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08/07/2026

Porto Alegre, 08 de julho de 2026                                                          Ano 20 - N° 4.666


CONSELEITE MINAS GERAIS 

A diretoria do Conseleite Minas Gerais no dia 07 de Julho de 2026, atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I e de acordo com metodologia definida pelo Conseleite Minas Gerais que considera os preços médios e o mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes, aprova e divulga: a) os valores de referência do leite base, maior, médio e menor valor de referência para o produto entregue em Junho/2026 a ser pago em Julho/2026. 

Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada leite base se refere ao leite analisado que contém 3,30% de gordura, 3,10% de proteína, 400 mil células somáticas/ml, 100 mil ufc/ml de contagem bacteriana e produção individual diária de até 160 litros/dia. Os valores são posto propriedade incluindo 1,5% de Funrural. CALCULE O SEU VALOR DE REFERÊNCIA O Conseleite Minas Gerais gera mais valores do que apenas o do leite base, maior, médio e menor valor de referência, a partir de uma escala de ágios e deságios por parâmetros de qualidade e ágio pelo volume de produção diário individual, apresentados na tabela acima. Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade e o volume, o Conseleite Minas Gerais disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas, contagem bacteriana e pela produção individual diária. O simulador está disponível no seguinte endereço eletrônico: www.conseleitemg.org.br. (Conseleite MG)


GDT 407º registra queda acentuada e reforça pressão sobre os preços globais

O 407º leilão da Global Dairy Trade (GDT) registrou queda de 4,9% no GDT Price Index, com preço médio de USD 3.793/tonelada. O resultado foi marcado por reajustes mais acentuados em diversas categorias e reforça um ambiente internacional mais pressionado para os preços dos lácteos no curto prazo.

Gráfico 1: Preço médio leilão GDT

Fonte: Global Dairy Trade (GDT)

Nos leites em pó, o movimento foi de reajustes. O leite em pó integral (LPI) recuou 4,4%, sendo negociado a USD 3.425/tonelada, enquanto o leite em pó desnatado (LPD) apresentou queda ainda mais intensa, de 7,0%, atingindo USD 3.135/tonelada. O comportamento reforça a perda de sustentação do segmento, em meio ao avanço sazonal da oferta no mercado internacional.

Gráfico 2. Preço médio LPI

Fonte: Global Dairy Trade (GDT)

Entre queijos e manteiga, o movimento foi distinto. A muçarela avançou 3,8%, sendo negociada a USD 3.897/tonelada. Já o cheddar registrou queda acentuada de 12,3%, a maior retração entre os produtos negociados, atingindo USD 3.900/tonelada. A manteiga foi negociada a USD 5.336/tonelada, com recuo de 5,0%, enquanto a gordura anidra do leite caiu 3,9%, para USD 6.341/tonelada.

Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 07/07/2026 

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Volume negociado recua em período sazonal de menor produção 

O volume negociado totalizou 26.316 toneladas, aumento de 103,7% em relação ao leilão anterior. O avanço está relacionado à entrada sazonal da safra de leite da Nova Zelândia, que amplia a disponibilidade de produtos no mercado internacional. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o volume também apresentou alta, de 2,4%.

O aumento expressivo da oferta, combinado à queda do índice e dos preços de importantes categorias, indica que o mercado passa a absorver uma maior disponibilidade de produtos, com os compradores mantendo uma postura mais cautelosa nas negociações.

Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT.

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Impacto nos contratos futuros

Na NZX, o mercado futuro de leite em pó integral (WMP) segue indicando um ajuste nas expectativas para os próximos meses. Os contratos apresentam maior estabilidade, porém em patamares inferiores aos observados anteriormente, refletindo a expectativa de maior oferta com o avanço da safra na Nova Zelândia e na Austrália.

Esse cenário tende a limitar movimentos mais consistentes de recuperação no curto prazo, uma vez que a maior disponibilidade de leite e derivados amplia a pressão sobre as cotações. Ainda assim, a evolução da demanda internacional será determinante para definir a intensidade desse movimento ao longo dos próximos leilões.

Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures)

Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2026.

E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?

O resultado do GDT 407º reforça um ambiente internacional mais pressionado para os preços dos lácteos, especialmente nos leites em pó. Esse movimento tende a reduzir a sustentação externa para o mercado brasileiro e pode ampliar a competitividade dos produtos importados.

No Brasil, o leite em pó integral já vem acompanhando parcialmente o comportamento internacional, com reajustes negativos na última semana. Apesar dessa influência, a formação dos preços no mercado doméstico segue condicionada a fatores internos, como demanda, estoques, disponibilidade de matéria-prima e dinâmica de negociação entre indústria e varejo.

O câmbio permanece como uma variável importante na transmissão desse cenário. Caso o real se valorize, a queda dos preços internacionais pode favorecer ainda mais a entrada de produtos importados, reforçando a pressão sobre as cotações domésticas. Dessa forma, o mercado brasileiro deve permanecer atento à evolução da safra na Oceania, aos próximos resultados do GDT e ao comportamento das importações. (Milkpoint)

A onda de fusões e aquisições que redesenha o mapa da indústria na Argentina

O mercado lácteo argentino assiste a uma das transformações mais agressivas de sua história recente. Longe de se tratar de movimentos isolados para contornar a conjuntura do consumo, o setor atravessa uma profunda dança de fusões, aquisições e liquidações de ativos que promete redesenhar pela raiz o mapa das marcas que chegam às gôndolas e aos mercados internacionais. O dinamismo é total e os gigantes da indústria já movimentaram suas principais peças no que vai do ano.

O pano de fundo de todas essas operações corporativas é um setor primário em plena expansão produtiva, mas sob um processo de forte centralização. Segundo os últimos dados da Bolsa de Comércio de Rosário (BCR), a produção láctea argentina atingiu seu nível mais alto em uma década durante o primeiro quadrimestre do ano, registrando 3,5 milhões de litros entre janeiro e abril, o que representa um aumento de 9,3% em relação à média da última década. A produção média diária por fazenda chegou a 3.287 litros (27% acima do rendimento dos últimos cinco anos), mas esse crescimento convive com uma marcada concentração da oferta: as fazendas de maior escala — aquelas que superam os 10.000 litros diários — já representam quase 30% da produção nacional, frente aos magros 5% registrados em 2010.

Nesse cenário de maior volume, as grandes corporações aceleraram suas estratégias de consolidação e saída. O primeiro grande marco do ano se consolidou no fim de março, quando Arcor e Danone anunciaram a aquisição da totalidade do pacote acionário da Mastellone Hermanos S.A., dona da emblemática marca La Serenísima. A operação, executada por meio da Bagley Argentina S.A., permitiu que elas selassem o controle de 100% da companhia e unificassem o rumo estratégico da líder do mercado local. Ambos os grupos econômicos assumiram o controle dos 51,32% restantes do capital social e dos votos que permaneciam nas mãos da família fundadora e do fundo de investimento Dallpoint Investments LLC.

Em fevereiro, o tabuleiro voltou a ser sacudido com a retirada de quem vinha liderando o mercado local: a multinacional canadense Saputo assinou um acordo para vender 80% de sua divisão láctea na Argentina ao holding peruano Gloria Foods. A transação foi fixada em um valor aproximado de US$ 630 milhões — o que permitirá ao gigante de Montreal receber receitas líquidas estimadas em US$ 400 milhões depois dos impostos —, tornando-se uma das maiores operações da indústria alimentícia local nos últimos anos. O movimento gerou forte impacto e surpresa no setor, já que a Saputo se posicionava como a indústria número um em recepção de leite na Argentina, processando mais de 3,5 milhões de litros diários durante o período 2024/2025 por meio de suas duas plantas de produção e marcas com forte penetração nas gôndolas, como La Paulina, Ricrem e Molfino.

