Pular para o conteúdo

Porto Alegre, 02 de março de 2026                                                         Ano 20 - N° 4.580


21º Fórum Estadual do Leite vai debater sustentabilidade, gestão e competitividade na cadeia leiteira

Em um cenário cada vez mais desafiador para o setor leiteiro, pressão por sustentabilidade e a necessidade de ganhar competitividade no mercado internacional, o Rio Grande do Sul volta a colocar o tema no centro do debate técnico. Durante a Expodireto Cotrijal, produtores rurais, técnicos e lideranças da cadeia se reúnem no 21º Fórum Estadual do Leite, evento que propõe discutir soluções práticas para a atividade, com foco em gestão, desempenho produtivo e responsabilidade ambiental.

A iniciativa é da CCGL, em parceria com a Cotrijal, e ocorre na manhã do evento, com abertura às 8h30, consolidando-se como um dos principais espaços de atualização técnica do cooperativismo gaúcho.

Para o Gerente de Suprimento do Leite da CCGL, Jair da Silva Mello, a 21ª edição do Fórum representa um espaço de disseminação de informações e tecnologias. “Cada vez mais nesses momentos de crise da atividade leiteira, precisamos superar com tecnologia, informação, conhecimento e com gestão da atividade como um todo. E a CCGL, suas cooperativas e a FecoAgro trabalham forte a gestão nas propriedades com a plataforma SmartCoop, em todas as áreas da cadeia leiteira", pontuou. 

A programação começa com a palestra “Manejo sustentável de dejetos orgânicos dos bovinos de leite”, ministrada por Marcelo Henrique Otenio, pesquisador da Embrapa Gado de Leite, trazendo alternativas para qualificar o manejo ambiental nas propriedades. Na sequência, o consultor Alejandro Galetto, da FEPALE e ex-pesquisador do INTA, apresenta o tema “Diferenciais competitivos dos produtores de leite no Mercosul”, com uma leitura regional do mercado e dos caminhos para ampliar eficiência e rentabilidade.

Encerrando os painéis técnicos, o médico-veterinário Matheus Balduino Moreira, da Rehagro, aborda “Gestão: O que os Melhores Produtores Fazem para Ganhar Dinheiro na Crise”, compartilhando práticas adotadas por propriedades de alto desempenho mesmo em cenários econômicos adversos. Após as apresentações, os temas serão debatidos com o público.

Para a CCGL, o Fórum integra uma estratégia permanente de fortalecimento da cadeia do leite por meio do acesso à informação, inovação e capacitação, apoiando o produtor rural na tomada de decisões e na busca por maior produtividade e sustentabilidade nas propriedades.

O 21º Fórum Estadual do Leite conta com patrocínio do Sindilat/RS, do Senar, do BRDE e da 3R Ribersolo, além do apoio do Sistema Ocergs, da RTC, da Smartcoop e da FecoAgro/RS. (As informações são da ASCOM CCGL)


FETAG-RS realiza solenidade de transição de presidência

A Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (FETAG-RS) realizou, na sexta-feira (27), a solenidade de transição de presidência da entidade, marcando o encerramento da gestão de Carlos Joel da Silva e a posse de Eugênio Zanetti como novo presidente da Federação.

O ato reuniu lideranças sindicais, representantes de entidades, parlamentares e autoridades estaduais e federais, entre elas o governador do Estado do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. A cerimônia reafirmou a continuidade institucional da FETAG-RS e o compromisso da entidade com a agricultura e a pecuária familiar gaúcha.

Encerramento de ciclo
Ao se despedir da presidência, Carlos Joel da Silva destacou o trabalho coletivo construído ao longo dos últimos anos e os desafios enfrentados pela agricultura familiar.

“Encerrar minha gestão à frente da FETAG-RS é um momento de gratidão e serenidade. Foram anos de trabalho intenso em defesa da agricultura e da pecuária familiar, sempre pautados pelo diálogo, pela responsabilidade institucional e pelo compromisso com os trabalhadores e trabalhadoras rurais”, afirmou.

Joel ressaltou que a entidade esteve presente nos momentos mais desafiadores vividos pelo meio rural, especialmente diante das crises climáticas e econômicas, atuando na defesa de políticas públicas e no fortalecimento da representação sindical. Ele inicia uma nova etapa junto à AFUBRA, mantendo seu compromisso com o desenvolvimento do campo e com as famílias produtoras.

Durante a solenidade, o governador Eduardo Leite destacou a condução firme e posicionada da gestão de Carlos Joel da Silva, ressaltando os avanços construídos a partir da parceria institucional entre o Governo do Estado e a FETAG-RS. O governador também parabenizou Eugênio Zanetti pela assunção à presidência da entidade e afirmou que, pelo conhecimento de sua trajetória, a Federação seguirá realizando um trabalho exemplar em defesa da agricultura familiar.

Na ocasião, a FETAG-RS recebeu do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), uma caminhonete 4×4 destinada a apoiar feiras, visitas técnicas, ações de comercialização e iniciativas voltadas às agroindústrias familiares em todo o Estado. A entrega integra o Acordo de Cooperação firmado entre as instituições, reforçando a parceria e o compromisso com o fortalecimento da agricultura familiar.

Continuidade institucional
Ao assumir a presidência da FETAG-RS, Eugênio Zanetti reafirmou o compromisso com a continuidade do trabalho e com o fortalecimento das bases sindicais em todo o Estado.

“A FETAG-RS é construída por muitas lideranças. Nossa gestão será conduzida com união, ética e responsabilidade, como sempre foi a marca da entidade. Com esse princípio, inicia-se um novo ciclo participativo, técnico e estratégico, com planejamento e foco no fortalecimento do futuro dos agricultores e agricultoras familiares, em parceria com os sindicatos”, destacou.

A transição ocorreu de forma planejada e consensual, reafirmando a maturidade institucional da entidade e sua capacidade de renovação.

A FETAG-RS segue representando milhares de trabalhadores e trabalhadoras rurais em todo o Rio Grande do Sul, mantendo sua atuação na defesa da agricultura e da pecuária familiar. (FETAG)

 

 

Redução da jornada de trabalho pressiona economia e prejudica competitividade gaúcha, afirma Sistema Fiergs

No Rio Grande do Sul, conforme levantamento da Unidade de Estudos Econômicos do Sistema Fiergs, cerca de 67% dos trabalhadores formais têm jornada contratual entre 41 e 44 horas semanais. Na indústria, esse percentual é ainda maior: 91,7% dos empregados formais cumprem carga horária nesse intervalo. Já na Indústria de Transformação, segmento intensivo em mão de obra, 92,3% dos trabalhadores atuam com jornadas entre 41 e 44 horas por semana.

Ainda segundo a Fiergs, esse cenário se torna mais preocupante diante da estagnação da produtividade brasileira. Comparações internacionais indicam que a produtividade do trabalhador brasileiro corresponde a cerca de 25% da alcançada por um trabalhador norte-americano, ou seja, em média, um trabalhador dos Estados Unidos produz aproximadamente quatro vezes mais no mesmo período. Além disso, entre 1990 e 2024, a produtividade no Brasil cresceu apenas 0,9% ao ano, ritmo significativamente inferior ao observado em economias emergentes como China (8%), Índia (5,1%) e Coreia do Sul (4,2%).

“A evidência internacional sugere que países que conseguiram reduzir a jornada de trabalho de forma sustentável o fizeram apoiados em ganhos consistentes de produtividade, investimentos em educação, inovação e tecnologia”, destaca o estudo da Fiergs.

No entendimento de Bier, para discutir esse assunto, o Brasil precisaria apresentar aumento consistente na produtividade. A Coreia do Sul, por exemplo, reduziu a jornada de 44 para 40 horas semanais em um contexto de crescimento médio anual da produtividade de 4,2%. A Alemanha alcançou jornada média de 34,2 horas com crescimento de produtividade em torno de 1,4% ao ano. Em contraste, a experiência francesa, que reduziu a jornada de 39 para 35 horas, resultou em aumento de custos, perda de competitividade e desaceleração do crescimento da produtividade, que ficou em 0,9% ao ano. Leia a matéria na íntegra clicando aqui. (Jornal do Comércio)


Jogo Rápido

Fórum MilkPoint Mercado abordará desafios e oportunidades do setor leiteiro em 2026
Os desafios no curto prazo e as oportunidades a longo prazo da cadeia do leite em 2026 serão foco do Fórum MilkPoint Mercado que, este ano, acontece no dia 9 de abril, em Piracicaba (SP) , no chamado “Vale do Silício do Agro”, ninho de startups e grandes inovações do setor. Para participarem, associados do Sindilat/RS têm garantido 10% de desconto na inscrição, que pode ser feita no link disponível no site do Sindilat, clicando aqui. A programação do Fórum MilkPoint Mercado 2026 foi estruturada para oferecer uma visão completa e estratégica da cadeia láctea, combinando análises de mercado, qualidade do leite e performance financeira da indústria ao longo de um dia inteiro de debates e networking. (Sindilat)


Porto Alegre, 27 de fevereiro de 2026                                                    Ano 20 - N° 4.579


Indústrias temem risco do acordo Mercosul-UE para o setor leiteiro

Impactado por meses de baixa rentabilidade no campo e na indústria, o setor lácteo brasileiro teme os efeitos adversos do acordo que avança entre Mercosul e União Europeia. O texto prévio de tratado de incentivo comercial entre blocos econômicos foi aprovado esta semana na Câmara dos Deputados e segue para apreciação do Senado e foi tema da reunião de associados do Sindicato da Indústria de Laticínios do RS (Sindilat) na tarde desta quinta-feira (26/2), em Porto Alegre (RS).
 
Segundo o secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, o risco é que o setor entre como moeda de troca internacional para a concessão de benefícios a outros segmentos. “Esse é um acordo que certamente aumentará a corrente de comércio entre os países, favorecendo a economia brasileira. No entanto, precisamos operar para resguardar setores sensíveis e estratégicos, como o do leite, como forma de garantir autonomia alimentar e a sobrevivência da produção leiteira”, completou.

Pelo acordo em tramitação, está prevista redução de tarifas de importação para diversos setores. A política em debate prevê desoneração entre países dos dois blocos econômicos por até 18 anos, prazo que variará de acordo com o produto. “O acordo é inevitável. Precisaremos que o governo crie salvaguardas como existem hoje na União Europeia, concedendo subsídios ao setor produtivo que favoreçam a competitividade local frente aos importados ao lado de ações já existentes como o Mais Leite Saudável”, sugeriu Palharini. (Assessoria de imprensa do Sindilat/RS)


CONSELEITE – SANTA  CATARINA 

RESOLUÇÃO Nº 2/2026 

A diretoria do Conseleite Santa Catarina reunida em Chapecó no dia 27 de Fevereiro de 2026 atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I, aprova e divulga os valores de referência da matéria-prima leite, realizados no mês de Janeiro de 2026 e a projeção dos valores de referência para o mês de Fevereiro de 2026.  

O leite padrão é aquele que contém entre 3,50 e 3,59% de gordura, entre 3,11 e 3,15% de proteína, entre 450 e 499 mil células somáticas/ml e 251 a 300 mil ufc/ml de contagem bacteriana e volume individual entregue de até 50 litros/dia. O Conseleite Santa Catarina não precifica leites com qualidades inferiores ao leite abaixo do padrão. (Conseleite SC)

EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1908 de 26 de fevereiro de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE 

A produção de leite foi afetada pela oferta limitada de pastagens cultivadas e nativas, associada ao estresse térmico dos animais. Em algumas propriedades, foi necessário utilizar ventiladores e aspersores, em determinados períodos do dia, para mitigar o impacto do calor sobre as vacas em produção.  A qualidade do leite ficou dentro dos padrões adequados. 

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, o volume de leite entregue para a indústria sofreu redução em Bagé, em Hulha Negra e em Manoel Viana. Na Fronteira Oeste, a silagem feita em janeiro foi disponibilizada às matrizes para diminuir custos com suplementação e evitar a perda de peso dos animais.    

Na de Caxias do Sul, a produção aumentou, favorecida pelo maior consumo de alimentos dos animais. 

Na de Erechim, a atividade apresentou desempenho geral satisfatório, com volumes diários de 4 a 6 mil litros nas propriedades com sistemas extensivos. 

