. A declaração é obrigatória para todos os criadores de animais e deve informar os rebanhos existentes na propriedade.O procedimento pode ser feito pela internet, no portal da Secretaria da Agricultura, ou presencialmente nas Inspetorias e Escritórios de Defesa Agropecuária. (Zero Hora)