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07/10/2019

 

Porto Alegre, 07 de outubro de 2019                                              Ano 13 - N° 3.081

   Nova família chinesa favorece o mercado de lácteos do Brasil

A mudança na legislação chinesa que proibia famílias de ter dois filhos, que foi suspensa em 2015, ampliou o mercado de produtos lácteos no país, especialmente para os importados. A nova configuração da família chinesa, na qual cada dia se torna mais comum um casal e dois filhos, e não apenas um, o consumo de produtos lácteos, como leite em pó, cresce significativamente. E, com a importação de lácteos do Brasil aberta pela China neste ano, a indústria gaúcha também poderá ganhar com isso.

A Viva Lácteos, Associação Brasileira de Laticínios, estima que, após os processos de habilitação, o Brasil poderá exportar US$ 4,5 milhões em produtos lácteos para a China. E, de acordo com Darlan Palharini, secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul (Sindilat), apenas em leite em pó, o gigante asiático costuma importar, anualmente, 800 mil toneladas, o que equivale a 132% de toda a produção brasileira (600 mil toneladas).

Essa nova configuração da família chinesa tem como bom exemplo a médica Jiang Fang. Logo que a lei foi alterada, e como seu único filho já havia verbalizado que queria um irmão, a médica e o marido decidiram ter um segundo filho, ainda em 2016. Fang conta que ela própria sempre quis ter uma irmã e, por isso, decidiu ter mais um bebê e satisfazer o desejo do filho. "Eu via a relação da minha mãe com sua irmã e achava bonito. Sentia falta de alguém para compartilhar as coisas, conversar, dividir problemas", recorda a médica.

Sem o final da lei, caso tivesse dois filhos, Jiang terá de arcar com uma pesada multa e, com o trabalho para o governo, perderia o emprego. Além disso, conta a médica, ter um filho na China exige bastante recurso com itens como educação. A moradia também consome um boa parcela do salário, especialmente em Pequim. O valor de um apartamento de apenas 100 metros quadrados na capital chinesa, em área mais central, pode custar até 10 milhões de renminbis, o equivalente a US$ 1,4 milhão. "Com dois filhos deixamos de viver na mesma casa de meus pais e precisamos de uma residência própria. Isso também sempre pesou na decisão, até 2015, de que um filho era suficiente", explica Jiang.

Zhan Wanli, que trabalha na área de seguros, também decidiu ter um segundo filho após 2015. Na família sempre houve um consenso familiar de que ter dois filhos era melhor do que um, já que a convivência de dois filhos ajuda as crianças estabelecerem a noção de se ajudar e se cooperar. "Em algum sentido, também dá a noção de competição para os dois e acreditamos que isso tem que ser acostumado desde criança para serem mais preparados para entrar na sociedade", pondera Wanli. Assim como Jiang, Wanli diz que criar um filho aqui na China, especialmente nas cidades grandes como Beijing, é excessivamente caro. Isso porque é comum nas famílias fazer pesados investimentos em educação. Em total, custam 65 mil remninbis (cerca de R$ 43 mil) cada filho por ano, ocupando mais de 25% do salário.

O começo e o fim da lei do filho único
A China tem uma população gigantesca, de 1,3 bilhão de pessoas, atualmente, e, no início do século passado, isso foi motivo de preocupação com a segurança alimentar, por exemplo.

Com a adoção da lei do filho único, nos anos 1970, foi criada para reduzir o crescimento populacional. Ter dois filhos passou a ser permitido apenas para etnias minoritárias (na China existem mais de 50 etnias) e agricultores, que dependiam de mão de obra jovem para o trabalho. Fora desses grupos, quem tivesse o filho único sofria diferentes punições e restrições e severas multas. Com a redução populacional, porém, o governo passou a ver problemas para o futuro, tanto com mão de obra quanto para sustentar, com seu trabalho, o sistema de previdência social. Por isso a lei do filho único foi suspensa em 2015, de olho no futuro. (Jornal do Comércio)

Novas regras no leite aumentam qualidade

Pouco mais de quatro meses após entrarem em vigor no país, as instruções normativas (INs) que tratam da produção, conservação e recepção de leite nas indústrias provocam efeitos no campo. Segundo Milene Cristine Cé, auditora fiscal federal agropecuária do Ministério da Agricultura no Estado, são percebidas melhorias em relação à qualidade do produto que chega às indústrias.

A principal mudança trazida pelas INs é o estabelecimento de um limite da contagem bacteriana total (CBT) no recebimento do leite cru, na indústria. Pelas regras, o máximo permitido é de 900 mil unidades formadoras de colônia por mililitro (Ufc/ml).

