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20/04/2026

Porto Alegre, 20 de abril de 2026                                                            Ano 20 - N° 4.614


Inadimplência sobe e chega a 4,1 milhões de pessoas no Estado

Percentual de pessoas com dívidas em atraso chegou a 46,47% em março e soma R$ 31,9 bilhões, com destaque para bancos e cartões de crédito, que concentram mais de um quarto do total. Custo de vida elevado e juros altos dificultam equilíbrio financeiro

A inadimplência no Rio Grande do Sul segue renovando patamares históricos. Quase metade da população adulta gaúcha tinha dívidas em atraso em março, atingindo o índice recorde de 46,47%, ou 4,1 milhões de pessoas com o nome negativado.

São mais de 587 mil inadimplentes somente em Porto Alegre, que devem R$ 4,9 bilhões. Juntas, as dívidas no Estado somam R$ 31,9 bilhões, com destaque para bancos e cartões de crédito, que concentram mais de um quarto do valor total.

O dado calculado pela Serasa indica que o endividamento vem crescendo mesmo após períodos de recuperação econômica. Apesar da inflação em patamares baixos e do desemprego em queda, o custo de vida elevado e os juros altos seguem pesando no bolso.

Para a especialista em educação financeira da Serasa, Aline Vieira, esse conjunto acaba dificultando o equilíbrio financeiro no dia a dia.

- Na prática, mostra como o crédito, quando não bem planejado, pode acabar comprometendo uma parte importante da renda das famílias - comenta Aline.

No país, as taxas de comprometimento financeiro também são históricas. Mais de 82,8 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em março deste ano, com um total de 338 milhões de dívidas. Em fevereiro, eram 81,7 milhões de pessoas.

Endividado é qualquer pessoa com contas a pagar, como parcelas de cartão de crédito, financiamentos ou empréstimos.

Inadimplente é quem tem dívidas em atraso, ou seja, que não conseguiu pagar o valor devido no prazo.

A especialista da Serasa reforça a importância de os consumidores avaliarem as suas contas e buscarem, sempre que possível, uma renegociação do que está em atraso. Em muitos casos, os consumidores conseguem acessar suas dívidas de forma digital e encontrar ali mesmo condições com descontos e opções de pagamentos acessíveis:

- O mais importante é não adiar o movimento de quitação dos débitos. O quanto antes a pessoa entender a situação e buscar alternativas para a sua realidade financeira, maiores são as chances de se reorganizar e manter contas em dia. 

Outro recorte da pesquisa mostra que seis em cada 10 brasileiros já cederam o seu CPF para conhecidos fazerem compras. Apesar de comum, a prática pode ser perigosa: 34% dos que emprestaram seu nome acabaram endividados após o não pagamento das contas assumidas.

O levantamento também mostra que 29% das pessoas que já emprestaram o nome se arrependeram da decisão e não fariam novamente. Além disso, a prática acontece principalmente com pessoas consideradas de confiança.

Em 60% dos casos, o empréstimo foi feito para familiares: 31% para amigos; 14% para colegas de trabalho; 11% para parceiros; e 3% para outras pessoas. _

"O crédito, quando não bem planejado, pode acabar comprometendo uma parte importante da renda das famílias. (Zero Hora)


Pesquisa mostra que modernizar linhas de processamento de laticínios pode reduzir emissões

Um novo estudo da Tetra Pak aponta que a modernização de equipamentos existentes de processamento de laticínios pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 40% a 49%, dependendo do tipo de linha. A pesquisa também mostra que a melhoria de linhas de equipamentos em uso pode levar a reduções significativas nos custos operacionais. Os resultados ressaltam que a redução não exige necessariamente uma reformulação completa das linhas e que pode ser feita com soluções já disponíveis no mercado.

A nova Avaliação de Impacto do Processamento de Laticínios, revisada de forma independente pela Carbon Trust, utiliza uma metodologia alinhada com as principais referências internacionais de emissões que devem ser evitadas. Essa análise quantifica os possíveis ganhos com a atualização de linhas existentes de processamento de lácteos líquidos. O estudo compara as linhas com melhores práticas de 2019 com potenciais economias de emissões que se baseiam em um modelo de implementação global de linhas modernizadas em 2025.  

