Porto Alegre, 10 de abril de 2026 Ano 20 - N° 4.608
Lácteos são protagonistas na saúde metabólica
Fonte de proteínas de alto valor biológico, cálcio e outros nutrientes essenciais, o leite e os produtos lácteos são alimentos completos e estratégicos dentro de uma dieta equilibrada. “O leite reúne proteínas, gorduras e micronutrientes fundamentais para o organismo. É um alimento extremamente nutritivo, que pode contribuir tanto na prevenção quanto no tratamento de diversas condições metabólicas”, defende o médico e mestre em nutrição humana, Paulo Henkin.
Idealizador do Curso de Capacitação Nutro-Endócrino 2026, realizado nos dias 10 e 11 de abril, no Instituto Caldeira, em Porto Alegre (RS), Henkin também enfatiza a necessidade de combater mitos e desinformações sobre o consumo de lácteos. Segundo o médico, muitas percepções negativas não encontram respaldo na ciência. “A alimentação precisa ser tratada com base em evidências. O leite, muitas vezes, é alvo de preconceitos que não se sustentam do ponto de vista científico”, explicou.
Henkin ressalta que restrições ao consumo de leite devem ser avaliadas de forma individualizada e sempre com base em diagnóstico clínico, evitando generalizações que têm se tornado comuns. Segundo ele, a disseminação de informações equivocadas, muitas vezes impulsionadas por redes sociais e discursos sem embasamento científico, tem contribuído para a criação de mitos como a ideia de que o leite é inflamatório ou prejudicial à saúde de forma generalizada.
O mestre em nutrição também alerta para os impactos dessas crenças na saúde pública, especialmente no que diz respeito à ingestão insuficiente de cálcio, nutriente essencial para a saúde óssea e prevenção de doenças como a osteoporose. “Existem casos específicos, como intolerância à lactose ou alergias, mas são situações pontuais e que exigem diagnóstico. O problema é quando opiniões ou modismos passam a substituir a ciência. Alimentação é ciência, não opinião”, reforça.
Apoiador da iniciativa que reuniu médicos e especialistas para discutir, com base científica, o papel da alimentação na prevenção e no tratamento de doenças como obesidade e síndrome metabólica, o Sindicato da Indústria de Laticínios do RS (Sindilat/RS) participou com a oferta de produtos lácteos.
Para o secretário executivo do sindicato, Darlan Palharini, a presença no curso reforça o compromisso da entidade com a qualificação da informação sobre alimentação. “O leite tem papel relevante na saúde da população e precisa ser compreendido dentro de uma abordagem equilibrada e baseada em evidências. Estar próximo da comunidade médica é fundamental para fortalecer esse entendimento”, destacou. (As informações são do Sindilat/RS)
Um setor em virada: os bastidores e tendências revelados no Fórum MilkPoint Mercado
Segundo Valter Galan, Sócio da MilkPoint Ventures, o principal driver das oscilações de preço tem sido o desequilíbrio entre oferta e demanda. Após um período mais equilibrado, o início de 2026 já apresenta sinais de escassez de leite, com reação rápida nos preços spot.
Realizado em 9 de abril, em Piracicaba (SP), no Pecege, o Fórum MilkPoint Mercado abriu sua programação com um forte tom de integração e troca de conhecimento, reunindo lideranças e especialistas para discutir os rumos da cadeia láctea em um cenário de forte volatilidade.
Na abertura, Ricardo Shirota, presidente do Pecege, destacou a honra de receber o evento e reforçou a importância de iniciativas que promovam conexão entre os diferentes elos do setor. Na sequência, Marcelo Pereira de Carvalho, CEO da MilkPoint Ventures, deu o tom estratégico do encontro ao enfatizar a necessidade de fortalecer essas conexões em um momento de mudanças relevantes no mercado. Ele agradeceu a presença do público, apresentou os diferentes braços da MilkPoint Ventures e ressaltou o papel da iniciativa como plataforma de conteúdo, inteligência e relacionamento. Ao final, reforçou a expectativa de um dia intenso, marcado por discussões relevantes e trocas capazes de gerar valor prático para toda a cadeia do leite.
O primeiro bloco, dedicado aos cenários de mercado — com oferecimento de Spade e Agroforte — trouxe uma leitura ampla e estratégica sobre produção, comércio global, consumo e crédito na cadeia láctea.
Andres Padilla, do Rabobank Brasil, iniciou discutindo o crescimento da produção de leite no mundo e no Brasil. Para 2026, a expectativa é de baixo crescimento da oferta global. A China, que nos últimos anos teve papel expressivo na expansão, já mostra recuo desde 2024, levantando dúvidas sobre a sustentabilidade de seu modelo altamente intensivo e concentrado em megafazendas. Apesar dos ganhos rápidos em produtividade, a rentabilidade não acompanhou, levando inclusive ao fechamento de unidades.
