
Porto Alegre, 31 de março de 2026 Ano 20 - N° 4.601
Marcas de Quem Decide do Jornal do Comércio destaca associadas ao Sindilat
As indústrias associadas ao Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS) novamente conquistaram posições de destaque na mais recente edição do prêmio Marcas de Quem Decide, promovido pelo Jornal do Comércio. O levantamento, que há quase três décadas certifica as marcas mais lembradas e preferidas no Estado, evidenciou a força do setor lácteo nas categorias Produtos Lácteos e Cooperativas Agrícolas.
Na primeira categoria, a Santa Clara mantém a liderança, com 26,25% de lembrança e 29,20% de preferência. A Elegê aparece como segunda colocada, com 14,50% em lembrança e 17,30% em preferência. A Piá registra 9,50% em lembrança e 9,10% em preferência. Já a Nestlé apresenta 7,75% em lembrança e 9,10% em preferência. Parmalat, com 4,50% em lembrança, e Danone, com 4,00% em preferência, também aparecem no ranking. Na categoria Cooperativas Agrícolas, a Santa Clara figura pela 22ª vez entre os destaques, ocupando a segunda colocação, com 5,25% em lembrança e 9,50% em preferência.
Realizado desde 1999, o Marcas de Quem Decide reconhece as marcas mais presentes na mente e na escolha dos líderes empresariais e gestores públicos. A pesquisa foi conduzida pelo Instituto Pesquisas de Opinião (IPO) e, nesta edição, ouviu 400 pessoas de 47 cidades, que responderam a 172 perguntas. Ao todo, foram citadas 5.080 marcas em lembrança e 4.289 em preferência, distribuídas em 73 categorias, além de três grupos especiais voltados à inovação, sustentabilidade e identidade regional.
A cerimônia de premiação ocorreu no dia 3 de março, no Salão de Atos da PUCRS, em Porto Alegre, reunindo lideranças empresariais e autoridades públicas. Os resultados completos estão publicados na edição especial do Jornal do Comércio desta segunda-feira, 30 de março, que pode ser acessada clicando aqui. (Sindilat/RS)
Preços do leite caem, volume dita ritmo entre Argentina e Uruguai
Ajuste nos preços do leite convive com retração na Argentina e expansão no Uruguai
Os preços do leite no mercado exportador do Cone Sul registraram queda nos períodos analisados, mas o movimento veio acompanhado de estratégias opostas entre Argentina e Uruguai.
Enquanto o mercado argentino contraiu simultaneamente preço, volume e destinos, o Uruguai ampliou fortemente o volume exportado mesmo com preços mais baixos, sinalizando abordagens distintas frente à demanda internacional.
Na Argentina, a primeira metade de fevereiro consolidou um cenário de retração generalizada. O preço médio de exportação caiu para USD 3.423,61 por tonelada, com redução de 3,56% frente ao período anterior . O ajuste foi acompanhado por uma queda acentuada no volume exportado, que totalizou 13.222,21 toneladas, retração de 37,04%. Ao mesmo tempo, o número de destinos caiu de 43 para 29 mercados, evidenciando menor diversificação comercial.
Esse movimento simultâneo indica um ambiente de demanda mais restritiva, onde o ajuste não ocorreu apenas via preço, mas também via redução de presença internacional. Para a indústria, isso implica menor diluição de custos fixos e maior dependência de mercados específicos.
No Uruguai, o comportamento foi distinto. Na primeira metade de março, o preço médio recuou de forma mais intensa, atingindo USD 3.395,99 por tonelada, queda de 11,72% . No entanto, o volume exportado cresceu 66,49%, alcançando 9.309,72 toneladas, enquanto o número de destinos permaneceu estável em 25 mercados.
Esse padrão sugere uma estratégia de ganho de competitividade via preço, com foco em ampliar colocação de produto sem perda de estrutura comercial. A estabilidade nos destinos indica manutenção das relações comerciais, mesmo com ajuste de valores.
Preços por produto – Argentina
Leite em pó integral: USD 3.428,07 (+1,96%)
Leite em pó desnatado: USD 2.978,34 (-24,10%)
Queijo semiduro: USD 3.898,86 (-0,62%)
Queijo duro: USD 6.116,22 (+0,02%)
Manteiga: USD 4.787,30 (-0,02%)
Soro de leite (buttermilk): USD 2.440 (-0,18%)
Permeado de soro: USD 625,79 (-3,58%)
Soro parcialmente desmineralizado (D40%): USD 1.200,08 (-4,95%)
WPC 35%: USD 2.637,42 (-10,36%)
WPC 80%: USD 7.220,12 (-0,76%)
Preços por produto – Uruguai
Leite em pó integral: USD 3.347,30 (-5,35%)
Leite em pó desnatado: USD 3.093,46 (+3,80%)
Queijo semiduro: USD 4.367,06 (+2,00%)
Queijo duro: USD 5.907,86 (+11,70%)
Manteiga: USD 4.715,34 (-14,94%)
Soro parcialmente desmineralizado (D40%): USD 1.442,51 (+0,99%)
Leitura estratégica
O contraste entre os dois mercados traz sinais relevantes para o tomador de decisão brasileiro.
A Argentina evidencia perda de tração exportadora com menor diversificação, o que pode indicar maior vulnerabilidade a oscilações de demanda. Já o Uruguai mostra capacidade de ajuste comercial, aceitando preços menores para sustentar volume e presença internacional.
