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18/03/2019

Porto Alegre, 18 de março de 2019                                              Ano 13 - N° 2.939

      União de esforços por lácteos de qualidade

Lácteos de qualidade
A Federação Internacional do Leite (FIL) vai ajudar o Brasil a utilizar as melhores práticas internacionais na produção e transformação de lácteos, afirma sua diretora-geral, Caroline Emond. O Brasil passou a integrar a entidade no ano passado. Recentemente foi instalado o comitê nacional com dez subcomissões para unir esforços de produtores, processadores, academia e governo. "O Brasil tem enorme potencial no setor lácteo, que deve ser visto como um motor de desenvolvimento econômico", diz Caroline, que fica sediada em Bruxelas.

A FIL tem 40 países membros e cobre 75% da produção global de lácteos. O Brasil é o quinto maior produtor de leite, atrás apenas de Índia, Estados Unidos, Paquistão e China. Guillaume Tessier, membro do comitê brasileiro, afirma que o Brasil é autossuficiente, mas tem problemas com a qualidade do leite, que não é suficiente para exportar. "O maior problema é a contagem de células somáticas no leite que, quanto maior, pior a qualidade", afirma. "A infraestrutura obsoleta, associada ao longo tempo de transporte até o laticínio, derruba a qualidade". 

Em termos de produtividade por vaca, o Brasil ocupa a 87ª posição em um ranking liderado por Israel e que tem a Argentina no 43ª posto. Já o custo de produção de 100 quilos de leite era de US$ 30 a US$ 40 em 2016 no Brasil, ante US$ 30 no México, no Uruguai e na Argentina. Na China, no Japão e em Israel, o custo superava US$ 50. O brasileiro consome principalmente leite fresco e iogurte, enquanto a demanda por queijo e manteiga segue baixa. O consumo per capita de manteiga é de 0,4 quilo por ano, ante 1,6 quilo no Uruguai. Já o de queijo é de 3,8 quilos por habitante ao ano no Brasil, abaixo dos 10 quilos na Argentina e 26 na França. Assim, diz Caroline Emond, o potencial para crescimento do consumo de lácteos no Brasil é significativo, assim como na Ásia e na África. Lácteos frescos são consumidos principalmente nos países em desenvolvimento, enquanto produtos processados como manteiga e queijo predominam nos países ricos.

Conforme a FAO, a Agência da ONU para agricultura e alimentação, o crescimento da produção global de leite poderá chegar a 22% até 2027, e grande parte desse aumento deverá ocorrer no Paquistão e na Índia. Em 2027, esses dois países deverão representar, juntos, 32% da produção global. A maior parte dos produtos será consumida internamente. Ao mesmo tempo, a fatia da União Europeia nas exportações globais deverá passar de 27% a 29%. Com exceção do leite em pó, os preços de lácteos deverão recuar em termos reais nos próximos anos. Nesse contexto, o domínio dos produtos frescos deverá aumentar nesse mercado, com uma expansão de 2,2% ao ano do consumo, a mais alta taxa entre as commodities cobertas pela FAO. O aumento será puxado sobretudo pela Índia, onde os lácteos são componentes integrais da dieta. Na Ucrânia e no Cazaquistão, o consumo per capita também tende a aumentar fortemente.

Enquanto países em desenvolvimento ampliam o consumo de lácteos frescos e deverão acrescentar 8,2 quilos per capita até 2027, o consumo de leite fresco nos países desenvolvidos tende a cair 1,7 quilo per capita com o consumo voltando-se para produtos processados. (Valor Econômico)

                 

Exportador de leite
 
A Nova Zelândia exporta 97% do leite que produz, o Brasil exporta míseros 0,1%. Na verdade, importa mais que exporta. Olhando o gráfico abaixo, de 2017, percebe-se que o Brasil possui um custo de produção por litro um pouco superior ao da Nova Zelândia, mas ainda um dos mais baixos do mundo.
 
Os Estados Unidos, o maior produtor mundial possui um custo de produção de 33% a 70% maior que o nosso ou da Nova Zelândia. E o Canadá, maior exportador de lácteos para os EUA, tem um custo imoral, aproximadamente 2 vezes maior que o Brasileiro. Sobrevive de uma pecuária leiteira extremamente organizada e com facilidades para exportar para os EUA. Produtores felizes com um plantel médio de 60 vacas, tão produtivas quanto as americanas. No entanto, os subsídios estão paulatinamente caindo e não há organização que resista a uma realidade adversa do mercado.
 
