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03/05/2019

Porto Alegre, 03 de maio de 2019                                              Ano 13 - N° 2.971

   Novas regras para o leite reúnem especialistas em Porto Alegre

Iniciou por Porto Alegre a rodada de reuniões promovida pelo Sindilat  para discutir os novos pontos das Instruções Normativas 76 e 77 do Ministério da Agricultura, que passam a vigorar a partir de 30 de maio e que ampliam o grau de exigência das áreas produtiva e industrial do setor lácteo. 

Na manhã desta sexta-feira (3), 17 entidades abriram um canal de comunicação direto com o Ministério da Agricultura, que será o órgão responsável pela fiscalização das regras impostas pelas normativas que visam boas práticas de produção e gestão dentro da cadeia produtiva, oferta de um leite de qualidade ao consumidor e, por consequência, novos mercados para o produto brasileiro. 

O presidente do Sindilat, Alexandre Guerra, ressaltou a importância do evento que buscou incluir todos os agentes da cadeia na discussão sobre os processos de mudanças nas regras de produção, coleta e entrega do leite às indústrias. "Já debatemos muito sobre a necessidade de ganharmos um prazo maior para adequação, e agora, às vésperas da vigência das INs, promovemos esse debate com o intuito de esclarecermos a operacionalidade das 2 INs para que possamos ter o êxito necessário na nossa atividade", afirmou Guerra. O dirigente pontuou a necessidade de ampliação da qualidade do leite para ganhos de competitividade, mas lembrou que um período maior de adequação e de exceção sobre alguns pontos das INs seriam importantes para adequação de todo o processo. "Muitas das exigências não dependem apenas do produtor e da indústria. Para se entregar um leite de qualidade também é necessária uma infraestrutura compatível, como acesso à energia de qualidade na propriedade e de boas estradas, além da linha de crédito para troca ou compra de equipamentos", citou. 

O encontro realizado no auditório da Superintendência Federal do Ministério da Agricultura e Pecuária reuniu dois representantes da pasta, que levaram esclarecimentos importantes ao público, especialmente sobre os novos parâmetros de qualidade do leite - Contagem Bacteriana (CPP) e Contagem de Células Somáticas (CCS). Pelas normativas, foi mantida a contagem bacteriana máxima de 300 mil unidades por ml e 500 mil células somáticas por ml para o leite cru refrigerado. Uma novidade, no entanto, é que a CPP no leite cru de silo (indústria) deverá ser de 900 mil ufc/ml antes do processamento. "Até três vezes é o que se pode perder (300 mil ufc a 900 mil ufc) entre a produção do leite e a entrega  na indústria", salientou a médica veterinária Milene Cé, ao comentar sobre aspectos das INs 76 e 77.  Segundo ela, essa adequação segue tendência mundial já adotada nos Estados Unidos e na União Europeia.  

Em relação à contagem bacteriana, a especialista ressaltou que a exclusão do produtor no processo de fornecimento do leite somente ocorrerá após três meses consecutivos onde a média geométrica final extrapole o padrão (acima de 300 mil ufc/ml). "O retorno à atividade dependerá do resultado da amostra coletada por laboratório da RBQL (Rede Brasileira de Laboratórios da Qualidade do Leite). Quando o produtor alcançar uma primeira coleta dentro do limite legal poderá ser reintroduzido e terá sua média (histórico) zerada", explica Milene. Segundo ela, como a amostragem se dará trimestralmente, serão conhecidos em outubro deste ano os primeiros resultados de propriedades que não conseguiram atingir a contagem de 300 mil ufc/ml.

O médico veterinário do Mapa Bruno Leite falou sobre o Plano de Qualificação de Fornecedores, previsto no artigo 6º da IN 77, que trata da necessidade de assistência técnica e gerencial visando à implantação de boas práticas na atividade leiteira. "O objetivo dessa política pública nada mais é do que aproximar produtor e indústria e garantir mais segurança alimentar ao consumidor, além de focar no desenvolvimento ao setor produtivo", salientou. De acordo com Leite, a indústria é quem será responsável por buscar opções de assistência técnica, seja por meio da Emater, Sebrae, Senar ou até mesmo via parceira direta com os produtores. "O plano busca colocar no papel a política da empresa (indústria) em relação à qualidade do leite", frisou. 

As dúvidas das mais de 100 pessoas presentes no evento foram suavizadas com o depoimento do produtor Fernando Boll, de Ivoti, cooperativado da Piá. Boll contou os resultados alcançados pela propriedade ao ingressar no projeto Mais Leite, do Mapa, que culminou em melhorias de manejo, genética, nutrição e reprodução. "Conseguimos nos adequar aos níveis de CCS e CPP que serão exigidos. Melhoramos a qualidade do leite e muito mais do que isso, melhoramos a qualidade de vida da nossa família", relatou o jovem produtor. Boll reforçou que todos os dados extraídos da propriedade são colocados em planilhas e, após observação detalhada dos resultados, é feita a tomada de decisão. "Quero produzir um leite que eu mesmo possa ter coragem de beber", disse, ganhando aplausos da plateia.