Na de Ijuí, houve redução de volume coletado em comparação aos períodos anteriores, principalmente nos sistemas conduzidos a pasto. Alguns animais apresentaram peso abaixo do ideal, mas, de maneira geral, o escore corporal do rebanho está adequado.  

Na de Pelotas, o bem-estar dos animais foi favorecido pelas condições meteorológicas e pela melhor oferta de forragem. Em algumas propriedades, a população de carrapatos aumentou. 

Na de Santa Maria, a rentabilidade da atividade tem preocupado os produtores.  

Na de Santa Rosa, observou-se diminuição nos volumes de leite produzidos diariamente em razão das altas temperaturas, que impuseram estresse térmico aos animais. 

Na de Soledade, houve leve redução na produção, pois as altas temperaturas provocaram estresse térmico nos animais, que reduziram o consumo de alimentos. (As informações são da Emater/RS editadas pelo Sindilat/RS)


Jogo Rápido

Previsão é de tempo estável em todo o Rio Grande do Sul
A previsão do tempo indica estabilidade em decorrência da atuação predominante de um sistema de alta pressão que favorece a manutenção do tempo estável no Rio Grande do Sul. Para semana que vem, não há previsão de chuva expressiva em nenhuma região do Estado e as temperaturas devem seguir em elevação gradual, especialmente no período da tarde. As informações constam no Boletim Integrado Agrometeorológico 09/2026 produzido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em parceria com a Emater/RS-Ascar e o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). Sábado (28/2) e domingo (1/3):  as condições meteorológicas devem permanecer predominantemente estáveis, sem a atuação de sistemas capazes de provocar instabilidade significativa. Ao longo desse período, não há previsão de chuva expressiva em nenhuma das regiões do Estado, e as temperaturas devem seguir em elevação gradual, especialmente durante o período da tarde. Segunda (2/3), terça (3/3) e quarta-feira (4/3): o padrão atmosférico deve se manter, com predomínio de tempo estável em todo o RS. Assim, não há indicativo de precipitação significativa e as temperaturas devem continuar em elevação gradual, mantendo a condição de calor em grande parte do território gaúcho. De maneira geral, os acumulados de precipitação devem variar entre 0 e 10 milímetros (mm) ao longo da semana e devem ocorrer apenas em pontos isolados, com maiores acumulados sendo previstos para região da Fronteira Oeste (10 mm). Já na maioria das regiões, não deve ocorrer precipitação. O boletim agrometeorológico atualiza semanalmente a situação de diversas culturas e criações de animais no RS. Acompanhe todas as publicações agrometeorológicas da Secretaria em www.agricultura.rs.gov.br/agrometeorologia.


Porto Alegre, 26 de fevereiro de 2026                                                    Ano 20 - N° 4.578


Preço de referência do leite é projetado em R$ 2,0966

O valor de referência do leite projetado para fevereiro no Rio Grande do Sul é de R$ 2,0966. O indicador, divulgado nesta quinta-feira (26/02) em reunião virtual do Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do RS (Conseleite), posiciona-se 1,98% acima da projeção feita em janeiro (R$ 2,0560). O valor consolidado de janeiro fechou em R$ 2,0382, 2,64% maior do que o resultado de dezembro (R$ 1,9857).

Segundo o coordenador do Conseleite, Kaliton Prestes, a expectativa é que esse leve aumento chegue ao campo com impacto positivo, auxiliando a margem de lucro da atividade. Segundo ele, o momento é de aprofundar o debate sobre a competitividade da cadeia frente a outros players do mercado lácteo mundial e avaliar os entraves logísticos que impactam o setor lácteo. “O custo da produção láctea no Brasil é alto em comparação a outros países como a Argentina. Temos uma perda importante de competitividade. Mas não podemos avaliar isso olhando apenas para o produtor. A margem é apertada e essa análise de competitividade do leite precisa ser feita de forma global”, ponderou Prestes.

Divulgados mensalmente, os valores de referência do leite são elaborados com base em cálculo elaborado pela UPF a partir de dados fornecidos pelas indústrias referentes à movimentação dos nos primeiros 20 dias do mês. (Jardine Comunicação)


CONSELEITE MINAS GERAIS - CONSELHO PARITÁRIO DE PRODUTORES E INDÚSTRIAS DE LEITE DE MINAS GERAIS 
 
RESOLUÇÃO FEVEREIRO/2026 
 
A diretoria do Conseleite Minas Gerais reunida no dia 25 de Fevereiro de 2026, atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I e de acordo com metodologia definida pelo Conseleite Minas Gerais que considera os preços médios e o mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes, aprova e divulga: 
 
a) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Novembro/2025 a ser pago em Dezembro/2025 
b) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Janeiro/2026 a ser pago em Fevereiro/2026 
c) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Fevereiro/2026 a ser pago em Março/2026. 


Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada leite base se refere ao leite analisado que contém 3,30% de gordura, 3,10% de proteína, 400 mil células somáticas/ml, 100 mil ufc/ml de contagem bacteriana e produção individual diária de até 160 litros/dia. Os valores são posto propriedade incluindo 1,5% de Funrural. 

CALCULE O SEU VALOR DE REFERÊNCIA 
O Conseleite Minas Gerais gera mais valores do que apenas o do leite base, maior, médio e menor valor de referência, a partir de uma escala de ágios e deságios por parâmetros de qualidade e ágio pelo volume de produção diário individual, apresentados na tabela acima. Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade e o volume, o Conseleite Minas Gerais disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas, contagem bacteriana e pela produção individual diária. O simulador está disponível no seguinte endereço eletrônico: www.conseleitemg.org.br. 

Produção de leite avança na Argentina em janeiro, mas rentabilidade segue desafiadora

De acordo com relatório do Observatorio de la Cadena Láctea Argentina (OCLA), com base em dados da Direção Nacional de Leite, os tambos argentinos produziram 966 milhões de litros em janeiro. O volume representa uma queda de 7,6% em relação a dezembro - movimento considerado sazonal -, mas um avanço de 9,7% frente a janeiro de 2025, quando a produção foi de 880,7 milhões de litros.

Após um 2025 de forte expansão, a produção de leite na Argentina começou 2026 mantendo ritmo no crescimento. De acordo com o relatório do Observatorio de la Cadena Láctea Argentina (OCLA), com base em dados da Direção Nacional de Leite, os tambos argentinos produziram 966 milhões de litros em janeiro.

O volume representa uma queda de 7,6% em relação a dezembro — movimento considerado sazonal —, mas um avanço de 9,7% frente a janeiro de 2025, quando a produção foi de 880,7 milhões de litros.

O desempenho de janeiro ficou muito próximo do recorde histórico para o mês, registrado em 2015, de 973,8 milhões de litros. O OCLA também destacou o aumento dos sólidos totais (gordura e proteína). O teor médio de sólidos passou de 7% em janeiro de 2025 para 7,10% em janeiro de 2026. 

Preços ainda pressionam a rentabilidade

Apesar do bom desempenho produtivo, os preços pagos ao produtor seguem em nível considerado baixo, com impacto direto sobre a rentabilidade da atividade.

Segundo o OCLA, o preço médio recebido em janeiro foi de $ 478,19 por litro (US$ 0,33), alta de 0,3% em relação a dezembro e de 7,7% frente a janeiro de 2025. No entanto, descontada a inflação, o valor representa queda real de 2,5% no comparativo mensal e de 18,7% na comparação anual. Em dólares, o recuo é de 22,5% frente ao mesmo mês do ano passado. (Milkpoint)


Jogo Rápido

Estudo mapeia desafios do setor agropecuário paranaense com possível alteração da carga horária semanal
No setor de laticínios, o acréscimo estimado é de R$ 570 milhões por ano, considerando a coleta diária e o processamento imediato do leite. Nas cadeias de cana, café, fumo e hortifruti, o impacto alcança R$ 910 milhões anuais, reflexo da forte dependência de mão de obra em períodos curtos de colheita e da necessidade de ampliar equipes para manter o ritmo produtivo. A proposta de redução da jornada de trabalho no modelo 6×1, com a diminuição da carga horária semanal de 44 para 36 horas, poderá gerar impacto estimado em R$ 4,1 bilhões por ano na agropecuária do Paraná. O levantamento foi realizado pelo Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP e analisou os possíveis efeitos da medida sobre a estrutura de custos e a necessidade de adequação da mão de obra nas principais cadeias produtivas do Estado. O estudo considera uma base de 645 mil postos de trabalho no setor agropecuário paranaense, com massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões, incluindo salários e encargos obrigatórios como FGTS, INSS patronal, provisão de férias e 13º salário. Com a redução da jornada, estima-se a necessidade de reposição de 16,6% da mão de obra, seja por meio de novas contratações ou pelo pagamento de horas adicionais, o que representa aproximadamente 107 mil novos postos para manutenção do atual nível de produção. O impacto varia conforme a cadeia produtiva. Na avicultura e suinocultura, o custo adicional anual estimado é de R$ 1,72 bilhão, em razão do manejo contínuo dos animais e das escalas ininterruptas nas plantas frigoríficas. Na cadeia de grãos — soja, milho e trigo —, a necessidade de adequação chega a R$ 900 milhões, com desafios concentrados no recebimento da safra e na logística de transporte durante os períodos de pico. No setor de laticínios, o acréscimo estimado é de R$ 570 milhões por ano, considerando a coleta diária e o processamento imediato do leite. Nas cadeias de cana, café, fumo e hortifruti, o impacto alcança R$ 910 milhões anuais, reflexo da forte dependência de mão de obra em períodos curtos de colheita e da necessidade de ampliar equipes para manter o ritmo produtivo. O estudo aponta que a eventual redução da jornada de trabalho demandará planejamento e adequação da força de trabalho para garantir a produtividade e o funcionamento das cadeias agropecuárias paranaenses. As informações são do Sistema FAEP, adaptadas pela equipe MilkPoint.


Porto Alegre, 25 de fevereiro de 2026                                                    Ano 20 - N° 4.577


Cooperativa Santa Clara projeta dobrar a produção de queijos em novo ciclo de investimentos

No ano em que completa 115 anos como marca, a Cooperativa Santa Clara, que tem origem em Carlos Barbosa, na Serra, investe para consolidar a sua cadeia produtiva de laticínios e suínos bem além do município serrano. De acordo com o diretor administrativo e financeiro da Santa Clara, Alexandre Guerra, entre 2026 e 2027, serão aportados R$ 200 milhões em três frentes: ampliação da produção de laticínios, de embutidos de suínos e da estrutura de distribuição e armazenamento da cooperativa.

"Hoje a cooperativa conta com 4,7 mil associados e uma estrutura cada vez mais consolidada para dar suporte e condições aos produtores entre a Serra, Alto Uruguai e Alto Jacuí. Como cooperativa, nós conseguimos garantir assistência técnica e pagamento com retorno a esse associado, porque o produtor, principalmente de leite, que é a nossa maior operação, se equipou para produzir mais e, hoje, com qualidade semelhante à União Europeia, mas o momento é muito delicado. Por isso, nossos investimentos querem garantir custos menores, especialmente em logística, que castiga muito o produtor no Rio Grande do Sul", explica Guerra.

A maior fatia dos investimentos da cooperativa neste ciclo será direcionada à construção de uma nova queijaria em Casca, na região da Produção. A perspectiva é de que as obras iniciem até o final deste ano, com início da produção previsto para 2028. De acordo com o diretor, o projeto atenderá ao aumento da produção de 14% de leite no campo, entre os 2,4 mil produtores leiteiros associados à cooperativa. Na indústria que já opera em Casca, a Santa Clara projeta um aumento de 20% na produção de leite UHT.

A cooperativa já conta com queijarias em Carlos Barbosa — dedicada aos queijos mais nobres — e em Getúlio Vargas, garantindo uma capacidade produtiva de 600 toneladas de queijo ao mês. A meta, aponta o dirigente, é conseguir dobrar este volume com a operação da futura queijaria de Casca.

"Mesmo com o cenário desafiador, especialmente a partir da metade do ano passado, conseguimos, como cooperativa, ampliar em 50 o número de produtores cooperados. Estamos presentes em uma bacia leiteira muito forte, que precisa de toda a estrutura para agregar valor ao que produz", diz o dirigente.

