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27/11/2019

Porto Alegre, 27 de novembro de 2019                                              Ano 13 - N° 3.117

  Entidades solicitam mudanças na distribuição de recursos do Fundoleite

O Sindicato da Indústria de Laticínios do Estado (Sindilat) defendeu o envio de uma minuta sugestiva com propostas de mudanças na Lei Fundo Setorial da Cadeia Produtiva do Leite (Fundoleite). O documento foi enviado neste mês à Secretaria da Agricultura do Estado. A minuta foi construída em conjunto pelo Sindilat e entidades como Famurs, Apil, Fecoagro, AGL, Gadolando, entre outras. O projeto prevê mudanças na distribuição de recursos do fundo, considerando 70% para atendimento das exigências previstas nas Instruções Normativas (INs) 76 e 77, 20% aos projetos desenvolvidos em conformidade com a atual Lei do Fundoleite e 10% ao custeio administrativo da entidade conveniada. “Queremos encontrar alternativas para que o produtor de leite se adeque às INs. Essas soluções efetivas servem para fortalecer a cadeia em todo o Estado”, destacou Darlan Palharini, secretário-executivo do Sindilat, que participou de audiência pública nesta manhã na Assembleia Legislativa. 

De acordo com o representante da Secretaria da Agricultura, Gabriel Fogaça, a secretaria vem somando forças com as entidades e produtores a fim de aumentar o incentivo no setor. “A Secretaria da Agricultura se mantém de portas abertas a todos os representantes do setor para juntos construírmos o melhor modelo para destravar os recursos do Fundoleite”, ponderou.

Atualmente, o Rio Grande do Sul é o terceiro maior produtor de leite do País, com 4,24 bilhões de litros ao ano. Conforme o último levantamento da Emater, o Estado possui 65.016 mil produtores que vendem leite regularmente para indústrias com inspeções municipais, estaduais e federais. A audiência pública, presidida pelo deputado Zé Nunes (PT), vai elaborar um documento com uma série de sugestões para a melhor aplicação dos recursos do Fundoleite, que será encaminhado ao secretário Covatti Filho. “Nosso objetivo como parlamento é trabalhar em prol dessa cadeia que necessita arduamente de nossa atenção”, ressaltou. (Assessoria de imprensa Sindilat)

 
 Crédito foto: Letícia Breda 

Dairy Vision 2019: "o consumidor mudou mais rápido que a percepção da indústria"
O primeiro painel do Dairy Vision 2019, evento que está ocorrendo entre os dias 26 e 27/11 na Expo Dom Pedro, em Campinas/SP, teve como tema central a “Visão geral do mercado regional”. As discussões giraram em torno de dois assuntos principais: tendência de consumo de lácteos e perspectivas de mercado para o produtor e indústria. O público conferiu apresentações feitas por grandes nomes no assunto: Thiago Torelli, da Nielsen; Ariel Londinsky, da Fepale; Rami Goldfajn, da McKinsey; Valter Galan, do MilkPoint Mercado e Andrés Padilla, do Rabobank.
É consenso que o ano de 2019 foi bastante desafiador para a indústria láctea, visto que as expectativas eram altas e a economia do país não foi correspondente, impactando diretamente no consumo. Produtos lácteos com valor agregado (como requeijão, cream cheese, leite fermentado, entre outros), que são extremamente elásticos, logo, foram responsáveis pela retração na cesta de lácteos. Mas essa retração não foi necessariamente apenas em volume consumido, mas também em valor. Ou seja, forçados pela economia ruim, os consumidores acabaram experimentando marcas mais baratas e viram que estas ofereciam uma qualidade satisfatória, e, mesmo com a economia se recuperando, não voltaram para os produtos mais caros. Assim, foi observada uma grande queda na fidelidade às marcas, com os consumidores bem mais abertos a experimentar produtos diferentes.
 
