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26/06/2018

 

Porto Alegre, 26 de junho de 2018                                              Ano 12 - N° 2.764

  Sucessão exige gestão profissional

Manter as novas gerações no campo e garantir a sucessão nos tambos gaúchos passa por uma gestão profissional, com definição de atribuições, metas e, inclusive, de pró-labore para os integrantes da família. A posição foi defendida pelo presidente do Sindilat, Alexandre Guerra, durante o 6º Fórum Itinerante do Leite, que reuniu cerca de 800 pessoas nesta terça-feira (26/6), em Santa Rosa (RS). Segundo Guerra, não há mais espaço para amadorismo na atividade. "Os produtores hoje são gestores de seu próprio negócio." Otimista, Guerra disse que há amplo potencial para crescimento do setor lácteo a ser desenvolvido pelos jovens no mercado interno e externo.

A importância de maior estabilidade na remuneração da atividade foi pontuada pelo representante da Fetag e presidente do Conseleite, Pedrinho Signori, como essencial para tornar a atividade mais atrativa às novas gerações. "A oscilação na cultura do leite é muito grande. Isso traz desestímulo para o jovem seguir na atividade. Temos que ter em mente que o leite muito barato hoje ao consumidor pode significar um preço muito caro amanhã", salientou. Em coro, o diretor da Farsul Jorge Rodrigues citou a relevância de mão de obra qualificada e estudo para melhoria contínua da produção. "Os jovens têm que saber que esse é um trabalho dignificante."

Mais que isso, pontuou o assistente técnico em Criações da Emater Ivar Kreutz, é preciso diálogo e visão. "Sucessão não se faz quando os jovens já foram. Eles não vão voltar. É quando são pequenos que é fundamental se pensar em sucessão".

A importância de integração de gerações para o sucesso dos tambos leiteiros gaúchos foi exemplificada na apresentação realizada pela jovem Mariane Moz, sócia da Agropecuária Moz, de Tuparendi (RS). Ao lado dos pais, do namorado e de quatro funcionários, ela administra a propriedade com olhos no futuro e na qualidade. Segundo ela, diferentemente do que comumente se diz, sucessão rural na Agropecuária Moz não significa "substituir o velho pelo novo". "Na Moz é diferente. Usamos a experiência dos meus pais aliada ao meu conhecimento técnico e à orientação de gestão e administração de custos de meu namorado", pontuou.

O tambo, que começou de forma tímida a integrar a renda da família em 1994, hoje é a principal atividade da propriedade, que produz 4,3 mil litros por dia com 115 animais em lactação de um rebanho de 280 animais. O amor de Mariane pela produção começou ainda criança. Com 12 anos já ordenhava os animais e ajudava a família. Alguns anos depois, é ela que pilota os projetos de qualidade do leite e transferência de embriões, além do sistema de Compost Barn que garante bem-estar animal e bons lucros aos Moz.

Terceirização da recria
Um grupo de 20 produtores da região de Tuparendi (RS) vem obtendo excelentes resultados com a terceirização de alguns processos produtivos que permitam aos tambos focar sua atuação exclusivamente na obtenção do leite. A sócia da Fazenda Bom Sucesso, Marjorie Ghellar, relatou o processo de terceirização da recria de terneiras realizado pela Cooperativa de Produtores de Leite Fronteira Noroeste (Cooperlat). "Isso nos permite foca apenas na produção de leite e abrir espaço na propriedade."

Pelo sistema, as terneiras são remetidas a Uruguaiana (RS) para recria e só retornam com sete meses de prenhez prontas para a produção. Além disso, informa ela, a cooperativa vem ajudando muito com prestação de serviços de maquinário a seus associados. Criada em 2006, a Cooperlat tem um total de 1,8 mil animais e produz 26 mil litros/dia. (Assessoria de Imprensa Sindilat)

 
Foto: Carolina Jardine
 
 
 

Planejar a produção é segredo para férias no tambo

O descanso é visto como essencial para garantir motivação ao produtor e um trabalho bem feito. Consciente da necessidade de aliviar o peso do dia a dia dos tambos - atividade reconhecida por trabalho ininterrupto ao longo do ano -, o médico veterinário da macrorregião Norte da Emater Paraná, Paulo Hiroki, garante que pensar a produção e planejar o ciclo reprodutivo dos animais pode ser feito de forma a viabilizar férias até para quem trabalha com o leite. "Se eu posso planejar eu posso ter descanso", citou ele durante painel na manhã desta terça-feira (26/6), durante o 6º Fórum Itinerante do Leite.

Com um calendário definido e rebanho estabilizado, ele sugeriu a criadores do Paraná diminuir a estação de partos para que o produtor pudesse planejar seu descanso para meses de dezembro ou janeiro, quando se tem muito leite no mercado e baixo consumo. O sistema, garante ele, dá certo: "Leva três anos para preparar suas férias." Também é importante prever corte de despesas em determinados períodos para compensar a interrupção de lactação durante as férias.