Melhoria logística e aumento da produção suína
Não à toa, a Santa Clara inicia a operação neste mês de fevereiro do seu novo Centro de Distribuição, em Carlos Barbosa, finalizando um investimento de R$ 22 milhões. Ao todo, a cooperativa conta com sete CDs, mas este mudará a lógica dessas operações.

"Teremos em Carlos Barbosa uma espécie de pulmão para todas as indústrias, com 5,3 mil metros quadrados e um aumento em espaços para armazenamento de mais de 70% em relação à estrutura anterior. Isso significa que, ao centralizarmos em Carlos Barbosa matérias-primas, suprimentos e produtos para distribuição, abrimos mais área operacional nas demais unidades industriais", detalha.

Entre os aportes logísticos, a cooperativa também amplia a sua estrutura em Canoas, na Região Metropolitana, com especial atenção à sua linha de food service, com a distribuição de produtos que são bases para restaurantes, hotéis e lancherias. A partir dessa ampliação, toda a distribuição a este setor será centralizada no município da Região Metropolitana.

Na outra ponta, será concluída este ano uma nova loja agropecuária para atendimento aos produtores em Paraí, com 4,2 mil metros quadrados, e o início das obras de uma nova estrutura em Nova Roma do Sul, ambas na Serra. A cooperativa conta com 30 lojas no Rio Grande do Sul.

O plano de investimentos contempla ainda a ampliação e, principalmente, qualificação da produção suína da Cooperativa Santa Clara. Os aportes preveem ampliação de 17% na capacidade de abate e desossa no frigorífico adquirido ano passado em Vila Lângaro, na região Nordeste do Estado. Hoje, a unidade tem capacidade de abate de 600 suínos por dia. A unidade dará suporte à cadeia de 63 produtores integrados de suínos e sete unidades de produção de leitões.

A partir de lá, a cooperativa também vai ampliar a sua capacidade de produção de embutidos e cozidos, como salames com maior valor agregado, em Carlos Barbosa.

Ficha técnica

Investimento: R$ 200 milhões
Estágio: Em execução até 2027
Empresa: Cooperativa Santa Clara
Cidades: Carlos Barbosa, Casca, Canoas, Vila Lângaro, Nova Roma do Sul
Área: Indústria
Investimento em 2025: R$ 30 milhões

As informações são do Jornal do Comércio


CEPEA: Boletim do leite Ano 32 nº 368 | FEVEREIRO - 2026

Depois de recuar mais de 25% no ano passado, preço do leite começa 2026 em estabilidade.

O preço do leite ao produtor captado em dezembro/25 fechou a R$ 1,9966/litro na Média Brasil – quedas de 5,78% frente a novembro/25 e de expressivos 25,79% sobre a de dezembro/24, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de dezembro/25).

Com o resultado, a média anual, de R$ 2,5617/litro, ficou 6,8% abaixo da de 2024, em termos reais. Já a desvalorização real acumulada em 2025 foi de 25,8%.

A pesquisa realizada pelo Cepea, com apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), mostra que, em janeiro, a cotação do leite UHT negociado no atacado de São Paulo recuou 1,44% em relação ao mês anterior, com a média passando para R$ 3,31/litro.

O queijo muçarela também se desvalorizou, 1,49%, com preço médio de R$ 28,35/kg em janeiro. As exportações brasileiras de lácteos recuaram 16,75% de dezembro/25 para janeiro/26, somando 4,30 milhões de litros em Equivalente-Leite (EqL), enquanto as importações aumentaram 7,94%, para 178,53 milhões de litros EqL. Na comparação com janeiro/25, tanto os embarques quanto as compras caíram, em respectivos 11,43% e 14,32%.

Os dados são da Secex e foram analisados pelo Cepea. Os custos de produção da pecuária leiteira aumentaram em janeiro de 2026.

Esse cenário e a baixa nos preços da matéria-prima deixam o produtor em alerta, visto que apertam ainda mais as margens e afetam diretamente o poder de compra. Acesse o boletim completo clicando aqui. As informações são do Cepea.

CONSELHO PARITÁRIO PRODUTORES/INDÚSTRIAS DE LEITE DO ESTADO 
DO PARANÁ – CONSELEITE–PARANÁ 

RESOLUÇÃO Nº 02/2026 

A diretoria do Conseleite-Paraná reunida no dia 25 de fevereiro de 2026 na sede da FAEP na cidade de Curitiba, atendendo os dispositivos disciplinados no Capítulo II do Título II do seu Regulamento, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima leite realizados em Janeiro de 2026 e a projeção dos valores de referência para o mês de Fevereiro de 2026, calculados por metodologia definida pelo Conseleite-Paraná, a partir dos preços médios e do mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes. 

Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada “Leite Padrão”, se referem ao leite analisado que contém 3,50% de gordura, 3,10% de proteína, 500 mil células somáticas/ml; 300 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Os maiores valores de referência se referem ao leite analisado que contém acima de 4,25% de gordura, acima de 3,40% de proteína, abaixo de 200 mil células somáticas/ml, abaixo de 100 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário superior a 3.000 litros/dia; Os menores valores de referência se referem ao leite analisado que contém 3% de gordura, 2,9% de proteína, acima de 600 mil células somáticas/ml, acima de 500 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Esses parâmetros são apresentados na primeira tabela dessa resolução. Para o leite pasteurizado o valor projetado para o mês de Fevereiro de 2026 é de R$ 3,8601/litro. Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade, o Conseleite-Paraná disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas e contagem bacteriana. O simulador está disponível no seguinte https://www.sistemafaep.org.br/conseleite-parana/


Jogo Rápido

Olimpíadas de Inverno | Ranking da fome olímpica: Grana Padano no topo
O Grana Padano foi protagonista nos Jogos de Inverno, com números que impressionam até fora das pistas. Uma tonelada. Em apenas 16 dias. Esse é o tamanho da fome dos atletas que disputaram os Jogos de Inverno em Milão-Cortina. Durante as duas semanas de competição, os competidores consumiram cerca de 60 quilos por dia do tradicional queijo italiano, o equivalente a aproximadamente duas peças diárias. O dado foi revelado por Andrea Varnier, CEO dos Jogos, e virou um dos números mais comentados fora das pistas. Mas o queijo não esteve sozinho no pódio gastronômico. Os atletas também comeram diariamente 365 quilos de massa, 10 mil ovos, 8 mil cafés e 12 mil fatias de pizza. Somadas, as pizzas servidas ao longo do evento alcançariam cerca de 1.800 metros de extensão. Uma linha reta de massa e molho atravessando quase dois quilômetros. Para dimensionar a operação, Varnier apresentou uma comparação visual: se todas as bandejas usadas nas refeições fossem empilhadas diariamente, formariam uma torre de 60 quilômetros de altura. Isso equivale a cerca de 18 vezes o Monte Tofana, em Cortina, que tem 3.225 metros. A escala da alimentação acompanha o nível de exigência do esporte de alto rendimento. Jovens atletas submetidos a provas intensas precisam de elevado consumo energético. Na vila olímpica de Milão foram preparados até 4.500 cafés da manhã, almoços e jantares por dia. Em Cortina, quase 4 mil refeições diárias. Em Predazzo, cerca de 2.300. Por trás desses números, houve planejamento. A elaboração dos cardápios levou cerca de um ano, segundo os organizadores. O objetivo era equilibrar volume, qualidade nutricional e identidade gastronômica local. Segundo o presidente dos Jogos, Giovanni Malagò, a qualidade da comida foi amplamente elogiada. Fora das cozinhas, o evento também apresentou desempenho robusto. Foram vendidos cerca de 1,3 milhão de ingressos, o equivalente a 88% da capacidade total das sessões. O público foi majoritariamente internacional: 63% vieram de fora da Itália. A Alemanha respondeu por 15% dos espectadores, os Estados Unidos por 14% e Reino Unido e Suíça por cerca de 6% cada. Entre medalhas, recordes e celebrações, os Jogos deixaram também um retrato curioso: grandes eventos esportivos não se medem apenas em quilômetros percorridos na neve, mas também em toneladas de Grana Padano consumidas. *Escrito para o eDairyNews, com informações de UOL


Porto Alegre, 24 de fevereiro de 2026                                                    Ano 20 - N° 4.576


Na Argentina, os preços do leite praticamente não sobem

O  preço que os produtores de leite recebem pelo leite  aumentou apenas  0,3% em janeiro, bem abaixo da inflação, o que agrava a  deterioração econômica,  especialmente para  as pequenas fazendas leiteiras , de acordo com analistas do setor.

Apesar de uma correção técnica dos dados pela Direção Nacional de Laticínios, o preço médio pago por litro permanece praticamente estagnado, enquanto a inflação e o custo de insumos como milho e soja continuam a subir.

Deterioração do poder de compra e disparidade entre as fazendas leiteiras

A evolução do preço real do leite mostra que com um litro hoje é possível comprar  muito menos insumos agrícolas  do que há um ano, o que pressiona as margens de produção.

Além disso, observa-se  uma diferença de preço entre pequenas e grandes fazendas leiteiras : as pequenas fazendas recebem pouco mais de 400 pesos por litro, enquanto as maiores podem cobrar até 580 pesos, refletindo uma  crescente concentração no setor primário .

A situação se agrava porque a estagnação do preço médio mascara as diferenças internas e pressiona a rentabilidade das fazendas leiteiras sem forte apoio financeiro.

Fonte:  Bichos del Campo via portalechero


Europa pode reduzir excedente exportável de lácteos nos próximos anos

Fim das cotas impulsionou a produção; agora, o cenário aponta estabilização e leve retração. Regulamentações ambientais e envelhecimento dos produtores estão entre os principais fatores de pressão. A redução da oferta europeia pode abrir espaço para outros exportadores no mercado global.

O cenário da oferta de leite na União Europeia passa por mudanças, impulsionado, entre outros fatores, pela estabilização da produção. A tendência e seus possíveis desdobramentos foram discutidos em um episódio recente do podcast do RaboResearch, com a participação de Michael Harvey, analista sênior de Lácteos e Bens de Consumo do Rabobank, em conversa com Tom Booijink, especialista sênior em lácteos para Europa e África.
O fim do sistema de cotas, que por anos regulou a produção de leite no bloco, levou a um crescimento acelerado da oferta. “Desde o fim do sistema de cotas, todos os freios foram removidos e a produção aumentou rapidamente, especialmente no noroeste da Europa”, afirma Booijink. Segundo ele, 11 anos após o encerramento das cotas, esse crescimento começa a se estabilizar. Para os próximos cinco a dez anos, a expectativa é de um leve declínio na oferta de leite no noroeste europeu.

Esse movimento pode gerar desafios para a indústria. Após o fim das cotas em 2015, muitos processadores investiram fortemente na ampliação da capacidade, prevendo aumento contínuo da oferta — o que de fato ocorreu entre 2015 e 2020. Com a estabilização atual e a perspectiva de queda gradual, Booijink avalia que parte dessa capacidade poderá ficar ociosa.

Entre os fatores que sustentam a expectativa de declínio estrutural do volume de leite está o ambiente regulatório da União Europeia. De acordo com Booijink, normas ambientais relacionadas a nitrogênio, fosfato e emissões de carbono tendem a limitar a expansão da produção. Regras mais rígidas sobre descarte e produção de esterco, além da necessidade de licenças, também elevam os custos e restringem o crescimento.

Outro ponto relevante é o perfil demográfico do setor. “Uma base de produtores envelhecida é outro fator importante”, destaca Booijink. Ele observa que o despovoamento em algumas regiões europeias agrava o cenário. “Na Europa Oriental, há falta de mão de obra e muita migração para as partes ocidentais da União Europeia. Por exemplo, a Bulgária perdeu 20% de sua população desde 2000, e isso afeta a disponibilidade de mão de obra e a viabilidade do setor leiteiro nessas regiões”, afirma.

Segundo Booijink, a maior contração da oferta deve ocorrer nos países com regulamentações mais rígidas — justamente aqueles que mais cresceram após o fim das cotas. Holanda, Bélgica, Alemanha e Dinamarca respondem juntas por cerca de 35% a 40% da produção total de leite da Europa. No caso da França, a expectativa também é de queda, atribuída principalmente ao envelhecimento dos produtores.

