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30/10/2026

Porto Alegre, 30 de outubro de 2026                                                     Ano 20 - N° 5.046


"Como encurtar o tempo da inovação?": setor lácteo debate desafios regulatórios

A inovação na cadeia de lácteos depende não apenas do desenvolvimento de novos produtos e tecnologias, mas também de um ambiente regulatório claro, previsível e capaz de acompanhar a evolução do mercado. Esse foi um dos principais pontos discutidos durante painel do Dairy Vision 2026, que reuniu representantes da indústria e do setor público para debater os desafios regulatórios e os caminhos para ampliar a competitividade do setor.

Participaram da discussão Fábio Ferreira, CEO e diretor-presidente da Verde Campo; Juliana Satie Becker de Carvalho Chino, diretora do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal; Guilherme Portella, diretor de Comunicação, ESG, Assuntos Regulatórios e Corporativos da Lactalis do Brasil; Marcelo Pereira de Carvalho, CEO da MilkPoint Ventures; Marcelo Costa Martins, diretor de Relações Institucionais e Governamentais da Piracanjuba; e Gustavo Beduschi, diretor de Relações Institucionais da Italac.

Ao abordar as características de um bom ambiente regulatório, os participantes destacaram a importância de regras claras, previsibilidade e diálogo antecipado entre empresas e órgãos reguladores. Para Marcelo Costa Martins, um dos desafios está na velocidade das transformações tecnológicas, que exige discussões cada vez mais embasadas em ciência e capacidade de antecipar as demandas futuras. Ele também apontou dificuldades decorrentes da existência de três instâncias de inspeção e registro, que nem sempre atuam de forma alinhada, reforçando a importância de uma agenda regulatória bem estruturada.

Gustavo Beduschi ressaltou que cabe às empresas apresentar suas demandas de maneira tecnicamente consistente, com referências bibliográficas e estudos nacionais e internacionais bem fundamentados. O objetivo, segundo ele, é oferecer segurança ao regulador quanto à ausência de riscos sanitários para o consumidor.

Na avaliação de Juliana, o debate regulatório também precisa considerar como garantir a segurança dos produtos sem criar barreiras desnecessárias à incorporação de novas tecnologias. Ela mencionou a ampliação das consultas públicas e a possibilidade de aproveitar evidências e experiências de outros países, inclusive para avaliar situações em que estudos adicionais possam ser dispensados, contribuindo para dar mais agilidade aos processos.

Guilherme Portella observou que até mesmo inovações relativamente simples podem enfrentar entraves burocráticos no Brasil quando comparadas a outros mercados. Para ele, é necessário avaliar como os procedimentos regulatórios podem acompanhar o desenvolvimento de produtos e tecnologias sem comprometer os objetivos de segurança.

Alegações nos rótulos exigem comprovação científica

A comunicação dos benefícios dos produtos foi outro tema central do painel. Juliana destacou a rotulagem como uma das questões mais discutidas pelo setor, especialmente diante das dúvidas sobre o que pode ou não ser comunicado ao consumidor. Ela citou os processos relacionados ao leite A2 e à melatonina para ilustrar a complexidade da avaliação regulatória e a necessidade de comprovar tecnicamente os benefícios atribuídos aos produtos.

Gustavo reforçou que as informações não podem induzir o consumidor ao erro, sobretudo quando envolvem alegações sobre efeitos na saúde, como melhora do sono ou do desempenho cognitivo. Fábio Ferreira, por sua vez, defendeu que as mensagens destacadas nas embalagens sejam fundamentadas em ciência e, quando pertinente, submetidas à validação de uma terceira parte independente.

Para os participantes, o desafio é encontrar equilíbrio entre a possibilidade de comunicar diferenciais dos produtos e a garantia de que as informações sejam corretas, transparentes e sustentadas por evidências. Nesse contexto, a formação de profissionais capacitados e a aproximação entre indústria, universidades e órgãos reguladores foram apontadas como caminhos para qualificar as discussões e dar mais eficiência aos processos.

Fábio também chamou atenção para a qualidade do leite como um ponto que precisa avançar no país, destacando a importância de ampliar a pesquisa e compreender melhor o consumidor. Segundo ele, é necessário avaliar, ainda, se os parques fabris estão preparados para processar alimentos capazes de acompanhar as transformações nas preferências e nos hábitos de consumo.

