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17/04/2020

Porto Alegre, 17 de abril de 2020                                              Ano 14 - N° 3.205

  Produção/AR

A Fundação para a Promoção e Desenvolvimento da Cadeia Láctea Argentina (FunPEL) alertou que na próxima primavera poderá reunir condições que provoquem uma sobre-oferta de leite no mercado local.
A produção de leite no primeiro trimestre de 2020 cresceu 9% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o Observatório da Cadeia Láctea Argentina (Ocla). 
Se for mantida essa tendência de produção, a oferta projetada de leite para 2020 seria de 10.780 milhões de litros, o que representaria crescimento de 4,2% em relação a 2019. 
Com esses valores, teríamos 437 milhões de litros adicionais no ano de 2020 (1,2 milhões de litros de leite a mais, por dia).
A questão é que 2020 começou com um estoque de lácteos 12,9% superior em relação ao começo de 2019, que em cifras absolutas representa um volume adicional de 103 milhões de litros de equivalente leite, o que, em sua maior parte, corresponde a queijos curados ou semi-curados. 
As exportações, que começaram bem o ano, crescendo 18% em volume no primeiro trimestre e 34% em valores, também em relação ao mesmo período de 2019, em março começaram a cair, pelo efeito combinado da queda do preço do petróleo (muitos dos grandes compradores de lácteos são exportadores de óleo cru) e a desaceleração econômica promovida pela pandemia do Covid-19.  
Se for mantido o mesmo consumo interno do ano passado (182 litros/habitante/ano), em 2020, o saldo exportável aumentaria para 563 milhões de litros, o que obrigaria a incrementar as vendas externas de lácteos para evitar que uma eventual sobre-oferta de leite impacte negativamente no preço ao produtor.
 

“A FunPEL irá acompanhar, quinzenalmente, estas variáveis para antecipar ações coletivas na cadeia que permitam mitigar possíveis impactos negativos”, assegurou a entidade integrada por entidades de produção, da indústria de laticínios, do INTA e INTI.
 
Enquanto no primeiro quadrimestre de 2018 o valor médio ficou na faixa de US$ 0,29 a US$ 0,30 por litro devido, fundamentalmente, à defasagem cambial, logo depois com a desvalorização abrupta do peso argentino, os preços foram destruídos para chegar ao mínimo de US$ 0,20/litro em setembro de 2018. 
No começo do ano passado a queda na renda, agravada com eventos climáticos adversos em algumas bacias leiteiras, promoveu uma aceleração do processo de fechamento de fazendas leiteiras e queda nos rebanhos leiteiros, o que acabou provocando diminuição da oferta disponível do leite, gerando uma concorrência intensa entre as indústrias de laticínios que – combinada com uma nova defasagem cambial – elevou os valores recebidos pelos produtores, até alcançar o máximo de US$ 0,36/litro em julho de 2019. 
A forte desvalorização do peso registrada em agosto de 2019, junto com uma recuperação na produção de leite, interrompeu a tendência altista do preço do leite, ainda que o mesmo se mantenha, até o momento, valores atrativos para a maior parte das fazendas leiteiras. 
O preço médio ponderado do leite na Argentina no mês de março foi de AR$ 17,84/litro, [R$ 1,41/litro], segundo dados informados pela Departamento Nacional do Leite a partir do levantamento realizado com 351 indústrias de laticínios. Trata-se de um valor equivalente a 2,13 quilos de milho em Rosário, considerado o preço médio do cereal no mês de março de 2020. (Ocla) 
                   
Covid-19 afeta a gestão nas fazendas de leite
Saiba quais são as três medidas para enfrentar esse momento, de acordo com o economista Glauco Carvalho, da Embrapa

 
O preço do litro de leite pago ao produtor já chegou a R$ 1,40, ante cotações de até R$ 1,70 no início de março, em algumas regiões produtoras. A informação foi dada pelo pesquisador da Embrapa Gado de Leite, em Juiz de Fora (MG), Glauco Carvalho, doutor em economia agrícola pela Texas A&M University. “Nestes dias, a média está em R$ 1,55/R$ 1,56, por litro”, afirma Carvalho. “O consumo de lácteos tem a ver com a renda da população e a pandemia do novo coronavírus é algo desconhecido, sem parâmetro.”