Para o Brasil, o cenário sugere um ambiente competitivo mais pressionado em preços, com players regionais adotando estratégias ativas para garantir fluxo de exportação.
A diferença central está na forma como cada país responde à mesma dinâmica de mercado. (As informações são do Edairy News)
Estado dos EUA proíbe lácteos cultivados em laboratório
Os lácteos produzidos em laboratório surgiram como uma inovação disruptiva de alta tecnologia na indústria de alimentos. No entanto, produtores de leite dos Estados Unidos reagiram rapidamente, classificando essas inovações como "leite falso".
Há alguns anos, os lácteos produzidos em laboratório, obtidos por meio de fermentação de precisão ou técnicas de cultivo celular, surgiram como uma inovação disruptiva de alta tecnologia na indústria de alimentos. Startups e investidores de capital de risco posicionaram esses produtos como alternativas sustentáveis e livres de animais ao leite tradicional, gerando grande atenção da mídia. No entanto, produtores de leite dos Estados Unidos reagiram rapidamente, classificando essas inovações como “leite falso”. Agora, esse impulso inicial está encontrando uma barreira legislativa à medida que os estados se movem para proteger seu patrimônio agrícola.
A proibição histórica do Mississippi
O Mississippi se tornou oficialmente o primeiro estado dos Estados Unidos a proibir explicitamente produtos lácteos cultivados por células. Isso ocorreu após a aprovação do projeto de lei HB 1153, que amplia as definições legais de carne, proteína manufaturada, proteína cultivada, proteína de insetos, proteína vegetal e lácteos cultivados por células.
A legislação foi criada para evitar a rotulagem enganosa de produtos lácteos e estabelece requisitos rigorosos de rotulagem e autoridade de fiscalização. O ponto mais relevante é que a lei implementa uma proibição total da fabricação, venda e distribuição de produtos lácteos produzidos em laboratório dentro do estado.
Principais pontos da HB 1153
A lei torna-se vigente em 1º de julho de 2026 e constitui que infratores podem ser multados em US$ 500 por infração por dia, com penalidade máxima de US$ 10.000. O projeto concede autoridade ampliada aos inspetores estaduais para garantir o cumprimento e impedir que o “leite falso” chegue às prateleiras.
Uma tendência mais ampla de protecionismo
Essa medida faz parte de um esforço legislativo maior no Mississippi para regular proteínas alternativas. No ano passado, o estado aprovou a HB 1006, que proibiu a carne cultivada em laboratório (com vigência a partir de 1º de julho de 2025). Ambos os projetos foram patrocinados pelo deputado Bill Pigott, sinalizando um esforço consistente dos legisladores estaduais para priorizar a pecuária e a produção leiteira tradicionais.
O comissário de agricultura do Mississippi, Andy Gipson, tem sido um forte defensor dessas medidas. Durante um recente evento do Dia Nacional da Agricultura, Gipson destacou a importância de “comida de verdade para pessoas de verdade”, enquadrando a proibição como uma vitória da agricultura tradicional sobre alternativas artificiais. “Estamos vivendo em uma época em que tudo parece artificial, e você se pergunta o que é real. Já vimos de tudo, desde grama falsa, como o astroturf, até carne falsa, e agora inventaram o leite produzido em laboratório, ou leite falso. Então hoje estamos especialmente orgulhosos de estar aqui para celebrar a agricultura e promover comida de verdade para pessoas de verdade. Agradeço aos nossos legisladores por fazerem do Mississippi o primeiro estado dos Estados Unidos a proibir o leite falso”, disse.
Implicações para o setor
A decisão do Mississippi estabelece um precedente que outros estados produtores de leite podem seguir. Embora a indústria de lácteos cultivados em laboratório continue inovando globalmente, ela agora enfrenta um cenário regulatório fragmentado nos Estados Unidos, onde proibições em nível estadual podem limitar significativamente o acesso ao mercado.
A Federação Nacional dos Produtores de Leite tem defendido consistentemente que o leite deve vir de um animal com casco. A entidade tem sido uma das principais impulsionadoras do projeto de lei do "orgulho do leite". Essa legislação federal busca obrigar a FDA a aplicar padrões de rotulagem que impeçam alternativas vegetais e cultivadas em laboratório de utilizarem termos como leite, queijo ou iogurte.
À medida que a indústria de lácteos cultivados em laboratório continua inovando globalmente, ela enfrenta um ambiente regulatório cada vez mais fragmentado nos Estados Unidos. Proibições estaduais como a do Mississippi podem limitar significativamente o acesso ao mercado e dificultar o caminho para a comercialização das empresas de proteínas alternativas. (As informações são do Dairy Herd Management, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint)
Jogo Rápido
Endividamento atinge quase 50%
Brasília – Parcela de 49,7% das famílias está endividada com o sistema financeiro. O resultado de janeiro divulgado ontem repete os 49,7% de dezembro de 2025, informou o Banco Central (BC). O pico histórico da série foi atingido em julho de 2022, com 49,9%. Descontadas dívidas imobiliárias, o endividamento passou de 31,2% em dezembro a 31,3% em janeiro. Já o comprometimento de renda das famílias com o Sistema Financeiro Nacional subiu de 29,2% para 29,3%. E enquanto o endividamento afeta metade dos pesquisados, outro levantamento do BC mostrou que a taxa média de juros cobrada pelos bancos subiu para as famílias em fevereiro, com o cartão de crédito rotativo pesando mais no bolso. A modalidade, uma das mais caras do mercado, chegou a 435,9% ao ano (Correio do Povo)