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23/07/2020

Porto Alegre, 23 de julho de 2020                                              Ano 14 - N° 3.269

 Pandemia não afetou a produção mundial de leite, mas comprometeu a demanda

No cenário internacional, os últimos três anos (2017-2019) foram de relativa estabilidade nos preços do leite. A média de US$ 0,35/litro no período, ficou abaixo de 5% do patamar histórico de US$ 0,37/litro (indicador IFCN para o preço internacional do leite ao produtor). Em 2019, a produção mundial deve ter crescido somente 1,4% e ainda se encontra em apuração.

Para 2020, a produção mundial de leite parece não ter efeito direto da pandemia. Mas, estima-se um crescimento baixo, de 0,5%, em razão de fatores diversos. A pandemia afetou a demanda, ainda que em magnitude menor do que se previa. Entretanto, indiretamente a desvalorização das moedas frente ao dólar em vários países tem afetado as importações e tornado alguns países mais competitivos em termos de preços do leite.

No caso do Brasil, em termos históricos (2010 a 2019), os preços do leite têm sido 10% acima do preço médio mundial estimado pelo IFCN. O efeito do câmbio agora mostra uma situação diferente. Em dólar, o preço bruto ao produtor, calculado para junho foi US$ 0,31/litro, uma diferença de 8% a menos em comparação com o indicador do IFCN (US$ 0,34/litro).

Já em reais, a média do Brasil ficou em R$ 1,63/litro e do indicador do IFCN em R$ 1,79/litro. Constata-se ainda que entre 2010 e 2019, houve aumento real do preço bruto do leite da ordem de 2,9% ao ano. A média de dez anos foi R$ 1,39/litro (Figura 1) e a média real projetada para 2020, de acordo com a ponderação dos preços mensais, ficou em R$ 1,57/litro. As duas médias contabilizam uma diferença de R$ 0,18/litro, equivalente a 13% acima da média histórica.

A mistura milho + farelo de soja (70% + 30%) que nos últimos três anos teve um preço médio de R$ 0,88 por kg, ficou 24% mais cara em junho de 2020: R$ 1,09/kg. Esse preço foi puxado pela soja, a R$ 1,61/kg, 25% acima de sua média histórica de R$ 1,29/kg em valores corrigidos. Se, por um lado, houve aumento no custo da mistura, o impacto para o produtor pode ter sido proporcionalmente menor na produção.

Isto porque, na proporção de um quilo para a produção de três litros de leite, a mistura custou R$ 0,36/litro. O valor remanescente do preço bruto recebido pelo leite para pagar os demais custos da atividade ficou em R$ 1,27/litro, acima do valor histórico de R$ 1,10/litro, correspondendo a um ganho para o produtor de 16%.

A indústria está buscando mais matéria prima local. Apesar do período da entressafra e de um pequeno incentivo por parte do preço em junho, as cotações do mercado spot, sinalizaram que a oferta está aquém do volume de leite demandado pela indústria. 

 

Em junho verificaram-se aumentos que chegaram a 46%. Comparativo das variações de preços reais típicos para o mês de junho:

1. Preço bruto ao produtor de R$ 1,63/litro, 18% acima do preço histórico (R$ 1,39/litro);
2. Custo da mistura milho+soja (70%+30%) de R$ 1,09/kg, 24% acima do valor histórico (R$ 0,88/kg);
3. Margem sobre a mistura milho+soja (70+30%) de R$ 1,27/litro, 16% acima do valor histórico (R$ 1,10/litro);
4. Leite UHT no varejo de R$ 3,59, próximo do valor histórico de R$ 3,61/litro;
5. Oferta internacional estagnada, com preços em leve declínio e câmbio desfavorável às importações. (Embrapa Gado de leite)

                 

Conseleite/MG
A diretoria do Conseleite Minas Gerais reunida no dia 22 de julho de 2020, atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I e de acordo com metodologia definida pelo Conseleite Minas Gerais que considera os preços médios e o mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes, aprova e divulga: 

a) os valores de referência finais do leite padrão, maior e menor valor de referência para o produto entregue em Maio/2020 a ser pago em Junho/2020. 

b) os valores de referência finais do leite padrão, maior e menor valor de referência para o produto entregue em Junho/2020 a ser pago em Julho/2020. 

c) os valores de referência projetados do leite padrão, maior e menor valor de referência para o produto entregue em Julho/2020 a ser pago em Agosto/2020.

Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada “Leite Padrão”, se refere ao leite analisado que contém 3,30% de gordura, 3,10% de proteína, 400 mil células somáticas/ml, 100 mil ufc/ml de contagem bacteriana e produção individual diária de até 160 litros/dia. Os valores são posto propriedade incluindo 1,5% de Funrural. (Conseleite/MG)

Vacina contra a tuberculose bovina entrará em testes na Europa 
Os principais testes de vacina contra tuberculose bovina (TBb) do mundo estão programados para começar na Inglaterra e no País de Gales, depois do Governo Britânico ter dado luz verde aos ensaios.

Estes testes vão permitir acelerar o desenvolvimento de uma vacina para bovinos prevista para estar disponível até 2025. Estes são o mais recente e importante marco para erradicar uma doença animal altamente prejudicial, indicou o Governo Londrino.

A tuberculose bovina é um dos desafios para a saúde animal mais difíceis e sem tratamento. Atualmente na Inglaterra e no País de Gales, 40.000 bovinos são abatidos por ano devido à infeção pela TBb.

Mas o Governo lembrou que “uma vacina para bovinos só pode tornar se uma ferramenta poderosa na batalha contra a doença após os testes necessários e as aprovações subsequentes para garantir sua segurança e eficácia”.

Para o Secretário do Meio Ambiente George Eustice “a TB bovina é uma doença lenta e traiçoeira que pode causar um trauma considerável aos agricultores, pois sofrem a perda de animais altamente valorizados e de rebanhos valiosos”.

A diretora veterinária do Reino Unido, Christine Middlemiss, referiu: “A pesquisa inovadora da Agência de Plantas e Saúde  Animal tem sido fundamental no desenvolvimento dessa potencial vacina. Embora não exista uma maneira única de combater esta doença complexa e prejudicial, a vacinação do gado é uma nova ferramenta para enfrentá-la e evitá-la, fornecendo apoio vital às nossas comunidades agrícolas”.

Para James Russell da Associação Veterinária Britânica “estes testes de campo marcam o culminar de anos de investigação e esforços inovadores da comunidade científica veterinária para expandir a gama de ferramentas disponíveis para veterinários e agricultores no combate da tuberculose bovina”. (As informações são do TV Europa)
                

 
 
MAIOR FÁBRICA DO BRASIL
Daoud: Agregar valor ao leite é saída para melhor a rentabilidade do setor
Construção de fábrica que vai processar 2 milhões de litros ao dia no Paraná é esperança para pequenos produtores e na geração de empregos. CLIQUE AQUI para assistir ao vídeo. (Canal Rural)
 
 

 

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