Porto Alegre, 29 de abril de 2026 Ano 20 - N° 4.620
Governo libera R$ 450 mi para o Pronaf Mais Leite
O governo federal anunciou a liberação de R$450 milhões em crédito rural subsidiado para o programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar Mais Leite (Pronaf Mais Leite).
O anúncio tem o objetivo de ampliar a produtividade da pecuária leiteira entre agricultores familiares em todo o país. A iniciativa busca financiar melhorias genéticas do rebanho, incluindo a transferência de embriões, além da aquisição de infraestrutura como ordenhadeiras e tanques de resfriamento.
A expectativa é viabilizar até 300 mil embriões e elevar a produção de leite por animal, que pode passar de uma média atual de 3 a 8 litros por dia para até 15 a 30 litros diários. De acordo com o governo, cerca de 40 mil produtores familiares devem ser beneficiados.
Os recursos poderão ser utilizados na compra de matrizes com alto valor genético, sêmen, óvulos e embriões, além de serviços de inseminação artificial e fertilização in vitro (FIV). Também estão previstos investimentos em manejo, alimentação e infraestrutura produtiva. ara acessar o crédito, os produtores precisam ter o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF) ativo e apresentar um projeto técnico que comprove a viabilidade do investimento.
O financiamento será operacionalizado por instituições como o Banco do Brasil, Sicredi, Cresol, Sicoob e Banrisul. O programa também contará com apoio da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural para orientação técnica aos produtores. Além disso, foram disponibilizadas linhas de crédito com juros de 3% ao ano para cooperativas da agricultura familiar e de 8,5% ao ano para outras cooperativas do setor leiteiro, por meio do programa Renovagro.
O pacote inclui ainda R$15 milhões para a construção de uma fábrica de leite em pó em São Paulo e R$28 milhões destinados à assistência técnica e extensão rural. O secretário-executivo do Sindilat e vice-coordenador do Conseleite, Darlan Palharini, avalia que o aporte é positivo, embora considere o volume de recursos ainda limitado diante do tamanho da cadeia leiteira brasileira. “Acaba atendendo justamente um dos pontos de perda de competitividade do leite brasileiro, principalmente na inseminação e na assistência técnica, que é fundamental”, afirma em entrevista ao JM.
Palharini destaca que a falta de assistência técnica é um dos principais fatores que levam ao abandono da atividade leiteira. Ele também ressalta que, no Rio Grande do Sul, a produtividade média já supera 18 litros por animal ao dia, mas ainda é considerada insuficiente para competir com produtos importados, especialmente da Argentina. A expectativa do setor é que os novos recursos anunciados sejam ampliados e transformados em política permanente, garantindo maior estabilidade e competitividade para a produção leiteira nacional nos próximos anos. (Jornal da Manhã editado pelo Sindilat)
Conseleite Paraná
RESOLUÇÃO Nº 04/2026
A diretoria do Conseleite-Paraná reunida no dia 29 de abril de 2026 na sede da FAEP na cidade de Curitiba, atendendo os dispositivos disciplinados no Capítulo II do Título II do seu Regulamento, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima leite realizados em Março de 2026 e a projeção dos valores de referência para o mês de Abril de 2026, calculados por metodologia definida pelo Conseleite-Paraná, a partir dos preços médios e do mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes.
Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada “Leite Padrão”, se referem ao leite analisado que contém 3,50% de gordura, 3,10% de proteína, 500 mil células somáticas/ml; 300 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Os maiores valores de referência se referem ao leite analisado que contém acima de 4,25% de gordura, acima de 3,40% de proteína, abaixo de 200 mil células somáticas/ml, abaixo de 100 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário superior a 3.000 litros/dia; Os menores valores de referência se referem ao leite analisado que contém 3% de gordura, 2,9% de proteína, acima de 600 mil células somáticas/ml, acima de 500 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Esses parâmetros são apresentados na primeira tabela dessa resolução.
