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20/07/2018

 

Porto Alegre, 20 de julho de 2018                                              Ano 12 - N° 2.782

SEM NOVA TABELA
 
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) não vai publicar hoje nova tabela com preços mínimos para o frete. Esta era a previsão a partir da medida provisória aprovada no Congresso sobre o tema, mas falta a sanção presidencial. A autarquia segue até 3 de agosto com uma tomada de informações aberta para receber contribuições para a formulação da política. Com isso, segue valendo a primeira polêmica tabela, diz a ANTT. A agência recebeu ontem entidades do agronegócio para tratar do tema. (Zero Hora)

Preço do leite sobe 15,6% em junho e situação só deve mudar a partir de setembro

Preço do leite - A queda na produção de leite com a entressafra fez o preço do produto disparar para o consumidor. Além disso, o analista Alexandre Monteiro, de uma cooperativa no Paraná, lembra que os pecuaristas tiveram que descartar muito leite durante a greve dos caminhoneiros. E isso agravou os efeitos sobre os preços.

Em junho, o leite subiu em média 15,6% no país. A maior alta ocorreu em Belo Horizonte (23,5%). Em São Paulo, o aumento foi de 17,64%. No acumulado do ano, o produto está 28,15% mais caro no país, com destaque para Curitiba (38,55%), Belo Horizonte (37,50%) e São Paulo (36,35%). Monteiro ressalta que a situação só deverá mudar a partir de setembro. "Ali para meados de setembro e outubro, quando a gente começa a ter as chuvas de volta, começa a ter a recomposição da pastagem e, consequentemente, você tem uma produção melhor e volume de leite maior", disse à Rádio Bandeirantes.

Segundo levantamento da Scot Consultoria, depois das intensas altas no atacado em junho, o ritmo de aumento diminuiu na primeira metade de julho. A elevação foi de 0,7%, frente à quinzena anterior. Já no varejo os preços subiram 2,2% no período. O litro do leite está cotado, em média, em R$ 3,16 no atacado e R$ 3,72 no varejo em São Paulo. Apesar da maior concorrência pelo leite cru com a entressafra nas regiões central e sudeste do país, segundo a consultoria, a demanda interna continua enfraquecida, o que tem limitado as altas de preços dos lácteos. A expectativa para a segunda quinzena é de manutenção das cotações. (Metro Jornal)
 
Com nova alta em junho, custo fecha 1º sem com elevação de quase 6%

Custo de produção - O custo de produção da pecuária leiteira subiu novamente em junho, sendo a sexta elevação consecutiva em 2018. Na "média Brasil" (BA, GO, MG, SP, PR, SC e RS), o Custo Operacional Efetivo (COE), que representa os desembolsos correntes da propriedade, apresentou elevação de 1,44% no mês, acumulando aumento de 5,63% no primeiro semestre de 2018.  A alta do COE foi influenciada pela valorização nos grupos de concentrado, suplementação mineral e de adubos e corretivos. Juntos, eles representam quase metade dos custos anuais da atividade leiteira na "média Brasil". Em junho, o concentrado se valorizou 2,55%, os suplementos minerais subiram 2,57% e os adubos e corretivos, 6,31%. Os aumentos no mês estão atrelados ao encarecimento dos fretes e à desvalorização do Real frente ao dólar.

Para o concentrado, que representa de 25% a 40% do COE, o aumento de 3,3% em junho no preço do leite pago ao produtor favoreceu a relação de troca para o produtor. Em maio de 2018, eram necessários 29,7 litros de leite para comprar uma saca de 60 quilos de milho; já em junho foram necessários 28,4 litros. Trata-se de uma melhora pontual, uma vez que, no mesmo mês de 2017, eram necessários apenas 18,9 litros de leite para se adquirir uma saca de milho. Por outro lado, a relação de troca com o calcário, principal insumo para reformas e formações de pastagens e capineiras nas fazendas, piorou. Em junho/18, foram necessários 270 litros de leite para se adquirir uma tonelada de calcário, alta de 8% frente ao mesmo período do ano passado, quando eram necessários 250 litros para comprar a mesma quantidade do insumo. (Cepea)

EUA - Longo período de preços baixos

Leite/EUA - Apesar dos baixos preços do leite que forçam alguns produtores de leite a economizar cada centavo e outros a venderem o rebanho, Bryan Matthews continua otimista. "Na minha idade eu tenho que ser", diz o produtor de leite de 35 anos. Em todo o país, os produtores de leite estão lutando para sobreviver. O principal culpado: o longo período de preços baixos. A última vez que os preços estiveram fortes foi em 2014. Analistas atribuem  o problema a um grande desequilíbrio entre a oferta e a demanda. Existe muito leite pelo mundo, causando uma queda de preços, que prejudica o agricultor, porque não está mais barato produzir.

