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Porto Alegre, 22 de outubro de 2019                                              Ano 13 - N° 3.092

Valor de referência do leite cai no Rio Grande do Sul 


Crédito: Carolina Jardine
 
O valor de referência do leite no Rio Grande do Sul estimado para o mês de outubro é de R$ 1,0609, 3,47% abaixo do consolidado de setembro (R$ 1,0991). Segundo dados divulgados nesta terça-feira (22/10) pelo Conseleite, a tendência reflete o período de safra, mas está mais amena em 2019 em relação a anos anteriores. A redução pontual da pesquisa de outubro foi puxada pela diminuição do leite UHT, carro chefe do mix do Estado, mas teve compensação parcial com a alta do leite em pó. 
 
A tendência de mercado é de estabilidade, uma vez que o volume de captação começa a reduzir com a diminuição da produção no campo nas próximas semanas. “Em 2019, o UHT apresentou estabilidade. Diferentemente de outros anos quando se registrou variações bruscas no preço, a curva do ano indica quedas e elevações suaves no preço do UHT”, disse o professor da UPF e responsável pelo estudo Eduardo Finamore. A reunião do Conseleite foi realizada na sede da Farsul, em Porto Alegre.  
 
Segundo o presidente do Conseleite e do Sindilat, Alexandre Guerra, os números refletem uma mudança nos hábitos de consumo do brasileiro em um ano de crise e falta de recursos na economia. “As famílias estão buscando preço porque a crise impactou em cheio o poder de consumo”. Além disso, justificou ele, o que se viu em 2019 foi um aumento das vendas no atacado em detrimento do varejo, principalmente entre as classes A e B, que também estão buscando adquirir leite e outros alimentos básicos a preços mais competitivos. “Isso impacta o comércio e traz reflexo direto no setor industrial e no produtor porque estamos em um mesmo mercado. Os movimentos do consumidor interferem em todos os elos”.

IN 76 e 77
Durante a reunião, as entidades que integram o Conseleite ainda debateram o impacto das Instruções Normativas 76 e 77 no campo, principalmente com os resultados de médias geométricas de CBT, que já limitam a captação do leite de alguns produtores gaúchos. O colegiado entende que é preciso realizar alguns ajustes de metodologia que estimulem os produtores a seguir melhorando. “Em alguns casos, não valoriza o esforço que vem sendo feito no campo”, pontuou o gerente técnico adjunto da Emater/RS-Ascar, Jaime Ries, que apresentou casos concretos de distorções que vêm ocorrendo.  


 
Crédito: Carolina Jardine
 
 
 
Tabela 1: Valores Finais da Matéria-Prima (Leite) de Referência1, em R$ – Setembro de 2019.


(1)    Valor para o leite “posto na propriedade” o que significa que o frete não deve ser descontado do produtor rural. Nos valores de referência IN 76/77 está incluso Funrural de 1,5% a ser descontado do produtor rural

Tabela 2: Valores Projetados da Matéria-Prima (Leite) de Referência1 IN 76/77, em R$ – Outubro de 2019.


* Previsão

Sindilat debate INs 76 e 77      
 
     
Reunidos na sede do Sindilat na tarde desta terça-feira (22/10), representantes dos laticínios associados debateram a situação de adaptação às Instruções Normativas (INs) 76 e 77 no Rio Grande do Sul. Na ocasião, avaliaram as melhorias visíveis a campo e possíveis ajustes na metodologia que evitem a exclusão dos produtores que estão avançando em seus escores de CBT. As empresas ainda visualizaram os dados divulgados pelo Conseleite referentes ao mês de outubro e discutiram encaminhamentos de questões tributárias e planos de melhoria. Durante a reunião, também foi apresentado balancete do terceiro trimestre do Sindilat.
 
 

Conseleite/Paraná

Atenção: Na reunião do mês de outubro/2019, o Conselho aprovou os resultados dos estudos da Câmara Técnica relativos aos custos de produção de produtores e indústrias que resultam em novos valores de referência para os derivados lácteos considerados no modelo. A diretoria do Conseleite-Paraná alerta que não há comparabilidade com os valores divulgados anteriormente. Serão divulgados valores de referência com e sem revisão até o mês de dezembro e a partir de janeiro de 2.020, apenas valores com revisão.

A diretoria do Conseleite-Paraná reunida no dia 22 de Outubro de 2019 na sede da FAEP na cidade de Curitiba, atendendo os dispositivos disciplinados no Capítulo II do Título II do seu Regulamento, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima leite realizados em Setembro de 2019 e a projeção dos valores de referência para o mês de Outubro de 2019, calculados por metodologia definida pelo Conseleite-Paraná, a partir dos preços médios e do mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes.

Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada "Leite Padrão", se refere ao leite analisado que contém 3,50% de gordura, 3,10% de proteína, 500 mil células somáticas/mi e 300 mil ufc/ml de contagem bacteriana.

Para o leite pasteurizado o valor projetado para o mês de Outubro de 2019 é de R$ 2,4136/litro. Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima lei conforme a qualidade, o Conseleite-Paraná disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas e contagem bacteriana. O simulador está disponível no seguinte endereço eletrônico: www.conseleitepr.com.br. (Conseleite/PR)
 
Nestlé
A Nestlé foi escolhida pelo consumidor brasileiro como a marca mais amada do país, de acordo com pesquisa desenvolvida pelo Centro de Inteligência Padrão em parceria com a ECGlobal. O levantamento apontou as marcas mais queridas em nove categorias, que englobam mais de 30 segmentos de mercado. Além da Nestlé, a Chocolates Garoto ficou na 7ª colocação entre as top 10. O resultado reitera a confiança dos consumidores na qualidade dos produtos da companhia, que está presente em 99% dos lares dos brasileiros, segundo o Kantar Worldpanel. Fundada há mais de 150 anos, com sede na Suíça, a Nestlé tem hoje presença em 190 países e conta com 308 mil colaboradores. Chegou ao Brasil há 98 anos, com a primeira fábrica de MilkMaid (que depois se tornou Leite Moça), instalada na cidade paulista de Araras. Para realizar o levantamento, foram ouvidas mais de 1.700 pessoas, entre homens e mulheres, de 18 a 54 anos, das classes A, B e C, em todo o país. Os consumidores avaliaram de quatro a cinco categorias das nove incluídas no estudo. (Newtrade)
 

 

 

Porto Alegre, 21 de outubro de 2019                                              Ano 13 - N° 3.091

Conseleite/MS – valores finais para setembro de 2019, e projeções para outubro de 2019

Preço/MS - A diretoria do Conseleite – Mato Grosso do Sul reunida no dia 18 de outubro de 2019, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima, referente ao leite entregue no mês de setembro de 2019 e a projeção dos valores de referência para o leite a ser entregue no mês de outubro de 2019. Os valores divulgados compreendem os preços de referência para o leite padrão levando em conta o volume médio mensal de leite entregue pelo produtor. (Famasul/Terra Viva)

 

Instrução Normativa estabelece regras para destinação de resíduos da pecuária

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento publicou nesta sexta-feira (18), no Diário Oficial da União, a Instrução Normativa 48/2019, que estabelece as regras sobre o recolhimento, transporte, processamento e destinação de animais mortos e resíduos da produção pecuária como alternativa para a sua eliminação nos estabelecimentos rurais.

A IN estabelece regras que possibilitam a utilização de rotas tecnológicas para o os resíduos da produção pecuária de forma sanitariamente segura, alternativas às práticas até então adotadas.

De acordo com a Instrução Normativa, para destinar animais mortos e resíduos da produção pecuária para unidade de recebimento, de transformação ou de eliminação, o estabelecimento rural deve possuir cadastro atualizado junto ao Serviço Veterinário Oficial e dispor de um local exclusivo para o recolhimento, que deverá estar fora das áreas utilizadas para o manejo da exploração pecuária e afastado das demais instalações do estabelecimento rural.

Os veículos utilizados para o transporte de animais mortos e resíduos da produção pecuária devem ser de uso exclusivo para esta finalidade. Também devem ser vedados e identificados. É obrigatório o porte de Documento de Trânsito de Animais de Produção Mortos (DTAM) durante todo o percurso para o transporte de animais mortos e resíduos da produção pecuária.

O Serviço Veterinário Oficial de cada estado deverá estabelecer os controles necessários para a devida aplicação da IN.

A elaboração da norma contou com a participação das representações de toda cadeia produtiva de proteína animal e dos diversos órgãos governamentais, para ajustar as regras estabelecidas em consonância com a realidade observada na produção primária do país.

Contexto
Nos últimos 30 anos, o segmento pecuário brasileiro implementou alterações significativas na criação de animais domésticos que ampliaram a capacidade de produzir produtos de origem animal, atendendo demanda crescente da população mundial.

Com isso, montantes significativos de resíduos passaram a ser gerados com a intensificação e concentração da produção por parte dessas cadeias, em curto espaço de tempo, impondo o desafio de encontrar um manejo adequado para mitigar os riscos que representam ao meio ambiente e ao status sanitário dessas cadeias.

