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20/05/2026

Porto Alegre, 20 de maio de 2026                                                           Ano 20 - N° 4.634


Empresas associadas ao Sindilat participam da APAS Show 2026

As empresas associadas ao Sindilat/RS: CCGL, Italac, Lactalis, Piracanjuba, RAR e Scala, estão na APAS Show 2026 com estandes próprios. Na maior feira supermercadista do Brasil, realizada em São Paulo (SP), as indústrias apresentam produtos, fortalecem marcas e ampliam conexões comerciais com o varejo nacional e internacional. Além das expositoras, outras empresas associadas ao Sindilat também estiveram presentes realizando visitas, reuniões e prospecção de negócios.

Para o presidente do Sindilat/RS, Guilherme Portella, a participação das associadas entre os dias 18 e 21 de maio evidencia a competitividade da indústria láctea e a capacidade do setor em atender às exigências do varejo nacional. “A APAS é um ambiente estratégico para geração de negócios, posicionamento de marcas e ampliação de mercado. A presença das indústrias permite fortalecer relacionamento com grandes redes, apresentar lançamentos e demonstrar a qualidade, a escala produtiva e a eficiência das empresas de laticínios no atendimento às demandas do consumo”, destaca. (SINDILAT/RS)


GDT 404º apresenta estabilidade e sugere mercado internacional mais equilibrado

O 404º leilão da Global Dairy Trade (GDT) registrou variação de 0,6% no GDT Price Index, com preço médio dos produtos negociados de USD 4.198/tonelada. Apesar do avanço do índice, o resultado ainda indica um cenário de estabilidade para o mercado internacional de lácteos, após as oscilações mais intensas observadas nas últimas negociações. Além disso, o menor volume comercializado sugere um ambiente de menor intensidade nas negociações globais. 

Gráfico 1: Preço médio leilão GDT

Fonte: Global Dairy Trade (GDT)

Nos produtos em pó, o comportamento permaneceu relativamente estável. O leite em pó integral (LPI), principal produto negociado no evento, registrou alta de 1,2%, fechando em USD 3.772/tonelada, enquanto o leite em pó desnatado (LPD) avançou 0,2%, para USD 3.552/tonelada. As variações mais contidas sugerem redução na intensidade dos movimentos de correção observados anteriormente. 

Gráfico 2. Preço médio LPI

Fonte: Global Dairy Trade (GDT)

O desempenho dos outros derivados foi distribuído entre altas e baixas, sem movimentos expressivos em grande parte dos produtos. Entre as gorduras, a manteiga apresentou valorização de 2,5%, atingindo USD 5.674/tonelada, enquanto a gordura anidra do leite recuou 1,6%, sendo negociada a USD 6.344/tonelada. O comportamento indica ajustes pontuais após a volatilidade registrada nas últimas edições. 

Já entre os queijos, a muçarela registrou uma das maiores valorizações do evento, com alta de 2,9%, alcançando USD 4.127/tonelada. Em direção oposta, o cheddar recuou 1,3%, sendo negociado a USD 4.560/tonelada. A lactose apresentou leve avanço de 0,5%, encerrando o leilão em USD 1.529/tonelada. 

Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 19/05/2026 

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Volume negociado segue recuando

Em relação ao volume negociado, o leilão totalizou 12.972 toneladas comercializadas, com participação de 154 compradores no evento. O resultado representa retração de 5,6% frente ao leilão anterior, embora o número de participantes tenha aumentado em relação ao evento anterior, que contou com 147 compradores. O movimento ocorre em um contexto de desaceleração sazonal da produção em importantes regiões exportadoras, como a Nova Zelândia, contribuindo para um menor volume disponibilizado ao mercado.  

Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT.

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Impacto nos contratos futuros

Na NZX, os futuros de leite em pó integral (WMP) seguem indicando um ambiente mais equilibrado para os próximos meses. Os contratos entre junho e setembro permaneceram relativamente próximos entre si, sugerindo uma curva mais estável entre os vencimentos. Além disso, as negociações mais recentes apresentaram recuperação em relação aos níveis observados no início de maio, especialmente nos contratos de julho e agosto.

Esse comportamento indica uma revisão mais moderada das expectativas do mercado, reduzindo sinais de pressões adicionais sobre os preços internacionais no curto prazo. A menor diferença entre os vencimentos também sugere que os agentes não esperam mudanças abruptas nas cotações nos próximos meses, reforçando a percepção de maior estabilidade observada.

Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures)

Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2026.

E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?

O resultado do GDT 404º traz uma leitura de maior estabilidade para o mercado. O comportamento mais moderado dos principais produtos negociados, especialmente dos leites em pó, reduz sinais de mudanças mais bruscas nas referências internacionais e sugere menor intensidade nos movimentos do mercado global no curto prazo. 

Para o Brasil, a manutenção dos preços internacionais em patamares relativamente estáveis tende a limitar mudanças mais relevantes na competitividade dos produtos importados. Além disso, o câmbio continua exercendo papel importante nessa dinâmica, influenciando diretamente o custo de internalização dos derivados lácteos.

No mercado doméstico, o ambiente recente segue marcado por negociações mais cautelosas entre indústria e varejo, com os derivados passando por ajustes após as altas observadas anteriormente. Dessa forma, a evolução dos preços internos continuará relacionada ao comportamento do mercado internacional, à dinâmica cambial e às condições do mercado brasileiro nas próximas semanas. (MILKPOINT)

Captação de leite bate recorde no 1º trimestre, mas avanço desacelera, aponta prévia do IBGE

Segundo os dados preliminares da Pesquisa Trimestral do Leite do IBGE, a captação formal de leite no Brasil totalizou 6,78 bilhões de litros no primeiro trimestre de 2026. O volume representa crescimento de 3,3% em relação ao mesmo período de 2025. 