Existem outros fatores também. A população está bebendo menos leite, particularmente alternando com alternativas ao leite como as bebidas de soja e amêndoa que inundam o mercado. Sem falar das tarifas que é outro potencial desafio a ser enfrentado pelo setor. "É uma questão de tempo", diz Cynthia Martel, extensionista de uma cooperativa do Condado de Franklin, especializada em lácteos. "Poderão eles esperar um ano? Terão dinheiro suficiente para o fluxo de caixa enquanto os preços do leite voltem a subir?" O Condado de Franklin é um dos grandes produtores do estado, mas, os fazendeiros enfrentam as mesmas dificuldades. O condado não foi poupado e muitas fazendas foram perdidas este ano. Existem 40 fazendas que são apenas sobreviventes no condado, hoje.

 Matthews, que ajuda seu pai em uma fazenda em Callaway, espera conseguir superar o momento. A fazenda está na família desde 1919. Seu bisavô morreu três anos depois de comprá-la. Se sua bisavó, mãe viúva e sozinha conseguiu aguentar durante a Depressão, ele também deverá ser capaz de passar por isso.

"Pessoas antes de você tiveram momentos difíceis e passaram por eles", disse Matthews.

O produtor de leite diz que não se imagina fazendo outra coisa. Matthews estudou economia agrícola na Universidade de Clemson mas, percebeu que não tinha como trabalhar com números em um escritório fechado. Preferiu ficar ao ar livre, na fazenda.

"A produção de leite está em meu sangue", disse Matthews.

A renda do agricultor depende do preço do leite. E existem variáveis complexas ao nível federal e estadual para definir o preço do leite.

"Os fazendeiros não têm controle sobre o seu leite", diz Martel. "Eles não podem negociar. Não é assim que funciona". Elaine Lidholm, diretora de comunicação do Departamento de Agricultura e Serviços ao Consumidor, descreve o preço do leite como sendo "um dos procedimentos mais complicados de toda a agricultura".

A flutuação nos preços do leite não é incomum. O fato dos preços ficarem sob pressão por um longo tempo, não é exceção. Historicamente, diz Martel, era para os preços terem se recuperado até agora. Nos últimos anos, os preços do leite tornaram-se extremamente voláteis, disse Eric Paulson, diretor executivo da Associação dos Produtores de Leite do Estado da Virgínia. Isso é comprado em 2018.

"Obviamente que estamos vendo os preços muito deprimidos em 2018, diz Paulson. Muitas pessoas conhecem quanto ganharão em um ano, eles têm um salário fixo, observa Paulson. Esse não é o caso dos produtores de leite. O leite sai da fazenda, e o produtor descobre quanto ganhou no mês seguinte.

Sendo o leite um produto perecível, ele diz, o produtor não pode estocar e esperar pelo retorno do preço como ocorre com outras culturas. Apesar das fazendas estarem fechado, Lidholm diz que a produção de leite do estado permanece relativamente inalterada. Isso, frequentemente ocorre, porque quando alguém sai da atividade, suas vacas vão para outras fazendas maiores.

Os preços do leite caíram para os valores da década de 1980, disse Matthews, mas os custos de insumos são os mesmo de 2018.

"Para cobrir as despesas, o agricultor norte-americano - isso vale para o produtor de carne, grãos, e leite - temos que produzir mais!, disse ele. "E as leis da economia dizem que quando produz mais, você colocará mais produto no mercado, e mais produtos no mercado sem aumento de demanda, os preços caem".

Na década de 1970, Mattews disse que a fazenda de sua família ordenhava entre 90 e 100 vacas. Hoje são 155. Embora o rebanho tenha aumentado drasticamente, o número de empregados não aumentou. São apenas, Mattews, seu pai, e outros dois. Todos só precisam fazer mais. "É estressante quando você trabalha o dia todo e vai para casa e começa a pagar suas contas e não há dinheiro suficiente para isso", disse Matthews. "Não importa o quanto você trabalhe, quanto tempo você coloca nele, você não será mais pago". Enquanto isso, Cline Brubaker, outro produtor de leite de Callaway está permitindo que seu rebanho diminua gradualmente. Ele tinha 90 vacas no ano passado, mas, agora reduziu para 30. Ele tentou vender as vacas remanescentes mas, não teve sucesso. Aos 74 anos, Brubaker está de olho na aposentadoria. Tenta encorajar as novas gerações a entrar na pecuária de leite. Não há necessidade de um grande rebanho. Brubaker disse que os baixos preços do leite estão afetando durante os produtores. No momento, ele ganha menos de 100 pounds do que ele ganhava nos anos oitenta. Hoje é mais caro produzir. "Isso está fazendo com que os agricultores como digam, é hora de sair".