Práticas até então rotineiramente utilizadas no interior dessas propriedades como o enterrio, a incineração e a compostagem passam a ser insuficientes para equacionar esta questão, ocasionando adversidades aos produtores e ao meio ambiente. (MAPA)
 
Cotrifred prepara sua primeira feira
A Cooperativa Tritícola de Frederico Westphalen (Cotrifred) vai promover a Feira em Campo – Agronegócio em foco no período de 12 a 14 de dezembro. O presidente da cooperativa, Elio Pacheco, diz que 70 empresas já confirmaram presença como expositoras. O evento marca o ingresso da Cotrifred na área de feiras para o agronegócio. (Correio do Povo)

 

 

 

Porto Alegre, 18 de outubro de 2019                                              Ano 13 - N° 3.090

5º Prêmio de Jornalismo do Sindilat recebe inscrições até 25/10

Jornalistas têm até a próxima sexta-feira (25/10) para participar do 5º Prêmio de Jornalismo do Sindilat RS. Os interessados deverão enviar os trabalhos para o e-mail imprensasindilat@gmail.com (confira o regulamento). Os trabalhos inscritos devem abordar os aspectos relacionados ao setor lácteo, seu desenvolvimento tecnológico, avanços produtivos e desafios.
Serão recebidos trabalhos publicados em língua portuguesa em veículos com sede no Brasil, entre 28/10/2018 a 25/10/2019. Podem participar jornalistas devidamente registrados ou grupo de profissionais, sendo ao menos um jornalista. Não há limite de número de trabalhos a serem inscritos por candidato. 

Confira as categorias: 

1) Impresso: reúne trabalhos de veículos impressos a serem enviados em formato PDF;
2) Eletrônico: reúne trabalhos divulgados em veículos eletrônicos (rádio e televisão) a serem enviados mediante link;
3) Online: Reportagens ou série de reportagens veiculadas no período recomendado desde que apresentem indicação expressa da data de veiculação e fornecimento do link ativo;
4) Fotografia: Imagens alusivas à atividade leiteira veiculadas na imprensa, independentemente da plataforma dentro do período definido por este regimento e com comprovação de publicação expressa. Enviar a imagem original (em JPG) e PDF da publicação;

Os vencedores serão conhecidos na festa de fim de ano do Sindilat, no dia 05 de dezembro. Neste ano, a cerimônia ainda marcará os 50 anos de atividade do sindicato.

Para se inscrever, leia atentamente o regulamento aqui.
Ficha de inscrição.
Termo de autorização de uso de imagem.

 

Conseleite/MG
Os valores de referência do leite – padrão, maior e menor – que estão sendo entregues em outubro de 2019 apresentaram leve queda na primeira quinzena.
A conjuntura econômica tem contribuído para o baixo consumo dos derivados. Foi registrada desvalorização nos preços dos leites UHT, spot e em pó. A recuperação das cotações dependerá do consumo, que pode estabilizar o valor do leite a ser pago ao produtor na segunda quinzena de outubro.
Rodrigo Alvim - vice-presidente do Sistema FAEMG
“A produção leiteira aumentou no Brasil e, principalmente, no Sul do país. Isso, naturalmente, estabelece uma concorrência, com queda nos preços. Acesse o site do Sistema FAEMG, entre no link do Conseleite MG para simular o seu preço, considerando o volume de produção e a qualidade.” (Faemg)
 
 
 
 

Decreto regulamenta lei sobre trabalho temporário

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) editou decreto que regulamenta a Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, que dispõe sobre o trabalho temporário. O decreto está publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira e traz as regras sobre trabalho temporário, sua aplicação, período pelo qual pode ser contratado e direitos dos trabalhadores.

A reforma trabalhista, feita ainda pelo governo de Michel Temer (MDB), já havia alterado para 180 dias o prazo para o trabalho temporário, prorrogados por até mais 90 dias. O decreto agora publicado confirma esse prazo máximo de duração do contrato, e diz que, "comprovada a manutenção das condições que ensejaram a contratação temporária, o contrato poderá ser prorrogado apenas uma vez, por até 90 dias corridos, independentemente de a prestação de trabalho ocorrer em dias consecutivos ou não".
O trabalhador temporário somente poderá ser novamente contratado pela mesma empresa tomadora de serviços ou cliente em um novo contrato temporário após o período de 90 dias, contado do término do contrato anterior. A contratação antes desse prazo caracterizará vínculo empregatício entre o trabalhador a empresa.
Sobre a jornada de trabalho para os temporários, ela será de, no máximo, oito horas diárias, podendo ter duração superior na hipótese de a empresa tomadora de serviços ou cliente utilizar jornada de trabalho específica. Segundo o decreto, as horas que excederem à jornada normal de trabalho serão remuneradas com acréscimo de, no mínimo, 50%. Ainda será assegurado ao trabalhador temporário o acréscimo de, no mínimo, 20% da remuneração quando trabalhar no período noturno.
O decreto assegura, ainda, ao temporário o descanso semanal remunerado e afirma que a ele não se aplica o contrato de experiência. Os trabalhadores temporários deverão ser cadastrados junto ao Ministério da Economia, e a empresa de trabalho temporário fica obrigada a anotar, na carteira de trabalho ou em meio eletrônico que a substitua, a condição de temporário do trabalhador.
 
Com relação aos direitos do trabalhador temporário, além da remuneração equivalente à recebida pelos empregados da mesma categoria da empresa, está assegurado o pagamento de férias proporcionais no caso de: dispensa sem justa causa, pedido de demissão ou término normal do contrato temporário. Além disso, terá direito a FGTS, benefícios e serviços da Previdência Social, seguro de acidente de trabalho, anotação de sua condição de temporário na carteira de trabalho.
Segundo a presidente da Associação do Trabalho Temporário (Asserttem), Michelle Karine, a atualização do decreto era necessária para dar esclarecimentos importantes sobre a modalidade em discernimento à terceirização de serviços. "Essas atividades são completamente diferentes, mas frequentemente confundidas, uma vez que, em março de 2017, passaram a integrar o mesmo instrumento de regulamentação", afirma. "Assim, a atualização do Decreto do Trabalho Temporário dá maior clareza às especificidades deste regime especial de contratação de pessoal, deixando-o mais objetivo e seguro para todos os agentes envolvidos no regime, sendo os trabalhadores temporários, as agências integradoras e as empresas contratantes", completa. Com a publicação, a Asserttem espera melhora na geração de trabalho formal e renda. (Jornal do Comércio)
Produção/UR 
A captação de leite pela Conaprole teve bom comportamento em setembro e ficou somente 2% abaixo da produção de setembro de 2018, com captação diária em torno de 4,9 milhões de litros e em alguns dias pontuais acima de 5 milhões. “Creio que as chuvas são as responsáveis, porque estão faltando em muitas bacias” disse a Conexión Agropecuaria o vice-presidente da cooperativa, Alejandro Pérez Viazzi. Se houver uma boa primavera, o pico de produção deverá alcançar os volumes recordes do ano passado. “Estamos muito perto, mas, falta chuva, inclusive para preparar o plantio de verão”, lembrou. No acumulado do ano (janeiro a setembro) a produção de leite captada pela Conaprole caiu 3% em relação ao mesmo período de 2018. Observando os dados publicados pelo Instituto Nacional do Leite, que engloba todas as indústrias, em agosto as remessas de leite para as plantas totalizaram 178,7 milhões de litros, 3,7% menos do que os 185,6 milhões recebidos no mesmo mês do ano passado. (Blasina y Asociados – Tradução livre: Terra Viva)
 

 

Porto Alegre, 17 de outubro de 2019                                              Ano 13 - N° 3.089

SMP

O preço do leite em pó desnatado (SMP) ficou sem grandes mudanças por quatro meses (desde o mês de maio), mas, no final de agosto registrou recuperação, chegando a € 2.220/tonelada. 
 
Segundo os últimos dados do Observatório Lácteo da União Europeia (UE), atualizado em 9 de outubro, o preço em agosto foi de € 2.260/tonelada, o que representou aumento de 4,2% em comparação com o mês anterior.
 


 
 
Como pode ser visto no quadro sobre as cotações mundiais de produtos lácteos, os preços da UE continuam abaixo dos preços nos Estados Unidos e Oceania, o que torna as exportações comunitárias competitivas ao nível mundial.

O mercado europeu de produtos lácteos mostrou dinamismo no primeiro semestre. As exportações acumuladas de SMP e manteiga registraram elevações de 28% e 19%, respectivamente, nos primeiros sete meses do ano em comparação com o mesmo período do ano anterior.

As exportações de manteiga aumentaram para os três principais mercados (China, EUA e Japão) e as de SMP para a China e a Indonésia (Argélia, que é outro país entre os maiores importadores de SMP, reduziu suas compras). (Agrodigital – Tradução livre: Terra Viva)

 

Preços
A expectativa é de que em um futuro próximo não haja grandes mudanças dos preços internacionais. A oferta tem permanecido relativamente baixa em todas as regiões (exceto na Nova Zelândia) o que tem sido um fator fundamental para a sustentação dos preços. 
 
Em particular, para o leite em pó integral (WMP), a Bolsa de Valores da Nova Zelândia espera um preço em torno dos níveis atuais, mais ou menos US$ 3.000 a tonelada nos próximos meses.

