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13/02/2023

Newsletter Sindilat_RS

Porto Alegre, 13 de fevereiro de 2023                                                    Ano 17 - N° 3.840


Balança comercial de lácteos: importações seguem estimuladas

Segundo dados divulgados na última quarta-feira (08/02) pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), o saldo da balança comercial de lácteos recuou, fechando o mês de janeiro em -146,3 milhões de litros em equivalente-leite.

Os números apontam um leve recuo de aproximadamente -6,3 milhões de litros em equivalente-leite, ou -4,4%. Ao se comparar ao mesmo período do ano passado (janeiro/2022), o saldo permaneceu em nível inferior, sendo que o valor em equivalente-leite nesse período foi de -50,8 milhões de litros, representando uma diferença de aproximadamente -187,9%. Esse cenário se formou em meio as importações se elevando, bem como as exportações em queda.

Gráfico 1. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos.

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint a partir dos dados do COMEXSTAT.

As exportações passaram por uma variação negativa em janeiro, no comparativo mensal. O período apresentou um recuo de 2,2 milhões de litros no volume exportado, representando um decréscimo de aproximadamente 29,3%. Ao se comparar com janeiro de 2022, observa-se um decréscimo de 9,4 milhões de litros, representando um recuo de aproximadamente 63,9% no volume exportado no período.

Gráfico 2. Exportações em equivalente-leite.

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint a partir dos dados do COMEXSTAT.

Do lado das importações, o ritmo das negociações continuou se elevando ao longo do mês de janeiro. Após apresentar se manter estável entre novembro e dezembro, o primeiro mês do ano apresentou um avanço de 2,7% nas importações, em relação ao mês anterior, com um acréscimo no volume de importações de 4,0 milhões de litros em equivalente-leite.

Analisando o mesmo período do ano passado, nota-se as importações estão bem próximas do observado, porém seguem em um patamar elevado. Em janeiro de 2022, 149,1 milhões de litros em equivalente-leite foram importados; já em 2023 esse valor teve uma leve variação positiva de aproximadamente 1,7%, configurando um aumento de 2,5 milhões de litros em equivalente-leite comparando-se os anos, o que pode ser observado no gráfico a seguir.

Este resultado foi o terceiro maior para o volume de importações no mês de janeiro, ficando atrás apenas de 2017 e 2000.

Gráfico 3. Importações em equivalente-leite.

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint a partir dos dados do COMEXSTAT.

Os preços internacionais se mantendo em patamares baixos, as quedas que o dólar sofreu ao longo de dezembro e início de janeiro, e o ciclo de altas dos preços no mercado interno contribuíram para formar esse cenário.

Em relação aos produtos mais importantes da pauta importadora em janeiro, temos o leite em pó integral, o leite em pó desnatado, os queijos e o soro de leite, que juntos representaram 95% do volume total importado. O leite em pó integral teve um avanço de 15% em seu volume importado. Em contrapartida, o leite em pó desnatado teve uma redução de 19% em seu volume importado. Os queijos, por sua vez, avançaram 24%.

Os produtos que tiveram maior participação no volume total exportado foram o leite condensado, o creme de leite, o leite UHT, e os queijos, que juntos, representaram 85% da pauta exportadora. O leite UHT avançou cerca de 72%, enquanto o leite condensado e o creme de leite recuaram 37% e 17%, respectivamente.

A tabela 1 mostra as principais movimentações do comércio internacional de lácteos no mês de janeiro deste ano.

Tabela 1. Balança comercial láctea em janeiro de 2023.

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT.
 
O que podemos esperar para o próximo mês?
O ano de 2023 iniciou com as importações ainda estimuladas, e consequentemente, em patamares elevados. Após se manter estável no último mês do ano, o volume de importações voltou a avançar, mantendo-se em valores elevados neste início de ano. Já as exportações seguiram desestimuladas, apresentando recuos.

Após o ciclo de altas que os derivados lácteos passaram, o início de fevereiro apresentou recuo do Índice MilkPoint Mercado, devido a demanda desestabilizada e afetadas pelos patamares elevados que os preços atingiram. Para as próximas semanas, o cenário baixista deve prevalecer.

Do lado cambial, o dólar vem ganhando força nos últimos dias, frente a dados econômicos norte-americanos e falas do novo governo, com possível intervenção no Banco Central. Além disso, os preços no mercado internacional do Global Dairy Trade, bem como os preços praticados no Mercosul (segundo levantamento do MilkPoint Mercado) passaram por elevações nos últimos relatórios.

Todos esses fatores contribuem para desestimular as importações. Entretanto, aos atuais níveis de preços (no mercado internacional, no mercado brasileiro e da taxa de câmbio) as importações ainda seguem competitivas frente ao produto nacional – o que ainda deve manter as importações em patamares elevados para os próximos meses.  Já do lado das exportações as negociações devem seguir desestimuladas no curto prazo, sem grandes alterações. (Milkpoint Mercado)


Valter Galan convida você para o Fórum MilkPoint Mercado

Como está se desenhando o mercado lácteo e econômico em 2023? Como as incertezas do cenário político afetarão os lácteos? E o mercado internacional? Como tomar decisões estratégicas, competitivas e assertivas? Como os comportamentos de consumo podem influenciar nas relações entre os elos da cadeia? Para onde cresce o leite brasileiro? Como alavancar a competitividade da indústria láctea em 2023?