“Para muitos produtores de laticínios, melhorar a eficiência enquanto gerenciam custos é um desafio diário. Nosso estudo mostra que melhorias práticas nas linhas em uso podem reduzir o consumo de energia, água e as perdas de produto, ajudando os clientes a melhorarem seu desempenho e reduzir o custo total de propriedade sem grandes interrupções”, explica Rodrigo Godoi, Vice-Presidente de Gestão de Portfólio de Processamento da Tetra Pak.  

O setor global de laticínios desempenha um papel crítico nos sistemas alimentares mundiais por meio dos alimentos e bebidas que fornece e dos meios de subsistência que sustenta em todo o mundo. Ao mesmo tempo, é um grande consumidor de água e energia e foi responsável por 2,7% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) em 2021.  

Apesar disso, esse contexto abre uma oportunidade significativa: ao otimizar linhas de processamento existentes com soluções já disponíveis no mercado, os produtores podem aumentar a eficiência, reduzir custos e melhorar o desempenho ambiental sem precisar esperar por novas tecnologias ou realizar substituições completas de linhas. Essas melhorias comprovadas oferecem um caminho prático e imediato para operações de laticínios mais resilientes e eficientes no uso de recursos. 

O estudo da Tetra Pak mostra que a modernização de equipamentos existentes gera ganhos substanciais de eficiência, com reduções médias de 47% nas emissões de gases de efeito estufa, 45% no uso de água e 57% nas perdas de produto. Se essas modernizações fossem implementadas em toda a produção global de laticínios, isso poderia resultar em uma economia global de carbono de até 12,7 MtCO²e, o equivalente a retirar três milhões de carros das ruas. A implementação de soluções de economia e recuperação de água – por exemplo, sistemas de filtrações por membranas avançados e limpeza no local (clean in place, na sigla em inglês) – poderia reduzir o uso de água nas linhas de produção de laticínios em até 455 milhões de m³ por ano globalmente. 

“As melhorias, com o auxílio de estruturas regulatórias favoráveis e acesso a incentivos financeiros direcionados, podem ser ampliadas ainda mais, ajudando os produtores a superarem barreiras de investimento inicial e acelerando o progresso em todo o setor de laticínios”, completa Rodrigo Godoi.  

Os resultados da avaliação destacam a contribuição que melhorias em linhas de processamento existentes podem trazer para sistemas alimentares mais estáveis e resilientes. Essas reduções podem ser apoiadas pela Tetra Pak por meio de um conjunto de atualizações já disponíveis no mercado para linhas existentes, como: 

Bombas de calor elétricas, substituindo ou reduzindo o uso de energia de origem fósseis em caldeiras e chillers, com o objetivo de diminuir o consumo de combustível e reduzir emissões relacionadas ao calor. 

Eficiência integrada de processos, possibilitada pela tecnologia OneStep para leite UHT e iogurte, que combina múltiplas etapas do processo em um único conceito mais eficiente, gerando economia de eletricidade e vapor. 

Soluções de filtração por membranas e recuperação, que incluem filtração por membranas, recuperação em sistemas de CIP e estações de filtração de água que recuperam perdas de produto e água de fluxos de processo e limpeza. 

“Nossos sistemas alimentares oferecem oportunidades de descarbonização significativas. Avaliar emissões que podem ser evitadas é uma maneira importante de entender as economias de carbono que essas soluções podem proporcionar”, comenta Veronika Thieme, Diretora Associada para a Europa na Carbon Trust. “Ao quantificar as emissões evitadas por novas soluções que podem ajudar a descarbonização da indústria agrícola, criamos a base de evidências necessária para escalá-las”.  (As informações são da Tetra Pak)

 

Argentina SanCor pede falência: dívidas são estimadas em US$ 120 milhões e 8 meses de salários

A cooperativa de lácteos argentina SanCor, que enfrenta um processo de recuperação judicial desde fevereiro do ano passado e que carrega uma dívida em torno de US$ 120 milhões, pediu na quarta-feira, 17 de abril, sua própria falência à Justiça de Santa Fé, Argentina.