A primavera da Nova Zelândia pode impactar sobre estes preços. Mas, a situação não irá resultar em grande movimento dos preços, nem para cima, nem para baixo.

O Instituto Nacional do Leite (INALE), com base no relatório do Rabobank, analisa o mercado mundial de lácteos.

A produção nas principais regiões exportadoras vem caindo; seca na União Europeia, maior taxa de abate nos Estados Unidos para maior disponibilidade de caixa dos produtores, queda contínua da produção na Austrália e não se prevê recuperação da produção na Argentina.

A China importou de forma significativa. Mas, se for levado em conta que a produção interna está aumentando e o consumo encontra-se de certa forma estável, a expectativa é de que as importações sejam de menor envergadura no resto do ano, já que os estoques foram recompostos no primeiro semestre.

O Brasil, que é um destino chave dos produtos uruguaios, restringiu a oferta, principalmente por problemas climáticos. A economia apresenta certo grau de fragilidade que está impactando em um menor consumo geral, e dos lácteos em particular. Ainda que as importações tenham aumentado, a Argentina vem ganhando a quota de mercado no Brasil, enquanto o Uruguai está se voltando para outros mercados. Os queijos são os mais impactados pela situação. (Terra Viva)

Leite/Nota: Cepea focará no preço líquido do leite ao produtos a partir de 2020

Buscando aperfeiçoar sua metodologia, a pesquisa do leite ao produtor do Cepea passará a focar, a partir de 2020, no preço líquido negociado. A ideia é explicitar aos agentes de mercado que o preço acompanhado se refere apenas ao valor recebido pelos produtores, sem adição de frete e impostos, facilitando, assim, a comparação e análise das informações. Atualmente, o Cepea calcula tanto o preço líquido, que não contém frete e impostos, quanto o preço bruto, que contém frete e impostos. Tendo em vista a grande heterogeneidade nas condições de frete e impostos no Brasil, a presença dessas duas variáveis exógenas ao preço do leite pode dificultar a comparação entre médias das diferentes regiões. Por esse motivo, decidiu-se por interromper o cálculo do preço bruto no ano que vem. É importante ressaltar que, devido à natureza dinâmica dos mercados, mudanças de metodologias ou alterações nas divulgações de dados do Cepea podem ocorrer, sendo aconselhável, portanto, que os agentes de mercado estejam precavidos desses aspectos ao utilizar os dados em suas negociações. (Cepea) 
Instalada comissão da MP do Agro
O senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) assumiu a presidência da comissão que avaliará a medida provisória 897/2019, a MP do Agro. A criação oficial foi ontem. A relatoria ficará com o deputado Pedro Lupion (DEM-PR). Segundo o parlamentar gaúcho, nesta semana, ele o relator deverão se reunir para começar a filtrar as emendas recebidas. No total, foram 349. O cronograma de trabalho da comissão será estabelecido na próxima semana. - Tem vários temas importantes em discussão, como o fundo de aval fraterno e o patrimônio de afetação - observa Heinze. R$ 606,2 bilhões é o valor bruto da produção agropecuária estimado pelo Ministério da Agricultura com base nos dados de setembro. A quantia representa alta de 1,7% sobre os R$ 596,1 bilhões de 2018. (Zero Hora)

 

Porto Alegre, 16 de outubro de 2019                                              Ano 13 - N° 3.088

 Plano de saúde tecnológico para a vaca não ir pro brejo
Na série Te Mostra, Rio Grande, a iniciativa dos irmãos de Santa Maria que criaram coleira para monitorar bovinos e antever doenças


Quando alguém pergunta a Leonardo Guedes sobre seu trabalho, é assim que ele gosta de responder:


- A gente traduz a opinião da vaca.


Foi o jeito que achou para explicar a sacada que deu origem à Cowmed, em 2015, em Santa Maria: usar tecnologia para ajudar criadores de gado a identificar sinais de doenças nos animais, o que, na prática, começaram a chamar de plano de saúde da vaca. Ele percebeu que os criadores não conseguiam observar os hábitos de cada animal, por isso, só notavam os sinais de uma doença em estágio avançado.


- Geralmente, o animal tende a esconder a doença. O produtor vê que a vaca está doente quando ela já está deitada - explica.
Aí é que entra a tradução. Leonardo e o irmão Thiago Martins criaram, em 2012, uma coleira que é colocada no pescoço da vaca e, por um sensor, monitora a saúde do animal. O sistema consegue acompanhar a ruminação e os movimentos para identificar quando o comportamento está fora do padrão. Sempre que existe uma variação, o produtor recebe um alerta no celular: se a vaca diminuiu seus níveis de atividade e ruminação, pode ser um sinal de que está doente. Se a atividade aumenta, pode ser que a vaca esteja no cio.


Ou seja, é possível acompanhar um rebanho inteiro, o tempo todo, e assim aumentar a produção de leite e melhorar a reprodução dos animais. Eles já conseguem reconhecer mudanças de comportamento até cinco dias antes de uma doença se manifestar.
A tecnologia desenvolvida pela empresa já ajuda mais de cem criadores em 11 Estados brasileiros. Hoje, o sistema monitora mais de 15 mil vacas. Nédio Genario é criador de gado e nunca soube exatamente a melhor época de reprodução de cada animal. Ele tem 65 cabeças no norte gaúcho e não consegue observar todos o tempo inteiro. Sempre aberto a novas tecnologias, resolveu investir nas coleiras e agora recebe um alerta no período de cada cio.


- O sistema acusa, e aí a gente vai lá e insemina a vaca - conta.


Além disso, a produção de leite aumentou: é que uma vaca, se não emprenha, alonga muito a lactação e diminui o leite. Então, quanto antes emprenhar, melhor.


Investimento
O valor aplicado compensa, de acordo com o produtor. Genario paga R$ 11,90 mensais por animal. Cada coleira custa R$ 160. Ele também sabe que vai receber um aviso se alguma vaca começar a ficar doente. Com essa antecedência, ele consegue planejar o tratamento, os gastos são menores e a chance de recuperação é maior:
- No final das contas, tu consegue um leite bom, de qualidade, e retorno financeiro.

Paraná sem vacina contra febre aftosa
Agora é oficial. O Paraná poderá deixar de vacinar os 9,2 milhões de bovinos e bubalinos contra a febre aftosa com o objetivo de buscar a evolução do status sanitário para livre da doença sem imunização, condição hoje que somente Santa Catarina tem. A autorização veio com instrução normativa assinada na tarde de ontem pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina. Os animais já não participam da segunda etapa da campanha nacional de vacinação, que ocorre em novembro.
A medida reforça a pressão sobre o Rio Grande do Sul, que ainda espera o relatório parcial de auditoria feita em setembro. O documento é aguardado com ansiedade - a expectativa é de que chegue até o final desta semana -, porque sinalizará se o Estado tem condições técnicas de também dar esse passo.
Os gaúchos ainda vacinarão o rebanho neste ano, e a decisão em relação à manutenção ou não da imunização será tomada de forma conjunta, reforça Rosane Collares, chefe da Divisão de Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura do RS.
Havia a sinalização de que, a partir da autorização dada para o Paraná deixar de vacinar, o trânsito de animais vivos de áreas com imunização seria restrito - via corredores sanitários. Mas, segundo o Ministério da Agricultura, não haverá modificações na circulação até 31 de dezembro deste ano. O ingresso de exemplares vacinados passa a ser proibido a partir de 2020.
A evolução de status, concedida pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), é vista como oportunidade de acesso a mercados diferenciados. A progressão paranaense poderá ser solicitada pelo Brasil em setembro do próximo ano. A confirmação pode ser oficializada pela OIE em maio de 2021.
- O Brasil tem uma oportunidade gigante de ser um grande exportador não só para a China como para outros países. Então, o Paraná dá um passo importante, mas as coisas não acontecem de uma hora para outra - observou a ministra da Agricultura.
No Estado, a chefe da Divisão de Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura está cumprindo roteiro pelo Interior, dando palestras justamente para esclarecer dúvidas e mostrar como é a atual estrutura.
- O que sentimos é que as pessoas estão com opinião muito baseada no que acontecia antigamente, não conhecem as evoluções do sistema. Nossa função é esclarecer - pondera Rosane.

Com acesso à minuta da proposta de reforma do funcionalismo público, cresceu a preocupação da Associação dos Fiscais Agropecuários do Estado. O presidente da entidade, Antonio Augusto Medeiros, cita entre os pontos de inquietação a redução do abono permanência. "Possivelmente vai desestimular a continuar no serviço, podendo gerar alto déficit de servidores no momento em que se busca evolução do status sanitário". (Zero Hora)

Argentina: preço do leite sobe novamente em meio ao baixo consumo

Um produto-chave da alimentação dos argentinos, o leite, teve novo aumento de 10% nos preços, o que afetou mais uma vez o consumo, atualmente de 176 litros por habitante por ano (41 litros a menos que em 2015).

