Porto Alegre, 15 de maio de 2026 Ano 20 - N° 4.631
Competitividade e sanidade são desafios para a exportação de lácteos brasileiros
Competitividade e sanidade animal combinadas com políticas públicas serão decisivas para ampliar a presença do leite brasileiro no mercado internacional, defende o presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS), Guilherme Portella. “Sanidade é condição para exportar, mas competitividade é o que define permanência no mercado”, disse no Seminário de Sanidade em Pecuária Leiteira - Caminhos para a Exportação, realizado nesta quinta-feira (14/05).
Na Fenasul/Expoleite, em Esteio (RS), o dirigente ressaltou que o Brasil possui potencial produtivo para estar entre os grandes players, mas precisa enfrentar gargalos estruturais. “Exportar exige competitividade sistêmica. O futuro do leite brasileiro depende da integração entre produtores, indústria, entidades e governos”, destacou. Portella lembrou que o Rio Grande do Sul é estratégico sendo a terceira maior bacia leiteira do Brasil, com crescimento produtivo anual. Entre 2004 e 2024, a produção gaúcha foi de 2,36 bilhões para 4,03 bilhões de litros por ano, o equivalente a 11,28% da produção nacional e 2,81% do PIB gaúcho, movimentando aproximadamente R$ 19,86 bilhões.
Representando o setor da indústria, Portella salientou que é preciso superar desafios como custo logístico, a complexidade tributária, a oscilação cambial, e a necessidade de avanços em escala, tecnologia e assistência técnica, com resposta urgente da União sobre o futuro do Programa Mais Leite Saudável. “Política pública eficiente não é custo, é investimento que se transforma em competitividade”, afirmou, ao chamar atenção ainda para a necessidade de medidas imediatas de proteção do mercado interno frente ao avanço das importações do Mercosul, especialmente de Argentina e Uruguai. Somente entre janeiro e abril de 2026, ingressaram aproximadamente 65 mil toneladas de leite em pó e 18,2 mil toneladas de queijo, volume equivalente a cerca de 709 milhões de litros de leite e a 60 dias da produção gaúcha.
O Seminário de Sanidade em Pecuária Leiteira foi realizado no auditório da Casa da Sanidade Animal do Fundesa, no Parque de Exposições Assis Brasil, reunindo representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), setor produtivo, indústria e entidades do segmento lácteo. (SINDILAT/RS)
Sindilat destaca desafios do leite no 2º Simpósio Elo da Pecuária
O avanço da produção mundial, a pressão das importações, a volatilidade do mercado internacional e os desafios relacionados à qualidade do leite foram alguns dos principais pontos abordados pelo secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS), Darlan Palharini, durante a palestra “Cenários Lácteos”, realizada nesta quinta-feira (14), no 2º Simpósio Elo da Pecuária, promovido na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Campus Capão do Leão (RS).
Ao longo da apresentação, Palharini trouxe uma análise sobre os movimentos que vêm transformando a cadeia leiteira global e os reflexos para produtores e indústrias brasileiras. “Hoje o setor leiteiro convive com um ambiente muito mais volátil e conectado ao mercado internacional. O crescimento da produção global, os custos logísticos, a oscilação do dólar e o avanço das importações impactam diretamente a formação de preços e a sustentabilidade da cadeia”, afirmou.
Entre os dados apresentados, o dirigente destacou que o Rio Grande do Sul ampliou em mais de 70% sua produção de leite entre 2004 e 2024, passando de 2,36 bilhões para 4,03 bilhões de litros anuais, consolidando-se como o terceiro maior produtor do país. Atualmente, a cadeia láctea representa 2,81% do PIB gaúcho, movimentando cerca de R$ 19,86 bilhões por ano.
Outro eixo da palestra foi a qualidade do leite e os impactos econômicos associados à matéria-prima. Palharini ressaltou que a melhoria contínua dos indicadores sanitários e produtivos é determinante para aumentar a competitividade da indústria e garantir maior rentabilidade ao produtor. “A qualidade do leite deixou de ser apenas um diferencial. Quem não investir em eficiência e qualidade terá cada vez mais dificuldade de permanecer competitivo”, destacou.