- Essa medida é o coração das normas. E por mais que exija trabalho, é o mais fácil de corrigir, pois envolve apenas higiene - explica Milene.

Segundo a auditora fiscal agropecuária, as adaptações demandam trabalho conjunto entre produtores e assessoria técnica das indústrias:

- E a adequação não tem a ver com volume de produção. Não depende do tamanho do produtor rural.
Na próxima segunda-feira, dia 14, a comissão de política agrícola da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag) se reunirá com cooperativas gaúchas para analisar os quatro primeiros meses de vigência.

- Queremos fazer uma avaliação baseada em dados, em fatos reais - afirma Carlos Joel da Silva, presidente da Fetag.

O que preocupa a entidade neste momento é a baixa capacidade de investimento do produtor por conta do preço pago pelo leite.

No dia 15 de outubro, os impactos das INs 76 e 77 e o baixo valor do produto no Estado serão tema de audiência pública no Teatro Dante Barone, na Assembleia Legislativa do Estado. (Zero Hora)


Inteligência artificial made in Rússia

Uma colheitadeira atravessa um campo de trigo de 120 hectares em movimentos precisos. Na cabine, o operador sequer toca no volante e cuida apenas do processo de colheita. Debaixo de um toldo, ao lado do campo, um equipamento no formato de maleta de mão funciona como o cérebro da máquina e a faz operar com precisão mesmo sem nenhuma ligação com a internet.

Guiado por câmeras de vídeo, o aparelho opera por meio de inteligência artificial sem demandar conexão à internet. O equipamento também é capaz de detectar alterações no relevo e obstáculos no campo como pedras, árvores ou animais, evitando acidentes. Batizado de C2A2 Agrodroid, o projeto foi criado pela Cognitive Technologies, empresa russa que desenvolve sistemas para veículos autônomos. A marca é um dos principais players desse segmento na Europa e agora mira o mercado brasileiro.

- Todos os obstáculos no campo podem ser detectados com o uso de apenas uma câmera. Nosso sistema não é cego - afirma a presidente da Cognitive Technologies, Olga Uskova.

SOLUÇÃO PARA ÁREAS OFF-LINE
A inovação surgiu da necessidade: com dimensão continental, a Rússia ainda tem baixa cobertura de internet em áreas rurais. A solução foi apostar em um modelo que dispensasse conexão por GSM - tecnologia usada em redes de celulares - ou via satélite. E é exatamente esse panorama de território de dimensão continental e cobertura GSM limitada que aproximam as realidades de Rússia e Brasil, na avaliação da presidente da Cognitive Technologies:

- São realidades parecidas. Com um mercado agrícola tão grande e intenso, o Brasil tem oportunidades de implementar tecnologias de inteligência artificial para aumentar a eficiência e a eficácia dos negócios no campo.

Os russos da Cognitive Technologies apostam justamente nesses diferenciais para competir com os veículos agrícolas autônomos no Brasil. Uma das gigantes do setor, a CNH Industrial - que detém as marcas Case e New Holland - apresentou um protótipo do veículo há dois anos.

Olga ainda vê como diferencial no mercado brasileiro a possibilidade de fazer o uso mais intensivo das máquinas. No Brasil, dependendo da cultura, pode-se chegar a até três colheitas por ano.

Já a Rússia tem nos invernos rigorosos um limitador: os agricultores fazem apenas uma colheita anual, sobretudo nas áreas mais frias como a Sibéria, onde as temperaturas podem chegar a -50°C no inverno.

A Cognitive Technologies negociou a instalação do sistema em 800 máquinas da empresa Rusagro, gigante da agricultura da Rússia, e também tem pré-contratos assinados com empresas do Brasil e Argentina. A solução custa em torno de US$ 6 mil (cerca de R$ 25 mil), o equivalente a 1,5% do preço total de uma colheitadeira.

Além de máquinas para o campo, a companhia também tem sistemas de condução autônomos para bondes urbanos, trens e carros convencionais. Mas, na América Latina, o mercado prioritário da empresa russa será o agrícola. (João Pedro Pitombo/Folhapress/Zero Hora)
 
14 e 15/10 - Workshop sobre alimentos
Estão abertas as inscrições para o I2º Workshop sobre Estratégias Alimentares e de Abastecimento, com o tema Consumo, Mercados e Ação Pública. O evento, com inscrições a partir de R$ 100, ocorrerá no Centro de Eventos da UFRGS, em Porto Alegre. Informações em ufrgs.br/weaa. (Zero Hora)

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