Segundo pesquisa realizada pela Defesa de Usuários e Consumidores (DEUCO), o preço do leite integral La Serenísima passou de 44,20 pesos (US$ 0,76), em agosto deste ano, para 48,70 pesos (US$ 0,84), ou seja, 10% mais caro; o leite integral com ferro foi de 45,60 pesos (US$ 0,78) para 50 pesos (US$ 0,86); o leite integral sem lactose de 46,60 pesos (US$ 0,80) para 51,30 pesos (US$ 0,88); e o leite UHT, integral ou desnatado (por litro) de 53 pesos (US$ 0,91) para 58,20 (US$ 1); todos com o mesmo aumento percentual.

No relatório DEUCO, foi citado um trabalho do Observatório da Cadeia de Laticínios da Argentina (OCLA), que diz que “o consumo de leite por habitante por ano é de 176 litros”, ou seja, “menor do que o registrado em 2015, quando a população argentina consumia 217 litros por habitante/ano". 

Agora, com esse novo aumento, os preços dos produtos lácteos cresceram até 42,9% entre maio e outubro deste ano. O queijo é um dos produtos mais afetados pelo aumento, já que seu preço subiu entre 10 e 15% de acordo com o tipo e, em alguns casos, chegou perto da barreira dos mil pesos.

Por fim, com base em dados da OCLA, a entidade informou que a venda de laticínios caiu 11,9% comparando os períodos de janeiro a julho de 2018 e 2019. Por exemplo, a venda de sobremesas e cremes lácteos caiu 34,4%; enquanto o leite em pó desnatado segue com 27%; leite não refrigerado com 22,8%; e manteiga com 16,7%; entre outros. (As informações são do DiarioPopular.com.ar, traduzidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint) 

Leite e derivados
O preço do leite ao produtor interrompeu a trajetória de queda iniciada em julho. Em setembro, o valor bruto foi de R$1,47, na média nacional, alta de 1,85% sobre o mês anterior. Apesar desse aumento no preço do leite, a relação de troca ao produtor piorou em função dos aumentos mais expressivos nos preços do milho e do farelo de soja. Confira a análise completa no Boletim Indicadores Leite e Derivados. Clique aqui. (Embrapa)

Porto Alegre, 15 de outubro de 2019                                              Ano 13 - N° 3.087

 Audiência pública debate a produção de leite e seus gargalos no Rio Grande do Sul 

Audiência pública conjunta das Comissões de Segurança e Agricultura da Assembleia Legislativa reuniu grande número de lideranças e entidades representativas da cadeia láctea gaúcha para debater sobre as Instruções Normativas 76 e 77 e as política de preço do leite no Rio Grande do Sul.  A reunião foi presidida pelo deputado estadual Edegar Pretto (PT-RS) e parlamentares de diferentes bancadas.

O presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios do RS (Sindilat), Alexandre Guerra, e o secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, acompanharam a audiência pública que contou com representantes e produtores de 56 municípios gaúchos.  Segundo Guerra, uma das pautas mais combativas para a cadeia láctea é a guerra fiscal entre os estados, que retira competitividade do setor no Rio Grande do Sul. “Vemos o leite UHT produzido aqui no RS  chegar a outros estados e ter uma sobretaxa de 8% a 9% só por não ser produzido na região compradora”, afirmou o dirigente. 

Guerra ainda defendeu a união de todos os elos da cadeia produtiva para fazer frente ao cenário que está posto e avançar em temas que considera cruciais, como o maior investimento em infraestrutura de logística e maior disponibilidade de crédito para os produtores. “Não existe indústria sem produtor e produtor sem indústria”, disse. Guerra lembrou que as Instruções Normativas 76 e 77 do Ministério da Agricultura não vieram com o objetivo de excluir ninguém da atividade, pelo contrário. “Estamos focados em um trabalho de melhoria contínua da qualidade do nosso leite e incentivando a permanência de muitos na atividade”, afirmou. Prova disso foi o trabalho realizado, no primeiro semestre deste ano, pelo Sindilat, juntamente com o Mapa, SEAPDR, Fetag, Farsul, Emater, Apil e Famurs, com apoio de universidades e prefeituras. Foram nove encontros entre os meses de maio e julho com participação total de mais de 36 mil pessoas via comparecimento ou acompanhando  pelas redes sociais.

O chefe da divisão de Defesa Agropecuária do Mapa/RS, Leonardo Isolan, reforçou que as INs 76/77 não trouxeram novidades em termos de limites para adequação, mas que, apenas agora, vão enquadrar os produtores que não conseguirem produzir dentro do que já estava previsto desde 2014. “As INs vinham sendo estudadas há muito tempo, foram colocadas em consulta pública por 60 dias e receberam muitas sugestões”, reforçou. Segundo ele, desde a vigência das normas, em 30 de maio deste ano, o Mapa permanece a campo prestando orientações e ajudando produtores no que for necessário. “Ao contrário do que muitos pensam, as INS não tratam de exclusão e sim, de inclusão do produtor na atividade, pois, por meio de médias geométricas, ele consegue se adequar aos padrões exigidos pelas INs”, destacou Isolan. (Assessoria de Imprensa Sindilat)

Crédito: Letícia Prior Breda 

GDT


(Fonte: GDT, adaptado pelo Sindilat)


Parece só um freezer, mas é uma pequena revolução
 
Como muitos empreendedores, Lídia Linck Lagemann viu na solução de um problema uma chance de negócio. Desenvolveu, na empresa de refrigeração da família, um sistema de geradores para evitar que quedas de energia comprometam insumos usados por produtores rurais.

O que diferencia a história da empreendedora de 33 anos, formada em Veterinária, é que essa ideia foi além do campo. O sistema de emergência criado pela Biotecno também é usado em clínicas e postos de saúde para evitar danos a líquidos preciosos para a saúde humana, como vacinas, sangue e leite materno.

A empresa foi criada em 2001 por seu pai, e o ramo era o de manutenção de refrigeradores. O negócio mudou - ganhando um impulso - quando Lídia assumiu a administração, em 2011, e implantou um sistema desenvolvido após cinco anos de pesquisas. Era um projeto que ela trouxe quando ainda cursava Medicina Veterinária: uma bateria que armazena energia e entra em ação assim que há queda de energia. Os refrigeradores passaram a ser produzidos, saindo da linha de produção com o equipamento que permite ao freezer funcionar por até 72 horas sem luz. Logo ficou claro: além da agricultura, a área de saúde humana poderia se beneficiar.

O produto foi conquistando espaço por oferecer uma solução para o problema da falta de energia. Tomou grande proporção e hoje está presente em 26 Estados brasileiros, inclusive em alguns países da América Latina.

- Essa foi uma forma que a Biotecno fez de se colocar no lugar daquele usuário e pensar: o que poderíamos prover de solução para deixar a vida das pessoas mais fácil - descreve Lídia.

Os refrigeradores são desenvolvidos em uma das duas unidades da empresa em Santa Rosa. Depois, distribuídos pelo Brasil e para países como o Peru, onde são usados em centros de oncologia e dermatologia, bancos de leite e sangue e também na agricultura. São produzidos em média 150 equipamentos por mês. Quem adquire o produto tem ainda assistência técnica prestada remotamente desde Santa Rosa - para qualquer lugar onde o cliente estiver. Hoje, ter um sistema que evita a perda de vacinas pela falta de conservação quando há uma instabilidade na rede de energia elétrica é obrigatório, de acordo com resolução do Conselho dos Secretários de Saúde brasileiros.

Com mais demanda e busca até pela exportação, a Biotecno viu a necessidade de aumentar seu quadro de funcionários. De cinco colaboradores, subiu para 50 em apenas oito anos. Sem contar os representantes comerciais que estão distribuí¬dos por vários Estados. O coordenador de projetos da empresa, Luiz Mateus Schneider, acompanha essa evolução desde o começo e é um dos trabalhadores mais antigos a integrar a companhia.

- É gratificante saber que o equipamento atende a todas as expectativas e que algumas partes, como o sistema de emergência que a gente mesmo desenvolveu, é bastante útil - vibra.

Reconhecimento
A iniciativa angariou prêmios nacionais como o MPE Brasil - Sebrae, em 2013, quando a Biotecno superou outras 92 mil pequenas empresas listadas entre as concorrentes. O impacto do sistema de refrigeradores no mercado foi tamanho que, além de fortalecer o negócio da família Linck no noroeste gaúcho, movimentou a economia como um todo, gerando mais empregos, impostos e consumo.

Pensando no futuro, Lídia garante que as inovações da Biotecno não param por aí:

- Motivação é poder escrever a própria história e deixar um legado. E isso eu aprendi em casa. A inovação faz parte do DNA da empresa. Então tudo que nós fazemos hoje é sempre pensando em trazer algo novo e diferente, não o que já existe.