Competitividade depende de avanços em toda a cadeia

Ao discutir os gargalos que vão além da regulação, os painelistas apontaram desafios relacionados à sanidade dos rebanhos, à qualidade da matéria-prima, à logística e à heterogeneidade da cadeia produtiva.

Juliana destacou a necessidade de avançar no status sanitário dos rebanhos brasileiros. Gustavo acrescentou que a composição dos sólidos do leite e as condições logísticas também interferem na competitividade e na capacidade de inovação. Segundo ele, as longas rotas de coleta podem afetar a qualidade da matéria-prima até sua chegada à indústria, tornando necessário olhar para o processo de forma integrada, do campo à plataforma de recepção.

Guilherme apontou a heterogeneidade da cadeia como um dos principais desafios para o setor. Já Marcelo Costa Martins chamou atenção para o papel da renda da população na expansão do consumo de produtos de maior valor agregado. Em sua avaliação, o aumento da renda poderia ampliar o número de consumidores com condições de acessar alimentos diferenciados, criando oportunidades para a inovação.

A discussão também evidenciou a importância de identificar problemas comuns e fortalecer a cooperação entre os diferentes elos. Para Fábio, o setor lácteo precisa investir mais em pesquisa e aprofundar o conhecimento sobre o consumidor, enquanto Marcelo Pereira de Carvalho defendeu a necessidade de transformar os desafios compartilhados em provocações capazes de estimular avanços para toda a cadeia.

Diálogo antecipado pode reduzir entraves à inovação

Ao ser questionada sobre como a indústria láctea pode contribuir para aprimorar o ambiente regulatório, Juliana destacou a importância de apresentar estudos robustos e iniciar as conversas com os órgãos sanitários antes de concluir o desenvolvimento de um produto.

Segundo ela, quando as discussões começam apenas ao final do processo, questionamentos técnicos podem exigir revisões e atrasar a aprovação. A recomendação é antecipar o diálogo entre as equipes de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e os reguladores, considerando desde o início os padrões internacionais e as exigências da regulamentação brasileira.

A proposta, conforme ressaltou Juliana, é contribuir para o desenvolvimento do país, dar mais agilidade aos processos, reduzir burocracias e fomentar melhorias no setor, sem abrir mão da segurança dos alimentos.

Na rodada final, os participantes apontaram prioridades para os próximos cinco anos. Fábio defendeu a redução do tempo entre o desenvolvimento, os testes e a comprovação científica de uma inovação e sua chegada ao consumidor, mantendo a responsabilidade na comunicação dos benefícios.

Gustavo destacou a necessidade de melhorar o diálogo com os reguladores, desenvolver embalagens que não induzam o consumidor ao erro e ampliar a renda para favorecer o consumo. Marcelo Costa Martins defendeu que o setor seja reconhecido não apenas pelo volume produzido, mas também pela capacidade de avançar em inovação tecnológica, ciência, clareza e transparência.

Guilherme, por sua vez, ressaltou a importância de uma fiscalização mais uniforme entre as esferas federal, estadual e municipal. Ele também defendeu uma visão mais abrangente da inovação, que contemple não apenas os produtos, mas as relações ao longo da cadeia, incluindo iniciativas que contribuam para a evolução dos produtores de leite.

O debate convergiu para um ponto: acelerar a inovação no setor lácteo exige atuação coordenada entre indústria, pesquisa e poder público. A combinação de evidências científicas, diálogo antecipado, maior alinhamento regulatório e avanços estruturais na cadeia pode contribuir para reduzir entraves e ampliar a competitividade, preservando a segurança e a confiança do consumidor.

Fonte: MilkPoint


Proteína do leite: projeção aponta mercado de US$ 24 bi até 2033

Estudo da Persistence Market Research indica crescimento anual contínuo impulsionado pelas indústrias de alimentos, bebidas e suplementos dietéticos em diferentes regiões do mundo.

Segundo um levantamento recente divulgado pela Persistence Market Research, o setor de extração e processamento de compostos proteicos lácteos apresenta uma tendência de expansão financeira para a próxima década. Durante o período compreendido entre 2026 e 2033, a taxa de crescimento anual composta (CAGR) estimada é de 6,5%. Como resultado desse ritmo, o valor movimentado por essa indústria, avaliado em US$ 15,5 bilhões para o ano de 2026, deverá atingir a marca de US$ 24,1 bilhões ao final do ciclo projetado.