O presidente do Sindilat finalizou o evento salientando a responsabilidade dos presentes que, na prática, representam mais de 65 mil famílias que atuam com o leite. "Saímos daqui com muitas missões a serem cumpridas, mas é importante reforçar que muitas delas não dizem respeito somente ao produtor e à indústria, mas também ao poder público no que se refere a gargalos de infraestrutura", salientou. Guerra pontuou ainda que o evento desta sexta-feira é apenas um de vários que ainda vêm pela frente.

Uma mesa redonda com painelistas e representantes das entidades foi realizada no final do evento, a fim de tirar dúvidas enviadas por redes sociais durante a transmissão do evento pela TV Emater-RS. Na próxima semana, o encontro acontece em Passo Fundo (08/05) e em Lajeado (09/05).

Inscrições para Passo Fundo podem ser feitas através do link: https://bit.ly/2JfhE19

Inscrições para Lajeado podem ser feitas através do link: https://bit.ly/2GYvySk


Crédito: Stéphany Franco 

 
 
                 
 

Cenário positivo para os produtores de leite

Os produtores de leite do país tendem a ter margens de lucro melhores em 2019 que em 2018, principalmente se as condições favoráveis à atividade observadas nos primeiros meses do ano persistirem no segundo semestre. Enquanto os preços pagos aos pecuaristas aumentaram quase 20% de janeiro a abril, para R$ 1,49 o litro, em média, os custos de produção subiram marginalmente (de 1% a 1,5% até março), segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Na comparação com o primeiro quadrimestre do ano passado, os preços pagos registraram alta de 34%. "O ano começou atípico para o segmento. O aumento de preços, que costuma ocorrer entre fevereiro e maio, quando a captação é menor, começou em janeiro", afirmou Thiago Rodrigues o assessor técnico da CNA. Essa antecipação é resultado da safra do Sul do país em 2018, menor que a esperada, e do veranico de janeiro deste ano, que afetou a produção no Sudeste e reduziu o volume de captação.

O índice de captação de leite do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) caiu 3,05% em janeiro e 4,73% em fevereiro. Em março, a queda foi de 1,6% ante fevereiro. Em 2018, a captação de leite com inspeção somou 24,5 bilhões de litros no Brasil, alta de 0,5% sobre 2017, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Tudo indica que o movimento de recuperação dos preços pagos aos produtores perderá força até junho, com a entrada da nova safra da região Sul do país, mas mesmo assim os valores deverão continuar mais elevados que os praticados no ano passado. Conforme estimativa da CNA, em abril o preço médio nacional do litro ficou de R$ 1,56, ante R$ 1,38 no mesmo mês do ano passado. Para maio, o valor projetado para o litro é R$ 1,59, ante R$ 1,45 em maio de 2018, e para junho a entidade espera que os R$ 1,59 se repitam - em junho do ano passado, a média foi R$ 1,47 por litro. Em um mercado em que cada centavo faz a diferença, já será uma boa notícia. "Com isso, as margens dos produtores deverão ser maiores que as do ano passado", afirmou Valter Galan, analista do MilkPoint. "Mas isso vai depender de quanto será a queda depois de junho".

 
Como a economia não está crescendo como esperado, as indústrias deverão segurar os reajustes nas gôndolas para estimular o consumo. Ao mesmo tempo, tendem a diminuir os preços pagos aos pecuaristas para preservar suas próprias margens.

Essa dificuldade das empresas em elevar os preços dos lácteos sem prejudicar tanto as margens já limitou a valorização no campo em abril, segundo avaliação do Cepea. A "Média Brasil" líquida de abril, referente à captação de março, aumentou 0,92% (praticamente um centavo) em relação a março, para R$ 1,4920 por litro. "Não há nenhum indicativo de que o consumo vai melhorar e, mais cedo ou mais tarde, a indústria vai pressionar o produtor", acrescentou Rodrigues, da CNA.

Assim, os custos de produção também farão muita diferença para a manutenção das contas dos pecuaristas no azul. "Os preços do milho estão favoráveis e a perspectiva é de uma safra farta. Mas, se houver algum problema climático, esse cenário pode mudar", afirmou Rodrigues.

Com a menor oferta no mercado interno no começo do ano, as importações ocuparam parte do mercado, que se abriu. No entanto, as produções de leite da Argentina e do Uruguai recuaram no primeiro trimestre do ano - 8,5% e 9%, respectivamente. E a alta do dólar reduziu a atratividade das importações. "Isso abriu espaço para essa maior de oferta do produtor de leite nacional", disse Galan, do MilkPoint.

As importações brasileiras recuaram 36,5% em março ante fevereiro, para 80,9 milhões de litros, de acordo com dados do Cepea. Ante ao mesmo período do ano passado, a retração é de 26%. O Brasil tem histórico de importar leite em pó dos dois países vizinhos e um longo processo de negociações para reduzir os volumes adquiridos. E, nos últimos três anos, essa redução vem ocorrendo. No ano passado, o país importou 96,68 mil toneladas, ante 103,44 no ano anterior, segundo dados da Viva Lácteos.

