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14/02/2020

Porto Alegre, 14 de janeiro de 2020                                              Ano 14 - N° 3.15

 Sindilat alerta para impacto da estiagem na produção leiteira do Estado

O Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat) alerta que a produção leiteira gaúcha, além de estar entrando no período de entressafra, já está apresentando uma queda acentuada na captação de leite, provocada pela falta de pastagem verde no campo e pelo estresse calórico animal, visto as temperaturas elevadas nesta época do ano. Esse é um dos efeitos previstos da estiagem que assola diversos municípios do Estado. Isso porque, de acordo com o presidente do Sindilat, Alexandre Guerra, o evento climático já causa perdas significativas no desenvolvimento do milho para a silagem, alimento essencial que é produzido para nutrição do gado durante todo o ano, e o aumento da temperatura provoca um estresse calórico para o animal, que acaba não se alimentando de maneira correta, refletindo na queda da produção de leite em 2020 e prejudicando o período reprodutivo dos mesmos.  “Já no mês de março começaremos a sentir os efeitos mais fortes em relação à escassez de alimentos para o rebanho”, frisa Guerra.

Os primeiros dias de janeiro já indicaram um impacto importante da estiagem sobre a atividade no Rio Grande do Sul. Segundo Guerra, a captação diária nas propriedades gaúchas reduziu próximo a 8%, devido às altas temperaturas e chuvas muito abaixo das médias no Estado, índice que representa 1 milhão de litros de leite a menos entregues às indústrias associadas à entidade. “Esse cenário deve persistir durante todo o mês, mas a ocorrência de chuvas neste período, mesmo que em pouca quantidade, já poderá amenizar a situação”, pontua o presidente do Sindilat. (Assessoria de Imprensa Sindilat)

Mercado mundial 2020
Um resumo do comércio e dos mercados internacionais de lácteos elaborados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) – traduzidos e adaptados pelo Observatório da Cadeia Láctea (OCLA) – permite visualizar o que passou em 2019 e as perspectivas para 2020 nos principais países produtores de leite e mercados lácteos.
 
Para 2020 as previsões de exportações de lácteos pelos Estados Unidos são boas; principalmente porque se esperam maiores volumes e melhores preços de alguns produtos. Nesse aspecto os produtos desnatados têm um valor especial nas exportações estadunidenses. O leite em pó desnatado (SMP) aumentou em 2019 e representou 25% do valor total embarcado. A projeção é de que em 2020 haja aumento de 5% no SMP destinado ao mercado externo.
 
Um aspecto chave tem sido o aumento persistente do preço do SMP, tanto nos Estados Unidos (EUA), como nos mercados internacionais, desde 2018. Vários fatores parecem sustentar essa posição. Dentre eles, o aumento da demanda mundial (sobretudo da China, Filipinas e Indonésia), produção de leite menor do que a esperada em 2019, junto com a queda tanto dos estoques de intervenção da União Europeia (UE), como os excedentes nos EUA. Aliás, este último pode ser o único exportador a ter oferta adicional de SMP para o mercado internacional.
 
Produção de leite nos principais exportadores
Argentina: Em 2019 a produção de leite acumulada foi menor em comparação com 2018, devido, principalmente, condições climáticas adversas, com temperaturas elevadas que causaram maior estresse das vacas. Ainda que as margens confortáveis e a alimentação disponível tenham melhorado a situação, a previsão é de que 2019 tenha queda de 1% no volume total de leite em relação a 2018, o que corresponde a 10,64 milhões de toneladas de leite no total. Para o ano que começa, se forem mantidas as margens, é provável que a produção de leite cresça 1,5%, com expansão do rebanho e maior produtividade animal das vacas.
 
Austrália: A expectativa é de que os números de 2019 da produção registrem queda de 2% na produção de leite devido às condições de seca que afetaram, particularmente, o estado de Victoria, o maior produtor de leite do país. Além disso, as más condições das pastagens e elevados custos da alimentação levaram muitos produtores a descartarem vacas provocando redução de 3% no rebanho leiteiro. Recentemente, as chuvas melhoraram as condições e junto com preços recordes do leite, estancaram o percentual de queda da produção. Para 2020, existe a expectativa de que as condições continuem melhorando e que os preços do leite continuem sendo elevados.

União Europeia: A seca do verão provocou escassez de forrageira nos principais membros produtores, o que levou a uma redução do rebanho, similar ao ocorrido na Austrália. Como resultado, o crescimento na produção de leite foi mais lento do que o previsto. Olhando para 2020, à medida que as condições das pastagens voltem ao normal, a esperança é de que a produção de leite seja intensificada e que durante todo o ano cresça 0,4%. Como o rebanho está menor, é provável que mudanças de manejo e a genética compensem a situação.
 
