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24/03/2026

Porto Alegre, 24 de março de 2026                                                         Ano 20 - N° 4.596


Acordo entre Mercosul e União Européia começa a valer provisoriamente em maio

O acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul começará a ser aplicado em caráter provisório a partir de 1º de maio, informou a Comissão Europeia nesta segunda-feira, 23. A medida permite que parte dos benefícios comerciais passe a valer enquanto os trâmites formais seguem em andamento.

Brasil, Argentina e Uruguai já finalizaram seus processos internos de aprovação do tratado. O Paraguai, embora já tenha ratificado o tratado, ainda deve formalizar a notificação.

Segundo o comissário de comércio da União Europeia, Maroš Šefcovic, o acordo representa um passo relevante para reforçar a credibilidade do bloco europeu como parceiro comercial. Ele destacou que a prioridade agora é transformar o pacto em resultados concretos para exportadores, com ganhos em comércio, crescimento e emprego. A aplicação provisória, segundo ele, permitirá que esses efeitos comecem a ser sentidos antes da conclusão total dos processos legais.

Para o Brasil, maior economia do bloco sul-americano, o acordo amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores e traz benefícios a diversos setores, como agronegócio, indústria e serviços. A aplicação provisória prevê a eliminação de tarifas para determinados produtos já no início da vigência, além de estabelecer regras mais previsíveis para comércio e investimentos. 

Segundo estimativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o acordo deve impulsionar as exportações do agro brasileiro entre 5,1% e 19,7% ao longo dos anos, com efeitos distintos para carne bovina, de aves e suína. Além disso, no setor sucroalcooleiro, espera-se um efeito de agregação de valor. 

Processo

No Brasil, o acordo foi promulgado pelo Congresso Nacional neste mês, após aprovação no Senado em 4 de março. Na mesma data, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto que regulamenta mecanismos de salvaguardas bilaterais.

A medida brasileira ocorre em paralelo às exigências do lado europeu. Durante o processo, o Parlamento Europeu solicitou a verificação da legalidade do acordo antes da implementação, o que levou à adoção de salvaguardas adicionais pela Comissão Europeia. Entre elas estão o reforço nos controles de importação, a criação de um fundo de crise e o compromisso de redução de tarifas sobre fertilizantes.

As informações são do Estadão, adaptadas pela equipe MilkPoint.


Após crise, cooperativa renegocia metade da dívida bilionária e recontrata funcionários demitidos

Faturamento superou R$ 542 milhões em 2025 e credores estão recebendo em pagamentos trimestrais

Indicadores apontam que a Languiru, após uma forte crise financeira, tem alcançado bons resultados da sua reestruturação. Unidades foram vendidas, quadro de funcionários reduzido e dívidas renegociadas, detalhou o superintendente Administrativo e Financeiro da Languiru, Gustavo Marques, em entrevista ao Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha.    
Qual a situação de agora?

Estamos em liquidação extrajudicial desde 2023, fazendo uma reorganização operacional e financeira. Apresentamos os números de 2025 na última sexta-feira em assembleia. Não superamos todas as adversidades porque o rombo é significativo. Precisamos de tempo para enfrentamento adequado, mas os números sugerem que estamos efetivos no que propusemos.

A dívida, que era bilionária, está como? 

Lá em 2023, estava em R$ 1,17 bilhão. Nem todo o valor está sujeito à liquidação. Parte tem garantias reais. Do que está no processo, R$ 900 milhões, já renegociamos 52%, ou seja, os credores fizeram adesão ao nosso plano e estão recebendo em rodadas trimestrais de pagamento, o que a cooperativa enfrenta com seu próprio negócio. 

Além de uma pequena parte de varejo, o que mantém? 

Temos o nosso negócio de aves, com congelados e resfriados, além de prestar serviço à JBS. Em leite, temos o UHT e derivados lácteos, além da parceria com a Lactalis. Em ração comercial, trabalhamos junto com o segmento de grãos, que tem participação importante. Fomos a principal empresa que secou grãos para o produtor e ainda estamos colhendo milho. E nossa última unidade de varejo é o agrocenter, onde funciona também a sede, que é nosso ponto de fidelidade junto ao associado.

Como foi 2025?

Esses negócios nos levaram ao faturamento de R$ 542,9 milhões. O valor já conversa com esse porte atual da cooperativa em uma retomada de produção importante. Nosso olhar agora será para produção primária. Queremos aumentar aves de corte não só para enfrentar a dívida, mas para o crescimento da cooperativa.  