A Associação dos Trabalhadores da Indústria Leiteira (Atilra) adiantou a decisão da empresa, confirmada pelo Juizado de Primeira Instância do Distrito 5 em matéria Cível e Comercial da Quarta Vara de Rafaela, sob responsabilidade do juiz Marcelo Gelcich, que conduz o caso. “A recuperanda SanCor solicitou sua própria falência no processo em que tramita a recuperação judicial (falência indireta), por ela iniciado em fevereiro de 2025. O pedido se baseia em uma decisão do Conselho de Administração da Cooperativa, que convocou uma assembleia para ratificá-lo no próximo 30 de abril”, indicou o tribunal em seu site que acompanha o caso. Segundo informaram no juizado, “agora caberá ao Tribunal decidir se aceita — e em que termos — ou rejeita o pedido de falência própria”.

A SanCor carrega uma dívida de US$ 120 milhões. Isso foi determinado pelo juizado a partir da análise de 1.519 pedidos de verificação, sobre um total de 2.702 credores no âmbito do processo. Esse valor é composto por US$ 90 milhões e 40 bilhões de pesos (US$ 29,5 milhões), tendo como principais credores a Agência de Arrecadação e Controle Aduaneiro (ARCA) e fundos financeiros internacionais.

Além disso, foi constatada uma dívida próxima de 6,35 bilhões de pesos (US$ 4,68 milhões) posterior ao início da recuperação judicial. “Após os relatórios apresentados pela administração judicial, pelo Comitê Provisório de Controle e pela coadministradora designada pelo Juizado, todos coincidentes em comprovar o estado de cessação de pagamentos, incapacidade e insolvência patrimonial geral e definitiva da recuperanda, a SanCor CUL acaba de solicitar sua própria falência”, afirmou um comunicado assinado pelo secretário-geral da Atilra, Etín Ponce.

Embora ainda não haja um comunicado oficial por parte da empresa, nas últimas horas veio à tona a convocação para uma assembleia extraordinária na quinta-feira, 30 de abril, em Sunchales, onde fica a sede central da cooperativa. No item três da pauta da assembleia será tratada a “confirmação da decisão do Conselho de Administração de apresentar o pedido de falência da SanCor”.

Na visão do sindicato, esse pedido “não acrescenta nem tira nada, sendo a essa altura um gesto irrelevante que coloca fim a uma postura teimosa que negava a realidade” e acrescentaram: “Isso demonstra que a SanCor CUL vinha se sustentando com o patrimônio dos trabalhadores, aos quais deve 8 meses de salários mais o décimo terceiro”.

“Tanto para os trabalhadores quanto para nossa entidade que os representa, a decretação da falência não constitui um fim, mas sim o início de uma nova etapa em que a marca SanCor, despojada da estrutura que a levou à beira da extinção, deve voltar a florescer impulsionada pela qualidade dos produtos que as trabalhadoras e os trabalhadores da Atilra produzem”, conclui o texto.

Fontes da indústria consideraram a situação como “uma crônica de uma morte anunciada. É a própria empresa que acaba pedindo. Não havia saída”. Um industrial do setor avaliou que “foi tempo demais operando, mas com um modelo totalmente inviável”, ao considerar que “poderia ter sido evitada a sangria que ocorreu nesses últimos meses”. A partir desse passo, “é provável que apareçam interessados por algumas plantas”, afirmou.

No fim do ano passado, o juiz Gelcich, responsável pelo processo da empresa láctea, havia decidido pela intervenção na cooperativa diante dos constantes descumprimentos por parte da empresa, tanto no pagamento de salários quanto na falta de informações detalhadas solicitadas pela Justiça.

Nesse sentido, Gelcich destacou três problemas graves apontados pela administração judicial e pelo Comitê de Controle. Entre eles, a “resistência em fornecer informações”, já que “a empresa não apresentou documentação clara sobre como estão operando suas plantas nem sobre seus contratos com outras empresas, quanto produz, como comercializa, quanto recebe e o que faz com o que recebe”.