Para o leite pasteurizado o valor projetado para o mês de Abril de 2026 é de R$ 4,4471/litro. Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade, o Conseleite-Paraná disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas e contagem bacteriana. O simulador está disponível no
seguinte https://www.sistemafaep.org.br/conseleite-parana/.
Fonte: Conseleite Paraná
Produtores de leite argentinos recebem os preços mais baixos do mundo, apontam especialistas
Na Argentina, nos últimos meses, observa-se uma perda sustentada de valor do litro de leite em moeda constante, segundo destacam os especialistas. Os aumentos de preço recebidos pelo produtor de leite estão muito distantes da taxa de inflação geral. Isso é consequência do aumento da produção interna verificado em 2025 e da alta produção mundial registrada há vários anos.
Assim, o preço do leite recebido pelos produtores argentinos é o mais baixo, tanto em comparação com os países vizinhos quanto com os principais produtores e exportadores mundiais. Por exemplo, em dezembro de 2025, o preço na fazenda ficou em US$ 0,32 por litro, frente aos US$ 0,42 do Uruguai, US$ 0,36 do Brasil, US$ 0,58 da União Europeia, US$ 0,41 dos Estados Unidos, US$ 0,39 da Nova Zelândia e US$ 0,43 da China, segundo cálculos do consultor Mauro Gorgerino.
Outra forma de evidenciar a deterioração do preço recebido pelos produtores é observar sua evolução em termos reais. Em janeiro de 2026, o valor de 478 pesos argentinos (US$ 0,45) por litro ficou 19% abaixo dos 588 pesos argentinos (US$ 0,55) constantes de janeiro de 2025 e dos 596 pesos argentinos (US$ 0,56) de janeiro de 2024. Esse comportamento é resultado do baixo reajuste registrado durante 2025, período em que o preço do leite aumentou apenas 7,7%, frente a um Índice de Preços ao Consumidor de 32,4%.
Em contraste, outros custos relevantes do sistema produtivo leiteiro registraram aumentos significativamente superiores durante 2025: a implantação de pastagem com alfafa aumentou 29,8%; a ração concentrada, 39%; o milho, 35,3%; e a soja, 65,5%. Como consequência, a relação leite/milho foi muito desfavorável para o produtor.
Em janeiro de 2026, com um litro de leite era possível comprar 1,72 kg de milho, frente a uma média histórica de 2 kg. A relação de compra do leite em relação à soja também se deteriorou; em janeiro de 2026, um litro de leite permitia comprar 900 gramas de soja, frente a uma média histórica entre 1,1 e 1,2 kg. Situações semelhantes são observadas em outros insumos: o poder de compra da ração concentrada caiu 22,8% na comparação anual. O único fator favorável durante o último ano foi o aumento do valor da vaca de descarte, cujo preço cresceu 41,4% em relação ao ano anterior.
Problemas
Como resultado do cenário anterior, após três trimestres de 2025 com rentabilidade positiva — que tiveram média de 4% — no último trimestre ela despencou e se tornou negativa em uma fazenda leiteira média, segundo dados de Gorgerino. Esse valor contrasta com a média histórica da série (1,8%) e com seu máximo registrado (8,4%).
A crise enfrentada pelos produtores também está sendo sentida pela indústria. De fato, a variação anual de janeiro de 2026 em relação a janeiro de 2025 mostrou um aumento de 16,9% no preço dos produtos lácteos, frente a uma inflação de alimentos e bebidas de 29,3%. Por essa razão, a capacidade da indústria de melhorar o preço pago ao produtor é bastante limitada.
Em dezembro de 2025, os produtores receberam 476 pesos argentinos (US$0,45) por litro de leite, enquanto a indústria conseguia pagar 492 pesos argentinos (US$0,46) por litro. Ambos os valores ficaram abaixo do custo de produção da fazenda leiteira, estimado em 563 pesos argentinos (US$0,53) por litro.