A redução do volume de leite tende a impactar diretamente os processadores, que precisarão ajustar sua estratégia junto aos fornecedores. Booijink aponta duas medidas centrais para manter a competitividade: fortalecer o relacionamento com os produtores, oferecendo preços competitivos, e gerir os ativos com eficiência diante da menor oferta, assegurando níveis adequados de utilização das plantas industriais. “A taxa de utilização é fundamental para o custo de produção de queijo, por exemplo”, ressalta.

No mercado global, a projeção é de retração. Booijink estima que a oferta mundial de leite pode cair 5% nos próximos dez anos. “Pode não parecer muito, mas uma grande parte dos produtos lácteos europeus é exportada e, com a demanda estável e a oferta diminuindo, haverá menos excedente disponível para os mercados de exportação — portanto, com a queda de 5% na oferta de leite, isso significará que a União Europeia terá aproximadamente 40% menos equivalentes de leite disponíveis para exportação para o resto do mundo — uma lacuna da qual outras regiões podem se beneficiar”, afirma.

Para Harvey, trata-se de um cenário de longo prazo, sujeito a mudanças ao longo do tempo. “Este é um cenário de longo prazo, e muita coisa pode mudar ao longo do caminho, mas acredito que a realidade é uma contração sustentada no declínio estrutural do volume de leite na Europa. Isso criará outras oportunidades para outros exportadores, um efeito de transbordamento potencial no mercado de commodities, porque é uma lacuna significativa que precisará ser preenchida”, disse.

As informações são do Dairy Global, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.

Especial Leite por Elas, Jamile Casarotto: "é na fazenda que deposito os meus planos futuros e onde construí a minha identidade profissional"

Diferente de muitas histórias que começam na infância, a trajetória de Jamile na pecuária leiteira é recente. Ela chegou à fazenda em 2019. Até então, morava na cidade e tinha pouquíssimo contato com o meio rural. Tudo o que sabe hoje foi aprendido na prática, no enfrentamento da rotina e na busca constante por conhecimento.

Dando sequência ao Especial Leite por Elas, o MilkPoint apresenta a história de Jamile Casarotto, produtora à frente da Agropecuária São Matheus, localizada em Eugênio de Castro (RS). Ao lado da sogra, Susana Gubert Voigt, Jamile integra a gestão da atividade leiteira e constrói, diariamente, seu espaço na produção.

Diferente de muitas histórias que começam na infância, a trajetória de Jamile na pecuária leiteira é recente. Ela chegou à fazenda em 2019. Até então, morava na cidade e tinha pouquíssimo contato com o meio rural. Tudo o que sabe hoje foi aprendido na prática, no enfrentamento da rotina e na busca constante por conhecimento.

Aprender fazendo — e insistindo

Quando decidiu permanecer na fazenda e investir na atividade, Jamile também assumiu um compromisso pessoal: estudar e se atualizar, especialmente nas áreas de reprodução, genética e criação de bezerras, que na visão dela, são os principais pontos para um plantel saudável no futuro. Naquele momento, o rebanho era composto majoritariamente por vacas mais velhas, e a necessidade de renovação era evidente.

A troca de plantel tornou-se uma das principais estratégias para mudar o cenário produtivo. O processo, no entanto, esteve longe de ser simples. Houve perdas de animais, frustrações e dificuldades reprodutivas — inclusive vacas que não emprenhavam mesmo com protocolos de IATF (inseminação artificial em tempo fixo). No início, a presença de um touro de corte ajudou a evitar resultados ainda mais críticos.

A virada começou a se consolidar apenas no final de 2024, com a entrada de novilhas e bezerras mais jovens no sistema. A partir daí, os primeiros reflexos positivos começaram a aparecer. O que hoje se apresenta como estabilidade foi construído com persistência, ajustes constantes e decisões técnicas baseadas em aprendizado contínuo.

Duas mulheres à frente da produção

Enquanto Susana permanece responsável pela parte financeira das vacas e pela nutrição, Jamile assumiu as demais frentes operacionais. Ela atua diretamente no manejo reprodutivo, na aplicação e acompanhamento de protocolos, na identificação de sinais comportamentais das vacas, na administração de medicamentos e até no preparo da ração. Segundo ela, grande parte do aprendizado veio da observação atenta do rebanho.

“Aprendi a interpretar o que a vaca ‘diz’ pelas atitudes. A perceber quando ela está bem, quando não está, quando algo precisa ser ajustado”, relata. Para Jamile, o processo de aprendizado é permanente. Sempre que surge uma dúvida ou uma dificuldade, a resposta é buscar informação. O objetivo é claro: melhorar os resultados da fazenda.

Ser mulher no campo — sem abrir mão de si mesma

Ao falar sobre sua trajetória, Jamile destaca que a força feminina no campo não exige que a mulher abandone sua identidade.

Ela defende que é possível realizar um trabalho duro, técnico e exigente sem abrir mão da feminilidade. “Podemos ser fortes e delicadas ao mesmo tempo. Podemos nos maquiar, nos perfumar, pintar as unhas. Trabalho é uma coisa; autoestima é outra.”

Para ela, o autocuidado não diminui a competência — pelo contrário, fortalece a confiança e a presença na atividade.

Amor pela atividade, compromisso com o resultado

Apesar de não ter crescido na pecuária leiteira, Jamile afirma ter se encontrado na atividade. Foi na fazenda que construiu sua identidade profissional e onde deposita seus planos para o futuro.

O amor pelas vacas é evidente, mas ele caminha ao lado da responsabilidade e da busca por evolução. A mudança do perfil do rebanho, os ajustes reprodutivos e a estabilidade produtiva atual são reflexo de uma decisão clara tomada em 2019: permanecer, aprender e insistir.

O Especial Leite por Elas segue mostrando que a presença feminina na produção leiteira brasileira não é apenas simbólica — ela está na gestão, na técnica, nas decisões e nos resultados dentro da porteira. (Milkpoint)


Jogo Rápido

Calor intenso e falta de chuva impactam a produção de leite. No norte do estado, produtores já registram perdas. Assista aqui. (G1)


Porto Alegre, 23 de fevereiro de 2026                                                    Ano 20 - N° 4.575


Sooro Renner | Fábrica de whey e fórmula infantil inicia em 2027

Fábrica em Francisco Beltrão terá operação 24h e investimento superior a R$ 680 milhões.

A fábrica de fórmula infantil e whey protein da Sooro Renner em Francisco Beltrão, no Sudoeste do Paraná, deve iniciar operações em 2027, consolidando um novo ciclo de expansão industrial no estado.

O complexo está em construção desde o primeiro semestre de 2025 e ocupará uma área de 340 mil metros quadrados. O investimento supera R$ 680 milhões apenas nesta unidade. Somados os aportes já realizados e previstos no Paraná, o montante deve alcançar R$ 1 bilhão até 2027. A planta integra o plano de crescimento da companhia projetado até 2030.

O impacto regional é relevante. A expectativa é de geração de 250 empregos diretos e cerca de 1.200 indiretos. Em regime pleno, a estrutura terá capacidade para processar até 5 milhões de litros de soro de leite por dia, com operação contínua, 24 horas.

A produção anual estimada inclui 40 mil toneladas de Lactose Infant Formula, 12 mil toneladas de whey protein e 6 mil toneladas de manteiga. O mix amplia a presença da empresa em diferentes segmentos de derivados lácteos e agrega valor ao processamento do soro.

A estratégia industrial dialoga com a dinâmica do mercado. O Brasil ainda depende majoritariamente de importações para suprir a demanda por fórmulas infantis. A nova unidade foi projetada para atender esse segmento sob padrões rigorosos de controle e qualidade.

No caso do whey protein, a decisão acompanha o avanço do mercado de nutrição esportiva e fitness. Já a produção de manteiga ganha tração após a incorporação da Concen, uma das maiores fabricantes do produto no país, fortalecendo a atuação da empresa nesse segmento.

Com duas plantas no estado, incluindo a inaugurada em Marechal Cândido Rondon em 2021, a Sooro Renner amplia sua capacidade industrial no Paraná e posiciona a nova fábrica como eixo estratégico para o processamento de soro e derivados de maior valor agregado. (Escrito para o eDairyNews, com informações de Tribuna)


StoneX | Mercado de leite busca novo equilíbrio após pico de captação

Após forte expansão da captação, mercado de leite entra em fase de ajuste, com impactos ao produtor, indústria e varejo

O mercado de leite brasileiro começa 2026 sob ajuste, após um ciclo de forte expansão da produção que desorganizou a relação entre oferta e demanda ao longo de 2025.

Segundo análise da StoneX, o avanço expressivo da captação no último ano foi impulsionado por rentabilidade favorável ao produtor e custos relativamente controlados. O resultado foi um volume de leite acima da capacidade de absorção do mercado, pressionando preços em todos os elos da cadeia.

A consequência direta foi a compressão das margens, sobretudo no campo. A queda mais intensa nos preços ao produtor ao longo do segundo semestre de 2025 reduziu a rentabilidade, mesmo com custos de alimentação ainda considerados estáveis. Para 2026, a expectativa é de manutenção dos volumes, porém sem novos saltos de crescimento.

A leitura do mercado indica que a restrição de margens tende a moderar a produção a partir do segundo trimestre, criando condições para um reequilíbrio gradual entre oferta e demanda. Sinais iniciais desse movimento já aparecem no mercado spot, que registrou alta em janeiro após uma sequência de recuos na segunda metade de 2025. O comportamento sugere ambiente mais firme entre as indústrias.

No campo dos preços, a tendência projetada é de recuperação progressiva ao longo de 2026, em ritmo semelhante ao observado no início de 2024. Esse avanço, contudo, dependerá da capacidade do mercado interno de absorver a oferta disponível. Para o produtor, a combinação entre custos mais estáveis e possível reação dos preços pode aliviar parcialmente as margens no primeiro semestre, desde que o equilíbrio se consolide.

No varejo, os lácteos acumularam deflação no IPCA em 2025, movimento que se estendeu ao início deste ano. A redução dos preços ao consumidor não decorreu de enfraquecimento da demanda, mas da abundância de leite no mercado. Como as quedas foram mais intensas no produtor e no atacado do que no varejo, existe espaço para repasses parciais ao consumidor ao longo de 2026, condicionados à renda das famílias e às estratégias comerciais.

No cenário externo, as importações encerraram 2025 em patamar elevado, ainda que abaixo de anos anteriores. Em janeiro de 2026 houve avanço mensal, mas com volumes inferiores aos registrados em 2024 e 2025. Apesar da relevância dos embarques, o principal fator de oferta continua sendo o crescimento da produção interna.

Em perspectiva estrutural, o acordo entre Mercosul e União Europeia adiciona uma variável competitiva ao setor. A redução gradual de tarifas e a criação de cotas para leite em pó, manteiga e queijos ampliam o espaço para produtos europeus ao longo de até dez anos. Enquanto as exportações do bloco sul-americano permanecem residuais, as importações oriundas da Europa já têm peso na oferta doméstica.

O novo ciclo do mercado de leite, portanto, exigirá ganhos de eficiência e maior disciplina produtiva. O ano de 2026 será menos sobre expansão e mais sobre ajuste. (Escrito para o eDairyNews, com informações de Compre Rural)

 

Bônus Mais Leite ultrapassa as 2 mil declarações assinadas, com mais de R$ 133 milhões em contratos

Operações de Custeio ainda possuem recursos e seguem com as inscrições abertas

O Programa Plano Safra RS – Bônus Mais Leite, alcançou nessa quinta-feira (19/02) a marca de mais de 2 mil declarações emitidas pela SDR, até o momento os contratos assinados chegam a R$ 133,1 milhões de reais, desse valor R$ 23,3 milhões correspondem à subvenção do Estado.   

Lançado pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) no mês de novembro de 2025, como forma de fortalecer o setor produtivo, o programa havia alcançado até o final do mês de janeiro de 2026, 1.432 declarações assinadas, totalizando R$ 98,8 milhões em contratos, dos quais R$ 17,6 milhões são subvencionados.  