Estão recontratando funcionários demitidos? 

Quando cheguei, com o presidente Paulo Birk, em 2022, tínhamos 3,4 mil funcionários. Reduzimos a 700 e agora voltamos a 1,2 mil. Além disso, temos 1,6 mil associados ativos vendendo sua produção à cooperativa. Um número grande de famílias que dependem da Languiru. Estamos com uma capilaridade grande. (GZH)

Governo endurece regras do frete e agro alerta para distorções e alta de custos

Diante da alta do diesel e da iminência de uma greve de caminhoneiros, o governo federal anunciou, nesta quarta-feira, 18, medidas adicionais para garantir o cumprimento dos pisos mínimos previstos na tabela de frete do transporte rodoviário de cargas.

Diante da alta do diesel e da possibilidade de uma greve de caminhoneiros, o governo federal anunciou, nesta última quarta-feira, 18 de março, medidas adicionais para garantir o cumprimento dos pisos mínimos previstos na tabela de frete do transporte rodoviário de cargas, conforme a Lei 13.703/2018. A ação atende à reivindicação dos caminhoneiros de que grandes empresas do mercado “desrespeitam” propositalmente o mínimo do frete.

O anúncio foi feito pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, que afirmou que foram identificados 15 mil infratores diferentes por descumprimento do valor mínimo e que o número de infrações chega a 40 mil até janeiro deste ano.

A proposta agora é fechar o cerco juridicamente sobre as empresas que descumprirem o valor mínimo proposto e até cassar o registro, impedindo-as de contratar o serviço. “Quem insistir em desrespeitar a tabela passará a ser efetivamente responsabilizado, como transportador, contratante, acionista ou controlador da empresa, com medidas que interromperão a irregularidade, desestimularão a reincidência e corrigirão distorções de mercado”, afirmou o ministro em postagem no X.

Reação do setor agropecuário

A medida do governo federal provocou reação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Em nota enviada na manhã da quinta-feira, 19 de março, a bancada afirmou que o modelo adotado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) não reflete a realidade do país ao desconsiderar diferenças regionais, frete de retorno, diversidade de cargas e o perfil da frota. Informa ainda que, em outubro de 2025, enviou um ofício aos ministérios da Agricultura, Transportes, Fazenda e à Casa Civil propondo um diálogo técnico a fim de revisar a metodologia da tabela de frete.

“O cenário provoca aumento artificial dos custos logísticos, perda de eficiência nas cadeias produtivas e impacto direto na competitividade do agro, especialmente em setores de grande volume e margem mais apertada”, diz a nota da FPA. 

A frente defende que a solução para a volatilidade da cadeia logística passa por uma política de transição energética mais previsível. Propõe ainda a revisão da mistura do biodiesel, com avanço para o B17, contribuindo assim para o “equilíbrio no custo energético e logístico brasileiro”.

As informações são do Estadão, adaptadas pela equipe MilkPoint.


Jogo Rápido

Outono chegou e deve trazer clima quente e seco para boa parte do País: confira a previsão para os próximos meses
Com início na última sexta-feira, 20 de março, o outono chega ao país com previsão de redução nos volumes de chuva em grande parte do território e altas históricas nas temperaturas de algumas regiões. Apesar das condições que indicavam a predominância do fenômeno La Niña entre novembro de 2025 e janeiro deste ano, e um cenário de neutralidade em fevereiro, oscilações recentes na temperatura do mar passaram a indicar a transição para condições de El Niño entre abril e junho. Com essa mudança, as temperaturas tendem a subir e os volumes de chuva a diminuir em boa parte do país, com alerta para calor e seca acima da média histórica. Ao Sul do país, a tendência também é de tempo mais seco, com precipitação abaixo da média climatológica, sobretudo no Paraná e em Santa Catarina. As temperaturas devem permanecer elevadas, com maior aquecimento nesses estados e no Rio Grande do Sul, embora haja influência ocasional de massas de ar frio em áreas mais altas. Na Região Sul, a previsão de chuvas abaixo da média, aliada a temperaturas elevadas, também pode reduzir a umidade do solo, principalmente no Paraná e em Santa Catarina. Esse quadro pode afetar o desenvolvimento das lavouras de segunda safra, dificultar o estabelecimento inicial das culturas de inverno e atrasar as operações de semeadura em algumas localidades. As informações são do INMET, resumidas e adaptadas pela equipe MilkPoint e pelo Sindilat/RS.