Derivados de fontes como o soro do leite, esses ingredientes desempenham papéis estruturais na formulação de alimentos, bebidas, suplementos dietéticos, fórmulas infantis e ração animal. Além de fornecerem aminoácidos essenciais aos consumidores, tais elementos agregam propriedades funcionais que melhoram a textura, a estabilidade e o perfil nutricional dos produtos. Esse cenário positivo encontra amparo tanto na infraestrutura já consolidada de processamento de laticínios quanto no aumento escalonado das aplicações voltadas à nutrição especializada.

Para atender às exigências diárias do mercado, os fabricantes de alimentos buscam matérias-primas que garantam especificações nutricionais precisas, suprimento confiável e bom desempenho sob variadas condições industriais. Paralelamente, os produtores de suplementos e itens de nutrição direcionada priorizam fatores complexos, incluindo níveis de concentração proteica, solubilidade, qualidade sensorial e alta digestibilidade. 

Dentro dessa dinâmica produtiva, a pesquisa divide os produtos em três categorias técnicas fundamentais (concentrados, isolados e hidrolisados). Os concentrados deverão liderar as vendas em 2026, impulsionados por sua relação custo-benefício e ampla versatilidade em laticínios, panificação e bebidas.

Sob outra perspectiva de processamento, os isolados despontam como a vertente de expansão mais acelerada. Por oferecerem maior concentração proteica e permitirem formulações com menor teor de lactose, esses itens atraem de forma expressiva o mercado de nutrição esportiva e bebidas funcionais. 

As versões com proteína hidrolisada, por sua vez, atendem a nichos que exigem características muito singulares de digestibilidade, assumindo um papel central no desenvolvimento da nutrição clínica e de fórmulas infantis.

Historicamente dominantes, os setores de alimentos e bebidas continuarão respondendo pela maior fatia do mercado produtivo, com expectativa de concentrar mais de 47% das receitas no ano base de 2026. Contudo, o segmento de suplementos dietéticos apresenta a maior velocidade de avanço financeiro entre todas as frentes de consumo analisadas. Esse fenômeno mercadológico está ligado ao interesse crescente do público pela manutenção muscular, pela adoção de estilos de vida ativos e pela busca por formatos práticos de ingestão diária de proteínas.

No contexto geográfico, a América do Norte concentra a liderança comercial e deterá aproximadamente 40% das receitas em 2026, sustentada pela alta demanda interna por produtos laticínios convenientes, bebidas funcionais e dietas fortificadas. 

O continente europeu mantém uma importância estratégica semelhante devido à sua tradição na indústria leiteira, com países como Reino Unido e Alemanha oferecendo amplas oportunidades de expansão comercial. Por fim, a região da Ásia-Pacífico registra a projeção de crescimento mais rápido em escala global. Nações como China e Índia comandam essa movimentação oriental, reflexo imediato do aumento contínuo no consumo de proteínas, da popularização de itens premium e da adoção cada vez maior de suplementos nutricionais.

Acesse a matéria na íntegra clicando aqui

Fonte: Dairy Reporter, via MilkPoint

 

Informativo Conjuntural 1943 de 29 de outubro de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE

A bovinocultura de leite enfrenta desafios relacionados à transição das pastagens de inverno para as de verão, mantendo a necessidade de suplementação com silagem e concentrados, o que eleva os custos de produção. As chuvas frequentes e a umidade excessiva dificultam o manejo, a implantação de pastagens e o controle sanitário, especialmente da mastite. Também persistem as dificuldades logísticas e os prejuízos decorrentes de interrupções no fornecimento de energia elétrica. 

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, as temperaturas amenas favoreceram o bem-estar das matrizes em lactação. Entretanto, as chuvas volumosas e consecutivas provocaram acúmulo de barro nas áreas de manejo, exigindo cuidados adicionais para prevenir casos de mastite e elevação da Contagem Bacteriana Total (CBT). O frio e o excesso de umidade no solo também dificultam a implantação das pastagens anuais de verão, comprometendo o planejamento forrageiro das propriedades. 