Com o objetivo de fortalecer e qualificar a cadeia produtiva do leite na agricultura familiar, a iniciativa representa um investimento total de R$ 30 milhões, e oferece um bônus financeiro de até 25% sobre o valor contratado por produtores enquadrados no Pronaf, em operações de custeio e investimento voltados à atividade leiteira.  

De acordo com o engenheiro agrônomo e coordenador do Programa Jonas Wesz, o grande número de solicitações em um curto período evidencia que o programa se encaixou muito bem na necessidade e demanda dos produtores de leite.  O perfil dos projetos técnicos deixa claro que o produtor de leite precisa manter os investimentos na unidade produtiva mesmo nos momentos de crise e, assim, possa ter a perspectiva de se manter na produção passando pelos momentos de dificuldade de preço como os que estão sendo enfrentados neste momento. 

Operações de Custeio seguem com inscrições abertas  

Além disso, as operações de custeio ainda possuem verba para implementação e seguem com inscrições abertas, para os produtores selecionados será concedido bônus financeiro de 25% do valor financiado, limitado a R$ 5.000,00 (cinco mil reais) em subvenção.  

O produtor interessado em acessar o Programa Bônus Mais Leite deverá seguir os seguintes passos:  

Ler atentamente o Manual Operativo do Programa, clicando aqui.

Elaborar projeto técnico de crédito alinhado com as diretrizes do programa junto à Emater/RS ou outro escritório de assistência técnica;  

Solicitar o enquadramento do seu projeto junto à SDR por meio do preenchimento do Formulário de Solicitação de Enquadramento disponível no link a seguir:  

https://form.jotform.com/bonusmaisleite/enquadramento2025

Após receber a Declaração de Enquadramento emitida pela SDR, o produtor protocola a documentação para financiamento PRONAF em uma das instituições financeiras habilitadas.  

Entre os exemplos de objetos de financiamento enquadrados nas linhas de crédito de custeio pecuário e agrícola estão: formação de cultivos anuais de inverno e/ou verão para alimentação animal (cereais de inverno, milho, pastagem, silagem, pré-secado e feno); aquisição de insumos (calcário, fertilizantes, bioinsumos); aquisição de ração, silagem, pré-secado, feno, sanidade animal, higienização, etc.  

O Programa Bônus Mais Leite é uma iniciativa da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), inserida na carteira do Plano Rio Grande, e financiada pelo Fundo do Plano Rio Grande – FUNRIGS. O programa é gerido pelo BADESUL, que é gestor financeiro e contábil do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Estabelecimentos Rurais (FEAPER). (SDR)


Jogo Rápido

Fórum MilkPoint Mercado abordará desafios e oportunidades do setor leiteiro em 2026
Os desafios no curto prazo e as oportunidades a longo prazo da cadeia do leite em 2026 serão foco do Fórum MilkPoint Mercado que, este ano, acontece no dia 9 de abril, em Piracicaba (SP) , no chamado “Vale do Silício do Agro”, ninho de startups e grandes inovações do setor. Para participarem, associados do Sindilat/RS têm garantido 10% de desconto na inscrição, que pode ser feita no link disponível no site do Sindilat, clicando aqui. O primeiro lote está disponível até o dia 06 de fevereiro. A programação do Fórum MilkPoint Mercado 2026 foi estruturada para oferecer uma visão completa e estratégica da cadeia láctea, combinando análises de mercado, qualidade do leite e performance financeira da indústria ao longo de um dia inteiro de debates e networking. (Sindilat)


Porto Alegre, 20 de fevereiro de 2026                                                    Ano 20 - N° 4.577


Mercado de trabalho na indústria de laticínios: desafios e novas demandas até 2026

A transformação tecnológica e regulatória da cadeia do leite avança em ritmo acelerado - mas a qualificação da mão de obra não acompanha na mesma velocidade. O descompasso entre as competências exigidas e as disponíveis já impacta operações, custos e eficiência.

A indústria de laticínios vive um momento de transição estrutural. Ao mesmo tempo em que enfrenta margens pressionadas, maior exigência regulatória e demandas crescentes por sustentabilidade, o setor se depara com um desafio cada vez mais evidente: a dificuldade de formar, atrair e reter profissionais qualificados ao longo de toda a cadeia do leite.

Esse cenário não é exclusivo do Brasil. Tendências globais indicam que, até 2026, o mercado de trabalho da indústria láctea será fortemente impactado por mudanças tecnológicas, demográficas e organizacionais. Para produtores, cooperativas e indústrias, compreender esse movimento deixou de ser apenas uma questão de recursos humanos e passou a ser um fator estratégico de competitividade.

A importância do setor e o peso do emprego na cadeia do leite

A cadeia do leite é reconhecida internacionalmente como uma das mais relevantes na geração de empregos no meio rural e agroindustrial. Segundo a FAO, poucas cadeias agroalimentares apresentam tamanho efeito multiplicador sobre o emprego, conectando produção primária, indústria, logística, qualidade e comercialização.

No Brasil, dados do CEPEA/USP mostram que o agronegócio responde por mais de um quarto das ocupações no país, com a agroindústria de alimentos — incluindo laticínios — exercendo papel central na absorção de mão de obra fora da porteira. A estrutura do setor é heterogênea: pequenas indústrias regionais convivem com cooperativas e grandes grupos industriais, cada qual com demandas específicas de qualificação profissional.

Essa diversidade, embora seja uma força do setor, também amplia os desafios de gestão de pessoas e formação técnica.

O lado dos candidatos: por que faltam profissionais?

Um dos principais gargalos do mercado de trabalho na indústria de laticínios é o descompasso entre as competências disponíveis e aquelas exigidas pelas operações modernas.

Estudos sobre a organização do trabalho no setor mostram que grande parte da mão de obra ainda é formada predominantemente na prática, com pouca formação técnica formal. Esse modelo funcionou durante décadas, mas se torna cada vez menos suficiente diante da automação, da digitalização dos processos e da complexidade regulatória atual.

Além disso, a indústria enfrenta dificuldade crescente em atrair jovens profissionais. Relatórios da FAO e da OECD apontam o envelhecimento da força de trabalho no meio rural e agroindustrial como uma tendência global. Muitos jovens não percebem o setor lácteo como uma carreira atrativa, especialmente quando comparado a outros segmentos industriais ou tecnológicos.

A ausência de planos de carreira claros, de comunicação sobre oportunidades técnicas e gerenciais e de ambientes de trabalho mais estruturados contribui para essa percepção.

O lado das empresas: escassez, rotatividade e pressão por qualificação

Para as empresas, o desafio vai além de preencher vagas. Há uma escassez estrutural de profissionais com competências técnicas intermediárias e avançadas, especialmente em áreas como:

operação e manutenção de processos automatizados;
controle e garantia da qualidade;
gestão de produção;
sustentabilidade e conformidade regulatória.
Relatórios da OECD indicam que setores industriais de processo contínuo, como laticínios, estão entre os mais impactados pelo chamado skills shortage. No Brasil, esse cenário é agravado por limitações regionais de oferta de formação técnica e pela concorrência com outros setores industriais.

Outro ponto crítico é a pressão regulatória. Exigências relacionadas à segurança de alimentos, rastreabilidade, bem-estar animal e sustentabilidade demandam equipes mais qualificadas e atualizadas. A FAO destaca que muitas empresas enfrentam dificuldades para acompanhar essas mudanças apenas com treinamentos pontuais, o que aumenta riscos operacionais e custos de não conformidade.

Organização do trabalho e bem-estar: um tema cada vez mais estratégico

Pesquisas científicas recentes mostram que a forma como o trabalho é organizado na cadeia do leite impacta diretamente a produtividade, a retenção de pessoas e a sustentabilidade do negócio.

Estudos publicados no periódico Animal indicam que melhorias na organização do trabalho — como divisão clara de funções, melhor gestão de turnos e uso adequado de tecnologia — estão associadas a maior eficiência operacional e maior satisfação dos trabalhadores em sistemas leiteiros modernos.

Esse tema ganha relevância em um contexto de escassez de mão de obra: reter pessoas passa a ser tão importante quanto contratar.

O que muda até 2026: novas demandas do mercado de trabalho

As tendências apontam que, até 2026, o setor lácteo demandará profissionais com um perfil diferente do tradicional.

A digitalização avança rapidamente, com maior uso de sensores, sistemas de controle em tempo real e análise de dados. Isso aumenta a demanda por técnicos e profissionais capazes de interpretar informações, operar sistemas integrados e tomar decisões baseadas em dados.

Outro eixo central é a sustentabilidade. A pressão por redução de impactos ambientais, eficiência no uso de recursos e conformidade com padrões internacionais cria espaço para profissionais que consigam integrar produção, meio ambiente e gestão.

Nesse contexto, cooperativas ganham protagonismo. Estudos da OECD mostram que modelos cooperativos bem estruturados conseguem diluir custos de capacitação e criar programas coletivos de formação, beneficiando produtores e indústrias simultaneamente.

Reflexões finais

O mercado de trabalho na indústria de laticínios passa por uma transformação silenciosa, mas profunda. A escassez de mão de obra qualificada, o envelhecimento da força de trabalho e o aumento da complexidade operacional não são desafios conjunturais, mas estruturais.

Para produtores, cooperativas e indústrias, investir em qualificação técnica, repensar a organização do trabalho e fortalecer a conexão com instituições de ensino deixa de ser uma opção e passa a ser um fator decisivo de competitividade.

Até 2026, a capacidade de atrair, desenvolver e reter pessoas será tão estratégica quanto a eficiência produtiva ou a gestão de custos na cadeia do leite (Milkpoint)


EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1907 de 19 de fevereiro de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE 
 
A condição corporal geral dos rebanhos está satisfatória. No entanto, as altas temperaturas impuseram desafios ao sistema produtivo, exigindo ajustes no manejo para mitigar o estresse térmico das vacas em lactação, além de afetarem a produção em algumas regiões. Para mitigar os efeitos das condições meteorológicas, foram utilizados ventiladores e aspersores, adequados os horários de pastejo e oferecido mais sombra e água. Em algumas propriedades, intensificou-se o fornecimento de silagem durante o dia para assegurar consumo ideal de matéria seca. O tempo seco favoreceu a higiene dos úberes e das áreas de ordenha, contribuindo para a manutenção da qualidade do leite. Ainda assim, as estratégias adotadas elevaram os custos de produção e demandaram maior tempo de mão de obra. 

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, foi realizada rodada de revisão nos animais que participarão da 8ª Expofeira e do Trator Fest diretamente nas propriedades, com discussão de critérios técnicos para escolha dos exemplares e de outros temas relevantes à bovinocultura de leite. As condições climáticas têm afetado o bem-estar e o desempenho das matrizes em lactação, com reflexos negativos sobre a produção. Ainda assim, as vacas apresentam, de modo geral, boa condição corporal. 

Na de Caxias do Sul, o uso de forragens conservadas, como feno, pré-secado e silagem de milho, foi intensificado como estratégia para compensar a menor oferta de pasto e manter o aporte nutricional do rebanho. 

Na de Frederico Westphalen, a produção apresentou pequena retração, associada às altas temperaturas registradas na última semana e à irregularidade das chuvas na região.  

Na de Passo Fundo, o escore corporal das vacas está apropriado, e a produtividade em patamares satisfatórios.  

Na de Pelotas, registrou-se a ocorrência de estresse térmico, redução no consumo de matéria seca e queda na produção em diversas localidades. As precipitações recentes contribuíram para uma leve recuperação das pastagens. Contudo, em parte das áreas, os volumes ainda são insuficientes para restabelecer plenamente a oferta de forragem e a estabilidade produtiva. 

Na de Porto Alegre, como forma de amenizar o estresse causado pelo calor intenso, foram necessários ajustes nos horários de pastejo. 

Na de Santa Rosa, houve redução significativa no número de inseminações artificiais realizadas, associada ao aumento do índice de retorno ao cio, estimado em torno de 30%, o que indica menor taxa de concepção no período. (Emater editado pelo Sindilat)

Fim de semana deve ser de tempo estável em grande parte do Estado

Já a previsão para a próxima semana indica previsão de chuva na maior parte do Rio Grande do Sul

Para o final de semana, a previsão é de tempo estável em grande parte do RS com incidência de chuvas isoladas na metade Oeste. Em algumas localidades da metade Sul, as temperaturas podem apresentar leve declínio no domingo (22/2). Já para a próxima semana, a previsão do tempo indica chuva em grande parte do território gaúcho.