Nova Zelândia: A previsão é de que a produção de leite de 2019 termine sendo 2% menor em relação ao ano anterior devido à primavera fria e úmida, que afetou negativamente a produtividade animal. No início deste ano, as previsões meteorológicas apontam precipitações e temperaturas de verão normais ou superiores, melhorando as condições de produção. Isso permite prever leve crescimento dos volumes (menos de 1%). Um fator chave é o recente aumento do preço do leite ao produtor na temporada 2019/2020 de NZ$ 6,75, [R$ 1,39/litro], para NZ$ 7,05/kgMS, [R$ 1,46/litro]. Seguramente isto incentivará a utilização de alimentação suplementar das vacas para aumentar a produção de leite.
 
Leite em pó desnatado (SMP) 
União Europeia: As exportações estavam no caminho de alcançar mais de um milhão de toneladas em 2019, sendo os maiores envios para os países asiáticos como China e Indonésia. Em 2020 se esperam menos excedentes exportáveis, e portanto, queda em torno de 8% nas exportações.
 
Nova Zelândia: A produção de SMP em 2019 deverá fechar em baixa. Ainda se espera que a produção de leite em 2020 se expanda, e o adicional provavelmente será utilizado para produzir leite em pó integral (WMP) ou queijo, prevendo queda de 4% na fabricação de SMP. Mesmo assim existe a previsão de que as exportações de SMP cresçam 5%, puxadas pela grande demanda mundial.
 
Estados Unidos: Em 2019 as exportações de SMP apresentaram forte concorrência no mercado global, que, junto com as tarifas adicionais impostas a produtos estadunidenses em retaliação a medidas do governo dos EUA contra diversos países importadores, as vendas externas caíram. Para 2020, com a maior disponibilidade de excedentes exportáveis (devido à produção excedente de 2% de leite) é possível que o embarque de SMP cresça 5%. Os EUA é o principal fornecedor do México, mas o acordo UE-México estabelece uma cota livre de impostos para o SMP procedente da UE, e isto está tendo impacto nas vendas dos EUA, que caíram 10% no último ano.
 
Leite em pó integral (WMP) 
A China é o maior importador de WMP do mundo e depois de uma forte queda em 2014, as importações entre 2015 e 2018 cresceram a uma taxa média anual de 15%, embora a previsão é de que este ano o crescimento seja mais moderado. O grande fornecedor é a Nova Zelândia, que nos últimos anos tem ocupado 90% de todas as importações de WMP, e está perto de alcançar o recorde de 1,6 milhões de toneladas. Em 2020, o quadro deverá se manter sem alterações.
 
Exportações de queijo 
União Europeia: A UE continua sendo o maior exportador mundial de queijos, enviando praticamente um quarto de seus produtos para os EUA e Japão. Em 2020 está previsto crescimento de 1% devido à maior produção de leite. Levando em consideração que 75% do queijo produzido é consumido no mercado interno, o excedente será exportado. A recente imposição de tarifa alfandegária adicional pelos EUA ao queijo e à manteiga procedente da UE poderá ter um impacto limitado, já que a demanda de queijos importados de maior valor agregado é relativamente inelástica.
 
Bielorrússia: A importância deste país é crescente, já que as exportações de queijo aumentaram à média anual de 6% de 2014 a 2018, e assim como ocorre desde 2014 quando foi estabelecido o embargo aos produtos procedentes dos EUA e UE, em 2019 enviou 95% de sua produção para a Rússia. A previsão para 2020 é de que as exportações cresçam 8%. Embora o destino preferencial continue sendo a Rússia, é possível que haja aumento nas vendas para países vizinhos como Cazaquistão e Quirguistão.
 
Nova Zelândia: Como reflexo do pouco aumento na produção de leite prevista, a produção de queijo deverá crescer 1% em 2020, embora as exportações possam expandir 3%. Os principais destinos são: Japão, China e Austrália. As perspectivas são de que a China se transforme no maior importador de queijos da Nova Zelândia em 2020, já que a taxa média de crescimento vem sendo de 13% de 2014 a 2018. A projeção é de incremento de 10% em 2020. O outro comprador preferencial é a Austrália, já que os dois países se beneficiam do acordo de livre comércio que permite a importação sem tarifas alfandegárias pela Nova Zelândia ou taxas reduzidas para a Austrália.
 
Manteiga 
União Europeia: A previsão é de que as exportações de manteiga termine 2019 com crescimento de 30% devido às vendas para os EUA, Japão e Emirados Árabes Unidos. Para 2020, é provável que a produção se contraia ligeiramente, e o consumo interno cresça, limitando as exportações. Em relação às tarifas adicionais de 25% por parte dos EUA, o impacto será limitado pelas mesmas razões expostas para os queijos.
 