Carvalho destaca que no ano passado o produtor de leite atravessou o primeiro semestre recebendo um preço melhor, na comparação com 2018. Mas o segundo semestre de 2019 foi mais tímido. “Agora, neste primeiro trimestre de 2020, o preço caiu 1%”, afirma ele. “E com uma relação de troca menos favorável, por conta do custo da produção puxado pelo milho.”

Com as medidas de restrição social, o mercado consumidor de lácteos vem passando por três ondas. A primeira foi a do pânico, com o consumidor indo às compras para estocar alimentos. Isso fez o preço do leite UHT subir no varejo. A segunda onda está em curso, com o consumidor comprando apenas o necessário e desacelerando os preços finais. Para Carvalho, a terceira onda é a mais preocupante, porque ela se caracteriza pela certeza de que haverá perda de renda. “É algo nocivo não apenas para a cadeia do leite, mas para todos os setores da economia”, diz ele.

Planejamento de negócios: O Brasil produz, por ano, cerca de 35 bilhões de litros de leite, dos quais 10 bilhões não têm inspeção sanitária. Do total inspecionado, as cinco principais empresas do setor captam 30%. Entre elas estão Nestlé, Lactalis e Bela Vista. Do total processado, um terço vai para o processamento de queijos e o restante para o leite fluído, entre pasteurizado e UHT. 

Para o pesquisador da Embrapa, está na hora do produtor de leite tomar decisões que podem interferir em seu negócio no próximo período. “Hoje, é preciso baratear a dieta dos animais”, afirma. Carvalho dá algumas sugestões. A primeira delas é analisar alimentos que possam ser substitutos do milho na dieta das vacas, como o DDG (cooproduto do etanol de milho), caroços, cascas, entre outros.

A segunda medida é analisar o estoque de vacas e o descarte de animais menos produtivos. E tentar gerar caixa sem quebrar a produção futura, ou mesmo aumentar lá na frente, com o descarte de novilhas e bezerras que poderiam ser incorporadas à produção. Nesse ponto, o economista da Embrapa chama a atenção porque nesse descarte é preciso avaliar uma possível retomada da produção. “Se a estratégia no volume de descartes não for equilibrada, o produtor pode levar até 4 anos para recompor o rebanho e isso não é bom”, afirma ele. 

A terceira medida é manter o diálogo aberto com o laticínio ou cooperativa. “Estar perto da indústria, nesse momento, é importante para monitorar a rentabilidade e tomar decisões”, diz Carvalho. Ele dá como exemplo algum tipo de ajuda, como financiamentos, levantamento de caixa e até compras de insumos. (Portal DBO)

 
 

SP: Nestlé realiza live com especialistas para tirar dúvidas dos produtores leiteiros
Em linha com as iniciativas realizadas junto aos produtores da cadeia de leite, a Nestlé promove, nesta-sexta-feira (17), a  Live do Leite. O webinar trará especialistas para falar sobre tendências e perspectivas sobre insumos para alimentação animal e ajudar o produtor no processo de decisão no atual cenário.

"Com a live, queremos trazer alternativas e perspectivas para as principais commodities utilizadas na alimentação animal, como milho e soja e, dessa forma, ajudar o produtor a definir a melhor estratégia para manter o equilíbrio financeiro da fazenda", reforça a gerente de Desenvolvimento de Fornecedor e Qualidade da Nestlé, Barbara Sollero.

A live acontece na sexta feira, 17 de abril, a partir das 19h (Horário de Brasília). As inscrições devem ser feitas neste link. . Após a inscrição, será enviado um e-mail de confirmação contendo informações sobre como entrar no webinar.

Participam do webinar Conrado Zanon, consultor e empresário, especialista em gestão de risco em commodities; Sílvio Póvoa, engenheiro agrônomo especializado em gestão comercial, suprimentos e trading, no mercado de grãos; e Olavo Carvalho, médico veterinário especialista em estratégias nutricionais. A iniciativa é promovida pela Nestlé em parceria com a Germinare, consultoria especializada no agronegócio.