As informações constam no Boletim Integrado Agrometeorológico 08/2026, produzido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em parceria com a Emater/RS-Ascar e o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).

Sexta-feira (20/2): a instabilidade deve se concentrar em pontos da metade Norte, também com previsão de chuva fraca a moderada, pontualmente forte.

Sábado (21/2) e domingo (22/2): a atuação de um cavado (área alongada de baixa pressão) a Oeste do RS pode provocar chuva na metade Oeste do Rio Grande do Sul. Nesses dois dias, a precipitação deve ocorrer de forma isolada nessa região, enquanto nas demais localidades o tempo permanecerá estável, sem previsão de chuva significativa.

Segunda (23/2) e Terça-feira (24/2): o sistema deve se aproximar e intensificar a instabilidade, com previsão de chuva em grande parte do território gaúcho.

Quarta-feira (25/2): os efeitos de circulação associados ao transporte de umidade podem provocar chuva no litoral gaúcho e em regiões adjacentes, onde há previsão de precipitação fraca a moderada. Nas demais regiões, o tempo deve permanecer estável, sem previsão de chuva significativa. Na metade Norte do RS, deve ocorrer uma leve oscilação nas temperaturas e posterior retomada gradual dos valores de calor. 

Assim, os acumulados de precipitação devem variar entre 5 e 100 milímetros (mm) ao longo da semana, com maiores acumulados sendo previstos para a região da Fronteira Oeste, Missões, Alto Uruguai e Norte. Nas demais regiões, os acumulados previstos são um pouco menores e devem ficar entre 5 e 50 mm.

O boletim agrometeorológico atualiza semanalmente a situação de diversas culturas e criações de animais no RS. Acompanhe todas as publicações agrometeorológicas da Secretaria em www.agricultura.rs.gov.br/agrometeorologia. (SEAPI)


Jogo Rápido

No programa Pampa Debates do dia 19 de fevereiro de 2026, o público acompanhou uma discussão qualificada sobre temas de interesse regional e econômico, com a participação de Guilherme Portella, presidente do Sindilat/RS, ao lado de Anderson Mantei, prefeito de Santa Rosa, do deputado estadual Ernani Polo, de Cicão Chies, sócio-fundador da DC Set Group, e do empresário Gilmar Veloz, reunindo diferentes visões do setor público e privado em um debate direto e esclarecedor. Assista aqui. (Pampa Debates via youtube)


Porto Alegre, 19 de fevereiro de 2026                                                    Ano 20 - N° 4.576


Por que empresas líderes do setor lácteo argentino, como SanCor, Verónica ou La Paulina, estão falindo ou encolhendo?

Em um contexto marcado por vendas geralmente baixas no setor alimentício, o segmento de laticínios atravessa o primeiro semestre do ano com um vento contrário que se intensificou progressivamente, especialmente desde 2025.

A perspectiva para o setor é caracterizada por uma queda nas vendas, como relatado recentemente pelo Observatório da Cadeia Láctea (OCLA), embora a organização também tenha reconhecido que dezembro passado apresentou alguma melhora.

No entanto, a tempestade persiste: algumas organizações que representam pequenos e médios produtores de laticínios no interior do país relatam que as vendas de produtos lácteos caíram pelo menos 18% em janeiro.

Ressalta-se também, dentro do setor, que mais de 1.000 fazendas leiteiras fecharam as portas na Argentina nos últimos dois anos , e que a combinação desses fatores explica a precária situação operacional e financeira enfrentada por empresas como Lácteos Verónica , Luz Azul e a própria SanCor.

Ou então, força a saída de gigantes como a Saputo, que acaba de vender 80% de seu negócio de laticínios na Argentina para a holding peruana Gloria Foods, incluindo a transferência de marcas como La Paulina, Ricrem e Molfino.

Embora os representantes do setor lácteo reconheçam que a produção de matéria-prima aumentou mais de 9% em 2025, também apontam que a queda no consumo ao longo de vários meses, combinada com o aumento dos custos operacionais e a falta de novos financiamentos para sanar a dívida acumulada da maioria das grandes empresas do setor, deixou praticamente todo o setor em situação crítica.

Por outro lado, o aumento da produção leiteira não se traduziu em retornos lucrativos para toda a cadeia de abastecimento.

Assim, organizações como a CONINAGRO e a FECOFE alertaram recentemente que o setor "está atravessando uma fase negativa marcada pela estagnação dos preços, fechamento de fazendas leiteiras e concentração da produção ".

Leia a matéria completa clicando aqui. (iProfissional)


GDT 398 mantém trajetória de alta e sustenta expectativas para 2026

O índice médio alcançou USD 4.028/tonelada, marcando a quarta alta consecutiva e reforçando o movimento de recuperação iniciado em 2026. Confira os detalhes!

O 398º leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT), realizado no dia 17 de fevereiro, registrou nova valorização nos preços internacionais dos lácteos, consolidando o quarto evento consecutivo de alta no price index. O índice médio dos produtos comercializados avançou 3,6%, alcançando USD 4.028/tonelada, reforçando o movimento de recuperação observado desde o início do ano.

Gráfico 1. Preço médio leilão GDT

Entre os derivados negociados, o movimento foi majoritariamente positivo. O leite em pó integral (LPI), principal produto negociado na plataforma, subiu 2,5%, sendo negociado a USD 3.706/tonelada. O leite em pó desnatado (LPD) registrou valorização de 3,0%, chegando a USD 2.973/tonelada.

Gráfico 2. Preço médio LPI

A manteiga apresentou alta de 10,7%, sendo a maior alta do evento, cotada a USD 6.347/tonelada, enquanto a gordura anidra do leite avançou 3,8%, atingindo USD 6.751/tonelada. 

A muçarela apresentou alta de 5,0%, alcançando USD 3.879/tonelada, enquanto a lactose avançou 7,8%. O cheddar foi o único produto a registrar leve recuo, com queda de 1,0%, cotado a USD 4.736/tonelada.

Embora as altas tenham sido generalizadas, o ritmo de valorização foi mais moderado do que o observado no leilão anterior, sinalizando um mercado ainda firme, porém em processo de acomodação após as fortes elevações recentes.

A Tabela 1 apresenta os preços médios dos derivados ao fim do evento, assim como suas respectivas variações em relação ao leilão anterior.

Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 17/02/2026.

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Volume negociado recua novamente

O volume total negociado no leilão somou 22.240 toneladas, representando queda de 7,5% frente ao evento anterior e recuo de 1,8% na comparação com o leilão equivalente de 2025. Além disso, houve menor participação de compradores em relação ao evento passado.

A Nova Zelândia entra gradualmente em fase de desaceleração sazonal da produção, após o pico da safra. Com isso, a disponibilidade exportável tende a se tornar mais limitada nos meses seguintes. Esse ajuste natural de oferta contribui para um ambiente de maior equilíbrio entre oferta e demanda no comércio internacional, sustentando as valorizações observadas no GDT, mesmo com volumes negociados menores.

Portanto, o resultado do GDT 398 parece refletir menos uma retração estrutural de demanda e mais um momento de transição sazonal na oferta da Oceania.

Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT.

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Impacto nos contratos futuros

Desde o último leilão do GDT, os contratos futuros de leite em pó integral negociados na NZX seguem apresentando valorização, reforçando a percepção de um cenário de menor excedente global de leite. O mercado já prevê uma desaceleração sazonal da oferta nos próximos meses, além de um crescimento menos acelerado da produção mundial ao longo de 2026.

Em meados de fevereiro, observou-se uma retração pontual nos preços dos contratos futuros, associada a movimentos de realização de lucros e ajustes de posições no curto prazo, o que gerou momentaneamente dúvidas quanto à sustentação das cotações no horizonte mais longo. No entanto, esse movimento foi rapidamente revertido, e os preços voltaram a apresentar viés altista, indicando que os fundamentos seguem dando suporte ao mercado.

Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures)

Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2026.

E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?

Com quatro altas consecutivas no price index do Global Dairy Trade (GDT), o mercado internacional de lácteos consolida um ciclo de recuperação iniciado no começo de 2026. Esse movimento encontra respaldo em fatores estruturais, como o ajuste sazonal da produção na Oceania, a expectativa de crescimento mais contido da produção global neste ano e a manutenção de uma demanda internacional resiliente, mesmo diante de preços mais elevados.

Para o Brasil, esse ambiente externo mais firme tende a manter suporte aos preços praticados no Mercosul, especialmente para derivados como leites em pó e muçarela, principais produtos do comércio regional. A continuidade das valorizações internacionais pode reduzir o diferencial de preços entre mercado externo e interno, diminuindo o estímulo às importações, sobretudo se combinada a uma oferta doméstica consistente ao longo do primeiro semestre.

Ainda assim, o câmbio permanece como variável-chave nessa equação. Um dólar em patamares mais baixos pode aumentar a competitividade dos produtos importados, atenuando parte dos efeitos da alta internacional sobre o mercado brasileiro.

Em síntese, o resultado do GDT 398 reforça um cenário internacional mais ajustado e potencialmente mais sustentado ao longo de 2026, com impactos diretos sobre a dinâmica de preços e importações no mercado brasileiro. (Milkpoint)

 

 

Vencedores Bebem Leite: a Cena Mais Icônica das 500 Milhas de Indianápolis

Conheça a história da celebração no pódio que se transformou em uma das estratégias mais duradouras e bem-sucedidas do marketing da agroindústria

Uma das celebrações mais icônicas de todo o esporte acontece quando o piloto vencedor das 500 Milhas de Indianápolis recebe uma garrafa de leite bem gelado na Victory Lane. A tradição começou em 1936, quando Louis Meyer se tornou o primeiro piloto a vencer a famosa prova de 500 milhas, o que ocorreu três vezes ao longo da carreira.

Após um dia longo e quente sob o sol de Indiana no Memorial Day de 1936, Meyer pediu uma garrafa de buttermilk para matar a sede. 

Conta a história que um executivo da indústria de laticínios viu as imagens do cinejornal daquele momento icônico e solicitou que, a partir de então, o leite fosse oferecido ao vencedor de cada edição das 500 Milhas de Indianápolis.

Assim nasceu uma grande tradição que continua até hoje, embora nos tempos mais recentes os vencedores da Indy 500 tenham mais jogado o leite sobre si do que, de fato, bebido.

Vencedores bebem leite e os fãs da Indy 500 também
Neste ano, a 110ª edição das 500 Milhas de Indianápolis, apresentada pela Gainbridge, está marcada para domingo, 24 de maio. Por meio de uma ação promocional criativa envolvendo o Indianapolis Motor Speedway, a American Dairy Association Indiana e o grupo Prairie Farms Family of Companies, os fãs da Indy 500 também podem ter sua própria celebração em estilo Victory Lane. A ação é uma aula de marketing da agroindústria. A parceria leva ao público garrafas e caixinhas individuais de leite com a marca das 500 Milhas de Indianápolis, distribuídas em 20 estados.

Mais de 25 mil varejistas na Dakota do Norte, Dakota do Sul, Nebraska, Kansas, Oklahoma, Texas, Minnesota, Iowa, Missouri, Arkansas, Louisiana, Wisconsin, Illinois, Michigan, Indiana, Ohio, Kentucky, Tennessee, Mississippi e Alabama terão à venda embalagens individuais de leite celebrando cinco vencedores do “Maior Espetáculo do Automobilismo”. As garrafas comemorativas estarão disponíveis nas marcas Prairie Farms e Hiland, conforme o mercado. Os estilos das embalagens variam de acordo com a região.

“Assim como as corridas, a produção de leite é construída sobre madrugadas, precisão e resiliência, valores enraizados em uma busca comum pela excelência, que tornam as 500 Milhas de Indianápolis e sua icônica celebração com leite uma combinação natural”, afirmou Jenni

Browning, CEO da American Dairy Association Indiana, entidade que representa os produtores de leite do estado."

Cada tipo de leite traz a imagem de um vencedor diferente da Indy 500, permitindo que os fãs colecionarem todas as versões. Quem juntou garrafas no ano passado vai notar novos designs e novos pilotos destacados.

