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24/04/2020

 

Porto Alegre, 24 de abril de 2020                                              Ano 14 - N° 3.209

  Rabobank: Impactos do Covid-19 no consumidor brasileiro

Perdas em serviços de alimentação terão um enorme impacto em alimentos e bebidas em 2020

Com medidas de distanciamento social em vigor em todo o Brasil, o impacto da pandemia no consumo de alimentos e bebidas será muito significativo no primeiro e segundo trimestres e potencialmente terá impactos duradouros nos níveis de consumo, dependendo do aumento do desemprego e da gravidade do problema.

Enquanto o Rabobank espera uma contração no PIB de cerca de 2% para 2020, outras instituições como o Banco Mundial observam uma queda de 5% na produção econômica, o que levaria o tamanho da economia aos níveis de 2010. O Sebrae, uma agência privada que apoia pequenas e médias empresas, informou que até 600.000 pequenas empresas fecharam de forma permanente ou temporária no início de abril, o que pode significar risco de nove milhões de empregos. Em 26 de março, quase todo o país tinha algumas restrições a restaurantes e bares, que permanecem em vigor em meados de abril.

Consumo de Laticínios: Leite líquido e mussarela ganham com quedas de valor agregado
As empresas estão relatando várias mudanças na dinâmica de vendas após três semanas de quarentena. Por exemplo, as empresas de laticínios tiveram um aumento nos produtos básicos, como mussarela, queijo prato e leite UHT, já que os consumidores aumentaram significativamente suas compras de produtos básicos, antecipando as medidas de isolamento social.

As linhas de produtos mais caras, como iogurtes, sobremesas e queijos importados, caíram acentuadamente nas últimas semanas.
Isso indica que os consumidores estão sendo mais cuidadosos ao fazer suas compras nos pontos de venda, e isso parece estar acontecendo também em outros setores, à medida que os consumidores passam de marcas e categorias mais caras para produtos básicos e alternativas acessíveis.

Por outro lado, as vendas de produtos para pontos de venda de alimentos caíram entre 70% e 90%, de acordo com empresas entrevistadas pelo Rabobank, já que os restaurantes limitam a maior parte de seus negócios a entregas e limitam seus estoques ao mínimo.

As importações de laticínios caíram 30% até agora em 2020, enquanto as exportações avançaram 16%, em parte como consequência de um dólar mais forte. Um déficit comercial menor ajudará a equilibrar a demanda doméstica mais lenta de produtos lácteos e proporcionará alguma estabilidade ao setor.

Perspectivas para o consumidor brasileiro em 2020
Os consumidores brasileiros estão enfrentando níveis de estresse sem precedentes em abril de 2020, com um rápido declínio na renda, maior desemprego e medo de o Covid-19 moldando seu comportamento de gastos.

O primeiro ponto-chave do projeto é quando a economia será reaberta e se os consumidores começarão a se comportar da mesma maneira que antes de março. Por enquanto, o cenário de base é uma forte contração no segundo trimestre, seguida por um retorno ao crescimento no terceiro e quarto trimestres que permitirá recuperar o consumo na maioria dos setores-chave.

No entanto, essa projeção pode mudar rapidamente. Primeiro, porque os problemas de saúde ainda não foram resolvidos, e segundo, porque é improvável que os consumidores saiam e gastem em locais de serviços de alimentação da mesma maneira, desde que haja casos de vírus presentes e nenhuma vacina ou tratamentos comprovados.

A cerveja e as bebidas alcoólicas provavelmente serão as mais afetadas pela contração do serviço de alimentação. Mas outros setores, como a proteína animal, também serão impactados.

Uma das lições da recessão de 2015-16 foi que os consumidores trocaram para alternativas mais acessíveis. Isso poderia beneficiar aves sobre carne bovina, cerveja local versus marcas importadas e queijo doméstico versus importado.

Plataformas de entrega, como Rappi e iFood, são vencedores claros dessa crise e aumentarão ainda mais sua participação nas vendas de alimentos e bebidas como canal. É provável que seja um ganho permanente, pois os consumidores provavelmente estarão menos dispostos a sair para lugares públicos, mesmo quando o pior da epidemia terminar.

