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08/05/2020

  

Porto Alegre, 08 de maio de 2020                                              Ano 14 - N° 3.216

  Cepea: efeitos do coronavírus sobre o setor lácteo podem forçar queda de preço 

Os impactos da pandemia de coronavírus sobre o consumo de lácteos no Brasil são analisados nesta sexta edição de especial temático de “Coronavírus e o Agronegócio”, realizado por pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.
 
De acordo com levantamento do Cepea, após terem registrado demanda intensa em março – e consequente alta de preços naquele mês, quando o coronavírus começou a avançar no Brasil –, as negociações envolvendo derivados lácteos e leite spot se enfraqueceram em abril no mercado brasileiro.
 
Além do atendimento dos serviços de alimentação (importantes canais de distribuição de lácteos) terem sido prejudicados pelo agravamento da pandemia, também houve a diminuição da frequência das compras por parte dos consumidores e a redução da renda de muitas famílias – fatores que impactaram negativamente sobre a demanda de diversos derivados em abril, especialmente os refrigerados (perecíveis), que têm maior valor agregado para as indústrias. Muitas empresas podem se deparar, em poucas semanas, com um cenário de baixo faturamento, o que certamente será transmitido aos produtores em maio.
 
O consumo de queijos foi o mais afetado. Agentes de mercado consultados pelo Cepea relataram muitas dificuldades em assegurar a liquidez durante abril, o que tem desestimulado a produção do derivado. Como consequência, houve o aumento da oferta de leite cru no mercado spot (negociação entre indústrias) em abril – o que pode pressionar as cotações do leite ao produtor em maio. 
 
A queda na receita de pecuaristas leiteiros em maio é atípica por conta do período da entressafra e ocorreria num momento de alta nos custos de produção, o que levaria à diminuição da oferta. Frente às bruscas variações na receita, produtores mais fragilizados, com sistemas menos eficientes, podem aumentar o abate de fêmeas e decidir pela saída da atividade. 
 
Pesquisadores do Cepea alertam, portanto, que o momento é delicado, pois privilegia decisões focadas no curto prazo, o que pode trazer consequências negativas no longo prazo – ainda mais para uma atividade tão complexa como a produção de leite. Clique aqui e confira o relatório completo. (As informações são do Cepea)
                            

Embalagens de leite longa vida ganham explicação sobre o que são as barrinhas coloridas

Para combater a fake news que circula há algum tempo em aplicativos de mensagens e em redes sociais, que diz que a presença de barras coloridas no fundo de embalagens de leite indica que o produto teria sido reprocessado, a fabricante de embalagens Tetra Pak incorporou às suas caixinhas breve explicação sobre o real significado das marcações.

A partir de agora, todas as embalagens de leite produzidas pela companhia serão acompanhadas da seguinte frase: "marcações ou barrinhas coloridas são exclusivamente para controle de qualidade de impressão das embalagens". Por padrão, as caixinhas contêm no fundo as famosas barrinhas para garantir a tonalidade correta das cores ou pequenos círculos pretos ou coloridos em trajetória linear, que garantem o registro de impressão e, portanto, a nitidez da imagem.

"A presença de barrinhas coloridas ou de qualquer marcação no fundo da embalagem não tem qualquer relação com o produto ali dentro. Basicamente, elas ajudam no controle de qualidade de impressão, garantindo que a identidade visual proposta pelo cliente seja reproduzida de forma fidedigna", explica Salvador Marino, diretor da fábrica da Tetra Pak em Monte Mor (SP).

Apesar de serem envasadas somente na fábrica do produtor de alimentos, a fabricação das embalagens acontece dentro das fábricas da Tetra Pak em Monte Mor (SP) e em Ponta Grossa (PR).

 

O envio das embalagens para o cliente não acontece no mesmo formato em que elas são encontradas nas gôndolas dos mercados. Elas saem em bobinas e, já na indústria de alimentos, são introduzidas em máquinas de envase responsáveis por dar forma à embalagem – exatamente do modo como são conhecidas - e por transferir o alimento ou bebida para o seu interior, por fim selando-as.

O processo de impressão: A produção das embalagens cartonadas começa com a impressão da identidade visual do produto em papel-cartão. Na sequência, as camadas de plástico e a de alumínio são integradas à de papel para formar as diferentes camadas da caixinha. Por fim, são cortadas e encaminhadas em bobinas para as indústrias de alimentos, para posterior envase.

As barrinhas coloridas surgem quando a identidade visual do produto é transposta para os rolos de papel. Como em cada rolo são impressas mais de uma embalagem, não há necessidade de imprimir o teste de cores em todas as unidades. Por isso, as impressoras realizam as marcações de forma intercalada, o que também refletirá em fileiras de marcação intercaladas.

