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04/12/2018

 

Porto Alegre, 04 de dezembro de 2018                                              Ano 12 - N° 2.872

GDT
 
Os produtores de leite da Nova Zelândia contam com esse resultado para projetarem sua renda. Até aqui não houve qualquer ganho nas cotações dos lácteos na temporada 2018/19. O principal produto negociado na plataforma, o leite em pó integral (WMP) perdeu 12% de seu valor desde o primeiro leilão de agosto de 2018, até o último leilão de novembro de 2018. Faltando pouco mais de 20 dias para encerrar o ano a interrupção das quedas é uma esperança de que o preço do leite ao produtor não seja tão forte. (GDT/Terra Viva)
 
 
 

Saiba por que o preço do leite está caindo e veja dicas de receitas para aproveitar o alimento

Preço do leite - Se o fim de ano é sinônimo de despesas extras, a boa notícia é que pelo menos um item básico da alimentação está com o preço em queda. Parceiro do café ou do achocolatado no café da manhã e de variadas receitas de doce, o leite longa vida está mais barato na prateleira.

Levantamento da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) mostra que, depois de custar R$ 3,26 (preço médio) em julho, o valor médio do litro chegou a R$ 2,93 na terceira semana de novembro, um recuo de 10,1%. O relatório do Instituto de Estudos e Pesquisas Econômicas da UFRGS (IEPE-UFRGS) também mostra praticamente a mesma redução em período semelhante: 10,4% de julho a outubro (os dados de novembro só são disponibilizados em dezembro).

O motivo da queda nos preços é o aumento da oferta do produto no mercado brasileiro. O excesso de produção em Minas Gerais, principal Estado leiteiro do país, ajudou a derrubar o valor nas gôndolas.

- As interferências do clima aumentaram a produção e houve necessidade de baixar os preços em função do excesso. Leite é perecível: ou vende ou joga fora - destaca o presidente da Agas, Antônio Longo.

Economia na prática

Na prática, essa redução pode representar uma economia de cerca de R$ 20 por mês, em uma família de quatro pessoas, considerando o consumo de dois litros diário.

- Em famílias com crianças em idade escolar, o consumo médio é de dois a dois litros e meio por dia. Em casas com crianças menores, o consumo aumenta - indica a nutricionista Cláudia Marchese Strey.

Além da folga no orçamento familiar, a baixa do preço também dá uma mãozinha para os comerciantes, principalmente aqueles que usam o leite como insumo para outras preparações, como Luís Fernando de Oliveira, proprietário de uma padaria no bairro Menino Deus, em Porto Alegre.

- Tudo vem aumentando, a luz, a farinha... A baixa no leite está dando uma ajuda. A gente trabalha muito com o leite longa vida na produção de doces, salgados, tudo praticamente usa leite - comenta.

Redução não deve impactar nos derivados

A expectativa tanto da indústria quanto dos supermercadistas é de que os preços se mantenham no mesmo patamar nos meses de verão enquanto a produção estiver alta e o consumo menor. Bom para o consumidor e para parte do comércio. Contudo, os valores mais baixos podem não chegar até o outono.

- Não é salutar ficar nesse patamar de preço, há necessidade de valor superior em função de custos do produtor e da indústria. O leite é um dos itens com menor margem no supermercado - avalia Longo.

Ainda que a matéria-prima esteja mais em conta, os derivados não devem sofrer grandes alterações, estima secretário executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios do RS (Sindilat), Darlan Palharini. Queijo, leite em pó, nata e manteiga devem manter-se na mesma faixa de preço.

- O custo da manteiga e da nata não caem porque são a gordura, como se fosse a "picanha" do gado: é pequena e o mercado absorve todo o consumo - diz o secretário.

Por que sobe tanto?

Os períodos de safra e entressafra têm grande impacto sobre o valor final do produto, como explica Palharini.

- Normalmente, se compararmos com anos anteriores, a lógica acontece nesse mesmo período. Na safra, o preço cai e, na entressafra, sobe. O produto falta em todo o Brasil e não compensa trazer de fora para fazer a manutenção do mercado - diz.

Em geral, o período intermediário entre uma safra e outra se estende de maio a setembro, no entanto, isso também depende das variações climáticas.

Dá para estocar?
Para uma vida útil adequada, ele deve ser transportado e conservado em temperatura ambiente, em lugar arejado e sem umidade. Normalmente, após aberto, o leite deve ser conservado sob refrigeração em até 48 horas, ou conforme orientações do fabricante, presente na embalagem. Na prateleira do mercado, a vida útil do produto é de quatro meses. (Diário Gaúcho)

 

Rede Leite avalia resultados de 15 anos de atividade e prospecta futuro

Em um momento de desafios para a atividade leiteira gaúcha, integrantes da Rede Leite reuniram-se nesta quinta-feira (29), em Ijuí (RS), para debater seus principais resultados e avanços, assim como as perspectivas para o futuro do trabalho, que completou 15 anos em 2018. A 4ª edição do Fórum da Rede Leite foi realizada no campus da Universidade Regional do Noroeste do RS (Unijuí) e contou com a participação de cerca de 150 pessoas, entre produtores rurais, pesquisadores, técnicos da assistência técnica e extensão rural, professores e estudantes. Durante o Fórum, uma série de exposições apresentou como a integração organizada entre as instituições e os produtores pode gerar ganhos para todos. No âmbito institucional, por exemplo, o avanço do conhecimento é facilmente percebido com a diversificação e fortalecimento da pesquisa científica, qualificação da assistência técnica e extensão rural e incremento da produção e formação acadêmica. Tudo isso tendo sempre como foco de trabalho e estudo os diversos aspectos que envolvem a atividade leiteira.

