Com o objetivo de discutir o tema Sucessão da Propriedade Rural, a Emater, em parceria com a Embrapa Pecuária Sul e a prefeitura, realizou uma palestra recente para jovens provenientes do meio rural. O evento aconteceu durante a Mostra Agropecuária, que comemora os 15 anos de emancipação do município.
Para iniciar a atividade, o sociólogo da Embrapa Pecuária Sul, Jorge Sant'Anna, falou sobre os aspectos que envolvem a decisão do jovem permanecer na atividade rural, ou ir buscar outras experiências no meio urbano. Para Sant'Anna, muitos fatores podem contribuir para que o jovem continue no meio rural. Ele acredita que melhorar as condições de renda e trabalho, através de ciência e tecnologia, é um ponto que deve ajudar. "O meio rural não precisa ser atrasado, explorador e precário", diz. Segundo ele, outra questão que deve ser pensada pelo governo é o desenvolvimento de políticas públicas que auxiliem na conquista de crédito, acesso à comunicação, como internet e telefonia móvel de qualidade. "É preciso haver uma mudança de mentalidade.
A sucessão rural, muitas vezes, envolve pensar na morte de um ente querido, e isso acaba sendo um tabu. Também acaba mexendo com o poder paternal, pois para ela transcorrer com naturalidade é preciso que o chefe da família perca seu poder ou pelo menos passe a dividi-lo com o mais jovem", explica o sociólogo. De acordo com Sant'Anna, a propriedade rural precisa começar a ser vista como uma empresa familiar. "Começar a enxergar a produção rural através da perspectiva moderna da teoria da administração pode fazer com que a sucessão seja um assunto debatido com mais facilidade", conclui ele.
Após a palestra do sociólogo, o público foi divido em dois grupos para realizar uma técnica de representação teatral. Um deles desenvolveu uma situação em que um dos filhos da família deveria ter o desejo de permanecer na propriedade. No outro, os jovens possuíam o desejo de partir para o meio urbano. Nas duas situações os participantes apresentaram os motivos para cada uma daquelas escolhas serem feitas, através de diálogos teatrais. Atividade terminou com uma mesa redonda sobre o tema, onde o público presente expôs suas histórias e discutiu sobre os fatores expostos.
Para a extensionista de bem-estar social da Emater, Luana Alves, a discussão do tema é importante. De acordo com ela a constante evasão rural desperta a preocupação com o futuro da produção de alimentos. (Jornal do Comércio)



O leite é um alimento essencial na nossa vida. Mas antes de chegar na mesa do consumidor, ele passa por uma série de processos.
Depois de 31 anos de vigência, as cotas de leite na União Europeia (UE) foram revogadas no dia 1º de abril. A limitação obrigava os produtores locais a trabalhar com o freio de mão puxado. Agora, libertos da restrição, eles produzirão mais leite. Alguns pensam em duplicar o seu volume, aumentando o número de vacas ordenhadas. Naturalmente, os países do bloco irão disputar o mercado externo que o Brasil está almejando, principalmente Ásia, Rússia, África. O fim das cotas de leite na UE impõe que o setor lácteo brasileiro se torne mais competitivo. O Rio Grande do Sul, como o segundo maior produtor nacional, pode ter papel de destaque nesse novo cenário. Plantas industriais do Estado já estão certificadas ou em processo de qualificação para venderem produtos lácteos no Exterior. A par disso, é preciso que os produtores de leite se mobilizem para obter a indispensável certificação como livres de tuberculose e brucelose. Eles podem contar com o apoio do Fundesa (Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do RS), cujo Comitê Técnico é integrado por Fetag, Ministério e Secretária da Agricultura, Farsul e Sindilat, para conseguir o status. Notícias do chamado velho continente indicam que os produtores de maior competitividade e valor, no universo composto pelos 28 países-membros da comunidade europeia, são os da Irlanda, Holanda e Dinamarca. A Irlanda, diante do novo cenário, pretende, por exemplo, reproduzir o desempenho da Nova Zelândia, um dos maiores produtores mundiais de laticínios e grande exportador para a China. A aspiração irlandesa tem fundamento. Em 1984, antes das cotas, produzia os mesmos 5 bilhões de litros que a Nova Zelândia. A Irlanda continuou nesse patamar e a Nova Zelândia saltou para 18,5 bilhões de litros por ano. O Brasil, com uma produção de quase 37 bilhões de litros de leite por ano ano, a qual cresce 7%, está se tornando autossuficiente. A exportação passa a ser um imperativo, como bem externou na recente Expodireto Cotrijal a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, disposta a apoiar o setor nesse novo momento. O sucesso na abertura de novos mercados para as empresas também depende do empenho e da agilidade do governo. Enfim, para competir com os players que suprem seus mercados internos e ainda buscam divisas atendendo a demanda mundial por lácteos, o Brasil precisa conjugar qualidade e eficiência. (Zero Hora)