A série Te Mostra, Rio Grande é uma iniciativa do Grupo RBS para valorizar ainda mais a forte raiz empreendedora gaúcha. Os episódios são veiculados em vídeo durante o Jornal do Almoço, na RBS TV. No total, serão apresentadas 12 iniciativas de quem constrói e contribui para o empreendedorimo Estado. A série tem apoio do Governo do Estado do Rio Grande do Sul e da Assembleia Legislativa. (Zero Hora)
 
 

Cooperativa gaúcha consegue no STJ impedir cobrança da CPRB

A Fazenda Nacional conseguiu levar para o Supremo Tribunal Federal (STF) a discussão sobre o pagamento obrigatório da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), após recente derrota em julgamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Foi distribuído ao ministro Celso de Mello recurso contra decisão que acatou a "teoria da coerência" - o contribuinte alegou aumento de carga tributária, apesar de a CPRB ter sido criada para desonerar as empresas. A decisão do STJ garantiu à Cooperativa Santa Clara, do Rio Grande do Sul, o direito ao recolhimento, no período em que a CPRB era imposta, de 20% de contribuição previdenciária sobre a folha de salários. Para ela, em 24 meses, o pagamento sobre a receita bruta representaria prejuízo financeiro de mais de R$ 220 mil. A discussão é de interesse de todas as empresas prejudicadas com a mudança na forma de pagamento da contribuição previdenciária. Quanto maior a receita bruta e menor o número de funcionários, maior o impacto financeiro da CPRB. A contribuição foi instituída em 2011 pela política de desoneração da folha do programa Brasil Maior, na gestão da então presidente Dilma Rousseff (PT), para gerar emprego e incentivar a retomada de investimentos (Lei nº 12.546). Só após a entrada em vigor da Lei nº 13.161, de 2015, o recolhimento sobre a receita bruta tornou-se facultativo. Na prática, a decisão do STJ serve de precedente para todos os contribuintes com ação em andamento contra a CPRB, referente ao intervalo entre 2011 e 2015. Por conta da prescrição, porém, as empresas que ainda pensam em ajuizar processo poderiam apenas pedir a diferença entre a contribuição sobre a folha e a CPRB paga de outubro de 2014 a dezembro de 2015. A decisão foi dada pelo ministro Napoleão Nunes Maia Filho, da 1ª Turma do STJ (REsp nº 1553962). Ele manteve entendimento do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, no Sul do país, que aplicou a teoria da coerência. "O acórdão recorrido concluiu que a aplicação da nova sistemática implicou prejuízo financeiro à cooperativa ora recorrida, o que vai contra os objetivos da norma instituída pela Lei 12.546. Assim, para alterar tal conclusão seria necessário o revolvimento do suporte fático-probatório dos autos, o que é vedado em recurso especial", diz Napoleão.

Além da cooperativa, várias outras empresas prejudicadas pela mudança na forma de recolhimento foram à Justiça. "A 1ª Seção do TRF da 4ª Região já tinha definido que contribuinte prejudicado pela desoneração da folha tinha que ser ressarcido", afirma o advogado Rafael Nichele, representante da cooperativa (AC nº 5041401- 57.2015.4.04.7100). "Esperamos que o STF mantenha esse entendimento", acrescenta. Segundo o especialista em tributação, há violação do princípio constitucional da isonomia porque a mudança na forma de recolhimento da contribuição previdenciária beneficiou significativa parcela dos contribuintes. "Mas até 2015 causou severos prejuízos financeiros a alguns setores específicos com poucos funcionários, faturamento alto e variado mix de atividades oneradas e desoneradas", diz. Nichele espera que o Supremo, ao julgar o recurso da Fazenda Nacional (RE 1237377), aplique a teoria da coerência. Ele lembra do voto do ministro Celso de Mello, em medida cautelar (ADI 2010), a favor de se levar em consideração a finalidade e propósito do legislador para a tomada de decisão. A advogada Priscila Dalcomuni, do escritório Martinelli Advogados, afirma que a matéria afeta várias empresas prejudicadas com a desoneração da folha e destaca a teoria da coerência. "O STJ acatou uma interpretação teleológica, finalística, posto que o objetivo da CPRB era reduzir a tributação e não aumentar", diz. Não há no STJ ou no Supremo, acrescenta, outras decisões sobre o assunto. "A expectativa é de que o STF mantenha o entendimento do STJ. Nossos processos têm decisão favorável, mas ainda estão em segunda instância", afirma. As ações, segundo a advogada, são de empresas dos mais variados ramos. "Inclusive de cooperativas. Para elas, o impacto é de aproximadamente R$ 500 mil ao ano, desde 2012", diz. "Para empresas de tecnologia, por exemplo, com pouquíssimos empregados e receita altíssima, a migração também representou um grande prejuízo." Não há como escapar de autuação da Receita Federal. A partir de uma leitura literal da Lei 12.546, o órgão já manifestou entendimento no sentido de que o recolhimento era obrigatório até o dia 30 de novembro de 2015. O posicionamento

está na Solução de Consulta nº 125, de 2017, da Cordenação-Geral de Tributação (Cosit), que orienta os fiscais de todo o país. O posicionamento do Fisco é seguido pelo TRF da 3ª Região, sediado em São Paulo, segundo o advogado Rodrigo Caserta, do escritório BDE Advogados. Ele chama a atenção que, no STJ, outros três recursos (REsp 15984 92, REsp 1709820 e REsp 15996 49) sequer foram analisados pelos ministros. "Consideraram que as decisões, do TRF da 3ª Região e do TRF da 4ª Região, teriam sido proferidas com base em fundamentos constitucionais", diz. Assim, caberia ao Supremo julgar a questão. Procurada pelo Valor, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) não se manifestou. (Valor Econômico)

 
MP que extingue 10% do FGTS está pronta
O governo tem pronta uma medida provisória (MP) que acaba com o adicional de 10% na multa do FGTS, informou ontem o secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues. A medida poderá abrir um espaço da ordem de R$ 6,1 bilhões no teto de gastos do ano que vem, dado que essa receita gera também uma despesa para o governo, o que, no “Novo Regime Fiscal”, ocupa o espaço de outros gastos. “É uma MP bem simples, que acaba com os 10%", disse o secretário. O adicional, na visão dele, já cumpriu sua função e hoje onera o empregador. “Traz um efeito não desejável no mercado de trabalho”, afirmou. “Estamos estudando a melhor forma de implementá-la. [Ela] É neutra do ponto de vista do resultado primário”, comentou. O governo prepara uma série de medidas destinadas a reduzir despesas e com isso abrir espaço sob o teto para os gastos de 2020. (Valor Econômico)

Porto Alegre, 14 de outubro de 2019                                              Ano 13 - N° 3.086

   Leite/Europa

A produção de leite na Europa Ocidental continua o declínio sazonal, estando, agora, bem abaixo do pico da primavera. A boa notícia é que os dois maiores países produtores, Alemanha e França, na última semana, apresentaram resultados melhores do que o verificado no mesmo período do ano passado. Em um ano tão irregular, a expectativa é de que o último trimestre do ano consiga reverter as taxas de produção negativas apresentadas no primeiro semestre. A Comissão Europeia projeta crescimento de 0,5% no volume de leite da União Europeia em 2019, em relação ao ano passado. 

Recente incêndio em uma fábrica de produtos químicos na região da Normandia, França, provocou a suspensão da coleta de leite de várias fazendas, e está sendo avaliado o impacto que pode ter causado no abastecimento de água e na produção de alimentos da região.
 
 
 
A demanda por queijos para clientes europeus e exportação continua muito boa. Os estoques de queijos para cura estão abaixo do que é considerado um nível ideal, pois estão sendo utilizados para atender os contratos já firmados. Os fabricantes procuram manter os bons clientes na UE, e atender os crescentes pedidos de exportação.  

É importante manter a posição da Europa Ocidental como um exportador comprometido em cumprir contratos assinados. Pedidos para novas compras não estão sendo aceitos. O esforço dos fabricantes para cumprir as obrigações já assumidas, ajuda a manter os preços firmes.

No Leste Europeu, a Lituânia reduziu tanto o preço ao produtor inviabilizando a continuidade de algumas pequenas e médias fazendas leiteiras. A seca reduziu a disponibilidade de alimentos e o que existe é muito caro. Assim, muitos produtores venderam vacas para arrecadar dinheiro e também reduzir o custo com a compra de alimentos para os animais. Muitas vacas foram vendidas para produtores de leite poloneses, país onde registrou, recentemente, aumento consistente da produção de leite. O rebanho leiteiro da Polônia vem crescendo. (Usda – Tradução Livre: Terra Viva)

Produção/AR 

Um boletim do Observatório da Cadeia Láctea da Argentina (OCLA) destacou que nos últimos anos o processo de concentração da produção em unidades maiores é contínuo e ficou mais acelerado.
 
Segundo o OCLA, as fazendas que produzem menos de 2.000 litros diários de leite, que representam 50,7% das unidades produtivas, fornecem somente 16% do leite total, e no outro extremo, as fazendas com mais de 10.000 litros diários, que correspondem a apenas 4% das unidades produtoras, entregam 23,4% do leite.
 
 
 
As 410 fazendas do estrato de mais de 10.000 litros que produzem em média 17.747 litros diários, são responsáveis pela mesma quantidade de leite de 6.133 propriedades menores que produzem menos de 3.000 litros diários (2.829 menos de 1.000 litros; 2.389 entre 1.001 e 2.000 litros; e 915 entre 2.001 e 3.000 litros, diários).

Tamanho (litros de produção diária) não é sinônimo de produtividade e eficiência – lembra o boletim – mas, podemos observar que a escala de produção permitirá conseguir faturamento líquido total que atendam às necessidades empresariais.