Os restaurantes precisarão se adaptar a uma nova realidade, na qual as entregas representam uma parcela ainda maior de suas vendas gerais. Também são prováveis mais investimentos em cozinhas especializadas para entregas. Enquanto o congresso brasileiro já aprovou uma medida de apoio de R $ 600/mês por três meses para trabalhadores sem emprego formal, que é cerca de 60% do salário mínimo mensal, muitos consumidores cortam as compras ao essencial absoluto, independentemente de terem salários formais ou não.

As empresas precisarão se adaptar continuamente a um cenário de consumidores em rápida mudança no Brasil, sem nenhuma indicação clara ainda de quando a vida voltará a algo próximo do normal para a maioria. As vendas online estão prosperando e acelerarão o crescimento do comércio eletrônico em 2020. As empresas que investiram em plataformas e distribuição direta surgirão mais fortes.

Apesar de um difícil futuro pela frente em 2020, os gastos do consumidor podem começar a se recuperar gradualmente no segundo semestre e até 2021, desde que os problemas de saúde se tornem mais controlados. No entanto, se o desemprego aumentar significativamente, a recuperação poderá ser muito lenta e gradual, como ocorreu após a recessão de 2015-2016, quando os gastos do consumidor tiveram um período prolongado de queda, mesmo após o final da crise econômica. (Rabobank, traduzida pela Equipe MilkPoint)

                   
CCGL distribui R$ 9 milhões entre seus associados 
Assim como os profissionais da saúde, os trabalhadores rurais não podem parar durante a pandemia da Covid-19. Por isso, a partir desta quinta-feira (23/04), a Cooperativa Central Gaúcha (CCGL) distribuirá aos produtores associados, aqueles que entregaram a matéria-prima em 2019 e que estão ativos no sistema da empresa, cerca de R$ 9 milhões como bonificação de participação nos resultados da industrialização e comercialização. 

O valor é significativo e chega em um momento importante, o de estabelecer as pastagens de inverno nas propriedades, de acordo com o gerente de suprimento de leite da CCGL Jair da Silva Mello. Além disso, a quantia deve auxiliar nas finanças das famílias nesse momento de crise e de estiagem. (Imprensa Sindilat com informações da CCGL)

Último dia para vacinação
Depois de prorrogar por 10 dias, em razão das restrições de circulação por conta do coronavírus, a Secretaria da Agricultura afirma que não ocorrerá nova ampliação de prazo. Isso faz de hoje o último dia para imunizar os 12,6 milhões de bovinos e bubalinos do Rio Grande do Sul contra a febre aftosa.

A comunicação oficial da aplicação de doses tem um pouco mais de tempo: pode ser feita até o dia 30. Somente depois dessa data é que será possível aferir com exatidão o percentual atingido nesta que pode ser a última campanha de vacinação no território gaúcho. O Estado encaminhará em maio solicitação para progressão de status sanitário, para livre da doença sem imunização.

- A partir de maio, não pode mais haver a comercialização de vacina. Eventuais estoques ficam lacrados. E, se houver troca do produto com o laboratório, precisa ser acompanhada por fiscais agropecuários - esclarece Rosane Collares, chefe da Divisão de Defesa Sanitária Animal da secretaria da Agricultura. (Zero Hora)

SC: estiagem se agrava e produção de leite já diminui 12% em Concórdia
O início do mês até foi animador, mas a segunda quinzena não manteve o ritmo e a estiagem volta a se agravar em Concórdia. Dados do nível dos rios do município comprovam a gravidade. Conforme boletim da Epagri Ciram, emitido nesta quinta-feira, dia 23, três pontos preocupam: o Montante da barragem, em São Cristóvão, e a Foz do Rio Claudino, estão na classificação de emergência para estiagem. A rua Vitório Celant está em alerta.

Isso é reflexo direto da baixa quantidade de chuva que permanece em Concórdia. A chuva de abril se concentrou apenas na primeira quinzena do mês, e ainda assim com quantidade abaixo do normal. Foram 76 milímetros neste período, que é também o total de precipitação registrado até agora em Concórdia em abril. Ou seja, na segunda quinzena não teve chuva, conforme dados da estação meteorológica Embrapa Suínos e Aves.

Diante desse quadro de escassez, o interior do município é quem mais sofre. Como a reportagem da emissora já vem informando, as perdas são grandes nas pastagens e lavoura de milho. Há problemas também na dessedentação de animais. Mas o que mais vem preocupando é na produção de carne e leite. Só no leite, conforme o secretário de agricultura, Mauro Martini, houve uma diminuição de 12% na capacidade de produção. E isso indica que a crise vai demorar a ser superada.