O painel ainda apresentou o case do produtor Ezequiel Nólio, proprietário do Tambo Nólio, de Paraí (RS). Enfrentando falta de mão de obra qualificada para exercer a atividade, adotou a robótica para manejar o rebanho. "Agora, os donos podem sair para passear, podem estar aqui dando palestras", relatou o produtor.

De acordo com ele, o uso de robô na ordenha exigiu poucos ajustes de estrutura do pavilhão do gado, o que, ao lado do custo da máquina, somou R$ 900 mil. Essa mecanização, cita ele, é alternativa para viabilizar a sucessão no campo porque alivia o trabalho e pode eliminar a contratação de funcionários. Em dois anos, ele conta que a produtividade média do Tambo Nólio passou de 28 litros vaca/dia para 35 litros por vaca/dia. O manejo, antes feito por um empregado e duas pessoas da família, hoje é realizado apenas por uma pessoa e pelo robô. O número de vacas em lactação caiu de 75 para 63, mas a captação se manteve em 2,2 mil litros/dia, garantindo otimização do uso de concentrado e melhor rentabilidade. Ao mudar a ordenha para o sistema mecanizado, Nólio teve redução imediata de 130 quilos de consumo de concentrado/dia. (Assessoria de Imprensa Sindilat)

 
Foto: Carolina Jardine

Grande Santa Rosa perde produtores mas eleva captação e produtividade

A região da Grande Santa Rosa perdeu 3,6 mil produtores de leite entre 2015 e 2017 (37%), movimento registrado em todos os 20 municípios que integram a área de atuação do APL Leite Fronteira Noroeste. O abandono da atividade ocorreu tanto em tambos pequenos, com captação diária de 50 litros, quanto naqueles maiores, na faixa de 1 mil/dia. Segundo levantamento do APL Leite realizado com base em dados da Emater e divulgado na noite desta segunda-feira (25/06), durante programação preliminar do 6º Fórum Itinerante do Leite, em Santa Rosa (RS), no mesmo período, os que ficaram na atividade conseguiram se tornar ainda mais competitivos, elevando a produção da região de 415,2 milhões de litros ano para 431,6 milhões de litros.

O faturamento das propriedades também cresceu: de 50 para 84 salários mínimos ao ano. "Quem ficou está recebendo mais, mas também está produzindo mais", garantiu o gestor do APL Leite, Diorgenes Albring. A realidade da produção gaúcha e os desafios para torná-la mais lucrativa são temas do 6º Fórum Itinerante do Leite nesta terça-feira (26/06) que pretende reunir mais de 500 pessoas no Instituto Federal Farroupilha em Santa Rosa.

O desafio agora é refinar os números sobre os custos de produção, que hoje oscilam entre R$ 0,80 e 0,90 para criação a pasto e R$ 1,10 a R$ 1,20 para confinamento na região. "Está sobrando tanto dinheiro como sobrava antes, mas esse dinheiro tem menos poder de aquisição do que antes. Aí se cria uma sensação de fracasso na atividade. O produtor não faz a conta do que é custo de produção e o que é custo da família". Durante apresentação na noite desta segunda, Albring frisou que há muito a pleitear junto aos administradores municipais no intuito de conseguir incentivos para qualificar a produção e fomentar avanços na criação de gado leiteiro. E lamentou que boa parte da captação de leite realizada na Grande de Santa Rosa não seja processada na região, minimizando a possibilidade de geração de renda e emprego local.

Coordenando o projeto, o secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, citou que o setor ainda precisa enfrentar a baixa produtividade por vaca, que, muitas vezes, está abaixo de 20 litros/dia. Contudo, frente às dificuldades do mercado, resta ao produtor controlar seus custos de produção de forma a manter-se competitivo. "O produtor de leite é uma mini-indústria em cada município, um empreendedor que gera ICMS como qualquer outro empresário da cidade", salientou.

Anfitriã do evento, a diretora geral do Instituto Federal Farroupilha - Campus de Santa Rosa, Renata Rotta, reforçou a relevância de receber um evento do porte do Fórum Itinerante no município. "É muito importante essa aproximação da cadeia produtiva com as atividades que realizamos na instituição", disse. Relevância que também foi pontuada pelo assistente técnico da Emater na área de criações Ivar José Kreutz: "É um momento de parar e repensar a fora de realizarmos atividades junto a esses produtores". Autoridades oficializaram a abertura dos trabalhos para o evento com brinde de leite em uma noite que contou com a presença de prefeitos, secretários municipais e dirigentes. Representando o Conseleite, seu presidente Pedrinho Signori enalteceu a força do setor leiteiro para a economia da região de Santa Rosa.

