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01/06/2018

 
 
 

Porto Alegre, 01 de junho de 2018                                              Ano 12 - N° 2.747

 

 Cortes causam impacto no setor agropecuário 

O setor agropecuário não saiu ileso aos cortes anunciados pelo governo federal para compensar os R$ 9,5 bilhões de subsídio ao diesel. A medida provisória 839, publicada ontem no Diário Oficial da União, detalhou quais setores e programas perderão recursos. Os cortes atingirão o Programa de Reforma Agrária, em R$ 30,77 milhões, e o Programa de Assistência Técnica e Extensão Rural para Agricultura Familiar, em R$ 5,44 milhões. A Defesa Agropecuária perderá R$ 2,99 milhões e a Pesquisa e Inovações para a Agropecuária, outros R$ 2,72 milhões. A medida provocou repercussão no setor. O vice-presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), Marcos Lessa, criticou os cortes na defesa agropecuária. 

Considera que o Brasil poderá se preparar para novos embargos comerciais, se continuar retirando verbas da fiscalização. “Há pouco tempo entrou em vigência o embargo de 20 frigoríficos de aves pela União Europeia e o governo acha que ainda pode diminuir recursos para esta área”, lamenta. Segundo Lessa, o afrouxamento da fiscalização também aumenta o risco da entrada de pragas e doenças no país, por meio de produtos contaminados. Vice-presidente da Farsul, Hamilton Jardim afirma que vê com preocupação os cortes divulgados, sobretudo, os relacionados à defesa agropecuária. “Cobramos muito dos nossos parceiros comerciais sanidade animal e vegetal, portanto, temos que dar exemplo e não perder o status sanitário conquistado pela fiscalização, reconhecidamente, eficiente”. Jardim também diz esperar que o governo não faça reajustes significativos no preço do diesel após os 60 dias de congelamento, justamente no período em que os produtores estarão formando a próxima safra de verão. “Acredito que o governo não reajustará muito acima do previsto, em véspera de eleições e com o risco de reativar a manifestação”, observou.

O presidente da Fetag, Carlos Joel da Silva, diz que o governo, ao apresentar estes cortes para atender o pleito dos caminhoneiros, demonstra que optou por fazer o mais simples: cortar investimentos. “Está tudo equivocado. O governo dá com uma mão e tira com a outra e não mexe onde realmente tem que mexer, nos privilégios”, critica Silva, ao lastimar corte na reforma agrária. O dirigente também se diz preocupado com possíveis aumentos nos juros no Plano Safra da Agricultura Familiar, que deve ser lançado na semana que vem. Hoje, as taxas praticados são de 2,5% a 5,5% ao ano. (Correio do Povo)
 

 
Cenário muda e alta do leite deve ganhar força

A interrupção na coleta de leite no campo durante nove dias em decorrência da greve dos caminhoneiros deve impactar os preços ao produtor do país no curto prazo, de acordo com análise da Scot Consultoria. Em maio, o produtor brasileiro recebeu, em média, R$ 1,116 pelo litro do leite entregue em abril, alta mensal de 1,7%. A pesquisa levanta os preços do leite praticados em 18 Estados. Antes da greve, a expectativa era que o ritmo de alta arrefecesse, lembra Rafael Ribeiro, analista da Scot. Agora, a previsão é que a valorização se intensifique no curto prazo porque a greve provocou uma queda na captação nas duas últimas semanas de maio. Dados parciais do Índice Scot de Captação de Leite mostram uma retração de 2,2% na coleta da matéria-prima no mês. Os números, contudo, ainda não consideram os efeitos totais da greve, por isso a queda deve ser maior, afirmou Ribeiro. 

 

Segundo ele, a captação de leite deve seguir prejudicada apesar do fim da greve, uma vez que as vacas receberam menos alimento nos últimos dias e deve demorar para que voltem a produzir normalmente. Os preços dos produtos lácteos também devem registrar alta no atacado e no varejo no curto prazo por causa dos estoques mais enxutos em decorrência da greve, disse. Há expectativa de demanda maior no varejo para reposição dos estoques. O levantamento dos preços no varejo em maio já refletiu, em parte, a greve dos caminhoneiros. O litro do leite longa vida no varejo de São Paulo subiu R$ 0,10 em maio na comparação com abril, para R$ 3,20, em média, segundo a Scot. No atacado houve pouca variação. A greve definitivamente mudou as expectativas de curto prazo da cadeia produtiva de leite. Pesquisa da Scot em 18 Estados do país com 158 agentes, como laticínios, cooperativas e produtores, indicou que 88% esperam alta no próximo pagamento ao produtor, 11%, estabilidade e apenas 1%, queda dos preços. (Valor Econômico)


Do apoio ao luto 

A sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Não-Me-Toque, no norte do Estado, amanheceu de luto. A faixa preta estendida em frente ao prédio manifestava a tristeza de produtores da região diante do quadro de perdas que se agrava diariamente em razão da mobilização dos caminhoneiros. Ao ter de repetir a ação de descarte de leite da propriedade, na manhã de ontem, o presidente da entidade, Maiquel Junges, 34 anos, decidiu agir:

- Estamos de luto. A faixa preta é em favor do associado, do agricultor familiar, que está perdendo o sustento da sua família.