Essa abertura não se restringiu apenas às marcas novas, mas também a produtos diferenciados e que apresentassem um melhor custo benefício, como embalagens com volume menor para as famílias, por exemplo. Na onda de produtos diferenciados, tem sido observado no Brasil e no mundo uma constante busca por saudabilidade. Segundo dados de pesquisa da McKinsey, 47% dos brasileiros buscaram ter uma alimentação mais saudável no último ano. Além disso, observou-se um aumento na leitura de rótulos, busca por produtos orgânicos, menos processados, locais e rastreáveis. Essas mudanças no consumo foram muito repentinas e observa-se uma dificuldade da indústria em acompanhá-las, como foi salientado por Marcelo Pereira de Carvalo, CEO da AgriPoint e moderador do painel, e por Andrés Padilla.
Em relação aos lácteos, especificamente, observa-se um considerável número de pessoas experimentando possíveis substitutos. Dentre os motivos que as levam a fazer isso, destaca-se, surpreendentemente, a curiosidade e a necessidade de uma experiência nova. Então, fica a questão: será que essa experiência não pode ser proporcionada pelos próprios lácteos? Outras motivações para o consumo de substitutos são saúde, preocupação com meio ambiente, bem-estar animal e intolerância à lactose.
Essa grande mudança no comportamento do consumidor foi atribuída à busca por informação, sobretudo na internet, por meio dos aparelhos mobiles (celulares). Apesar disso, destacou Marcelo Pereira de Carvalho, CEO da AgriPoint e moderador do painel, “o consumidor nunca teve tanta informação disponível, mas paradoxalmente nunca esteve tão mal informado”.
Sobre perspectivas para o mercado de 2020, Valter Galan expôs que as previsões são de ligeira recuperação da economia. Por outro lado, o preço dos grãos (milho e soja) estará mais elevado no próximo ano, aumentando o custo de produção de leite. Ainda assim, prevê-se um incremento de 3% na produção do país e o cenário é de uma breve recuperação da demanda. Andrés Padilla, contudo, acredita que o mercado lácteo continuará desafiador e que, mesmo com a recuperação da economia, o consumo não deve acompanhar esse aumento linearmente. (Milkpoint)
 
 
Exportações/AR
As exportações de lácteos de janeiro a outubro de 2019 registram queda interanual de 10,8% em volume. 
De acordo com o boletim do Observatório da Cadeia Láctea da Argentina (OCLA), as divisas obtidas com as vendas de 226 mil toneladas de lácteos chegaram a US$ 689,9 milhões, cifra 11,8% menor do que a registrada entre janeiro e outubro de 2018.
Segundo dados oficiais, a produção de leite acumulada até outubro de 2019 foi de 8.435 milhões de litros, e 18,4% desta produção foi destinada ao mercado externo.  
Segundo o OCLA, “o incremento de outubro manteve a tendência de crescimento iniciada em julho, depois de cinco meses de queda interanual ininterrupta”.
 
“As exportações – acrescentou o boletim do OCLA – permaneceram em níveis elevados nos meses seguintes, mas, estão sendo comparadas com grandes volumes exportados no final do ano passado. A previsão é de que este ano o comportamento seja similar. Segundo estimativas, a tendência é de que a balança comercial tenha queda entre 9 e 10% nas exportações de 2019, quando comparadas com 2018”, informa o boletim. (Infortambo – Tradução livre: Terra Viva)
 
 
 
 
 
Reforma Tributária
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) foi uma das entidades participantes do seminário “Reforma Tributária, Perdas e Ganhos", realizado na terça (26), na Câmara dos Deputados. No evento, convocado pela Subcomissão Especial da Reforma Tributária, o coordenador do Núcleo Econômico da CNA, Renato Conchon, apresentou os principais pontos da entidade considerados fundamentais para um novo sistema tributário. “A gente espera que a reforma saia e atenda às necessidades da sociedade brasileira no que diz respeito à redução da burocracia e melhoria da segurança jurídica dos contribuintes”, disse. Conchon afirmou que as propostas que tramitam no Congresso Nacional não levam em consideração a realocação da carga tributária por bases de incidência. “No Brasil, o tributo incidente no consumo é mais elevado se comparado aos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Então é preciso ter muito cuidado para não aumentar ainda mais a carga tributária incidente sobre bens e serviços”. Renato também enfatizou que, para uma reforma justa, seria necessária uma mudança significativa nos seguintes tributos: Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Por fim, citou a importância do setor agropecuário para a economia brasileira. “São mais de 5 milhões de estabelecimentos rurais no país, que correspondem a 21% do Produto Interno Bruto (PIB) e empregam um terço da mão de obra. Então não faz sentido exigir uma tributação excessiva para um setor que gera riquezas e divisas para o país”. (CNA)
 

 

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