De acordo com Marcelo Martins, diretor executivo da Viva Lácteos, entidade que representa os principais laticínios que atuam no mercado brasileiro, se a aprovação da reforma da Previdência se concretizar, o cenário para o segmento será "extremamente positivo" neste ano. Para ele, a grande volatilidade dos preços do mercado interno, que oscilaram 52% em 2018 e 29,5% no ano anterior, também prejudica o produtor. E a saída é ampliar o consumo interno e as exportações. "A gente vem fazendo um trabalho para melhorar a commodity. O avanço tem acontecido na exportação de produtos de produtos de maior valor agregado, como queijos". (As informações são do jornal Valor Econômico)

Consumo/AR

O Observatório da Cadeia Láctea Argentina (Ocla) publicou dados alarmantes em relação à cadeia láctea: o consumo médio anual caiu para 183 litros por pessoa no primeiro bimestre do ano. 

A crise econômica persistente que atravessa o país oferece cenários de deterioração social alarmantes, em especial pela incapacidade do Governo para controlar a escalada inflacionária, que é exponencial em produtos de primeira necessidade, em especial, alimentos.

O caso mais problemático se viu nas últimas semanas no segmento lácteo, com o aumento nos preços e desabastecimento nos supermercados de marcas mais baratas por uma decisão empresarial monopolista.

O consumo médio de leite caiu para 183 litros anuais, por habitante, no primeiro bimestre de 2019, em comparação com igual período do ano passado. É o nível mais baixo desde 2003, quando ficou em 179 litros em média, revelou o relatório do Ocla.  

 
O observatório atribui a queda a distintos motivos: a combinação de menor produção no início do ano (caiu 8,3% no primeiro trimestre), a liquidação de estoques em 2018, para produtos com melhores condições de exportação (subiu 37% em toneladas) por necessidade de fazer caixa no mercado doméstico, somado à baixa no consumo, muito importante no final de 2018 e início de 2019, que “gerados, obviamente, pela menor oferta”.

 
“Essa menor oferta no mercado interno foi mais intensa no item leite fluido e dentro deles sua versão refrigerados, que fundamentalmente é o produto de maior consumo, pela diferença de preços entre os pacotes de leite e aqueles apresentados em embalagens cartonadas e a menor quantidade de marcas disponíveis nas gôndolas (baixa disponibilidade de matéria-prima e/ou plantas desativadas)”, esclareceu o boletim do Ocla.

Por outro lado, dias atrás o presidente da Sociedade Rural Argentina (SRA), Daniel Pelegrina, afirmou que a elevação de preços do leite se deve “à queda na produção”, e previu que o problema será resolvido “na primavera, quando houver novos aumentos de produção”. O dirigente acrescentou que “hoje temos o mesmo nível de produção de leite de 15 anos atrás, e desde então foram fechadas 2.000 fazendas de leite. Quanto mais produção houver, melhor”.

Pelegrina também destacou que “a exportação também demanda mais porque melhoraram os preços e é preciso cumprir com compromissos no exterior”, em referência à desvalorização cambial que melhorou a competitividade para a venda de lácteos, a custo do consumo local, segundo acusaram muitos especialistas do ramo. Apesar de tudo, o dirigente assegurou que “apenas foram exportadas 20% da produção, tanto de carne como de leite”. (Conclusión – Tradução livre: Terra Viva)
 
 
Produção de leite dos EUA caiu 0,4% em março
A produção de leite norte-americana foi negativa em março, com a produção de leite dos EUA caindo 0,4% em todos os 50 estados e 0,1% nos 23 maiores produtores, informou o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Esta é a primeira vez desde fevereiro de 2017 que a produção de leite caiu, embora essa seja uma diferença contábil, porque 2016 foi um ano bissexto e fevereiro de 2016 teve um dia extra de produção de leite. Notavelmente, no entanto, o número de vacas voltou a cair significativamente, com 86.000 menos cabeças em março em relação a um ano atrás (-0,91%) e 10.000 a menos que em fevereiro. O USDA diz que há agora 9,344 milhões de vacas leiteiras nas fazendas dos EUA, abaixo dos 9,430 milhões do ano anterior. Dos 23 principais estados leiteiros, 10 relataram menos produção de leite com relação ao ano anterior em março, e 15 desses estados relataram menos vacas. A Pensilvânia, por exemplo, teve queda de 29.000 cabeças, o Novo México de 12.000, Ohio e Virgínia de 10.000 e a Califórnia de 9.000. Mesmo os estados que apresentaram crescimento, como Texas, Colorado e Dakota do Sul estão sentindo os efeitos de margens mais apertadas. O Texas teve aumento de apenas 5,8% na produção de leite, mas com 27.000 mais vacas. O Colorado teve aumento de 3,9% com mais 9 mil vacas, e Dakota do Sul aumentou em 3,5% com mais 4 mil vacas. (As informações são do https://www.milkbusiness.com, traduzidas pela Equipe MilkPoint)

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