Na Campanha, apesar de ocorrer de forma mais tardia em comparação aos anos anteriores, a inclusão de trevos na dieta das matrizes tem apresentado bons resultados na produção de leite devido à qualidade da leguminosa, combinada ao azevém, que se encontra em final de ciclo. 

Na Fronteira Oeste, as precipitações prejudicaram a coleta do leite, e houve relatos de caminhões atolados em diversos pontos. 

Na de Ijuí, a produção continua estável. Nos sistemas de confinamento, a elevada umidade da cama dos animais tem impedido a manutenção das condições adequadas, e os produtores acrescentam materiais secos, pois o revolvimento não tem sido suficiente para reduzir a umidade. Nas criações a pasto, o excesso de umidade favoreceu a ocorrência de problemas sanitários e limitou o deslocamento dos animais. 

Na de Passo Fundo, as chuvas mais intensas e a elevada umidade do solo têm afetado o manejo dos animais em algumas propriedades, especialmente durante o período de transição das pastagens. O escore de condição corporal está satisfatório, favorecido pelo manejo alimentar, que combina pastagens, pastejo rotacionado, ração e silagem. Esta última passou a ter maior participação na alimentação fornecida no cocho para compensar a menor disponibilidade de pasto durante a transição entre as estações. O manejo sanitário também exigiu atenção devido ao maior risco de mastite ambiental e ao aumento dos casos de infestação por mosca-dos-chifres. 

Na de Pelotas, os produtores seguem ofertando silagem e concentrados aos rebanhos para complementar a alimentação. 

Em Pedras Altas, houve restabelecimento do fornecimento de energia elétrica nas principais localidades produtoras. 

Em Rio Grande, apesar da normalização do serviço, os gastos com geradores durante o período de interrupção foram elevados, e os produtores têm buscado crédito para reconstruir estruturas danificadas pelo vendaval. Também se destaca a participação de produtores em exposições pecuárias, com bons resultados nos julgamentos das raças Jersey e Holandesa. 

Na de Porto Alegre, houve leve redução na produção, relacionada ao final do ciclo das pastagens de inverno, sendo necessário aumentar a oferta de alimentação suplementar. 

Na de Santa Maria, as condições de acesso dos animais às pastagens melhoraram devido à diminuição da umidade do solo. 

Na de Santa Rosa, algumas áreas de pastagens anuais de verão implantadas precocemente já estão sendo utilizadas pelos rebanhos. Apesar dessa melhora, algumas propriedades ainda enfrentam limitações na disponibilidade de volumosos devido aos baixos estoques de silagem, mantendo a dependência de suplementos alimentares, concentrados e sais minerais. O aumento gradual da oferta de forragem tem contribuído para a manutenção e, em algumas propriedades, para o incremento da produção de leite. Entretanto, ainda há elevada umidade nas áreas de manejo, maiores custos com alimentação e preocupação com possíveis reduções no preço do leite.  

Fonte: Emater/RS


Jogo Rápido

PREVISÃO METEOROLÓGICA 
Na próxima semana, o tempo deverá permanecer predominantemente estável no Rio Grande do Sul, mas a chuva voltará a atingir todas as regiões no final do período. Entre o sábado (31/10) e o domingo (01/11), o sistema deverá continuar se afastando, reduzindo sua influência sobre o território gaúcho. Por conseguinte, o tempo deverá permanecer estável em praticamente todo o estado, sem previsão de chuva significativa. A partir do dia 31/10, as temperaturas deverão apresentar elevação gradual. TENDÊNCIA (DE 2 A 4 DE NOVEMBRO) Na segunda-feira (02/11), o tempo deverá permanecer estável em praticamente todo o território gaúcho, sem previsão de chuva significativa. As temperaturas deverão continuar em elevação. Na terça-feira (03/11) e na quarta-feira (04/11), a passagem de uma nova frente fria deve provocar instabilidade em todo o Rio Grande do Sul. Dessa forma, há previsão de chuva em todas as regiões do estado. No dia 03/11, as temperaturas ainda deverão apresentar elevação. Já a partir de quarta-feira (04/11), com a passagem da frente fria, as temperaturas deverão entrar em declínio. De forma geral, a figura mostra que os acumulados de precipitação devem variar entre 0 mm e 200 mm ao longo da semana.  Fonte: SEAPI