No cenário internacional, Palharini destacou perspectivas de oportunidades para o leite brasileiro em mercados como Oriente Médio, Norte da África e Sudeste Asiático, impulsionadas pelo aumento da demanda global. Por outro lado, alertou para a pressão no mercado interno do leite em pó vindo dos países vizinhos do Mercosul, especialmente Argentina e Uruguai. “Quando há aumento da oferta desses países com maior competitividade no mercado internacional, o Brasil sente diretamente os reflexos, principalmente no leite em pó, pressionando preços e desafiando ainda mais a indústria e o produtor nacional”, afirmou.
O 2º Simpósio Elo da Pecuária reuniu produtores, estudantes, pesquisadores, técnicos e profissionais ligados ao setor leiteiro para debater temas relacionados à produtividade, bem-estar animal, gestão e tendências de mercado ao longo de toda a programação realizada no auditório da Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel (FAEM/UFPel). (SINDILAT/RS)
SINDILAT/RS doa 1.020 litros de leite para famílias em vulnerabilidade social durante a Fenasul Expoleite 2026
O SINDILAT/RS realizou a doação de 1.020 litros de leite UHT à Prefeitura Municipal de Esteio, que fará a distribuição do produto para famílias em situação de vulnerabilidade social no município.
A entrega ocorreu nesta quinta-feira (14), durante o tradicional Banho de Leite promovido pela Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul, no âmbito da Fenasul Expoleite, realizada no Parque de Exposições Assis Brasil.
A ação integra as atividades do Concurso Leiteiro da raça Holandesa, um dos momentos mais tradicionais da feira, e simboliza a conexão entre a excelência da produção leiteira e o compromisso social da indústria de laticínios gaúcha.
Segundo o presidente do SINDILAT/RS, Guilherme Portella, a iniciativa reforça o papel do setor na promoção do desenvolvimento e do bem-estar da população.
“Ao mesmo tempo em que premiamos aqueles que se destacam na produção, também temos a oportunidade de ajudar com a doação de leite.”
A doação foi realizada em parceria com a Gadolando e destaca a importância do leite como alimento essencial, além de evidenciar o engajamento do setor lácteo com ações de responsabilidade social. (SINDILAT/RS)
Jogo Rápido
EMATER/RS: Informativo Conjuntural - Bovinocultura de leite
A atividade está em estabilidade produtiva de maneira geral, e os rebanhos apresentam condições corporais e sanitárias satisfatórias. As temperaturas mais baixas favoreceram o bem-estar animal, ao mesmo tempo que demandaram maior atenção ao manejo alimentar, com aumento da utilização de suplementação por meio de silagem, feno, pré-secado e concentrados. Também seguiram os cuidados relacionados à higiene de ordenha e ao controle sanitário dos rebanhos. Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, os animais dependeram bastante de suplementação com ração e das reservas de silagem de milho, fenos e pré secados, uma vez que as pastagens de inverno ainda não estão condições ideais de utilização. Em Santana do Livramento, ocorreu falta de energia elétrica após o temporal no dia 07/05 (quinta-feira), o qual afetou diretamente as atividades de ordenha e de resfriamento do leite nas propriedades que não possuem gerador ou placas solares com baterias. Nas de Caxias do Sul e Frederico Westphalen, a produção está estável. As temperaturas mais baixas favoreceram o bem-estar das vacas no final do período. Nas de Passo Fundo e Porto Alegre, as rotinas da atividade continuaram normalmente em todas as categorias animais. No entanto, é necessária atenção ao manejo alimentar neste período de transição e vazio outonal. Na de Pelotas, continuam os desafios sanitários, como o aumento da incidência de carrapatos, possíveis casos de tristeza parasitária bovina e problemas relacionados à qualidade do leite em algumas propriedades. De forma geral, há estabilidade produtiva na atividade leiteira e expectativa moderadamente positiva para os próximos meses, sustentada pela melhora das pastagens e pela gradual reação dos preços pagos ao produtor. Na de Santa Rosa, em razão do retorno das chuvas, os produtores aumentaram os cuidados com a higiene de ordenha. Também ocorreram inseminações artificiais e aplicações estratégicas de produtos para o controle de parasitas internos, além da realização da Declaração Anual do Rebanho. Em algumas propriedades, iniciaram os primeiros pastejos outonais. Ainda assim, os rebanhos continuam recebendo principalmente silagem, feno e ração, cenário semelhante ao observado na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Ijuí, onde houve aumento da utilização de suplementação com volumosos conservados e concentrados devido à reduzida disponibilidade de pastagens nos sistemas de produção a pasto. (Emater/RS)