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19/03/2019

Porto Alegre, 19 de março de 2019                                              Ano 13 - N° 2.940

      Venda do leite do Brasil depende da ampliação da produção e melhora da matéria-prima

Quinto maior produtor mundial de leite, o Brasil exportou em 2017 apenas 0,6% da sua produção inspecionada de lácteos. Mesmo prejudicado pelo baixo consumo interno em decorrência da crise, o setor não ampliou suas vendas externas, tendo fechado os últimos anos com déficit na balança comercial.

No entanto, é justamente o mercado externo que é visto como uma das vias para dois pontos fundamentais para a cadeia de leite: estabilidade nos preços e continuidade da expansão do setor. Estudo feito pela Embrapa Gado de Leite apontou que é a região Sul do país que tem viabilidade para exportar.

Em visita à 20ª Expodireto Cotrijal, o chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, Paulo do Carmo Martins, explicou que não é todo o Brasil que tem condições de embarcar lácteos para outros países. Por isso, defende a elaboração de políticas públicas regionalizadas para os estados considerados mais competitivos. “Na Região Sul estão os municípios que têm produtividade por vaca compatível com a da Europa”, diz Martins. “E há uma densidade maior, já que várias propriedades estão próximas, com boas produtividades, o que facilita e torna mais barata a captação pelas indústrias”, acrescenta.

Atualmente, o Rio Grande do Sul é o estado brasileiro com mais alta produtividade de leite. Em 2016, a produção anual por vaca foi de 3,1 mil litros, em média, enquanto que a média nacional cai para 1,7 mil litros, segundo o IBGE. Em Não-Me-Toque e Passo Fundo, a produtividade é de 4,4 mil a 4,6 mil litros por vaca ao ano.

Mesmo acreditando que o Brasil não será grande exportador de lácteos, já que conta com a vantagem da alta demanda interna, Martins explica que é importante parte da produção nacional ser vendida para fora. “Todo produto que participa do mercado externo tem maior estabilidade de preços. A cotação da soja, do milho, do frango, por exemplo, é estável porque se traz para o mercado interno a estabilidade internacional”, observa.

Em 2018, segundo o Ministério da Economia, o Brasil exportou 10 mil toneladas de lácteos, enquanto importou 96 mil toneladas. “Toda vez que tivermos excesso de leite aqui e o preço estiver caindo, temos que colocar o produto com mais intensidade no mercado internacional, mas, para isso, tem que haver continuidade, tem que ter política de longo prazo”, argumenta Martins.


(Foto: Guilherme Almeida)

O produtor de leite em Westfália, no Vale do Taquari, Elimar Kalkmann, que visitou a Expodireto na quinta-feira, concorda que o Brasil precisa, pelo menos, equilibrar a balança comercial do leite. Disse ser insustentável, hoje, o produtor receber preços remuneradores durante três, quatro meses no ano e depois sofrer com valores depreciados. Admite que, embora ache rigorosas as normas do Ministério da Agricultura sobre qualidade, desconhece as exigências feitas pelos países. “Só que para nós, pequenos produtores, profissionalizarmos mais ainda a produção precisamos fazer investimentos pesados e aí é que está o problema”, ressalva Kalkmann.

Estudo da Embrapa aponta rumos
Apesar de já estar presente no mercado internacional, o Brasil tem diversos gargalos para resolver e consolidar uma participação mais efetiva. Dentro da porteira, o estudo da Embrapa apontou que é preciso ampliar a produção por propriedade, bem como a qualidade do leite. Fora da porteira, entre os fatores que tiram a competitividade das exportações está a tarifação alta de insumos.

Produtor de leite há 21 anos em Erval Seco, Norte do Estado, Eleandro Volpatto, acredita que sem redução dos custos dos insumos o pequeno produtor não alcançará competitividade. Ele concorda que é necessária a melhoria da qualidade da matéria-prima. “Hoje a qualidade é baixa e para resolver isso o produtor tem que ter acesso à assistência técnica”, pontua.

Outro problema levantado pelo estudo é a guerra fiscal. O chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, Paulo do Carmo Martins, diz que pelo fato de cada Estado ter uma política tributária diferente dos demais é difícil a existência de grandes plantas de laticínios no país como ocorre, por exemplo, na Nova Zelândia. “A guerra fiscal exige que as empresas façam fábricas em diferentes Estados para explorar as condições tributárias de cada um deles. Isto é muito danoso”, completa. (Correio do Povo)

                 
 

São retomadas as importações brasileiras de lácteos

No primeiro bimestre as importações brasileiras de produtos lácteos terminaram à frente de igual período de 2018, com a Argentina, novamente, liderando as vendas. De acordo com os dados da Secretaria de Comércio Exterior, entre janeiro e fevereiro foram importadas 29.954 toneladas de produtos lácteos, um aumento de 58,8% em relação ao primeiro bimestre do ano passado. Com um preço de compra inferior, o aumento em dólares foi de quase 39%.

No primeiro bimestre as importações da Argentina totalizaram 18.120 toneladas, um salto de 79% em relação às 10.096 toneladas de janeiro e fevereiro de 2018. As compras de lácteos do Uruguai totalizaram 8.082 toneladas, um aumento de 42% em relação ao primeiro bimestre de 2018. O crescimento das importações ocorreu em um cenário de alta nos preços domésticos de leite. Segundo um levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em fevereiro o preço do leite ao produtor subiu 10,2% em relação a janeiro. 

O valor médio de fevereiro foi de R$ 1,414 por litro (US$ 0,37, com o dólar cotado a R$ 3,80), um preço 33,8% acima do valor de igual mês do ano anterior. Trata-se do maior valor médio para o mês de fevereiro – em termos reais – desde que começou o levantamento do Cepea, em 2004. 

A intensificação da alta de preços esteve atrelada à oferta limitada da produção, em janeiro, e o aumento da concorrência entre as empresas para assegurar a matéria prima. O volume captado em janeiro foi menor do que as expectativas dos operadores do mercado. (El Observador – Tradução livre: www.terraviva.com.br)

 
Estudo brasileiro indica que o kefir melhora a função cardíaca
The Journal of Nutritional Biochemistry publicou na edição de abril de 2019 estudo dirigido pela brasileira Mirian A Silva-Cutini, e que foi premiado em maio do ano passado, indicando que o tratamento com probióticos do kefir controla a pressão arterial, reduz o relaxamento do músculo cardíaco (hipertrofia cardíaca), e melhora a interação proteínas/cálcio, importante mediador da contração cardíaca. O estudo foi realizado em ratos hipertensos, e, deve ser realizado em humanos. “Essas descobertas sugerem que o kefir tem efeitos benéficos sobre a hipertensão e pode ser usado como um coadjuvante na redução da hipertensão”, escreveram os pesquisadores da Universidade de Vila Velha e da Universidade Federal do Espírito Santo no Brasil. 
Kefir no Brasil: A demanda global por kefir está explodindo conforme dados da Innova Marketing mostrando que o lançamento global de produtos de kefir quase triplicaram nos últimos cinco anos, com 140 produtos lançados nos últimos 12 meses. No Brasil, o interesse em kefir está, definitivamente, em ascensão, onde grande parte do kefir é preparado em casa, com porções diárias, com grãos de kefir obtidos por meio de doação, como uma “cadeia de probiótico”. A DuPont lançou recentemente uma linha de cultura de kefir, baseada em grãos de kefir liofilizados reais para ajudar a industrializar a categoria. (Dairy Reporter – Tradução livre: www.terraviva.com.br)

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