Sobre a Nestlé: É a maior empresa de alimentos e bebidas do mundo. Está presente em 190 países e seus 308 mil colaboradores estão comprometidos com o propósito da Nestlé de melhorar a qualidade de vida e contribuir para um futuro mais saudável. A Nestlé oferece um amplo portfólio de produtos e serviços para cada etapa de vida das pessoas e de seus animais de estimação. Suas mais de 2000 marcas variam dos ícones globais, como Nescafé ou Nespresso aos favoritos locais como Ninho. O desempenho da empresa é impulsionado por sua estratégia de Nutrição, Saúde e Bem-Estar. Sua Sede fica na cidade suíça de Vevey, onde foi fundada há mais de 150 anos. No Brasil, instalou a primeira fábrica em 1921, na cidade paulista de Araras, para a produção do leite condensado Milkmaid, que mais tarde seria conhecido como Leite Moça. A empresa tem unidades industriais localizadas nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Goiás, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Espírito Santo. Emprega 32 mil colaboradores diretos e gera outros 200 mil empregos indiretos. (Página Rural)

 
 
Governo Trump propõe compra direta de leite e carne nos EUA
O governo Trump gostaria de fazer compras de leite e produtos à base de carne como parte de um pacote de ajuda inicial de US$ 15,5 bilhões a agricultores sacudidos pelo coronavírus, disse o secretário de Agricultura, Sonny Perdue.
 
Em entrevista à Fox Business na quarta-feira, Perdue disse que também quer incluir assistência financeira direta aos agricultores no resgate, que pode ser anunciado ainda nesta semana. 
“Queremos comprar o máximo desse leite, ou outros produtos proteicos, presuntos e suínos, e movê-los para onde possam ser utilizados em nossos bancos de alimentos, ou possivelmente até para ajuda humanitária internacional”, disse Perdue. 
O fechamento de restaurantes, lanchonetes escolares e outras operações comerciais de serviços alimentícios aumentou o mercado de produtos agrícolas, principalmente laticínios e carnes. O serviço de alimentação é um comprador desproporcional de queijo, manteiga, carne e frutas e legumes frescos. Os produtores de leite estão despejando até 8% de seu leite, de acordo com a cooperativa Dairy Farmers of America. 
Um fechamento de vários matadouros por causa de surtos de vírus nas instalações interrompeu ainda mais a capacidade dos criadores de suínos e gado de vender seus animais.
“Quando você tem uma lentidão no processamento, na qual estamos trabalhando para sustentar o máximo possível, você tem um backup”, disse Perdue.
O secretário disse que não espera que as paralisações causem escassez de produtos à base de carne nas prateleiras dos supermercados.
A lei de alívio de coronavírus aprovada pelo Congresso no mês passado inclui US$ 23,5 bilhões em ajuda aos agricultores. Falando em uma entrevista coletiva na semana passada, Trump disse que seu governo desenvolverá um programa com pelo menos US$ 16 bilhões inicialmente para agricultores, pecuaristas e produtores. (As informações são da BEEF Magazine, traduzidas pela Equipe MilkPoint)                  
Secretário-executivo do Sindilat participa de debate sobre os impactos da pandemia no setor de lácteos 
O secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, participa hoje às 19h de debate da Revista Globo Rural sobre os impactos da pandemia do coronavírus no setor lácteo. A transmissão ao vivo ocorrerá no perfil do Instagram da revista (@globorural). Também estará presente o presidente da Abraleite, Geraldo de Carvalho Borges. A live será comandada pela repórter Mariana Grilli. Segundo o dirigente, que representará a cadeia leiteira do Rio Grande do Sul, eventos online que tratem sobre a conjuntura do mercado de lácteos são de extrema importância para produtores e demais representantes do segmento. "Precisamos participar de debates que tracem estratégias e que debatam o cenário atual visando novas possibilidades em momentos difíceis", afirma. Participe! (Assessoria de imprensa Sindilat/RS)
 

 

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