Sabendo que os questionamentos são muitos em um ambiente altamente dinâmico, o Fórum MilkPoint Mercado tem como missão construir cenários assertivos e iluminar os caminhos para o futuro do leite brasileiro.

Valter Galan, Sócio-Diretor do MilkPoint Mercado, fala sobre a 14ª edição do Fórum MilkPoint Mercado, que ocorrerá no dia 22 de março em formato híbrido, ou seja, presencial em Campinas/SP, ou online e ao vivo para quem assim preferir. Confira clicando aqui.

Em parceria com o portal de notícias Milkpoint, os associados do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat) terão direito a desconto na inscrição para participar do 14º Fórum MilkPoint Mercado. No primeiro lote, com vendas até 17 de fevereiro, o bônus é de 5% sobre R$ 600. Para os demais, será de 10%, sendo que o ingresso no segundo lote custa R$ 700 e no terceiro, R$ 800. INSCREVA-SE COM DESCONTO CLICANDO AQUI. (As informações são do Milkpoint e do Sindilat/RS) 


Menor oferta pode elevar preços internacionais de lácteos

A expectativa de produção mais enxuta de leite em regiões fornecedoras importantes, como Mercosul, Nova Zelândia e EUA, acende um sinal de alerta para o segmento em 2023 - e, na esteira, para o consumidor brasileiro. A consequência direta da menor oferta global, como se viu no ano passado no Brasil, é a alta dos preços dos derivados lácteos. Isso porque as indústrias que atuam no país têm ampliado importações em busca de matéria-prima a preços mais competitivos - movimento que acontece desde meados de 2022. Com a menor produção nas fazendas brasileiras, os preços internos de matéria-prima subiram

Em janeiro as importações somaram 151 milhões de litros (equivalente leite), com alta de 132% ante um ano antes. Em 2022 como um todo, aumentaram quase 30% e chegaram a 1,31 bilhão de litros.

Neste primeiro semestre, época de entressafra no Brasil, as companhias estão fechando programações de importação até junho. Não é um movimento incomum, mas há quem já garantiu compras por um tempo mais longo. Se é usual negociar contratos de 90 dias, pelo menos uma grande empresa fechou todo o semestre antecipadamente para escapar de oscilações de preços, afirmou uma fonte do segmento. Com a esperada redução da produção em outros países, desponta uma tendência de alta para o leite em pó integral (o produto mais negociado por essas empresas) no exterior nos próximos meses. 

Projeção elaborada pela consultoria Milkpoint Mercado a partir de dados da plataforma Global Dairy Trade (GDT) e da bolsa de valores NZX Futures, ambas ancoradas na Nova Zelândia - líder global em fornecimento de leite -, mostra, por ora, altas médias para a tonelada um pouco superiores a 2% entre março e junho, com pico de US$ 3,5 mil em junho na NZX Futures. Os valores vinham recuando, após a tonelada do leite em pó alcançar US$ 4,7 mil na GDT em março de 2022. A produção nos EUA e na Nova Zelândia deve crescer, mas menos do que o esperado, diz Valter Galan, sócio da consultoria. Os dois países respondem por 100 bilhões de litros e 21 bilhões de litros, nessa ordem. Atualmente, os importadores brasileiros estão pagando um preço superior ao das referências das plataformas neozelandesas. É que o leite vem de fornecedores do Mercosul, e há um descolamento de cotações entre esses mercados agora. Em janeiro, por exemplo, a tonelada de leite em pó foi negociada a US$ 3,8 mil com os países vizinhos, enquanto rondava US$ 3,3 mil na GDT.

Demanda 
A razão para a valorização no continente americano é a própria demanda brasileira. A diferença de preços entre a matéria-prima nacional e a importada chega perto de 30%. O Brasil, vale lembrar, importa de Argentina e Uruguai porque nestes casos não incide tarifa externa comum (TEC) sobre o leite, de 28%. A Argentina, porém, está enfrentando adversidades climáticas e sua produção poderá cair entre 2% e 5% em 2023, projeta a Milkpoint. O país deverá produzir pouco mais de 11 bilhões de litros neste ano. Por outro lado, é esperada uma recuperação da produção brasileira em 2023, ao menos para repor a queda que ocorreu em 2022, perto de 5%. A produção esbarrou nos 23 bilhões de litros, segundo o IBGE. “Para 2023, o clima é favorável e os custos de alimentação do rebanho caíram. E houve alta de 25% nos preços pagos ao produtor em 2022”, diz Laércio Barbosa, presidente da Associação Brasileira de Lácteos Longa Vida (ABLV). 

À parte da oferta de matéria-prima, será preciso observar a demanda - já que o comportamento do consumo interfere nos preços domésticos. As tendências inflacionárias da produção no campo e dos preços ao consumidor devem ser estudadas separadamente, diz Paulo Martins, pesquisador da Embrapa. Por ora, apesar dos desafios, agentes setoriais não esperam que 2023 repita recordes em preços de lácteos como se viu no ano passado. (Valor Econômico)


Jogo Rápido 

Aquisição de leite cru - IBGE
A aquisição de leite cru feita pelos estabelecimentos que atuam sob inspeção sanitária municipal, estadual ou federal foi de 6,23 bilhões de litros, uma redução de 4,2% em relação ao 4º trimestre de 2021, e aumento de 2,0% em comparação com o trimestre imediatamente anterior. (Fonte: Agência de notícias IBGE)


 
 
 

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