De acordo com a empresa, que é listada na Bolsa de Toronto e informou que sua filial argentina gerava receitas de 1,2 bilhão de dólares canadenses (próximo de 7% de seu faturamento global), a decisão responde a uma otimização de sua presença global. De fato, os canadenses manterão 20% das ações, o que lhes permitirá preservar o fluxo de exportações, e a nova gestão sob a Gloria Foods continuará fabricando produtos específicos em nome da Saputo. O holding peruano, por sua vez, já operava no país por meio da Corlasa, processando cerca de 800.000 litros diários. Ao assumir o controle da maior plataforma exportadora de queijos da Argentina e somar a ela o volume da Saputo, a fusão os transforma, por ampla margem, na nova empresa número um do setor lácteo argentino. Além disso, já definiu sua estratégia: La Paulina será a marca principal e o coração de sua expansão para disputar a liderança definitiva contra players do porte de Mastellone Hnos. e Adecoagro.

Precisamente, o vento favorável do comércio exterior é o grande ímã para esses capitais. As exportações do complexo lácteo atingiram 130.000 toneladas no primeiro quadrimestre, consolidando o maior volume desde 2012, por um valor de US$ 455 milhões (FOB). Com o Brasil consolidado como o principal destino — recebeu mais de 60.000 toneladas, 40% a mais que no ano anterior — e mercados como Argélia, Chile e China completando o pódio, a escala exportadora passou a ser a chave da rentabilidade.

Paralelamente aos acordos entre privados, o âmbito judicial impôs um ponto de inflexão definitivo ao caso mais crítico e prolongado da indústria nacional: a situação da SanCor. A histórica cooperativa de Sunchales, que pediu sua própria falência após acumular um passivo de US$ 120 milhões, entrou em sua etapa de liquidação pública. O juiz Marcelo Germán Gelcich assinou a resolução para colocar à venda todos os seus ativos divididos em sete lotes, com uma base total de US$ 52,1 milhões.

A disputa despertou um interesse extremamente competitivo, atraindo a apresentação formal de seis proponentes de peso, segundo fontes do mercado: Savencia — dona da Milkaut —, Adecoagro, Elcor — titular da marca La Tonadita —, La Tarantela, Punta del Agua e o empresário de mídia Gustavo Scaglione. O grande objeto de desejo da licitação é o lote número sete, que reúne as marcas e os bens intangíveis da companhia, cotado com uma base própria de US$ 24,7 milhões. O mercado reconhece que, para além do estado da infraestrutura fabril, o enraizamento da marca SanCor continua sendo um ativo de ouro para ganhar posicionamento rápido no consumo de massa.

Como corolário dessa febre de movimentações, o mercado segue testando o apetite dos investidores internacionais. O sintoma mais recente dessa tendência são as versões sobre o futuro da Establecimientos San Ignacio S.A., a histórica empresa santafesina fundada em 1939 e principal exportadora de doce de leite do país. A companhia atravessa negociações “muito avançadas” — embora não queiram dar declarações — para ser adquirida pelo holding Mexicana de Industrias y Marcas (MIYM). O grupo de Puebla, especialista em soluções industriais de envase e que já adquiriu este ano as PMEs locais Lácteos Aurora e Lácteos Karina, vê na San Ignacio uma plataforma estratégica para entrar com força no negócio global de doce de leite e queijo azul.

Essa sequência de operações deixa clara o paradoxo central do setor. Enquanto as estruturas mais rígidas e endividadas caem pelo próprio peso, o recorde exportador, a alta eficiência das fazendas concentradas e o valor das marcas tradicionais operam como um ímã. (As informações são da Forbes Argentina)


Jogo Rápido

Ainda dá tempo de participar! 
As inscrições para o lançamento oficial do Milk Summit Mercosul 2026 seguem abertas. No dia 14 de julho, em Ijuí, especialistas discutirão a competitividade da produção de leite frente à Argentina e ao Uruguai, mercado futuro, derivativos financeiros para o agro e políticas públicas para o setor. A programação inclui ainda mesa-redonda com lideranças da cadeia leiteira e o lançamento da ferramenta StoneX Leite Futuro. Garanta sua inscrição clicando aqui. (SINDILAT/RS)