 
O Uruguai é o nosso Canadá, basta que EUA ou Brasil criem quotas para importação que o caos se estabelece na produção leiteira destes países. São países altamente vulneráveis assim como é a Nova Zelândia, por depender exclusivamente da exportação em sua lucrativa indústria de lácteos. Tudo que os países exportadores não querem é que o Brasil desperte e domine o mercado mundial assim como fez com o mercado de carnes. Mas isso vai acontecer mais cedo ou mais tarde e é por isso que investidores daquele país já estão no Brasil produzindo e outros países só querem uma estabilidade mínima política para entrar aqui produzindo em alta escala.
 
Tanto Brasil quanto a Nova Zelândia estão aumentando seus custos de produção, com o aumento do uso de silagens e grãos num processo similar ao dos EUA que ainda nem de longe podem competir em produtividade. Um caminho arriscado, se o produtor não estiver focado na produção e principalmente na redução de custos, utilizando substitutivos ou produzindo sua própria dieta. Propriedades pequenas não serão viáveis para a produção de leite nesta linha a curtíssimo prazo e mesmo produzindo a pasto terão dificuldades de sobreviver com o passar dos anos.
 
Crescer e Multiplicar
Para o produtor de leite que é jovem e quer participar deste futuro glorioso para o mercado do leite, é preciso investir gastando o mínimo. Produtores de sucesso aqui em Minas gastam uma ninharia comprando barracões de granja desativados e montam suas estruturas de compost barrn. Outros gastam uma fábula comprando tudo novo num negócio no qual o lucro se mede por centavos por litro. Um doce para quem acertar quem vai sobreviver. Lembrem-se que em nada adiantará continuarem a ser pequenos pois o preço do leite sofrerá constantemente a pressão de baixa dos produtores industriais. A proibição das importações será um paliativo temporário, mas o preço continuará caindo a longo prazo.
 
Pasto ou Semi-confinamento
Dez a 25% dos produtores de leite dos EUA já retornaram às pastagens, produzindo menos e lucrando mais. Nova Zelândia, Austrália, Irlanda, Uruguai nunca abandonaram as pastagens e produzem um leite com o menor custo graças principalmente as suas condições de clima. O que estes países sabem há muitos anos é o mesmo que a Embrapa e os EUA confirmam em seus estudos. Produzindo a pasto, os estudos dos EUA apontam para uma produção média de 6.000 kg vacas por lactação contra os 9.000 Kg do confinamento, no entanto, cada vaca gera uma receita de 100 dólares a mais na lactação. E o Brasil é riquíssimo e tem todas as possibilidades de produzir muito leite a um custo atrativo empregando pastagens irrigadas como a Nova Zelândia em suas plantas em Goiás e Bahia ou um sistema misto, com pastejo no período de chuvas e confinamento na seca.
 
Conclusão:
1 – O Brasil se transformará no maior exportador de lácteos;
2 – A atividade será grandiosa, mas não devemos nos iludir que bastará um banquinho um balde e umas vaquinhas;
3 – O leite em se tornando uma commoditie cotada em dólar, a pressão de baixa nos preços dos grandes produtores industriais vai impactar muito os pequenos. Ou produtor pequeno se prepara ou será uma luta desigual;
4 – O país passando a ser um player exportador, significa que teremos receitas e custos atrelados ao dólar e não somente os custos como acontece hoje;
5 – Mas o negócio é altamente promissor e os antigos modelos não servirão para muita coisa.
Agora, o governo vê o produtor de leite como um eterno chorão clamando por subsídios e restrições às importações, mas o produtor não se atenta a mostrar ao governo que a atividade pode dar aquilo que o governo mais precisa: dólares de divisas internacionais para combater seu déficit público monstruoso. Um ministro da economia tende a não saber o que é uma vaca, mas ele vendo as possibilidades fantásticas do novo negócio saberá juntamente com os produtores criar a estrutura de organização do setor para sermos mais rapidamente grandes exportadores de lácteos. Do contrário será a eterna choradeira todo final de ano. (Agro News)
 

Produção/EUA – Mais uma notícia ruim para as indústrias de laticínios do país. De acordo com o último relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) as licenças de fazendas para produção de leite caíram 6,8%, o que corresponde a 2.700 fazendas de leite a menos. Agora são 37.000 propriedades licenciadas para produção de leite. Isto é uma queda acentuada em relação às 40.000 licenças emitidas no ano passado.
Em Wisconsin, que tem o maior número de fazendas leiteiras do país, foi onde teve a maior queda. Foram 590 fazendas a menos do ano passado para cá. (Dairy Herd – Tradução livre: www.terraviva.com.br)

 

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