Mas o resultado mais vultoso e pragmático é visto, sem dúvidas, no campo, com famílias produzindo mais leite e com melhor qualidade. E se isso poderia ser o suficiente para muitos grupos organizados, para a Rede Leite é apenas uma das partes importantes. Temas como qualidade de vida, melhoria do ambiente, diversificação produtiva, saúde do trabalhador e sucessão rural, por exemplo, são tratados como fundamentais e são tão caros quanto a produtividade do sistema.

"Abrindo as porteiras para essas pesquisas, os maiores lucradores somos nós produtores. O conhecimento que chegou na nossa propriedade nos ajuda a ter mais renda, nos facilita muito o trabalho no campo, melhora o rebanho, a qualidade do leite", destacou a produtora Renita Cavalini, durante a apresentação do primeiro painel do evento intitulado "Como a Rede Leite fortalece o trabalho dos agricultores, dos extensionistas, dos professores e dos pesquisadores".

O relato da produtora Renita é reforçado com a constatação de que aspectos cruciais para todo o sistema produtivo funcionar em harmonia avançaram muito nas propriedades integrantes da Rede Leite ao longo dos 15 anos de trabalho. Passo importante para dar conta de abranger tantos assuntos do cotidiano rural foi a criação de Grupos de Trabalho (GT), que funcionam como guarda-chuva de grandes temas, mas que ainda assim conseguem perceber as especificidades de cada realidade. A diversificação forrageira, melhoria das condições de oferta de água e melhoria das pastagens e da fertilidade do solo são pautas constantemente abordadas com os produtores através dos GTs das áreas de forrageiras e ambiental. O GT de qualidade do leite e sanidade animal, por outro lado, levanta temas como contagem de células somáticas (CCS) e contagem bacteriana total (CBT), higiene da ordenha e doenças reprodutivas, entre outros. O grupo Econômico e Fora da Porteira apresenta novas possibilidades para a organização da propriedade e acesso aos mercados.

Mas como já dito, os assuntos técnico-econômicos são parte de um trabalho que sempre tenta olhar o todo. O GT Social, nesse sentido, dá conta de abordar assuntos que muitas vezes são esquecidos no meio rural. "Quando pensamos em um trabalho com produtores logo se imagina o uso de disciplinas como agronomia ou medicina veterinária. No caso do Grupo de Trabalho Social da Rede Leite, muitas vezes englobamos disciplinas da área da saúde, como enfermagem, nutrição, fisioterapia, biomedicina, entre outros", destacou a professora da Unicruz, Rosane Félix, durante a apresentação do segundo painel do evento, intitulado "Impactos positivos gerados na Agricultura Familiar: perspectiva social; ambiental e de alimentação animal; qualidade do leite e sanidade animal; econômica e de mercado". Exemplo claro disso foi o trabalho que envolveu 124 produtores, 42 extensionistas e 91 estudantes em dez municípios do Noroeste Colonial e Alto Jacuí, e que tratou de avaliar como estava a postura dos produtores antes, durante e após a ordenha, com a posterior indicação de alongamentos e práticas físicas para auxiliar no trabalho diário dos agricultores.

Desafios
Nos últimos três anos, o número de produtores de leite reduziu cerca de 20% no Rio Grande do Sul. Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Ijuí, que abrange 44 municípios dos Coredes Celeiro, Noroeste Colonial e Alto Jacuí e onde está situada maior parte do trabalho da Rede também houve diminuição. Em 2015, havia nessa região 13.659 produtores vendendo leite para a indústria. Em 2018, o número caiu para 10.029 produtores. A produção, no entanto, não sofreu grandes oscilações no período, devendo fechar o ano em aproximadamente 787 milhões de litros, contra 800 milhões de litros produzidos no ano de 2015. Com o cenário se postam também os desafios para o setor e para a Rede. De acordo com o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar e coordenador do Comitê Gestor da Rede Leite, João Schommer, surgem novas provocações e a Rede deve encontrar soluções criativas e inovadoras. "Uma das questões que se levantou para enfrentar esses desafios é a diferenciação desse produto, agregar valor, de forma a manter esses produtores na atividade. Temos um grupo qualificado, com instituições com grande potencial", ressaltou.

"Considero que houve avanços significativos em diversos aspectos relativos à produção de leite e ao processo de gestão conduzido pelos agricultores familiares. Avanços que foram sistematizados pela equipe da Rede Leite e socializados nesse Fórum. Mas sabemos que novos desafios já estão postos, destacando-se a oportunidade de agregar valor em função da qualidade do leite e das possibilidades de transformar em outros produtos diferenciados com potencial de inserção em mercados específicos. Outro aspecto que motiva preocupação da Rede Leite é a saída de milhares de famílias da atividade leiteira, e as consequências desse processo", destacou o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul Gustavo Silva.

