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No 2º Simpósio Elo da Pecuária Sindilat destaca desafios do leite 

O avanço da produção mundial, a pressão das importações, a volatilidade do mercado internacional e os desafios relacionados à qualidade do leite foram alguns dos principais pontos abordados pelo secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS), Darlan Palharini, durante a palestra “Cenários Lácteos”, realizada nesta quinta-feira (14), no 2º Simpósio Elo da Pecuária, promovido na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Campus Capão do Leão (RS).
Ao longo da apresentação, Palharini trouxe uma análise sobre os movimentos que vêm transformando a cadeia leiteira global e os reflexos para produtores e indústrias brasileiras. “Hoje o setor leiteiro convive com um ambiente muito mais volátil e conectado ao mercado internacional. O crescimento da produção global, os custos logísticos, a oscilação do dólar e o avanço das importações impactam diretamente a formação de preços e a sustentabilidade da cadeia”, afirmou.
Entre os dados apresentados, o dirigente destacou que o Rio Grande do Sul ampliou em mais de 70% sua produção de leite entre 2004 e 2024, passando de 2,36 bilhões para 4,03 bilhões de litros anuais, consolidando-se como o terceiro maior produtor do país. Atualmente, a cadeia láctea representa 2,81% do PIB gaúcho, movimentando cerca de R$ 19,86 bilhões por ano.
Outro eixo da palestra foi a qualidade do leite e os impactos econômicos associados à matéria-prima. Palharini ressaltou que a melhoria contínua dos indicadores sanitários e produtivos é determinante para aumentar a competitividade da indústria e garantir maior rentabilidade ao produtor. “A qualidade do leite deixou de ser apenas um diferencial. Quem não investir em eficiência e qualidade terá cada vez mais dificuldade de permanecer competitivo”, destacou.
No cenário internacional, Palharini destacou perspectivas de oportunidades para o leite brasileiro em mercados como Oriente Médio, Norte da África e Sudeste Asiático, impulsionadas pelo aumento da demanda global. Por outro lado, alertou para a pressão no mercado interno do leite em pó vindo dos países vizinhos do Mercosul, especialmente Argentina e Uruguai. “Quando há aumento da oferta desses países com maior competitividade no mercado internacional, o Brasil sente diretamente os reflexos, principalmente no leite em pó, pressionando preços e desafiando ainda mais a indústria e o produtor nacional”, afirmou.
O 2º Simpósio Elo da Pecuária reuniu produtores, estudantes, pesquisadores, técnicos e profissionais ligados ao setor leiteiro para debater temas relacionados à produtividade, bem-estar animal, gestão e tendências de mercado ao longo de toda a programação realizada no auditório da Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel (FAEM/UFPel).

Créditos: Daniela Machado