O 6º Fórum Itinerante do Leite é uma realização do Sindilat, do Canal Rural, do Fundesa, do Sistema Farsul e da Fetag. O evento tem apoio técnico do Instituto Federal Farroupilha - Campus de Santa Rosa, da Emater-RS e da Embrapa. O apoio institucional reúne AGL, AMGSR, APL, Apil, Gadolando, Jersey-RS, Coopermil, Cotrimaio, Fahor, Famurs, Fecoagro, Fema, Instituto Senai, Ministério da Agricultura, Ocergs- Sescoop, Prefeitura de Santa Rosa, Secretarias Estaduais da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi) e Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR), Setrem, Sicredi e Unijuí. (Assessoria de Imprensa Sindilat)
   
Foto: Carolina Jardine

Produção mundial 

Nos quatro primeiros meses do ano a produção mundial de leite de vaca cresceu 2% em relação a igual período de 2017. Por outro lado o Instituto Nacional do Leite (Inale) publicou que é projetado para 2030 um aumento da produção mundial de leite de 35%, ano em que a população crescerá 16% e o consumo per capita também crescerá 16%. 

Na tabela elaborada pelo site especializado em lácteos Clal.it aparece que a produção mundial de leite nos primeiros 4 meses do ano cresceu 2% em comparação com igual período de 2017. O dado surge ao analisar a produção dos principais países produtores e importadores que representam aproximadamente 60% da produção mundial de leite de vaca. 
 

Nos Estados Unidos (EUA) e na União Europeia (UE) a produção continua crescendo 1,3% e 2%, respectivamente mas, a menores taxas, enquanto que a Nova Zelândia apresenta queda de 1,8%, mas está se recuperando. O comportamento da produção ponderada de ambos hemisférios é praticamente idêntico em termos relativos, mas, existe uma preeminência em termos absolutos do Hemisfério Norte (EUA, UE, Ucrânia, Bielorrússia e Turquia) em relação ao Hemisfério Sul (Nova Zelândia, Austrália, Argentina, Chile, Uruguai e Brasil). Na América Latina a produção é liderada pela Argentina (9,4%).

Estimativa da produção mundial em 2030: 35% a mais que em 2017
O Inale publicou uma estimativa da produção mundial em 2030 em relação a 2017. A expectativa é de que o crescimento da produção mundial de 304 milhões de toneladas de leite (que representa elevação de 35%) é equivalente a três vezes a produção atual dos EUA.

Em 2030 a população mundial será de 8,7 bilhões de pessoas (16% a mais que hoje). Portanto, haverá 1,2 bilhões de potenciais consumidores de lácteos; além disso, o consumo per capita deverá crescer também 16%.

O crescimento estimado da produção, por região entre 2017 e 2030 é a seguinte:
Ásia do Sul: 400 milhões de toneladas de leite (crescimento de 64%).
Europa Ocidental: 200 milhões de toneladas de leite (14%).
América do Norte: 150 milhões de toneladas de leite (26%).
Europa Oriental e Países da Comunidade Independente: 150 milhões de toneladas de leite (22%).
América Latina: 120 milhões de toneladas de leite (33%).
Oriente Médio e Próximo: 100 milhões de toneladas de leite (27%)
África: 60 milhões de toneladas de leite (36%).
Oceania: 50 milhões de toneladas de leite (22%). (TodoElCampo - Tradução livre: www.terraviva.com.br) 

Preços/NZ 
O preço dos lácteos caíram de leve outra vez na semana passada, no GDT, mas os resultados foram mistos, disse Emma Higgins, analista do Rabobank. Antes do leilão a expectativa era de queda nos preços. A média do índice caiu 1,2% (US$ 3.481/tonelada) acompanhando a tendência do evento anterior. O índice do leite em pó integral (WMP) perdeu 1% de seu valor e fechou em US$ 3.189/tonelada, enquanto que o índice da manteiga subiu 0,8%, fechando com a cotação de US$ 5.611/tonelada. "A Fonterra elevou o volume ofertado de leite em pó desnatado (SMP) com uma oferta extra de 200 toneladas, e os volumes aumentaram nos próximos 12 meses em 6.000 toneladas. "Dimuíram ligeiramente os preços do SMP e WMP. Os preços da manteiga mantiveram-se estáveis, mas, estão sendo negociados na Oceania com valores inferiores aos europeus, enquanto oos preços do cheddar registraram as maiores quedas, 3,6%."Este é um período de fraca produção de leite na Nova Zelândia, que fica esperando agosto, então outros discretos eventos nesta época do ano não são incomuns". Os números da produção de leite da Nova Zelândia em maio de 2018 foram divulgados na semana passada. Os dados confirmaram um forte final de temporada, com crescimento de 6,2% no volume em relação ao mesmo mês do ano anterior (aumento de 5,7% nos sólidos do leite na mesma comparação). "Isso deixou a temporada 2017/2018 no mesmo nível em relação a 2016/2017, havendo alta de 0,1% em volume de leite, e queda de 0,6% nas toneladas de sólidos do leite", diz Higgins. O economista agrícola do banco ASB, Nathan Penny, disse que a queda dos preços deve ter sido resultado da recuperação da produção no final da temporada e a desvalorização do dólar kiwi. A moeda norte-americana subiu 1% desde o último leilão, tornando os lácteos mais caros na moeda local. O ASB está mantendo a previsão de que a próxima safra 2018/2019 será iniciada com o preço ao produtor de NZ$ 6,50/kgMS, [R$ 1,30/litro]. (Dairy News - Tradução livre: www.terraviva.com.br)
 

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