O professor do Departamento de Estudos Agrários da Unijuí (DEAG) e integrante da Rede, Roberto Carbonera, também comentou sobre o futuro da Rede. "Já estamos trabalhando na renovação do convênio entre as instituições parceiras. Além disso, foi tratado de perspectivas de Projetos entre essas Instituições, para alavancar recursos e desenvolver projetos na região", observa. O produtor do município de Nova Ramada, Neri Foguesatto, integrante da Rede Leite desde o início, observa que o grupo deve cada vez mais se fortalecer, com a participação ativa das instituições e dos produtores. "O programa é um incentivo para nós produtores, e cada vez temos de participar mais, para trocar conhecimentos, construir ideias. A gente vai buscando informações e vai melhorando a administração de toda a propriedade, com resultados excelentes não só na renda como na qualidade de vida da família", disse.

Abertura do evento
Durante a abertura do evento, a reitora da Unijuí, Cátia Maria Nehring, destacou a importância da Rede para o universo acadêmico-científico e para os produtores da região, todos envolvidos em um ambiente de discussão e proposição sobre desenvolvimento sustentável. "Envolver diferentes sujeitos, a partir do pensamento que podemos fazer pesquisa e extensão com quem efetivamente está no campo, os agricultores, que estão fazendo a atividade principal", destacou. O prefeito de Ijuí, Valdir Heck, também reforçou a relevância dos trabalhos desenvolvidos pela Rede para que os produtores se mantenham na atividade. "Vamos seguir trabalhando pesquisa e desenvolvimento para abastecer nossas indústrias através da produção. Esse é nosso desafio, cada vez com mais leite de qualidade e renda para o produtor", disse.

Compuseram a mesa de abertura de evento, também, o chefe-adjunto de Administração da Embrapa Pecuária Sul, Daniel Montardo, a pesquisadora da Embrapa Clima Temperado Lígia Pegoraro, a reitora da Unicruz, Patrícia Bianchi, o gerente regional de Ijuí da Emater/RS-Ascar, Carlos Alberto Turra, o pró-reitor de Extensão da UFSM, Rudiney Pereira, o representante da Agel, Carlos Denis de Lima, o representante da Cooperfamiliar, Valmor Machado Soares e o representante do Instituto Federal Farroupilha Campus Santo Augusto, Francisco Flores. (Embrapa Gado de Leite) 

 

Setor vê alta de preços e de captação

Lácteos - Diante da perspectiva de aquecimento da economia e queda dos custos de produção, o mercado espera um 2019 mais positivo para produtores e indústria de laticínios, estimam especialistas.

"O ano de 2019 parece promissor", disse o chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, Paulo do Carmo Martins, durante o evento Ideas for Milk, ocorrido na sexta-feira (30).

Ele destaca que o valor pago ao produtor está muito ligado à renda da população e que a perspectiva nesse sentido é de melhora. O preço médio pago ao produtor deve encerrar este ano entre R$ 1,20 e R$ 1,25 o litro, em média, em um período marcado por oscilações.
"Acredito que esse patamar deve se elevar no ano que vem, especialmente de maio a setembro", ponderou, referindo-se ao período de entressafra na produção.

Do ponto de vista de custos - que neste ano foram elevados pelo câmbio e transporte -, ele projeta uma manutenção nos patamares atuais e uma oferta de milho maior.

Martins destaca, ainda, que 2018 foi um ano atípico. "Começamos o ano muito bem, mas tivemos a greve dos caminhoneiros que gerou um impacto profundo na receita tanto para produtor, que continuou produzindo e não pode entregar, quanto para a indústria, que não pode receber o leite", pondera.

Captação
O gerente nacional de leite e ingredientes lácteos da Danone, Bernardo Araujo, projeta um 2019 mais otimista. "Esperamos que no ano que vem haja uma expansão e a volta do consumo de produtos de maior valor agregado. Se isso se concretizar, a captação deverá crescer", projeta.

No ano passado, a captação de leite no Brasil somou 33,5 bilhões de litros, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para 2018, a perspectiva dos especialistas é de que esse volume se mantenha. Para o diretor de marketing ruminantes da DSM, Juliano Acedo, o cenário é otimista, com aumento de demanda e recuperação de preço ao produtor, o que deve estimular a busca por insumos para a pecuária leiteira no ano que vem.

"Estamos animados. Esperamos um crescimento de 10% nas vendas do segmento em 2019. Para este ano, projetamos um número muito parecido com o de 2017." ( DCI)
 
No Radar
Diante da informação de que a de vacinação contra a febre aftosa foi ampliada pela falta de doses, o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal emitiu comunicado em que afirma que "foram produzidas e colocadas à disposição do mercado vacinas contra aftosa em volume suficiente". E diz ter "estoque emergencial superior a 5 milhões de doses". (Zero Hora)

 

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