O segundo ponto dizia respeito à “crise trabalhista e previdenciária” enfrentada pela SanCor. O Comitê Provisório de Controle informou que a cooperativa deve salários desde junho de 2025 e o décimo terceiro integral deste ano. “Além disso, foi denunciado o uso de contracheques com dados supostamente falsos para evitar contribuições à seguridade social”, acrescenta o documento.

SanCor e sua queda

A SanCor foi fundada em 1938 como uma cooperativa de produtores de leite e chegou a ser líder incontestável do setor. Segundo dados do Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA), em 1994 processava 4,6 milhões de litros por dia, liderando a indústria nacional.

No entanto, ao longo dos anos foi perdendo participação: 15 anos depois, em 2009, processava 3 milhões de litros e caiu para a segunda posição, enquanto em 2022 desceu para o 12º lugar do ranking, com pouco mais de 533 mil litros diários.

Atualmente, e segundo fontes do setor, a cooperativa processa cerca de 700 mil litros por dia, entre produção própria e de terceiros, em seis plantas localizadas em Santa Fé e Córdoba, muito abaixo dos volumes históricos que a posicionaram como referência de mercado.

As seis plantas estão operando, mas com volume variável em cada uma. O leite próprio é destinado aos produtos de maior rentabilidade no mercado, enquanto, paralelamente, mantêm vários acordos com diferentes empresas para fabricar produtos específicos, alguns por encomenda, outros com participação nos resultados e outros com remuneração por custo.

A situação se agravou entre 2023 e 2024 com conflitos sindicais prolongados com a Atilra, que provocaram bloqueios nas plantas e atrasos salariais, cenário que acabou levando a SanCor à recuperação judicial, apresentada em fevereiro de 2025.

Outro fator que levou a tradicional empresa láctea ao colapso foi o conflito comercial com a Venezuela, originado a partir dos acordos bilaterais firmados desde 2006 entre os governos de Hugo Chávez e Néstor Kirchner.

A SanCor participou do Fundo Fiduciário Bilateral entre Argentina e Venezuela, um mecanismo financeiro destinado à troca de combustível venezuelano por produtos argentinos. Além disso, realizou vendas adicionais desse produto para empresas controladas pelo Estado venezuelano.

O problema surgiu quando a Venezuela entrou em default em 2017 e deixou de cumprir os pagamentos. Segundo fontes próximas à cooperativa, a dívida chegou a ultrapassar os US$ 30 milhões. Com o passar do tempo, parte desse valor foi quitada, mas ainda restam cerca de US$ 18 milhões, com chances praticamente nulas de recuperação.

A empresa realizou diversas tentativas junto a diferentes governos argentinos para recuperar esses recursos e conseguir uma intervenção oficial que destravasse a cobrança, mas nenhuma dessas iniciativas teve sucesso. (As informações são do Clarín, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint)


Jogo Rápido

Milk Pro Summit 2026: Associados do Sindilat têm 10% de desconto
Os associados do Sindilat terão 10% de desconto na inscrição para o Milk Pro Summit 2026, que será realizado nos dias 28 e 29 de maio, no Bourbon Resort Atibaia, em Atibaia (SP). Organizado pela MilkPoint Ventures, o evento reúne produtores, técnicos e empresas do setor lácteo. A programação está dividida em seis painéis. No primeiro dia, os debates tratam de cenário econômico e comércio internacional, desafios regionais da produção, parcerias com varejo e food service, inovação tecnológica, gestão de risco, sucessão familiar e fundamentos técnicos e econômicos da atividade. À noite, ocorre a premiação dos 100 maiores produtores de leite. No segundo dia, os painéis abordam gestão de pessoas e liderança, sustentabilidade aplicada à produção, uso de dejetos como fonte de receita, agricultura regenerativa, programas de incentivo e modelos de expansão da atividade no Brasil e no exterior.  As inscrições podem ser feitas clicando aqui. (Sindilat/RS)