Por exemplo, o leite semidesnatado com 2% de gordura traz o bicampeão consecutivo Josef Newgarden (2023 e 2024); o leite integral com vitamina D destaca o atual campeão Alex Palou (2025); o leite achocolatado premium homenageia o vencedor de 2016 Alexander Rossi; o leite achocolatado com 1% de gordura traz o vencedor de 2008 Scott Dixon; e o leite sabor morango premium celebra o tetracampeão Helio Castroneves (2001, 2002, 2009 e 2021).

Essas garrafas individuais começam a chegar ao varejo dos EUA em 1º de março. “Os fãs adoraram as garrafas comemorativas de leite no ano passado, e muitos tentaram colecionar todas as cinco”, disse J. Douglas Boles, presidente da IndyCar e do IMS. “Essas garrafas e caixinhas permitem que nossos fãs façam parte da empolgação do dia da corrida e comemorem como um vencedor da Indy 500, com uma bebida gelada de leite.”

Celebração do leite da Indy 500 chega às escolas
Além das garrafas colecionáveis individuais, cerca de 200 milhões de caixinhas de meio pint, decoradas com uma arte celebrando o slogan Winners Drink Milk, estão sendo distribuídas a escolas nos mesmos estados. “A Prairie Farms Family of Companies tem orgulho de ser parceira do IMS e da ADAI novamente neste ano”, afirmou Matt McClelland, CEO e vice-presidente executivo da Prairie Farms Dairy. “Essa parceria não só nos permite celebrar essa tradição icônica em lojas e escolas, como também reconhecer o compromisso e a dedicação de nossos produtores associados.”

Atualmente, o buttermilk não é mais oferecido como opção. Todos os 33 pilotos inscritos nas 500 Milhas de Indianápolis apresentadas pela Gainbridge informam que o leite integral é a escolha mais popular, embora alguns pilotos ainda peçam buttermilk em homenagem a Meyer. Independentemente de quem vença a prova, a tradição de entregar uma garrafa de leite ao campeão na Victory Lane permanece como uma das mais famosas, e mais simbólicas, de qualquer grande evento esportivo. (Forbes)


Jogo Rápido

Dólar sobe e bolsa cai na volta do Carnaval
O retorno dos mercados brasileiros após o feriado prolongado de Carnaval foi majoritariamente negativo nesta quarta-feira. Em um pregão encurtado que começou apenas às 13h, o dólar comercial avançou, seguindo a tendência de fortalecimento da moeda americana no exterior, ao passo em que o Ibovespa recuou, pressionado, especialmente, pelas ações da Vale. No mercado à vista, o dólar subiu 0,21%, a R$ 5,2401, apagando ao longo do dia a queda que se observou no começo da sessão. Logo nos primeiros minutos de negociações, o dólar chegou a encostar na mínima de R$ 5,1935.O movimento inicial foi visto por operadores como um ajuste, já que na sexta-feira pré-Carnaval o real acabou ficando entre as moedas mais desvalorizadas do dia, possivelmente por conta de posições mais defensivas montadas pelos investidores em véspera de feriado prolongado. (Valor Econômico)


Porto Alegre, 18 de fevereiro de 2026                                                    Ano 20 - N° 4.575


“É um gargalo que precisamos enfrentar”

Gustavo Paim assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Rural. Com longa trajetória política, terá pela frente a missão de conduzir a pasta dedicada aos produtores familiares no ano final da atual gestão. Também produtor de leite em Campestre da Serra, conversou com a coluna sobre desafios e metas. Confira trechos.

● A secretaria tem recebido relatos de danos por falta de chuva?

Estamos vivendo uma onda de calor muito grande e isso tem reflexo na safra em algumas regiões. Não é algo, digamos, generalizado. Esse é um dos grandes gargalos que precisamos enfrentar. O governador anunciou, no lançamento da Expodireto, a ideia de um grande programa de irrigação (a partir da prorrogação da suspensão do pagamento da dívida com a União). Porque discutimos a questão climática, nos últimos seis anos são quatro estiagens severas e isso tem impacto, segundo a Farsul, de R$ 17 bilhões. Estamos falando mais do que um orçamento do Estado no período 2024 em razão das estiagens.

● Acha viável o projeto em ano de restrições eleitorais e polarização política?

Embora a dificuldade política vivida hoje, há que se compreender que um mandato de quatro anos não pode ser a cada dois interrompido em razão de questões eleitorais. Não há dúvida que há restrições da legislação, mas tem de se pensar sempre no Estado, não como um governo, e sim, como programas de Estado. Um plano desses se desenvolve ao longo de um certo tempo. É algo que será demandado ao longo de alguns anos, para termos a capacidade para chegar no investimento necessário para uma cobertura maior de irrigação. Não estamos pedindo perdão ou para deixar de pagar a dívida, mas permitir que esse recurso possamos reverter em investimentos.

● Como produtor de leite, que ações entende necessárias para os problemas da atividade?

Sou produtor de leite em Campestre da Serra, e sei das dificuldades para fechar as contas. Lembro que na Expointer foi até mencionado na abertura que era uma das atividades com o melhor resultado naquele momento. De lá para cá, mês a mês, analisando o índice Cepea, vemos o preço do leite caindo, e os custos para a produção não acompanham essa curva descendente. Temos o programa do Bônus Mais Leite, que permite uma subvenção de valores, a um orçamento de R$ 30 milhões, para custeio e investimento. Talvez um dos grandes desafios é fazer a mensuração desses programas, o quanto esse recurso reproduz em rendimento, aumento de produtividade e otimização da produção, para conseguir medir os resultados dessas políticas públicas.

● A pasta cuida das agroindústrias familiares, um sucesso...

Em 2025, foram 139 feiras e um investimento de R$ 14 milhões, com mais de R$ 46 milhões em vendas. Estamos falando de quase quatro vezes o valor de investimentos. Tenho desejo de fazer algo puxando aqui para os grandes centros também para realizar um evento que possa ser quase um lançamento do que vemos na Expointer, para unir um pouco mais a cidade e o campo. (Zero Hora)


GDT - GLOBAL DAIRY TRADE

Fonte: GDT adaptado pelo Sindilat/RS

 

 

Fundesa-RS: Conselho Técnico propõe nova tabela de indenizações da pecuária leiteira

Valores serão apreciados no dia 10 de março em reunião do Conselho Deliberativo do fundo

Em reunião híbrida realizada na Casa do Fundesa-RS nesta sexta-feira (13), integrantes do Conselho Técnico Operacional da Pecuária Leiteira (CTOPL) do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do RS, aprovaram a nova tabela de indenizações para produtores de leite que tiverem a determinação de sacrifício ou abate sanitário de animais diagnosticados com brucelose e tuberculose. Os valores serão reajustados em 8% sobre a tabela vigente, sendo que o menor valor, pago para animais sem registro de zero a 12 meses será de R$ 1.636,00 e o maior valor, pago sobre animais com registro puro de origem de 25 a 36 meses será de R$ 4.548,00. Após a consolidação da nova tabela, os valores irão para apreciação do Conselho Deliberativo do fundo, que terá reunião no dia 10 de março.

Conforme a vice-presidente do CTOPL, Ana Groff, o percentual sugerido é superior ao reajuste da UPF (Unidade Padrão Fiscal) do Rio Grande do Sul, critério adotado no anos anteriores, e também maior do que a inflação no período. Os conselheiros não descartam uma revisão dos valores após avaliação da implantação da tabela atualizada. Os novos valores têm o objetivo de trazer mais robustez ao fundo que tem se destacado em alto aporte para a indenização de produtores ao longo de sua existência. “Desde o início das indenizações, o Fundesa já indenizou produtores em mais de R$53 milhões”, afirma o presidente do Fundesa, Rogério Kerber. A medida visa dar mais segurança ao produtor e estimular os testes e a eliminação de animais doentes.

Todo o trabalho do Fundesa segue o recomendado pelo Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose (PNCEBT), que estabelece protocolos obrigatórios para garantir a sanidade do rebanho e a segurança dos alimentos. Para ter direito às indenizações, o pecuarista deve estar em dia com suas contribuições e apresentar o laudo oficial emitido pelo médico veterinário habilitado e a comprovação do abate em estabelecimento com inspeção oficial. A contribuição do setor leiteiro é recolhida pela indústria.

Fórum vai debater sanidade para acesso a mercados

Outro tema abordado na reunião do CTOPL foi a realização de um evento durante a Expoleite Fenasul para abordar a responsabilidade compartilhada para o controle das duas doenças no rebanho leiteiro gaúcho. O Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul é reconhecido como atuante no trabalho junto aos produtores para reduzir a presença de brucelose e tuberculose na produção e o evento deverá ter na pauta as exigências para acesso a novos mercados, medida que será importante para melhorar as condições de preço e liquidez ao produtor.

Conforme o presidente do CTOPL, Marcos Tang, também presidente da Gadolando, o evento tem o foco no papel das indústrias no estímulo à prevenção. O evento será realizado no dia 14 de maio, das 13h30 às 17h, na casa do Fundesa, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. A Expoleite Fenasul será realizada de 13 a 17 de maio.

As informações são do Fundesa


Jogo Rápido

Estudos apontam efeito de consumo de leite na pressão arterial
O leite voltou ao centro do debate científico sobre saúde cardiovascular, desta vez com evidências consistentes que associam seu consumo à redução da pressão arterial e a um menor risco de hipertensão. A relação entre leite, derivados lácteos e saúde do coração tem sido amplamente estudada nas últimas décadas, e os dados mais recentes ajudam a separar mitos de achados sustentados por pesquisa. Estudos populacionais de grande escala indicam que pessoas que consomem leite e produtos lácteos regularmente tendem a apresentar níveis mais baixos de pressão arterial. Uma meta-análise de estudos prospectivos publicada no Journal of Human Hypertension observou uma redução de aproximadamente 13% no risco de hipertensão entre indivíduos com maior consumo de lácteos, em comparação aos que consomem pouco ou nenhum. Parte dessa associação é explicada pelo perfil nutricional do leite. O alimento é fonte relevante de cálcio, mineral envolvido na regulação da contração e do relaxamento dos vasos sanguíneos. Também fornece potássio, nutriente que ajuda a contrabalançar os efeitos do sódio e favorece sua excreção urinária, além de magnésio, associado ao controle da pressão arterial e à função vascular. A gordura do leite também tem sido reavaliada. Ácidos graxos como o oleico, conhecido por suas propriedades antiaterogênicas, e o ácido linoleico conjugado (CLA) têm sido associados à melhora da função endotelial e a perfis lipídicos mais favoráveis em alguns grupos populacionais. Esses achados ajudam a explicar por que estudos recentes não confirmam uma associação direta entre consumo moderado de gordura láctea e maior risco cardiovascular. Evidências de ensaios clínicos reforçam essa leitura. Uma meta-análise publicada no American Journal of Clinical Nutrition, que reuniu 29 estudos randomizados, identificou reduções estatisticamente significativas da pressão arterial sistólica e diastólica associadas ao consumo de produtos lácteos. O efeito foi mais pronunciado em indivíduos já diagnosticados com hipertensão. Resultados semelhantes foram observados no estudo de coorte EPIC-Norfolk, que acompanhou mais de 25 mil pessoas por cerca de 12 anos. Os participantes com consumo regular de lácteos apresentaram um risco 16% menor de desenvolver hipertensão ao longo do período analisado. Quando se comparam diferentes tipos de leite, os benefícios não parecem restritos ao produto integral. Um estudo publicado no Journal of Dairy Science mostrou que o consumo de leite desnatado também contribuiu para a redução da pressão arterial, sem aumento dos níveis de colesterol, indicando que parte dos efeitos positivos está ligada aos micronutrientes e proteínas do leite. Em um cenário marcado por modismos alimentares e informações conflitantes, o conjunto dessas evidências reposiciona o leite como um alimento funcional, capaz de integrar uma dieta equilibrada voltada à saúde cardiovascular. Para o público em geral, a mensagem é simples: o consumo moderado de leite, dentro de um padrão alimentar saudável, pode ser um aliado adicional no controle da pressão arterial. Autora:  Valeria Hamann para o eDairyNews, com informações de American Journal of Clinical Nutrition


Porto Alegre, 13 de fevereiro de 2026                                                    Ano 20 - N° 4.574


Prévia do IBGE: ano recorde na captação redefine expectativas para 2026

A captação formal de leite alcançou o maior volume da série histórica em 2025, com crescimento de 8% sobre 2024. No entanto, os dados do último trimestre mostram perda gradual de ritmo, em meio à compressão das margens e ao descompasso entre oferta e demanda. Entenda!