“Uma fazenda com 1.500 litros diários, ou seja, 45.000 litros mensais, que tenha um faturamento líquido de 2 pesos por litro de leite, consegue uma renda mensal de 90.000 pesos mensais, valor similar ao salário bruto de um empregado semi-qualificado de uma indústria”, comparou o boletim. (Campo Litoral – Tradução livre: Terra Viva)

Exportações/UR 

O Brasil foi o principal comprador de lácteos do Uruguai em setembro, desbancando a Argélia que liderou a demanda em agosto. 

Os pedidos de exportação para o Brasil totalizaram 5.115 toneladas, representando 29% do total. Em valor foram US$ 14,5 milhões.

Em segundo lugar (subindo em relação ao ranking de agosto) ficou a Rússia, que comprou 3.364 toneladas por US$ 13,9 milhões.

A Argélia caiu para o terceiro lugar, com 2.025 toneladas de produtos a US$ 6,5 milhões.

No quarto posto ficou a China, comprando 1.520 toneladas de lácteos, que custaram US$ 4,6 milhões.

A Argélia continua na liderança no acumulado do ano
A Argélia mantém o posto principal na compra de lácteos uruguaios. No acumulado, de janeiro a setembro, receberam 24% das exportações do Uruguai, que somaram 39.269,6 toneladas, gerando US$ 123,3 milhões em divisas.

Em segundo lugar, muito perto, vem o Brasil que representa 23% de participação do mercado. Compraram 37.684 toneladas por US$ 111,5 milhões.

No terceiro lugar encontra-se a Rússia (12% de participação) com 20.200 toneladas ao custo de US$ 77,3 milhões. Depois vem Cuba com 9.347 toneladas, e gastos de US$ 28,7 milhões

A China fica em quinto lugar em volume com envio de 9.266 toneladas, no valor de US$ 22,6 milhões.

Em comparação com 2018, o destaque vai para o crescimento das compras pela Rússia. As exportações para esse destino subiram 79% em volume e 70% em valores. (ON24 – Tradução livre: Terra Viva)

 
 
Kantar: lácteos se destacam nas lancheiras das crianças
Segundo estudo da Kantar, cereais matinais, bebidas lácteas e iogurtes foram as categorias que mais se destacaram nas lancheiras entre julho de 2018 e junho de 2019, representando 24,5% de importância do consumo. A escolha está ligada à necessidade de saudabilidade em pelo menos 41% das ocasiões de compras feitas semanalmente para crianças de até 12 anos, e aumentou em comparação com o período de julho de 2017 a junho de 2018, quando representou 37%. A pesquisa foi feita nas regiões metropolitanas da Grande São Paulo, Grande Rio de Janeiro, Grande Fortaleza e Grande Curitiba, bem como nas cidades de Recife, Salvador e Porto Alegre. (As informações são da Kantar)

Porto Alegre, 11 de outubro de 2019                                              Ano 13 - N° 3.085

   Projeto aprovado e que exige validade mínima adiciona restrições a importadores de leite em pó

Por unanimidade, na última quarta-feira (09) foi aprovada uma proposta que determina que importadores de alimentos disponibilizem no mercado apenas produtos que estejam com 70% do tempo de prateleira (intervalo entre a data de fabricação e a data de validade).

Em média o leite em pó desnatado tem prazo de validade de 3 anos e o integral de 1,5 ano. Ou seja, pelo projeto, esses produtos só poderiam ser comercializados no Brasil (internalizados) se tiverem prazo de validade de 2,1 anos, no caso do desnatado, e de pouco mais de um ano, no caso do integral.

A medida tem como objetivo trazer mais segurança alimentar a quem consome leite em pó, além de privilegiar a produção do alimento pelo mercado brasileiro. O PL 952/2019 passou pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR) e segue para apreciação na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC).

O autor da proposta, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás, deputado Zé Mário (DEM-GO), explica que a exigência da validade mínima vai coibir possíveis práticas desleais por importadores que colocam o produto no mercado brasileiro próximo do vencimento com preços bem mais baixos.

“Vamos colocar regras claras na importação de leite em pó no Brasil. Muitos países têm altos estoques de leite em pó e esse produto, por estar por vencer, derruba os preços quase que praticando ´preço de banana’, como a gente diz no jargão popular”. Segundo Zé Mário, o leite em pó importado entra no mercado dessa forma fazendo com que muitas vezes os preços pagos ao leite nacional caiam de forma abrupta. 

De acordo com o projeto, o Poder Executivo deverá criar normas alfandegárias específicas para garantir a fiscalização e a inspeção dos produtos. (As informações são da FAEG - Federação de Agricultura do Estado de Goiás, resumidas pela Equipe MilkPoint)

Produtores de leite debatem sobre a adequação às INs em Nova Prata
 
Mais de mil pessoas, de diferentes municípios, entre produtores de leite, técnicos e entidades estiveram reunidos nas comunidades de Santa Líbera e Campestre, em Nova Prata (RS), afim de debater sobre novas alternativas e tecnologias para tornar a bovinocultura de leite mais rentável e sustentável. O evento foi promovido pela Emater/RS-Ascar, com o apoio do Sindicato da Indústria de Laticínios do RS (Sindilat), nesta quarta-feira (09/10) das 8h30 às 17h, e contou diversas palestras.

Sobre a qualidade do leite, a Cooperativa Santa Clara, empresa associada ao Sindilat, citou a implementação das Normativas do Leite (INs) 76 e 77 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que estão em vigor desde 30 de maio. As INs visam a melhora do produto, alterando a forma de produção, coleta e armazenagem do leite cru. De acordo com o secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, iniciativas como essa aproximam o produtor da indústria. "É importante que a cadeia produtiva permaneça unida em busca da qualidade do leite, só assim conseguiremos estar aptos à exportação de lácteos", disse.

Para Tiago Frizzon, produtor de leite no município de Cotiporã, é preciso buscar tecnologias para incrementar a produção e conseguir manter-se na atividade. “A irrigação é algo cada vez mais importante. As estiagens estão tirando nosso potencial produtivo. Então é bom termos uma noção melhor disso, porque o custo benefício da irrigação é bom".

O engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar de Nova Prata, João Carlos Reginato, salientou que os produtores não têm controle sobre o preço, mas, da porteira para dentro da propriedade, podem trabalhar para que os animais produzam e rendam mais. "Os produtores precisam se adequar às INs 76 e 77, que tratam da qualidade do leite e que não são excludentes, mas um exercício de proteção do consumidor", afirmou Reginato. (Assessoria de Imprensa Sindilat)


Crédito: Rejane Paludo/Emater/RS-Ascar 

Leite/América do Sul 

De um modo geral, com a chegada da primavera, o nível de produção de leite nas fazendas continua aumentando nas principais bacias leiteiras da América do Sul. No Brasil, as chuvas estão melhorando a qualidade das pastagens nas principais regiões produtores de leite do país.

Enquanto a produção de leite melhora sazonalmente, os preços continuam elevados, principalmente em decorrência da agressiva concorrência por leite entre os diversos processadores.  

Embora o rendimento animal tenha melhorado nas últimas semanas, o volume de leite permanece bem abaixo do adequado para atender todas as indústrias e o mercado doméstico. A expectativa é de que durante a primavera a oferta de leite e creme atenda as necessidades dos processadores.

Na Argentina e no Uruguai, o clima tem sido mais seco do que o normal, o que vem limitando o desenvolvimento de pastagens e plantio de grãos. No entanto, a qualidade e a quantidade de forragens e grãos disponíveis, até o momento, estão adequadas para alimentar o rebanho leiteiro. Portanto, a produção de leite aumentou sazonalmente, mas, um pouco menos em comparação com 2018.  

Ao contrário do Brasil, na Argentina e no Uruguai o preço do leite ao produtor está mais baixo, e em alguns casos, está influenciando na ração fornecida aos animais. Ainda assim, o volume que chega às fábricas é suficiente para atender as necessidades de processamento. A maior parte do leite está sendo destinado ao engarrafamento de leite fluido/UHT, e produção de iogurte, manteiga, queijo e leite condensado. (Usda – Tradução Livre: Terra Viva)

 
Supermercado online
Um novo estudo divulgado pela Kantar ajuda a confirmar que muitos dos estereótipos de gênero propagados por comunicações de diversas marcas estão equivocados: entre os e-shoppers, 47% dos homens fizeram compras de supermercado online, contra 39% das mulheres. Os dados são do eCommerce On, pesquisa realizada globalmente em 14 países, com 16 macrocategorias, analisando mais de 100 mil atos de compras e o comportamento de 27 mil compradores online. Ainda assim, muitas das propagandas de categorias relacionadas à ida ao supermercado são direcionadas ao gênero feminino. De acordo com o AdReaction – Getting Gender Right, outro levantamento realizado pela Kantar, em campanhas de produtos de limpeza da casa, por exemplo, as mulheres representam 89% do target das comunicações, 85% em alimentos e 76% em higiene pessoal. No entanto, 80% dos homens também são decisores dessas compras, junto com 91% das mulheres. Neste caso, a oportunidade é dupla: aumentar o número de mulheres que fazem esse tipo de compras online mostrando uma comunicação mais equilibrada e fugindo de imagens batidas em relação ao gênero feminino, e também entender as barreiras específicas a esse público. A análise realizada pela Kantar aponta que marcas que equilibram a atenção nos dois gêneros impulsionam um valor maior.  Entender os receios e necessidades de cada um dos gêneros no e-commerce também é muito importante. “As marcas precisam agir de forma diferente em cada caso, pois os compradores têm diferentes necessidades e motivações. O que significa entender o perfil de cada um deles e entregar soluções específicas”, afirma Luciana Piedemonte, diretora e líder de commerce da Kantar Brasil. “Temos que colocar o shopper e suas necessidades no centro da estratégia de e-commerce.” (Diário do Comércio/SP)

Porto Alegre, 10 de outubro de 2019                                              Ano 13 - N° 3.084

   Consultas Públicas 

Foram publicadas ontem (09/10) no Diário Oficial da União as portarias que resolvem submeter à Consulta Pública, pelo prazo de 60 (sessenta) dias, a proposta de Instrução Normativa, que estabelece o Regulamento Técnico sobre a identidade e requisitos mínimos de qualidade que deve atender o queijo provolone, a sobremesa láctea, a ricota e o queijo minas padrão.