Brubaker disse que seu veterinário estava lamentando a quantidade de clientes perdidos ultimamente. E o produtor de leite diz que seus registros explicam facilmente a razão. Os pagamentos ao veterinário não param de aumentar desde 2006. Mas, o crédito do leite - como mostrou Brubaker - hoje é menor em relação ao valor de doze anos atrás. Ele disse ao veterinário que mais clientes serão perdidos. Mesmo aqueles que optam por deixar a atividade enfrentam desafios. Como os preços do leite são baixos, poucos podem comprar o gado à venda. O resultado é que muitas vacas boas vão para o abate. Perguntado quanto tempo ele é produtor de leite, Brubaker diz: "Toda a minha vida". Ele comprou a fazenda Blackwater Valley de seus pais em 1967. A Blackwater Valley está na lista das fazendas centenários, e reconhecida como em operação por pelo menos 100 anos. Ele fica triste ao pensar que essa história poderá chegar ao fim. "Você se apega emocionalmente a isso", diz Brubaker.

Fazem mais de dois anos desde que Debbie e Mike Brubaker desistiram da produção de leite. Mas, Debbie Brubaker ainda se emociona ao falar sobre isso. Por anos, a vida de Debbie Brubaker e seu marido, um fazendo de terceira geração, girava em torno do leite. Mike cuidava da parte operação e Debbie da contabilidade. Ambos participaram do Conselho da Indústria. Quando eles encerraram as vendas em janeiro de 2016, eles também deixaram para trás a comunidade. Debbie Brubaker disse que foi mais difícil do que perder um emprego: eles perderam um estilo de vida. "Sua paixão e todo o resto não desapareceram", disse ela. Ao analisar as suas finanças, Debbie Brubaker chegou à conclusão que deveria escolher entre aumentar o rebanho ou cortar as despesas. Nenhuma das duas opções eram possíveis. A fazenda já havia reduzido o rebanho e dispensado um empregado contrato, e não havia mais despesas a serem cortadas. Então  entregaram o restante do gado para uma empresa de leilões liquidar o plantel. O valor obtido com a venda foi menor do que a avaliação de anos anteriores, mas, ainda foi um bom negócio. Conta que foi difícil para o marido se separar das vacas. "Ele conhecia cada uma delas". Mantiveram a fazenda onde plantam soja e milho. E, substituíram o gado de leite por gado de corte, embora tenham um rebanho de apenas 28 cabeças, conta Debbie Brubaker.

O filho do casal, que era um adolescente quando encerraram a produção de leite, demonstrou interesse em manter viva a tradição da família. Mas, seus pais não tinham certeza de que deveria incentivá-lo. "Com a indústria de laticínios e a luta que tivemos, odeio confessar, mas, não o encorajamos a fazer isso", disse Debbie Brubaker. Ela não sabe como os produtores de leite estão conseguindo sobreviver agora. São anos de recessão. "Nosso coração permanece com os produtores que ainda lutam", completa Debbie Brubaker.

A Associação dos Produtores de Leite do Estado da Virgínia que defende seus membros, principalmente em nível estadual, propõe iniciativas como aumentar as doações de leite para bancos de alimentos, disse o diretor executivo, Paulson. É um produto muito procurado, mas, difícil de transportar. Bancos de alimentos podem ser um novo destino para o leite. E, como é perecível, precisa encontrar uso rapidamente. No entanto, o esforço está em fase inicial, completa Paulson. A associação também está trabalhando para diversificar o processamento de leite no estado. Em 2017, 86% do leite produzido na Virgínia era consumido como leite fluido. Em outros locais, o percentual às vezes é menor do que 25%. Nova Iorque é iogurte, Wisconsin queijo, mas na Virgina é leite fluido. Talvez isso possa mudar. Paulson tem esperança de ver a Virgínia produzindo produtos lácteos cuja demanda esteja crescendo. "Temos um excelente produto. Estamos apenas tentando descobrir como conseguir que as indústrias cheguem até nós", disse ele. (Dairy Herd - Tradução livre: Terra Vivaq)


Mulheres ativas no agronegócio
Muitas mulheres do Vale do Taquari que trabalham no campo são empreendedoras, buscam renda extra fora da propriedade e transitam entre a área rural e a cidade com facilidade. A conclusão é de uma pesquisa divulgada ontem pela Faculdade La Salle Estrela. Das entrevistadas, 44,5% trabalham "dentro da porteira"; 38,9% também têm atividades "antes da porteira", oferecendo suprimentos e serviços às propriedades; e 16,7% atuam "depois da porteira", em negócios ligados ao transporte, armazenamento, industrialização e comércio da produção. (Correio do Povo) 

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