Nova Zelândia: A previsão é de que 2019 encerre com queda de 6% nas exportações devido à redução dos embarques para a China (-40%). Para 2020, a produção de manteiga deverá diminuir já que o leite adicional produzido será destinado, preferencialmente, para WMP e queijo. A previsão é de que as exportações cresçam 1%.  (Terra Viva)

Alemanha institui novos padrões para produção de leite
O Qualitätsmanagement Milch (QM Milch), um órgão alemão que define padrões para o leite, com sede em Berlim, introduziu uma nova norma nacional para a produção de leite.

A organização, que é uma iniciativa da Associação Alemã de Agricultores (DBV), da Associação Alemã Raieisen (DRV) e da Federação Alemã de Indústria de Laticínios (MIV), fornece um sistema de garantia de processos para produção de leite. O objetivo do padrão QM Milch é monitorar a produção, garantindo assim a qualidade do leite cru na fazenda.

O padrão cobre todos os requisitos básicos ao longo do processo de produção de leite na Alemanha. Aplica-se a todos os produtores  que participam do programa de certificação QM Milch e está de acordo com os termos e condições para entrega de leite definidas pelos laticínios.

A lista de critérios da QM Milch define as condições a serem cumpridas para o programa de certificação, que decorre de disposições legais, boas práticas agrícolas e outros requisitos para a produção de leite.

Saúde e bem-estar animal
A produção de leite deve respeitar certas condições de higiene e instalações, diz o documento. Além disso, existem disposições rigorosas relacionadas à saúde do gado. Também, as vacas não devem apresentar sinais de problemas gerais de saúde. Inspeções mensais de rotina do rebanho são realizadas para verificar a saúde do úbere. Se houver suspeita de que um animal tenha alguma infecção no úbere, é necessário um exame individual para determinar o tratamento, ou para verificar se ele sofre de uma infecção crônica ou se há resistência ao medicamento utilizado.

Identificação dos animais e registro da fazenda
Disposições estatutárias estipulam que os produtores de leite devem fazer duas marcas auriculares em cada vaca. A respeito da circulação de animais (Viehverkehrsverordnung -VVVO), cada produtor de gado também deve manter um registro agrícola a respeito. Quaisquer alterações no rebanho devem ser registradas no banco de dados oficial sobre identificação de origem (HI-Tier-Datenbank).

Produção e armazenamento de leite
As salas de ordenha devem ter iluminação e ventilação adequadas. O equipamento de ordenha e os tanques de resfriamento devem ser reparados regularmente. Existem requisitos de higiene específicos para a ordenha que devem ser cumpridos pelos colaboradores. O leite deve ser resfriado e armazenado de forma a garantir que não será afetado adversamente.

Alimentação
Existem requisitos especiais para a compra e o uso de alimentos para animais. Os produtores de leite só podem usar alimentos para animais comprados de fabricantes e comerciantes que respeitam um contrato com base no sistema nacional padrão de alimentos para animais.

Os alimentos são testados quanto a substâncias indesejáveis por programas de monitoramento realizados por órgãos oficiais e outras instituições. Toda entrega de ração também deve ser documentada pelo produtor de leite com certificados de entrega, faturas detalhadas ou outros elementos de prova.

Medicamentos veterinários (VMPs)
Os produtores de leite devem identificar claramente todos os bovinos que foram tratados. O leite será regularmente verificado quanto a inibidores (várias vezes por mês) e todos os produtores de leite deverão realizar suas próprias avaliações na fazenda, com a ajuda de um veterinário. Os produtores de leite também devem registrar todas as instâncias de VMPs usadas em seus animais.

O documento também observa que os laticínios precisam realizar análises químicas regulares do leite ou produtos lácteos. As verificações gerais e os exames individuais testam substâncias (resíduos e contaminantes) que são prejudiciais ou podem levar a alterações indesejáveis nas propriedades organolépticas do leite ou produtos lácteos.

O novo padrão entrou em vigor em 1º de janeiro de 2020 e substitui o padrão QM Milch 2.0. A norma é um sistema dinâmico, constantemente aprimorado para incluir novos achados e requisitos, e será atualizado a cada três anos.

Os documentos estão disponíveis online (https://www.qm-milch.de/standarddokumente), em alemão, com versões em inglês. (Dairy Reporter tradução Equipe MilkPoint)


Receita cresceu
A arrecadação de ICMS no Rio Grande do Sul aumentou 6,13% em 2019. Como a inflação do ano ficou em 4,31% houve crescimento real da receita do Estado. O problema é que as despesas subiram ainda mais, fruto da expansão dos gastos com pessoal. (Zero Hora)
 

 

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