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02/10/2019

Porto Alegre, 02 de outubro de 2019                                              Ano 13 - N° 3.078

   Desenvolvimento do Setor Lácteo 

O desenvolvimento da pecuária de leite caminha igual foi nos países desenvolvidos, ainda que mais lento, mas se dá essencialmente por via de aumento da produção por vaca , diminuição do número de produtores se intensificando nos últimos anos.


 
Dados: IBGE - Pesquisa da Pecuária por Municípios. Elaboração Terra Viva

Está cada vez mais evidente que há necessidades de definição de política pública de assistência social e de manutenção do homem no campo, focando os micro produtores que somam quase um milhão. Por outro lado, é preciso intensificar as políticas do tipo " leite mais saudável" que já atinge hoje mais da metade dos produtores de leite que realmente necessitam dessa política público-privada de desenvolvimento equilibrado e calibrado de apoio. 

Esse segmento que vai de uma produção de 100 a 1.500 litros de leite dia responde satisfatoriamente aos estímulos e alcançam excelentes resultados de qualidade e produtividade, haja visto o resultado do programa "mais leite saudável do Mapa/setor lácteo", por excelência um modelo de política público-privado de sucesso.  

É necessário que na presente discussão tributária que se faz no congresso que sejam mantidas as condições atuais de financiamento desse programa " Mais Leite saudável". (Terra Viva)

Lácteos/Rabobank

Segundo o último relatório trimestral de lácteos do Rabobank, o mercado global deverá permanecer firme nos próximos seis meses, com perspectivas de crescimento da demanda o suficiente para absorver o aumento da produção de leite. Apesar do alto preço ao produtor, o relatório diz “os produtores de leite na maioria das regiões exportadoras estão lutando para transformar as boas condições do mercado em crescimento de produção”.
 
A produção dos BIG 7 (Estados Unidos, União Européia, Nova Zelândia, Austrália, Brasil, Argentina e Uruguai) tem a expectativa de crescer 0,4% no quarto trimestre e 0,8% no início de 2020. Várias restrições impediram o crescimento da oferta, segundo o relatório, como o verão queda na China e no norte da Europa, por exemplo.

Mas, são as restrições regionais do mercado, como aumento dos custos de produção, instabilidades locais, restrições na capacidade de produção e normas ambientais, que limitaram e continuarão limitando o aumento da produção ao nível das fazendas, o que manterá o mercado firme.  

Na Nova Zelândia, 2019/20 “começou bem” e pode ter um bom fluxo na primavera, garantindo a produção no primeira metade da temporada.

A analista do Rabobank, Emma Higgins disse que uma vez concluídas as parições na Nova Zelândia, os volumes aumentarão significativamente semana, após semana. “Um inverno ameno proporcionou condições quase perfeitas em muitas bacias leiteiras, antes mesmo do pico da primavera. As pastagens variam de boas a muito boas, proporcionando amplas reservas de alimento e antecipando o corte de silagem em grande parte da Ilha Norte, ajudando a manter baixos os custos da alimentação”, disse Higgins.

Higgins lembrou que as potenciais condições adversas do clima anunciadas pelo serviços de meteorologia NIWA para o final de setembro e início de outubro não ocorreram, levando o banco a projetar crescimento de 1% na produção de leite até 31 de maio de 2020.

“Essa é nossa expectativa, já que em bacias leiteiras importantes a volatilidade do clima na primavera poderá não ocorrer”, disse ela.

Com base nas projeções para as cotações internacionais das commodities lácteas no restante da temporada 2019/20, o Rabobank mantém a previsão de que o preço do leite ao produtor será de NZ$ 7,15/kgMS, [R$ 1,42/litro].

Riscos
No entanto os ventos econômicos trazem “alguns riscos”, alerta Higgins.

Do lado da demanda, o relatório mostrou uma notável desaceleração da atividade econômica global, com queda na confiança do consumidor e permanência das tensões comerciais, que continuam a ser um desafio para a logística dos exportadores de lácteos. A China registrou seu menor crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB) em 20 anos, no segundo trimestre de 2019, quando comparado com o de 2018, e os mercados do Sudeste Asiático sentiram o impacto, diz o relatório.

Enquanto isso, desafio similar é verificado na União Europeia (UE), com a economia alemã registrando contração no segundo trimestre, na comparação anual, bem como um incerto Brexit.

Os Estados Unidos também mostram dados preocupantes, com inversão da curva de renda depois de dez anos, alimentando especulações sobre uma iminente recessão.

Os produtores de leite da Nova Zelândia também enfrentam o desafio de atender às novas regulamentações sobre a água, que foram anunciados pelo Governo, disse Higgins.

“Embora muitos dos detalhes e potenciais custos do novo regulamento não tenham ficado bem claros, a certeza é de que haverá mais custos para os agricultores a partir de 2020, como parte do programa de melhores formas de produção nas fazendas, novas práticas de gerenciamento das pastagens de inverno, exclusão de estoques e redução de perdas de nitrogênio”.

Perspectivas Global
O relatório diz que a demanda por lácteos continuará com a mesma expansão que está sendo verificada nos dois últimos anos, até meados de 2020. No entanto, a China pode ser a exceção, uma vez que as compras agressivas do primeiro semestre do ano, elevaram os estoques.

No geral, o relatório diz que o mercado global de lácteos parece pronto para continuar firme nesse final de 2019, até 2020.

A oferta pode se tornar mais apertada do que o previsto atualmente, “se os produtores tiverem mais restrições, e a demanda permanecer forte diante de problemas comerciais e desaceleração econômica global”, o que poderá levar a alguns aumentos de preços.

Mais no final de 2020, se houver oferta acima do crescimento da demanda, poderá haver alguma pressão negativa sobre os preços, afirmou o relatório. (NZ Herald – Tradução livre: Terra Viva)

 
Abraleite regulamenta leite a2
Após dois anos desde sua primeira manifestação e trabalho persistente na busca da regulamentação da rotulagem do leite a2, a Abraleite finalmente recebeu do Mapa a confirmação sobre a regulamentação da origem de vacas a2a2 nos rótulos de produtos lácteos. A associação esteve em reuniões e apresentou ofícios, documentos e pareceres para o Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal/Secretaria de Defesa Agropecuária (Dipoa/SDA), no Mapa, e para Anvisa. Este tipo de leite existe comercialmente no exterior desde 2003 e o Brasil apenas agora reconheceu oficialmente a denominação de origem para vacas com caseína a2a2. Para essa inclusão, é fundamental a certificação do rebanho e industrialização do leite oriundo de vacas a2a2. Entretanto, a conquista não está completa. Ainda não é possível ser feita menção ao leite a2, ou mesmo explicar ao consumidor nos rótulos o que ele traz de diferenças. Em outros países esse foi um processo bastante simples, onde uma única frase resume o diferencial – “Easier on digestion”. A Abraleite, através de sua Comissão do Leite e Derivados A2, está solicitando ao Mapa tratamento jurídico e de entendimento equitativo ao leite sem lactose, já que as semelhanças são grandes. A regulamentação foi importante para classe produtora de leite, para a indústria láctea e para os consumidores de todo o país, mas a Abraleite continua empenhada em concluir a regulamentação de rotulagem para o leite a2 junto às autoridades do Mapa e Anvisa. (As informações são da Abraleite, adaptadas pela Equipe MilkPoint)

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