O Projeto de Instrução Normativa encontra-se disponível na página eletrônica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento: www.agricultura.gov.br.

O objetivo da presente Consulta Pública é permitir a ampla divulgação da proposta de Instrução Normativa, para receber sugestões ou comentários de órgãos, entidades ou pessoas interessadas. As sugestões deverão ser encaminhadas via Sistema de Monitoramento de Atos Normativos - SISMAN, da Secretaria de Defesa Agropecuária - SDA/MAPA, por meio do LINK: https://sistemasweb.agricultura.gov.br/sisman/.

Acesse abaixo as portarias:
PORTARIA Nº 201, DE 4 DE OUTUBRO DE 2019 - Regulamento Técnico sobre a identidade e requisitos mínimos de qualidade que deve atender o queijo minas padrão.

PORTARIA Nº 202, DE 4 DE OUTUBRO DE 2019 - Regulamento Técnico sobre a identidade e requisitos mínimos de qualidade que deve atender o queijo provolone.

PORTARIA Nº 203, DE 4 DE OUTUBRO DE 2019 - Regulamento Técnico sobre a identidade e requisitos mínimos de qualidade que deve atender a sobremesa láctea.

PORTARIA Nº 204, DE 4 DE OUTUBRO DE 2019 - Regulamento Técnico sobre a identidade e requisitos mínimos de qualidade que deve atender a ricota.

(Diário Oficial da União - DOU)

Rabobank: tarifas dos EUA sobre produtos lácteos da UE terão forte impacto

Mary Ledman, estrategista global de laticínios no Rabobank, disse que as tarifas dos EUA sobre produtos lácteos da UE terão um grande impacto. No total, cerca de 107.000 toneladas de laticínios da UE se enquadram nos 65 códigos HTS, sujeitos a tarifas ad valorem adicionais de 25%, a partir de 18 de outubro.

"As importações totais de queijo dos EUA registraram quase 176.000 toneladas em 2018, com os queijos da UE representando 134.000 toneladas", disse Ledman. Os 58 códigos HTS para queijo sujeitos à tarifa adicional representam cerca de 55% (73.000 toneladas) das importações americanas em 2018. Ledman disse ainda que os queijos italianos são os mais vulneráveis, com quase 20.000 toneladas (cerca de 60%) de suas exportações para os EUA em 2018 cobertas pelos códigos HTS e sujeitas a tarifa adicional.

"A Irlanda também sentirá o peso das tarifas adicionais nas exportações de manteiga e queijo para os EUA", disse Ledman. As exportações combinadas de queijo irlandês (20%) e manteiga (80%) para em 2018 totalizaram mais de 35.000 toneladas, e agora estarão sujeitas à tarifa adicional. Até julho de 2019, as exportações irlandesas de manteiga e queijo estão mais de 30% maiores quando comparadas ao ano anterior, provavelmente em antecipação às possíveis tarifas mais altas.

"Quanto mais tempo as tarifas são impostas, maior a erosão do mercado", afirmou Ledman. "No curto prazo, menos de três meses, é esperado um impacto limitado no mercado. As importações de longo prazo e com preços mais altos enfrentarão maior concorrência dos fabricantes nacionais e globais de manteiga e queijo especiais".

Ledman acrescentou que uma sobretaxa de 25% sobre um produto já caro pode fazer com que os clientes escolham um queijo doméstico mais barato ou uma importação não pertencente à UE. Muitos queijos europeus importados são comercializados e distribuídos por empresas de alimentos especiais, que também têm queijos nacionais especializados em suas linhas de produtos.

"Como resultado, é provável que uma tarifa adicional de 25% sobre os queijos europeus reduza sua competitividade no mercado dos EUA, diminua a atividade promocional, incentive os consumidores dos EUA a explorar queijos especiais domésticos mais baratos e forneça uma vantagem competitiva para queijos especiais importados de fora da UE", disse Ledman.

"Coletivamente, os 28 países da UE não podem perder os EUA como um mercado para mais de 73.000 toneladas de queijo, especialmente com a incerteza de um Brexit forte, que colocaria em risco o mercado de queijo de 400.000 toneladas do Reino Unido", finalizou Ledman. (As informações são do Dairy Reporter, traduzidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint)

Argentina: Volta a subir o preço do leite em meio à queda do consumo

O leite, um produto chave na alimentação teve novo aumento de preço, que resultará em nova queda de consumo que, atualmente está em 176 litros por habitante/ano, 41 litros menos do que em 2015. 
 
Especialistas alertam que esse novo aumento de 10% sobre o valor do leite atingirá fortemente o consumo que já está em queda.

Segundo um levantamento feito pela Defesa de Usuários e Consumidores (DEUCO), o preço do leite integral e desnatado de La Sereníssima passou de AR$ 44,20/litro, [R$ 3,14/litro], em agosto deste ano, para AR$ 48,70/litro, [R$ 3,46/litro], neste mês. Ou seja, 10% mais caro. O leite integral enriquecido com ferro, pulou de AR$ 45,60 para AR$ 50; o leite integral com redução de lactose, de AR$ 46,60 para AR$ 51,30, e o leite UHT integral, ou desnatado saiu de AR$ 53/litro, para AR$ 58,20, [R$ 4,14/litro]. Todos com o mesmo percentual de aumento.

O levantamento da DEUCO, tomando como base os dados do Observatório da Cadeia Láctea da Argentina (OCLA), diz que "o consumo de leite por habitante por ano é de 176 litros, ou seja, "menor do que os 217 litros por habitante/ano registrados em 2015, e o consumo de leite é o menor dos últimos 29 anos".

Com este novo aumento, os preços dos derivados acumulam alta de 42,9% entre maio e outubro deste ano. No período, 100 gramas de manteiga, passou de AR$ 49 para AR$ 67,50, [R$ 4,80], (+37,8%), enquanto que 200 gramas pulou de AR$ 83,70 para AR$ 116,40, [R$ 8,28], (39%).

Junto com estes produtos, também aumentaram os preços do doce de leite (400 gramas), passou de AR$ 71 para AR$ 95,40 (34%); creme de leite (200 ml) subiu de AR$ 58 para AR$ 77,50(33,5%); o queijo ralado aumentou 36,5%; a ricota (500 gramas) de AR$ 85 para AR$ 118,30 (39%); o leite em pó deslactosado, de AR$ 211 para AR$ 299,80 (42%); a manteiga light (200 gramas) de AR$ 119,40 para AR$ 166 (39%); o leite em pó (200 gramas), de AR$ 69,60 para AR$ 99,50 (42,9%); e o queijo ralado de AR$ 37,80 para AR$ 51,30 (35,7%).

Os queijos foram os produtos mais atingidos. Os preços subiram entre 10 e 15% dependendo do tipo, e em alguns casos, ultrapassou a barreira dos mil pesos.

Na lista divulgada pela DEUCO o quilo dos queijos mais caros registrados foram do provolone e do reggianito, passando de AR$ 824, em agosto deste ano, para AR$ 948, [R$ 67,45], agora, com 15% de incremento em ambos. O queijo sardo passou de AR$ 782 para AR$ 900 (15%); o queijo cremoso de AR$ 373 para AR$ 410 (10%); o port salut de AR$ 452 para AR$ 497; o pategras de AR$ 710 para AR$ 781 (10%); e o gouda de AR$ 600 para AR$ 659, [R$ 46,89], (10%).

