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06/04/2020

Porto Alegre, 06 de abril de 2020                                              Ano 14 - N° 3.197

 Queda nas vendas faz queijarias redirecionarem oferta de leite no RS
No ramo de atividades classificadas como essenciais, indústrias de leite do Rio Grande do Sul seguem a produção dentro da normalidade. O foco do processamento, no entanto, teve de ser ajustado, sendo direcionado para itens como leite UHT (longa vida) e em pó. Essa mudança deve-se ao impacto sentido por pequenas empresas e queijarias diante das restrições impostas pelo coronavírus. A demanda que tinham dos ramos de alimentação (restaurantes, cozinhas industriais) reduziu drasticamente. Muitas passaram a vender parte do leite recolhido no mercado spot. Ou seja, para outras empresas, com processamento de UHT e de leite em pó.
A Associação das Pequenas Indústrias de Laticínios do Estado (Apil-RS) estima que entre 35% e 40% do volume captado diariamente, que pode chegar a até 1,8 milhão de litros, tem sido vendido para outras companhias.
--  Mas isso é momentâneo. As empresas estão com estoques de queijos e derivados -- pontua Délcio Giacomini, presidente da Apil-RS.
Alexandre Guerra, presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios (Sindilat-RS), também percebe direcionamento para UHT e leite em pó. A produção do queijo fracionado, para venda em supermercados, no entanto, segue normal. 
--  Nunca deixamos de recolher nenhum litro de leite -- reforça Guerra.
Diante desse cenário, há conversas em andamento com o governo do Estado, na busca de alternativas para garantir capital de giro justamente para esses pequenos laticínios e queijarias.
O presidente da Apil faz uma ponderação: mais adiante, poderá haver sobra também no longa vida e no leite em pó. Apesar de ser período mais baixo de produção do ano  -- de setembro de 2019 para cá, caiu 30% -- e do impacto da estiagem, o consumo não deve se manter em igual patamar ao do início da pandemia, quando as pessoas correram para os supermercados para fazer estoques. (Zero Hora)
 
Balança comercial: exportações brasileiras de lácteos avançaram 48% em relação a fevereiro
Segundo dados divulgados nessa sexta-feira (03/04) pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), o saldo da balança comercial de lácteos foi de -58 milhões de litros em equivalente leite no mês de março, um aumento de 7% quando comparada a fev/20 e de 13% em relação a mar/19. 
 
Em março as exportações voltaram a subir, acréscimo de 48% em relação a fev/20, reflexo principalmente da valorização do dólar frente ao real, o que torna o produto brasileiro competitivo externamente. No entanto, os 13,8 milhões de litros em equivalente leite exportados representaram uma queda de 8% em relação a mar/19. Analisando o acumulado (jan/mar) do ano vigente, foram exportados 41 milhões de litros em equivalente leite, contra 35 milhões no mesmo período de 2019.
Já as importações cresceram apenas 1% em março em relação fev/20, com 71,5 milhões de litros em equivalente leite internalizados. No acumulado do ano (jan/mar) de 2020, internalizamos 225,2 milhões de litros em equivalente leite, 30% abaixo do mesmo período de 2019. Na tabela 2, é possível observar as movimentações do comércio internacional de lácteos no mês de março desse ano.
Tabela 1. Balança comercial láctea em março de 2020.

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT.
 
 
RS: Agricultores atingidos por estiagem poderão prorrogar pagamento de custeio e investimento
O secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Fernando Schwanke, disse hoje que agricultores gaúchos atingidos pela estiagem terão direito à prorrogação de parcelas de custeio e investimento. Para isso, eles precisarão comprovar perdas acima de 25%, no caso de grãos, e de 15% para as demais culturas.
A expectativa da pasta é anunciar as medidas, que ainda depende da palavra final do Ministério da Economia e do aval do Conselho Monetário Nacional (CMN) esta semana.
Em uma transmissão ao vivo no Facebook, Schwanke disse que os produtores devem ser eximidos do pagamento das parcelas de custeio deste ano e terão prazo de sete anos com a prorrogação dos vencimentos. No caso de investimentos, a parcela deste ano deve ser adiada para quitação no final do contrato. Outras medidas estudadas são a criação de linha de crédito para cooperativas e outra para agricultores familiares, com R$ 30 mil de capital de giro, com três anos para pagar.
Sobre o aporte de R$ 500 milhões para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), confirmado pela ministra Tereza Cristina mais cedo e que deve ser oficializado durante esta semana, o secretário afirmou que ele poderá atender 100 mil famílias de produtores que irão vender os alimentos e 10 mil entidades que vão receber os gêneros alimentícios. “Ao todo, 12 milhões de pessoas receberiam alimentos com esses R$ 500 milhões”, destacou.
O deputado federal Alceu Moreira (MDB/RS), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), disse que o setor leiteiro também aguarda apoio. O Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat) deve participar de conversa com a ministra Tereza Cristina na terça-feira.
A expectativa, segundo Alceu, é que o Tesouro Nacional faça aporte de recursos para equalização de juros em uma linha a ser criada e destinada à estocagem da produção. A medida beneficiaria também outros setores. O parlamentar reclamou da atuação dos bancos que estariam cobrando juros mais altos em meio à crise e da necessidade de articular a intervenção do Banco Central para socorrer esses produtores.
“Senhores banqueiros, que apresentam balanços de R$ 50 bilhões de lucros, dizem que o juro tem que ser maior porque tem risco. São três anos de recessão, seca e os bancos continuam com ganância. Não dá para ganhar um pouco menos?”, questionou, durante a mesma live. (Valor Econômico)
             
Demandas de entidades sobre abastecimento durante pandemia podem ser encaminhadas on-line
As demandas de entidades relacionadas ao abastecimento durante a pandemia de Coronavírus já podem ser apresentadas on-line diretamente no portal Gov.br. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) criou um canal direto com representações do setor agropecuário para receber pedidos de ação em decorrência da pandemia. O serviço é de acesso restrito a ações envolvendo o setor agropecuário e somente poderá ser realizado por representantes autorizados. A solicitação de acesso a este serviço deve ser realizada por meio de CPF autorizado. Pelo sistema, os representantes das entidades deverão preencher informações de demandas que resolvam entraves para manutenção do abastecimento alimentar da população brasileira. (Mapa)
                
 
 

 

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