Essa mesma sequência se repetirá no momento de envio das embalagens para o fabricante de alimentos e no envase dos produtos. Deste modo, os consumidores conseguem observar que muitas caixas compostas por 12 embalagens de leite longa vida, por exemplo, trazem parte das embalagens com o teste de cores e outra sem a marcação.

Por se tratar de um processo gráfico, barras coloridas podem ser encontradas em embalagens de outros produtos e em diversos materiais impressos. Além disso, tecnicamente é impossível realizar o reprocessamento do leite ou de qualquer alimento ou bebida. Todo fabricante precisa seguir rigorosamente os padrões estabelecidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. (As informações são da Assessoria de Comunicação da Tetra Park)

Selo de produção totalmente a pasto será lançado na Irlanda

A organização irlandesa Bord Bia vai lançar o que alega ser o primeiro padrão nacional de lácteos produzidos a pasto do mundo — o que permitirá que fornecedores e processadores mostrem provas ??de que o leite utilizado em seus produtos veio de vacas criadas a pasto.

"Desenvolvido pela Teagasc — Autoridade Irlandesa para Agricultura e Desenvolvimento Alimentar — o Bord Bia Grass Fed Standard reconheceu a crescente demanda dos consumidores por maior clareza na proveniência de alimentos e bebidas, bem como o desejo de comprar lácteos de sistemas sustentáveis e a pasto", disse a Bord Bia. "Os produtos lácteos irlandeses com o logotipo Grass Fed Standard devem começar a aparecer ainda este ano", acrescentou.

Para se qualificar, o rebanho deve ser alimentado com, no mínimo, 90% de pasto. O leite coletado de vários produtores deve atingir uma média produzida a pasto de 95%.

Com as vacas irlandesas vivendo em média 240 dias por ano em pastagens, o Bord Bia espera que 99% das fazendas atinjam o limite de qualificação do novo padrão.

O desenvolvimento do padrão veio em resposta aos consumidores que se tornam cada vez mais conscientes da qualidade e sabor dos lácteos produzidos a pasto. Uma pesquisa mostrou que os sistemas a pasto influenciaram 50% dos consumidores globalmente em sua escolha de marcas de laticínios, enquanto outros 58% declararam que estariam dispostos a pagar mais por esses produtos.
"Os laticínios da Irlanda sempre estiveram enraizados em um sistema de produção base", disse Mary Morrissey, gerente sênior de laticínios da Bord Bia. "Nossos campos verdes, ar puro e chuva abundante criaram o ambiente perfeito para a pecuária leiteira, que converte o capim em produtos lácteos e ingredientes ricos em nutrientes e de alta qualidade".

A criação do novo padrão permitiria que os produtores de leite irlandeses diferenciassem seus produtos nos mercados de serviços alimentícios e varejo, além de atrair os consumidores "que estão cada vez mais buscando detalhes sobre a narrativa e a proveniência dos produtos que compram", disse a organização.

“Desde o início deste ano, a relação estreita e contínua entre a indústria de laticínios irlandesa e o Reino Unido é evidente, com mais de 1 milhão de libras em exportações chegando às prateleiras do Reino Unido, garantindo a disponibilidade de produtos lácteos. Essa iniciativa fortalece ainda mais esse relacionamento e reforça a confiança que os consumidores britânicos têm nos métodos de produção sustentável e de alta qualidade da Irlanda.” (As informações são do The Grocer, traduzidas pela Equipe MilkPoint)
                            

Muco respiratório? A culpa não é do leite
Existe uma crença entre algumas pessoas de que o consumo de leite ou produtos lácteos aumenta a produção de muco no sistema respiratório. E, por isso, essas pessoas reduzem o consumo ou deixam de consumir leite. Mas, várias pesquisas publicadas não mostram qualquer associação entre consumo de leite e aumento da produção de secreção nasal. Um desses estudos, desenvolvido na Austrália e publicado no "Journal of American College of Nutrition", um dos mais importantes periódicos da área de nutrição humana, mostrou que é a crença que faz com que as pessoas relatem aumento na ocorrência de sintomas respiratórios após o consumo de leite. Para o desenvolvimento da pesquisa, os voluntários foram inoculados com o vírus da gripe, e aqueles que afirmavam que o leite aumentava a ocorrência dos sintomas relataram entupimento nasal, coriza, presença de secreção na garganta, dentre outros, logo após consumirem leite. Mas, o resultado mais interessante é que elas relataram os mesmos sintomas ao tomar uma bebida à base de soja, com sabor idêntico ao do leite, mostrando que é a percepção (não o consumo em si) do consumo do leite que desencadeia os sintomas descritos por aqueles que creem que os lácteos são responsáveis por aumentar seus problemas respiratórios. Segundo os autores, também não houve nenhum tipo de associação entre o consumo de leite e a exacerbação dos quadros de bronquite asmática, uma inflamação crônica do trato respiratório inferior. (Beba mais leite / Journal American College Nutrition / American Review Respiratory Disease / Appetite / Med Hypotheses)
 
 

 

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