Porto Alegre, 16 de janeiro de 2026 Ano 20 - N° 4.555
Fundesa-RS encerra 2025 com saldo de R$ 181 milhões
O Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do Rio Grande do Sul (FUNDESA-RS) realizou, nesta quinta-feira (15), Assembleia Geral Ordinária para a prestação de contas do exercício de 2025. Os números consolidados do ano apontam uma disponibilidade de R$ 181.716.577,89. A receita total do exercício atingiu quase R$ 40 milhões entre arrecadação de contribuições e receitas financeiras. Já as saídas somaram R$ 15,4 milhões em 2025.
Um dos destaques dos aportes homologados na assembleia foi a renovação do convênio com a Universidade Estadual da Carolina do Norte (NCSU). Com um investimento de mais de R$ 1 milhão e duração de 24 meses, o projeto foca em vigilância baseada em risco e análise de redes complexas para identificar áreas de vulnerabilidade à disseminação de doenças. Segundo o professor da NCSU, Gustavo Machado, o objetivo nesta nova fase do projeto é criar uma nova ferramenta, com base no trabalho já realizado, para direcionar as ações de fiscalização. “O sistema possibilitará identificar diferentes fatores além da movimentação para definir se uma propriedade deverá ficar mais no foco da fiscalização”, explica Machado. Além disso, na nova versão será possível abastecer o sistema com dados de outras espécies, não somente de bovinos, o que dará um panorama geral do trabalho realizado nas propriedades visitadas. Uma versão preliminar deverá ser apresentada até a metade do ano e posteriormente inserida na Plataforma de Defesa Sanitária Animal do RS (PDSA-RS)
Outro assunto da assembleia foi a reforma do prédio que abrigará a Supervisão Regional e a Inspetoria de Defesa Agropecuária de Alegrete. A obra, que começou nesta semana, terá investimento de R$ 422 mil e tem prazo 180 dias para conclusão. Atualmente a supervisão e a inspetoria funcionam em prédio alugado e, com a obra, ficarão em imóvel próprio e em melhores condições para o trabalho dos servidores e o atendimento dos produtores. “É uma forma de melhorar o serviço ao produtor, aproximando a comunidade rural do Serviço Veterinário Oficial e contribuindo para ações de orientação”, afirma o presidente do Conselho Técnico Operacional da Pecuária de Corte, Pedro Píffero, que visitou recentemente o imóvel e elogiou o projeto que será executado. A engenheira responsável pela obra, Larissa Fontoura, destacou que o projeto já está em andamento e que serão refeitas toda a revisão e atualização das partes hidráulica e elétrica, revestimento e pisos de banheiro e cozinha, contrapiso e piso na área externa da casa e reparos no telhado, além de pintura geral.
O setor de Pecuária Leiteira foi o que demandou o maior volume de recursos para indenizações por abate sanitário em 2025, totalizando R$ 3,68 milhões pagos aos produtores no âmbito do controle da Brucelose e Tuberculose. Na cadeia da avicultura, o Conselho Deliberativo revisou e complementou indenizações decorrentes do episódio de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), totalizando um aporte de R$ 1,19 milhão, referente à destruição de ovos férteis.
Ao final da assembleia, os conselheiros debateram sobre os desafios para 2026. Entre os temas que deverão ser trabalhados ao longo do ano estão a rastreabilidade para o setor de bovinos de corte, tema em que o Rio Grande do Sul tem protagonizado avanços com o projeto piloto para o Programa Nacional de Identificação de Bovinos. Também está prevista para 2026 uma revisão do estatuto do Fundesa, levando em consideração novos desafios surgidos ao longo das duas décadas de existência do Fundo, e ao aumento da relevância do Fundesa em toda a rotina da defesa sanitária das cadeias de proteína animal. (Texto: Thais D'Avila/Fundesa)
BOVINOCULTURA DE LEITE
As condições do período favoreceram o conforto térmico das matrizes, permitindo maior tempo de pastejo, com reflexos positivos no bem-estar animal e na condução dos sistemas produtivos. A produção está estável na maior parte das regiões, e a qualidade do leite atende aos padrões exigidos. Os produtores permanecem atentos aos manejos sanitários e higiênicos, especialmente em função da umidade registrada em períodos anteriores.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, as condições ambientais do período foram propícias ao conforto das matrizes em lactação, permitindo o pastejo sem restrições de horário. A disponibilidade de forragem tem sido ampliada, e as pastagens semeadas no final de novembro e início de dezembro atingem o ponto de entrada dos animais.