Ao relatar aquele momento em que, em meio aos litros de leite jogados fora, teve a ideia da mobilização, Maiquel não conteve as lágrimas. Ele, que toca a propriedade com irmãos e acabou se tornando uma liderança no meio, preocupa-se, ainda, com o efeito que a atual crise possa causar no longo prazo.

- Como manter o jovem no campo? - questiona.

A família cria 25 vacas da raça holandesa e teve de colocar fora, até agora, 3,5 mil litros de leite.No início da mobilização, o sindicato, que tem 800 associados, dos quais cerca de 200 produtores de leite, foi procurado por caminhoneiros e apoiou a manifestação, levando tratores até Carazinho e realizando protesto. Mas o suporte ficou insustentável com a multiplicação de perdas. O endosso foi retirado. E deu lugar ao luto. (Zero Hora)


Fórum de investimentos

Durante o Fórum de Investimentos Brasil (FIB 2018), o ministro Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento - Mapa) divulgou portfólio de projetos do setor com potencial para atrair mais de US$ 4 bilhões em investimentos externos. São 161 projetos nas cinco regiões brasileiras em diferentes áreas da agropecuária, desde a produção vegetal e animal, passando pela infraestrutura, até a logística.

Além da participação do ministro Blairo Maggi no painel “Alimentando o Mundo: Agenda do Agronegócio”, realizado na tarde desta quarta-feira (30), o Mapa tem um estande no FIB, onde a carteira de empreendimentos ficou disponível para avaliação. O portfólio inclui projetos privados de avicultura, logística, celulose, frigoríficos, usinas, portos, pescado, reflorestamento, entre outros setores.

Na sua exposição, Maggi enfatizou que o país tem condição de enfrentar com facilidade críticas de natureza ambiental feitas por concorrentes no exterior. “O Brasil hoje é um país que consegue mostrar através de dados científicos que respeita o meio ambiente”, disse o ministro referindo-se a dados da Embrapa Territorial que demonstram a preservação de 65% do território com vegetação nativa. 

“E com a nova lei do Código Florestal, já conseguimos dar o endereço de 90% das propriedades agrícolas. Qualquer um pode entrar no sistema e ver a condição ambiental da minha propriedade”, afirmou.

Mas há outros desafios a enfrentar no mercado internacional para aumentar a participação brasileira no setor do agro, disse Maggi. “Agora mesmo, nós temos problemas na área de alimentos processados e frangos, por exemplo.

Há resistência muito forte de produtores europeus. Mas produzimos muito, com eficiência, conhecimento e capacidade. Diferentemente do que acontece no continente europeu e em muitos outros lugares, inclusive, com reconhecimento da própria OCDE, o Brasil é país que menos subsídio dá a seus agricultores”.

O Ministério da Agricultura tem adotado a estratégia de divulgar no exterior oportunidades de negócios no Brasil e vem colhendo resultados. Um exemplo é o investimento dos Emirados Árabes Unidos na ampliação de um frigorífico, que pode chegar a US$ 300 milhões em cinco anos.

Entre os empreendimentos estão, portos para escoamento da safra no Maranhão, produção de suínos, aves e peixes no Acre. Neste último caso, um dos projetos envolve a cadeia do pirarucu – peixe típico da Amazônia –, desde a produção de alevinos até o frigorífico, incluindo o tratamento do couro para produção de bolsas e calçados.

Marca para exportação
Maggi anunciou ainda o lançamento em breve do selo “O Melhor do Agro Brasileiro”. Inicialmente, produtos como café, grãos, suco de laranja e carnes contarão com marca, criada a partir da bandeira do Brasil. Códigos serão impressos em embalagens permitindo aos consumidores obter informações detalhadas dos itens.

“A nossa ideia é que esta marca sirva como um selo de garantia da qualidade de nossos produtos. Desejamos que quando nosso cliente bater o olho no rótulo reconheça a origem e segurança produtiva, como já ocorre em alguns países. Queremos que a pessoa identifique , através desta marca, um produto do agronegócio brasileiro e que, de forma rápida, encontre todas as informações necessárias.

Essa marca corresponde à mais uma segurança para o consumidor. Através do QR Code - código de barras que pode ser escaneado usando a maioria dos telefones com câmera -, o cliente terá acesso a toda cadeia produtiva referente ao produto, de onde veio, a matéria prima, por onde passou, como foi o processo produtivo, explicou o ministro.

Maggi destacou ter tido apoio da Agência Brasileira de Exportação (Apex) para adotar essa ferramenta. “Estamos lançando esta marca, esperando que consiga traduzir a integridade, qualidade e toda garantia dos produtos agropecuários brasileiros. Será lançado para o mercado externo, mas obviamente pode ser utilizado no mercado interno também. (Mapa)
 

Preço subiu 24% durante o ano
O preço pago pelo litro de leite em maio, pelo produto captado em abril, chegou a R$ 1,2545, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Usalq/USP divulgado ontem. O valor corresponde à chamada “média Brasil”, que tem dados dos sete maiores produtores entre os estados brasileiros. Os aumentos foram de 8,4% sobre o mês anterior e 24,2% no acumulado do ano. De abril para maio, a maior alta, de 10,34%, ocorreu no Rio Grande do Sul. A variação dos preços é atribuída pelo Cepea à queda da captação na entressafra. (Correio do Povo)

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