A estiagem, que se prolonga desde o fim do ano passado, faz com que as propriedades sofram também com a falta de água. Por isso, a prefeitura de Concórdia tem realizado transportes de cargas de água diariamente, tanto para consumo humano, quanto para animal. Quando chove, a situação ameniza. Mas como a quantidade é sempre baixa, o quadro grave retorna. Atualmente, são cerca de 16 cargas por dia para diversas localidades, o que totaliza quase 200 mil litros de água diariamente.

Abastecimento pode ficar comprometido em breve: A boa notícia é que mesmo com essa severa estiagem, o abastecimento de água em Concórdia ainda não foi comprometido. Conforme a Casan, os sistemas de captação seguem trabalhando normalmente por enquanto, mas para que não haja racionamento em algumas semanas, a orientação é o uso estritamente necessário desde já. O engenheiro agrônomo Ronaldo Coutinho do Prado destaca a falta de chuva e os riscos de queimadas neste período.

“Nesta sexta, fim de semana, segunda e terça continua fresquinho de manhã, calor à tarde, passando dos 30ºC, e com tempo seco, umidade baixa e sem chuva. Muito cuidado com fogo. Evitar a queimada de lixo e quando for queimar, cuidado. E evitar jogar cigarro na estrada. E muita economia de água. Até o final do mês não está indicando chuva na região. De chuva, pelo visto, só em maio”, alerta ele.

E a perspectiva não é nada animadora para a região. A previsão do tempo da Epagri/Ciram continua indicando que, mesmo com uma indicação de chuva para o início de maio, o mês como um todo será seco, como já vem ocorrendo desde o início do ano. Ou seja, o quadro de estiagem vai permanecer por mais semanas e deve se agravar ainda mais.

Uma das piores estiagem da história de SC: Esta situação, no entanto, não fica restrita ao oeste. A falta de chuva traz prejuízos para o meio rural e preocupa todo o setor produtivo de Santa Catarina. Desde junho de 2019, o estado vem passando pela estiagem que já é considerada a mais severa dos últimos anos e que vem afetando, principalmente, as regiões Extremo Oeste, Oeste, Meio Oeste, Planalto Sul, Planalto Norte e Alto Vale do Itajaí. Situações semelhantes aconteceram apenas em 1978 e 2006. 

A falta de chuvas deverá causar a redução de 10% na produção catarinense de milho. O feijão foi uma das culturas mais afetadas pela falta de chuvas, em alguns municípios do Meio Oeste as perdas chegam a 60%. No total, o estado deve ter uma quebra de 7% na produção em relação à safra passada.

Conforme dados da secretaria de agricultura, na segunda-feira (20), a Epagri/Ciram chegou a ter 27 estações em situação de estiagem - o resultado mais crítico já monitorada pelo Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina (Epagri/Ciram) desde 2013. Esta é uma das estiagens mais severas já registrada em Santa Catarina desde 1978.

O pesquisador da área de hidrologia e coordenador da Sala de Situação ANA/Epagri/Ciram, Guilherme Xavier de Miranda Junior, explica que essa situação tem afetado diretamente a disponibilidade de água para a agricultura catarinense. “A estiagem do ano passado foi severa, mas não foi tão abrangente como está acontecendo este ano. Isso vem acumulando desde junho de 2019, com uma falta de chuva em algumas regiões na ordem de 600 mm”.

Nesta quarta-feira (22), a Secretaria de Estado da Agricultura e a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) reuniram, via videoconferência, lideranças do setor produtivo e técnico para apresentar a situação atual do agronegócio catarinense e a previsão meteorológica para os próximos dias. Os produtores rurais de Santa Catarina contam com três novas medidas para minimizar os impactos da estiagem no estado. A intenção da Secretaria da Agricultura é injetar R$ 60 milhões na economia catarinense. (Rádio Rural)

                    
Emergência
Em boletim divulgado ontem, a Defesa Civil atualizou os municípios do Estado em situação de emergência por conta da estiagem. São 192 reconhecidos pela União e 206 homologados pelo Estado. A condição é pré-requisito para que produtores possam ter acesso às renegociações de financiamentos por perdas decorrentes da falta de chuva. (Zero Hora)
 
 

 

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