Na de Erechim, a melhoria das pastagens de verão possibilitou a redução da oferta de alimentos conservados. Em função dos dias mais ensolarados, os produtores retomaram o acesso aos piquetes, favorecendo o aproveitamento das pastagens. Observou-se diminuição do excesso de umidade e da formação de barro no entorno das propriedades e nos estábulos, diminuindo os riscos de problemas sanitários, como mastite.
Na de Frederico Westphalen, a possibilidade de maior tempo de pastejo no período noturno, aliada às chuvas ocorridas nos últimos dias, contribuiu para a melhoria do bem-estar animal.
Na de Caxias do Sul e na de Ijuí, a produção está estável, e a qualidade dentro dos padrões exigidos pela legislação vigente.
Na de Passo Fundo, o rebanho apresentou escore corporal acima de 3,5. A alimentação foi baseada em pastagens de verão, silagem e suplementação com concentrados, ajustada às necessidades de cada lote.
Na de Santa Rosa, os criadores reforçaram os cuidados com a higiene de ordenha devido ao acúmulo de sujidades no úbere e nos tetos, visando manter a qualidade do leite dentro dos padrões de Contagem Bacteriana Total (CBT). Observou-se leve queda na produtividade em função do excesso de chuvas nos períodos anteriores. (Fonte: Emater/RS)
BOLETIM INTEGRADO AGROMETEOROLÓGICO No 03/2026 – SEAPI
Na sexta-feira (16/01), a atuação de uma frente fria próxima ao Uruguai poderá trazer instabilidade para a metade sul do Rio Grande do Sul. Assim, há previsão de chuva fraca a moderada, localmente forte em pontos isolados, nessa região. No sábado (17/01), o tempo seguirá instável devido à passagem da frente fria, com previsão de chuva em grande parte do estado, exceto na porção sudeste. No domingo (18/01), a frente fria começará a avançar e reduzir sua influência sobre o território gaúcho, fazendo com que a precipitação fique restrita às porções oeste e norte do estado.
Na segunda-feira (19/01), a influência da frente fria seguirá diminuindo, mantendo a ocorrência de precipitação apenas em áreas isoladas das porções oeste e norte. Na terça-feira (20/01) e na quartafeira (21/01), a atuação de um sistema de alta pressão favorecerá o retorno do tempo estável em todo o Rio Grande do Sul, sem previsão de chuva significativa. Nesse período, as temperaturas apresentarão elevada amplitude térmica diária. De forma geral, os acumulados de precipitação previstos variam entre 5 e 30 milímetros na maior parte do estado. As regiões da Fronteira Oeste, Missões, Alto Uruguai, Norte, Campos de Cima da Serra, Central e Sul, podem ter valores um pouco maiores do que 30 milímetros em pontos isolados. (Boletim Agrometerologico/SEAPI)
Jogo Rápido
Perspectiva de El Niño para o inverno
Ainda tem muita pela frente, mas prognósticos climáticos apontam para uma chance de 60% da ocorrência do fenômeno El Niño em agosto. Doutor em desastres naturais, especialista em efeitos climáticos futuros e diretor da Kaz Tech, Marcos Kazaoka destaca que o mercado já dá o anterior percentual crescente de 48%. Ele ressalta, no entanto, que é uma tendência projetada para meses à frente, “que precisa ser monitorada e avaliada”. O fenômeno, quando presente, pode trazer efeitos opostos no Brasil. Na Amazônia, seca. No Rio Grande do Sul, costuma trazer excesso de chuva. (Zero Hora)