Com base nos dados da OCLA, a entidade comunica que entre janeiro e julho deste ano a venda de produtos lácteos caiu 11,9% em comparação com o mesmo período de 2018. (Portalechero - Tradução livre: Terra Viva)

 
Foco na China
Com uma produção diversificada, a Cooperativa Languiru, com sede em Teutônia, no Vale do Taquari, sabe onde quer chegar em 2020. Com a perspectiva de concluir a duplicação do frigorífico de aves em março, busca acesso ao mercado chinês para o frango. "A China tem melhor remuneração, um adicional de 10%. Vamos nos habilitar para lá", explicou Dirceu Bayer, presidente da cooperativa. Ele foi um dos palestrantes do Tá Na Mesa, evento realizado na Federasul, ao lado de Antônio Luiz Bianchini e José Sozo. A duplicação da unidade de aves, localizada em Westfália, deve se concretizar em março do próximo ano e permitirá à Languiru duplicar a capacidade de abates diários, que hoje é de 110 mil animais. O investimento é de R$ 60 milhões e deve gerar 200 vagas extras, além das mil já existentes na planta. Com indústria de laticínios, frigorífico de suínos, fábrica de ração e supermercados entre suas atividades, a cooperativa deve fechar o ano com faturamento de R$ 1,5 bilhão. O mercado interno é o principal destino - exportações representam 10%. (Zero Hora)

Porto Alegre, 09 de outubro de 2019                                              Ano 13 - N° 3.083

   Nielsen: 33% dos lares brasileiros são propensos a comprar produtos premium

Mais qualidade, performance superior e experiências diferenciadas. Esses são alguns dos atributos que poderiam fazer os produtos premium ganharem a atenção de um em cada três lares brasileiros, que se declararam propensos ao consumo de itens do segmento. O dado faz parte do estudo Valor Além do Preço, elaborado pela Nielsen, que mostra também que esses consumidores que tendem comprar a linha premium permeiam todas as classes sociais.

Este cenário se deve ao fato de as pessoas estarem buscando por produtos com atributos únicos. É importante explicar que ser premium vai além do preço. O estudo observa exatamente este ponto: o consumidor, apesar de atento ao custo, busca por produtos com melhor qualidade, performance superior e que traga vantagens realmente notáveis em relação aos demais disponíveis no mercado. Ou seja, temos gente disposta a desembolsar mais se o benefício justificar o investimento.

A avaliação positiva do segmento esbarra em uma questão estrutural do Brasil: a desigualdade. De acordo com a análise, para avançar por todas as classes sociais, os produtos premium atuam por meio de diferentes estratégias adotadas pelo mercado. Um exemplo disso são as embalagens menores, que consequentemente oferecem um desembolso mais acessível. Isso é fundamental quando o setor busca assertividade entre o mix de classes econômicas, levando em conta que para produtos mais caros é preciso planejar opções de acesso aos diferentes públicos.

 

Os brasileiros que se declararam altamente dispostos a pagar mais por um produto premium levam em consideração os seguintes atributos como fundamentais para a classificação neste segmento: alta qualidade (47%), função ou performance superior (46%), oferece um diferencial – algo que nenhum outro produto tem (41%), ingredientes 100% naturais ou orgânicos (36%), materiais sustentáveis (35%), socialmente responsáveis (31%) e de origem internacional (20%).

Realçamos que essa escolha também está diretamente relacionada com hábitos. Por exemplo, pessoas que compram por maior qualidade costumam procurar informações sobre a composição do produto, enquanto quem busca por itens sustentáveis está ligado a uma postura de responsabilidade ambiental. Além do mais, 78% dos consumidores propensos a premium compram seus produtos de preferência mesmo que não esteja em promoção.

A análise destaca que a possibilidade de consumo de produtos premium passa por todas as categorias. Os brasileiros apresentam um perfil bem diversificado, indicando que 33% estariam dispostos a pagar mais por lácteos, 29% por carnes e peixes desta área. Ou seja, há uma disposição dos consumidores em desembolsar mais por itens frescos e de qualidade. Nas demais categorias, os percentuais são semelhantes: cosmésticos (31%), capilar (28%), cuidado oral (27%), guloseimas (27%), cuidado corporal (26%), desodorante (26%), café/chá (25%) e suco de frutas (24%).

No recorte de contribuição para o crescimento de premium, verifica-se que as massas instantâneas, apesar de não serem classicamente vistas como premium, tiveram maior impacto na área (12,7%). Isso se explica devido ao fato de que o produto reforçou seus atributos e seguiu a tendência de que os consumidores valorizam uma experiência diferenciada. Na sequência vem os iogurtes (11,5%), seguidos por amaciantes (9,3) e sorvetes (7,1%). No caso de amaciantes e sorvetes, são duas categorias que apostam numa configuração diferente de embalagens para atingir diversos públicos.

Segundo o estudo, os lançamentos podem ajudar a alavancar o consumo de premium. Entre os líderes de crescimento de dez categorias deste segmento, 71% é atribuído a novos produtos frente a 22,6% devido à melhora na distribuição. Para os brasileiros, a comunicação clara sobre os benefícios e o bom posicionamento do produto dentro das lojas favorecem a conversão em venda (34%).

Dinâmica dos canais sob a ótica do consumidor
Na análise de comportamento dos lares, identificamos que, com penetração dos propensos a premium 12% acima da média, o Hiper é destaque para esse público, enquanto o canal Cash&Carry (Atacarejo) retrai e tem menor oferta de produtos como este apelo. Já o canal Farma é benchmark no segmento, reforçando a boa experiência do consumidor por meio de uma comunicação clara dos benefícios, com foco em execução no ponto de venda, e opções no mix que permitem o consumo premium nas categorias comercializadas.

O estudo indicou também que 43% dos lares com consumidores online é composto por um perfil mais exigente. Ao experimentarem um produto premium, 47% declarou usar pesquisas como influenciador de compra, 36% por recomendação e 33% devido à publicidade online.

Outro aspecto importante com relação aos canais de compra é que o consumidor premium, com gasto médio 20% mais alto, é estratégico para o e-commerce. Aos que que tendem a gastar com esses itens no digital, 73,4% se disseram impactados por anúncios online e 34,9% gostam de interagir com a marca por meio das redes sociais. (As informações são da Nielsen)

Metodologia de preços

Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) querem melhorar a sistemática de formação de preços do leite no Paraná. 
 
Nesse sentido, pretendem engajar um número maior de cooperativas do Estado na amostragem da pesquisa, conforme discutiram na quarta-feira os estudiosos do centro em reunião com representantes do setor, em Curitiba (PR).

De acordo com informações do Sistema Ocepar, atualmente, em todo o Brasil, os pesquisadores coletam dados de produtores que entregam leite em 55 indústrias e cooperativas. No Paraná, fazem parte da amostra três cooperativas e três empresas, que contribuem com cerca de 30% da produção estadual de leite.
 
A pesquisadora do Cepea, Natália Grigol, informou que o desafio é ampliar a base da pesquisa, que precisa receber os dados discriminados por produtor, conforme a exigência da metodologia. Desta forma, o Cepea terá mais qualidade nos cálculos, com menor assimetria das informações. “Como resultado, vamos gerar dados estratégicos para o setor e contribuir para o processo de coordenação do sistema agroindustrial do leite, que vem ganhando força ano a ano”, ressaltou Natália, no comunicado.
 
A nova metodologia para o cálculo do preço do leite ao produtor é desenvolvida com o apoio financeiro e parceria da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB) e da Viva Lácteos (Associação Brasileira de Laticínios). “Fazemos o acompanhamento do setor lácteo desde 1986, sendo o produto mais antigo monitorado pelo centro de pesquisas. A parceria com a OCB começou no início da década de 2000, evoluindo ano após ano. Em 2016, iniciamos a articulação para implantar a nova metodologia de coleta e cálculo de dados”, relatou Natália.

Participaram da reunião representantes das cooperativas Cativa, Coamig, Frimesa, Witmarsum, Unium (Castrolanda, Frísia e Capal), além do presidente executivo do Sindileite, Wilson Thiesen, do secretário do Conseleite, Guilherme Souza Dias, e dos analistas do Sistema OCB, Fernando Pinheiro, e da Ocepar, Alexandre Amorim Monteiro. (Dinheiro Rural)

 
Oficina vai colher sugestões para a primeira agenda regulatória da Secretaria de Defesa Agropecuária
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) vai realizar em novembro uma oficina para colher sugestões para a elaboração da primeira agenda regulatória da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA). A ideia é ouvir os diferentes setores da sociedade que possam ajudar a identificar quais os temas que precisam ser priorizados no biênio 2020-2021. A oficina será realizada em Brasília, entre os dias 12 e 14 de novembro. Os interessados já podem fazer sua inscrição, gratuitamente, pelo formulário disponível na página do Mapa até o dia 18 de novembro. As vagas são limitadas. A agenda regulatória vai reunir o conjunto de temas estratégicos e prioritários passíveis de regulamentação ou aperfeiçoamento pela SDA. Segundo o coordenador de qualidade regulatória do Ministério, Carlos Fonseca, a agenda regulatória é uma ferramenta de planejamento na área normativa. “Busca fazer com que a sociedade seja envolvida no processo de construção normativa, sendo avisada previamente da lista de temas que vão ser priorizados em um determinado período de tempo”, diz. O instrumento já é utilizado pelas agências reguladoras, mas o Mapa deverá ser pioneiro no poder executivo a implementar essa medida. “No âmbito do Mapa, a SDA está sendo pioneira na implantação dessa iniciativa”, diz Fonseca. De acordo com o cronograma aprovado, a primeira agenda regulatória da SDA deve ser instituída por meio de portaria ministerial, em fevereiro de 2020. (As informações são do Mapa)