Gráfico 1: variação anual da captação de leite (%)

Com esse resultado, o primeiro trimestre de 2026 registrou o maior volume captado para o período em toda a série histórica iniciada em 1997, superando o recorde anterior observado em 2021, quando a captação havia alcançado 6,57 bilhões de litros. Apesar do avanço, o ritmo de crescimento mostra desaceleração frente ao observado no primeiro trimestre de 2025, quando a alta anual havia sido de 4,5%.

Fonte: Pesquisa Trimestral do Leite - IBGE

Esse crescimento ainda reflete, em parte, o forte movimento de expansão da produção observado em 2025. Naquele período, a rentabilidade mais favorável ao produtor estimulou investimentos na atividade e sustentou maior oferta de leite. Parte desse efeito residual ainda contribuiu para os volumes captados no início de 2026. 

No entanto, quando a análise é feita na comparação com o trimestre imediatamente anterior, o cenário muda. A captação do primeiro trimestre de 2026 recuou 7,9% frente ao quarto trimestre de 2025. Parte desse movimento é esperada devido à sazonalidade da produção em algumas regiões brasileiras, que tradicionalmente apresentam menor volume no início do ano. Ainda assim, a intensidade da queda chama atenção, por estar entre as maiores retrações percentuais da série histórica para essa comparação. 

Gráfico 3: Variação trimestral da captação (%)

Fonte: Pesquisa trimestral do Leite

Esse movimento também está relacionado à piora da rentabilidade ao produtor ao longo dos últimos meses. O forte crescimento da oferta em 2025 pressionou os preços pagos no campo e reduziu as margens da atividade, levando parte dos produtores a diminuir investimentos em produção.

Gráfico 4: Rentabilidade ao produtor menos custo de alimentação 

Fonte: MilkPoint Mercado

Além da redução dos investimentos, as relações de troca também passaram a indicar um cenário menos atrativo para a produção de leite. Um exemplo é a relação entre litros de leite necessários para a compra de uma arroba de boi gordo. Quando essa relação aumenta, a atividade leiteira se torna relativamente menos vantajosa, podendo estimular o descarte de animais menos eficientes como estratégia para reduzir custos e ajustar a produção. 

Gráfico 5: Relação de troca entre litros de leite por arroba bovina

Fonte: CEPEA, adaptado por MilkPoint Mercado.

Desempenho mensal

Na análise mensal, janeiro foi o mês de maior captação do trimestre, como tradicionalmente ocorre, com 2,43 bilhões de litros captados. Em fevereiro, houve uma queda expressiva frente a janeiro, de 13,5%, o maior recuo entre esses dois meses em toda a série histórica.

Mesmo com essa queda mensal, fevereiro ainda apresentou crescimento de 3,0% em relação ao mesmo mês de 2025. Em março, a captação voltou a avançar frente a fevereiro, com alta mensal de 6,7%, mas o crescimento anual foi mais moderado, de 2,3% frente a março de 2025.

Tabela 1. Captação total mensal de leite no Brasil (Prévia)

Fonte: IBGE - elaborado pelo MilkPoint Mercado

Conclusão

De modo geral, os dados mostram que a produção formal de leite segue crescendo no Brasil, mas em ritmo menos intenso do que o observado ao longo de 2025. A rentabilidade ao produtor e o comportamento da demanda devem continuar sendo os principais fatores para definir a velocidade desse crescimento nos próximos meses.

Além disso, o cenário climático merece atenção. As projeções mais recentes indicam elevada probabilidade de formação de El Niño ao longo de 2026, fenômeno que pode alterar o regime de chuvas em diferentes regiões do país. Para a cadeia leiteira, os principais pontos de atenção estão nos possíveis impactos sobre a produção de leite no Sul, em caso de excesso de chuvas, e sobre o clima no Centro-Norte, podendo ocasionar pressão sobre a oferta e os preços dos grãos.

Assim, embora o primeiro trimestre tenha confirmado um novo recorde de captação para o período, os dados também reforçam um sinal importante: a expansão da oferta tende a depender cada vez mais da recomposição das margens no campo e da capacidade do mercado consumidor de absorver maiores volumes de leite e derivados ao longo de 2026. (MILKPOINT)


Jogo Rápido

SOJA/CEPEA: Expectativa de maior demanda global aquece mercado
A valorização do dólar e as projeções de ampliação da participação brasileira no abastecimento mundial de soja impulsionaram as negociações e sustentaram os preços da oleaginosa no mercado interno na semana passada, de acordo com o Cepea. Ao mesmo tempo, as expectativas de forte demanda global por farelo e óleo de soja mantêm firmes as cotações internacionais da soja, mesmo diante da pressão sobre os embarques dos Estados Unidos. Relatório divulgado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) no último dia 12 aponta que a produção mundial de soja deve atingir um novo recorde na safra 2026/27, passando de 427,6 milhões para 441,5 milhões de toneladas. O Brasil deve manter-se como o principal produtor global, com participação estimada de 42,1% da produção mundial, elevando sua colheita de 180 milhões de toneladas na safra 2025/26 para 186 milhões de toneladas em 2026/27. No mercado doméstico, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) também projeta crescimento da produção brasileira, a 180,13 milhões de toneladas na atual temporada (2025/26), volume 0,5% superior ao projetado em abril e 5% acima da safra anterior.  (Cepea)