Como mencionado no início, além da superprodução interna, há abundância de leite no mundo. “Os principais produtores em nível mundial são a América do Sul — Brasil, Argentina e Uruguai —, a União Europeia, a Oceania e os Estados Unidos”, afirmou Gorgerino, durante uma reunião organizada pela Select Debernardi. A China também é um grande player, mas sua produção é direcionada principalmente ao mercado interno.
Durante o período entre janeiro e dezembro de 2025, a produção mundial de leite registrou um aumento médio de 2,25%, mantendo a tendência de alta dos últimos anos. Nesse período, a Argentina foi o país com maior crescimento, com aumento de 9,7% no volume entregue às indústrias de laticínios e à exportação. Também aumentaram sua produção o Brasil (7%), o Uruguai (5,7%), a União Europeia (1,5%) e outros países.
Enquanto isso, na Argentina, em 2025, houve uma redução de 2,5% na quantidade de fazendas leiteiras, passando de 9100 para 8887 entre janeiro e dezembro. Gorgerino lembrou que em 2002 existiam 15 mil fazendas leiteiras.
A produção média por fazenda leiteira durante o ano passado foi de 3506 litros diários, com uma média de 165 vacas por propriedade. Isso posiciona a Argentina como o quinto país do mundo em quantidade de vacas leiteiras por estabelecimento.
O número total de vacas leiteiras na Argentina não variou significativamente nos últimos anos e somou 1.497.480 cabeças em 2025, o que implica aumento do tamanho médio de cada unidade produtiva. As vacas das fazendas leiteiras que fecharam não foram para o abate, mas sim compradas por propriedades maiores.
Em relação à estratificação produtiva, as fazendas leiteiras que produzem menos de 1000 litros diários representam 26,8% do total, mas respondem por apenas 4,2% da produção, com média de 549 litros diários. Em contrapartida, aquelas que produzem mais de 6000 litros diários representam 13,2% das propriedades, mas geram 47,4% da produção total.
Olhando para o futuro, os produtores de leite deverão continuar lutando por uma melhora no preço do leite, mas simultaneamente precisarão trabalhar “da porteira para dentro”, analisando os parâmetros de eficiência do sistema de produção, com indicadores que monitorem as variáveis de maior impacto no resultado final, como a produtividade medida em litros de leite por hectare e por vaca total. Nesse sentido, Gorgerino ressaltou que “uma empresa pode continuar deficitária mesmo com preços elevados se apresentar ineficiências internas como, por exemplo, altas taxas de mortalidade de bezerros”.
Ele aconselhou que “os produtores controlem permanentemente os custos operacionais, permaneçam abertos à incorporação de novas tecnologias, reforcem o monitoramento da gestão interna e acompanhem continuamente um orçamento econômico e financeiro adequado à empresa para enfrentar o cenário adverso”. (As informações são do La Nación, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint)
Jogo Rápido
SOJA/CEPEA: Oferta sustenta liquidez; preço se estabiliza
A elevada oferta de soja em grão no Brasil tem sustentado a liquidez no mercado spot. Por outro lado, esse cenário de maior disponibilidade tem evitado que os preços da oleaginosa subam de modo expressivo. Segundo pesquisadores do Cepea, mesmo com a demanda firme, a perspectiva de safra recorde mantém o equilíbrio do mercado. Assim, os preços estão relativamente estáveis. No campo, a colheita brasileira alcançou 88,1% da área, com ritmos distintos entre as regiões, de acordo com a Conab. No Hemisfério Norte, as condições climáticas seguem no radar, aponta o Centro de Pesquisas. Apesar da preocupação com a baixa umidade do solo, previsões de chuvas podem amenizar o cenário. Nos Estados Unidos, a semeadura atingiu 12% da área esperada até 19 de abril, superando tanto o ritmo do ano passado quanto a média dos últimos cinco anos, segundo o USDA. Fonte: Cepea (www.cepea.esalq.usp.br)