A divulgação dos dados parciais da Pesquisa Trimestral do Leite, do IBGE, confirmou o movimento que já vinha sendo sinalizado ao longo do ano: 2025 se consolidou como o ano de maior captação da série histórica. O volume formal registrado ficou 8% acima de 2024, enquanto o quarto trimestre avançou 8,2% frente ao mesmo trimestre do ano anterior, reforçando o ritmo consistente de expansão da oferta visto em 2025.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, outubro apresentou o maior crescimento do trimestre (12,5%). Já em novembro, o avanço foi mais modesto (7,9%), finalizando dezembro com uma desaceleração ainda maior (4,5%).

Gráfico 2. Volume e variação da captação em período equivalente no ano anterior
 

Apesar do crescimento expressivo no acumulado do ano (8,01%), esses dados parciais do último trimestre já indicam uma redução no ritmo de captação. Após um longo período de expansão da oferta, criou-se um descompasso entre produção e demanda, que pressionou gradualmente os preços ao produtor ao longo de 2025 e influiu diretamente nessa desaceleração observada.

Para o início de 2026, é provável que ainda observemos um primeiro momento de captação sustentada, reflexo direto do ano altamente produtivo que se encerrou. Contudo, considerando o patamar atual de rentabilidade, o crescimento deve ocorrer em ritmo mais moderado do que o registrado em 2025, à medida que o setor busca um novo ponto de equilíbrio entre oferta e demanda. (Milkpoint editado pelo Sindilat)


LC 224/2025 no setor de laticínios: menos benefício, mais atenção na formação de preço (e nas escolhas do regime)

A CBS/IBS pode manter alíquota zero para lácteos essenciais, mas a LC 224 reduz os incentivos paralelos que ajudavam a fechar a conta. O resultado aparece no DRE: margem mais sensível e necessidade de recalibrar planilhas para 2026.

A Lei Complementar 224, sancionada em 26 de dezembro de 2025, mudou o pano de fundo com que a gente calcula tributos e planeja preço. Ela não extingue o que existe; aperta. Em português claro: a LC 224 impõe redução transversal dos benefícios e incentivos federais (tributários, financeiros e creditícios) e cria regras mais duras para conceder, ampliar ou prorrogar vantagens no futuro.

O espírito da lei é gastar menos com renúncia e exigir mais transparência e compensação. Para quem toca laticínio, isso significa recalibrar planilhas: menos “amortecedor” vindo de incentivo e mais dependência de processo bem-feito (creditamento, classificação fiscal, documentação e regime certo).

Primeiro, a lei aumentou o IR na fonte sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP) de 15% para 17,5% a partir de 2026. Segundo, ela trouxe uma progressividade no Lucro Presumido: a parcela da receita bruta anual que ultrapassar R$ 5 milhões sofre um acréscimo de 10% nos percentuais de presunção do IRPJ e da CSLL — o que puxa a carga efetiva para cima nessa “faixa excedente”. Isso não proíbe o uso do presumido; só o torna menos confortável para quem fatura acima do piso e tem margem apertada. Na gestão, a consequência é direta: refazer o comparativo Presumido x Real para 2026 em diante, com números do seu mix e do seu creditamento, em vez de repetir a escolha do ano passado. Por fim, reduziu benefícios e incentivos fiscais criando um adicional de 10% sobre a carga atual.

A lógica da LC 224 não é “proibir”, e sim reduzir a intensidade. Vários materiais técnicos e comunicados oficiais vêm explicando que o corte é linear/padrão sobre benefícios federais (PIS/Cofins, IRPJ, CSLL, IPI etc.), com detalhamento via regulamentação. Traduzindo para o seu dia a dia: onde havia um redutor, o redutor encolhe; onde havia crédito outorgado, o percentual tende a cair; onde havia mecanismo financeiro de estímulo, o efeito é menor. Por isso, projeções 2026 precisam revisar cada incentivo que entra na sua conta — não só “se existe”, mas quanto está efetivamente aliviando sua apuração após a LC 224.

Em relação a produtos isentos, com alíquota zero ou com base/alíquota reduzida, vale uma observação. O tratamento setorial dos lácteos nos novos tributos sobre consumo (CBS/IBS) — como a alíquota zero e as reduções desenhadas para itens essenciais — não nasce nem morre na LC 224; ele vem de leis da própria reforma (e seus regulamentos) e continua existindo. Todavia, quanto à PIS e COFINS, mesmo mantendo isenção/zero/redução nos seus produtos, o “colchão” federal de benefícios paralelos que ajudava a segurar a carga fica mais fino com a LC 224.

Em termos práticos, um queijo que segue com alíquota zero na CBS/IBS continua com zero, mas perde parte das vantagens federais acessórias que você talvez embutia na formação de preço. É por isso que o gestor precisa separar as camadas:

a alíquota nominal do produto (isenção/zero/redução, que permanece conforme a legislação da reforma); e

os incentivos federais transversais que a LC 224 reduziu e que alteram sua alíquota efetiva.

Insta esclarecer que isto não se aplica a produtos destinados à cesta básica, que mantém a integralidade dos benefícios fiscais concedidos a eles.

No bolso do laticínio, a conversa fica muito concreta quando a gente coloca dois “desenhos” lado a lado. Pense em bebidas lácteas e queijos básicos. As bebidas costumam carregar insumos tributados (açúcar, aromas, embalagens específicas), fazem giro alto e vivem de centavos por litro. Se você, até 2025, contava com um pacote de benefícios federais para “fechar” a conta, a LC 224 encolhe esse pacote e empurra a responsabilidade para creditamento limpo (PIS/Cofins, CBS/IBS quando aplicável), nota fiscal redonda e compras de fornecedores que gerem crédito cheio.

Já nos queijos com alíquota zero/redução na nova cesta de essenciais, a etiqueta ao consumidor tende a não saltar por causa da CBS/IBS, mas a alíquota efetiva do seu DRE pode subir alguns décimos porque os incentivos federais colaterais ficaram menores. O produto continua “favorecido” no consumo; o custo de produzir pode não ser tão favorecido quanto era antes.

Agora, traga isso para decisões típicas de gestão. JCP: se sua empresa usava JCP para equilibrar sociedade e caixa, a mordida de 17,5% no IRRF exige orçamento novo — ou você reduz JCP e reforça dividendos/retenção, ou mantém JCP e acha eficiência em outro lugar (compras, perdas, energia). Lucro Presumido: cruzou R$ 5 milhões no ano? A faixa excedente ganha 10% nos percentuais de presunção; refaça a conta, principalmente se você tem bom crédito de insumos (Real pode voltar ao radar). Incentivos federais: onde havia benefício, recalcule o efeito líquido pós-LC 224 antes de renovar contrato com varejo; aquele 0,5–1,0 ponto que “sumiu” de incentivo pode precisar aparecer em ganho de processo.

Para ninguém ficar só no conceitual, dois exemplos. Imagine um laticínio no Lucro Presumido que fatura R$ 30 milhões/ano. Até R$ 5 milhões, aplica os percentuais normais de presunção de IRPJ/CSLL; acima disso, aplica os mesmos percentuais acrescidos de 10%. Se o setor usa, por hipótese, 8% (IRPJ) e 12% (CSLL), a parte excedente vira 8,8% e 13,2% de base. Multiplique pelas alíquotas e veja: a carga sobe nessa faixa — o suficiente para comer uma troca de soprador ou obrigar um repasse que você não queria fazer agora. Em outro cenário, um queijo essencial com alíquota zero de CBS/IBS segue zero no consumo, mas a empresa perdeu parte do “plus” que vinha de algum benefício federal reduzido pela LC 224; o preço ao consumidor pode ficar estável, enquanto a margem contábil pede compensação com crédito técnico bem capturado, regime de compras e logística no destino.

A LC 224 não derruba o tratamento setorial dos lácteos na CBS/IBS, mas aperta os parafusos dos incentivos paralelos e encarece JCP e a “faixa alta” do Presumido. Quem reagir com dado e processo — mapa de NCM por SKU, higiene de notas, fornecedor que gera crédito cheio, simulação Presumido x Real com 2026 na mesa — atravessa a virada com preço mais previsível e margem menos volátil. Quem adiar e seguir como em 2025 vai sentir o aperto na hora errada: no giro de caixa e na negociação com o varejo. A lei já está valendo; a diferença, agora, está em como cada laticínio ajusta a conta e protege o seu preço. (Milkpoint)

 

EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1906 de 12 de fevereiro de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE 
 
As temperaturas elevadas têm imposto restrições à manutenção dos animais, exigindo a reorganização do manejo, especialmente quanto aos horários de pastejo e de fornecimento de alimento. As categorias de maior exigência nutricional, em especial às vacas secas e às terneiras, recebem atenção diferenciada, como ajustes no manejo alimentar. Ainda assim, os dias de intenso calor, associados à redução na disponibilidade e na qualidade da forragem, têm afetado o bem-estar e o desempenho das matrizes em lactação, refletindo na diminuição da produção. Observam-se, também, prejuízos nos índices reprodutivos de alguns rebanhos. 

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a suplementação com silagem e com ração foi intensificada com o objetivo de estimular a produção das matrizes de cria nova e compensar as limitações na oferta de alimento. Em função do baixo volume de chuvas, estima-se perda média de aproximadamente 12% na produção de alimentos volumosos nos últimos meses. Caso as precipitações permaneçam abaixo da normalidade, há risco de ampliação dessas perdas. 

Na de Erechim, foram necessários ajustes no manejo quanto ao acesso à sombra para evitar estresse térmico aos animais. O tempo seco possibilitou controle mais eficiente de mastites e possibilitou pastejos. 

Na de Pelotas, as temperaturas elevadas ao longo da maior parte do período provocaram estresse térmico nos animais, comprometendo o bem-estar, reduzindo o consumo de matéria seca e impactando negativamente a produção de leite. Observa-se, ainda, queda de produtividade, além de escassez de água para os animais. Em determinadas propriedades, as reduções na produção diária. 

Na de Santa Rosa, houve redução dos índices de prenhez e dificuldades de manutenção do volume de produção de leite em função das temperaturas elevadas, que causaram estresse térmico nos animais.  

Na de Soledade, em razão da a recente melhoria na oferta de pastagens em algumas localidades, os animais receberam forragem de qualidade e em quantidade suficiente para reduzir os custos com suplementação alimentar. (Emater editado pelo Sindilat)


Jogo Rápido

PREVISÃO METEOROLÓGICA DE ATÉ 18/02/2026 
Na próxima semana, a passagem de uma frente fria manterá o tempo instável em grande parte do Rio Grande do Sul. No dia 13/02 (sexta-feira), a instabilidade se intensifica com a passagem da frente fria, favorecendo a ocorrência de chuva em todas as regiões, com volumes mais expressivos em áreas isoladas. No dia 14/02 (sábado), o avanço do sistema deslocará a instabilidade para a Metade Norte, onde há possibilidade de chuva fraca a moderada, localmente forte. Nos dias 15/02 (domingo) e 16/02 (segunda-feira), os efeitos da circulação e o transporte de umidade manterão a condição de instabilidade em parte do Estado, com maiores volumes previstos para as regiões Norte e Oeste. Nos dias 17/02 (terça-feira) e 18/02 (quarta-feira), a estabilidade voltará a predominar, e há previsão de chuva fraca apenas em pontos isolados do litoral gaúcho. Entre os dias 12/02 (quinta-feira) e 14/02 (sábado), as temperaturas deverão entrar em declínio. A partir do dia 15/02 (domingo), os valores voltarão a se elevar gradualmente, acompanhando a reorganização do padrão atmosférico. Os acumulados de precipitação devem variar entre 5 e 100 mm ao longo da semana. No Norte, em várias localidades, os acumulados podem se aproximar dos 100 mm.  (Boletim Agrometeorológico da SEAPI)