Nos Estados Unidos, a produção deve ganhar ainda mais protagonismo global, sustentada por ganhos de eficiência e aumento de produtividade por vaca, mesmo com rebanho estagnado. O país consolidou um modelo maduro, fortemente orientado à exportação. Ainda assim, as margens seguem voláteis — com queda significativa desde meados de 2024 — exigindo gestão sofisticada por parte do produtor.
Um dos destaques recentes é a estratégia de beef-on-dairy. A valorização da carne elevou a participação dessa receita nas fazendas leiteiras, que passou de níveis históricos de 1% a 3% para até 20% em alguns casos. Essa diversificação tem sido fundamental para sustentar margens positivas mesmo em cenários de preços mais baixos do leite.
No Brasil, o crescimento da produção é heterogêneo e fortemente dependente do perfil do produtor. Pequenos e médios ainda apresentam maior volatilidade, enquanto produtores maiores ganham eficiência e melhor retorno sobre o capital investido. O processo de consolidação tende a se intensificar nos próximos anos. Um ponto de atenção levantado foi a pressão estrutural de custos: para se manter viável, a atividade leiteira exige crescimento constante — uma lógica já observada nos Estados Unidos e cada vez mais aplicável à realidade brasileira.
A mensagem central foi direta: produtores que não conseguem crescer com margens positivas tendem a ficar mais expostos à volatilidade e com dificuldade de se manter no longo prazo.
Na sequência, Rodolfo Daldegan e Tim Taylor, da Spade, trouxeram uma visão sobre o futuro da cadeia, baseada na integração de dados. Segundo eles, o setor lácteo ainda opera com baixa gestão de informações, apesar do grande volume gerado nas fazendas. A conexão desses dados ao longo da cadeia — da produção ao consumidor — é apontada como chave para destravar eficiência, previsibilidade e melhores decisões. A proposta é sair de um modelo reativo para um modelo preditivo, com inteligência integrada e maior visibilidade em tempo real.
O mercado internacional também esteve no radar. Vitor Vieira, do Grupo Interfood, destacou que o cenário atual já precifica uma queda nos preços globais, com demanda estável, porém com mudanças importantes na dinâmica geográfica. A China segue relevante, mas com comportamento de compra mais moderado, enquanto o Sudeste Asiático ganha protagonismo.
Fatores geopolíticos adicionam incerteza ao cenário. A guerra no Oriente Médio já impacta rotas logísticas estratégicas, como o estreito de Ormuz, o que pode afetar grandes importadores. Nesse contexto, Argentina e Uruguai tendem a ganhar espaço como fornecedores, especialmente diante da sazonalidade da Nova Zelândia, que entrará, em meados de junho e julho, em período de menor oferta de sólidos. Por conta da entressafra.
A expectativa é de maior demanda vinda do Oriente Médio e Norte da África, com custos logísticos mais elevados e redistribuição dos fluxos comerciais globais.
Ricardo Cotta, da R3 Consultoria, chamou atenção para o avanço consistente do food service no Brasil, que cresce a taxas reais de cerca de 8% ao ano — acima do varejo tradicional — e já movimenta mais de R$ 500 bilhões em faturamento. Segundo ele, trata-se de um dos principais vetores de expansão para os lácteos, com destaque para categorias como queijos, requeijões, leite condensado e creme de leite, amplamente demandadas no consumo fora do lar. Apesar do potencial, Cotta destacou que o segmento ainda exige maior nível de profissionalização por parte da indústria. Mais do que volume, o food service demanda soluções: produtos pensados para performance, padronização e rendimento, além de consistência de qualidade e excelência no serviço. “Não basta adaptar o que já existe — é preciso desenvolver com foco na aplicação”, indicou.
Ele também reforçou a importância de uma atuação mais próxima do cliente, com equipes capacitadas para falar a linguagem da cozinha, além de estratégias de marketing e relacionamento direcionadas, como parcerias com chefs, ações com influenciadores e iniciativas práticas, como workshops culinários. Para Cotta, as empresas que entenderem essa lógica e estruturarem melhor sua atuação no canal tendem a capturar de forma mais consistente o crescimento desse mercado.
Outro ponto estratégico abordado foi o papel do crédito na cadeia leiteira. Lucas Nogueira Rezende, da Agroforte, destacou que o crédito deve ser visto como ferramenta estratégica, e não apenas financeira. Quando bem estruturado, ele viabiliza o acesso à tecnologia e impulsiona ganhos reais de produtividade e qualidade. Por outro lado, crédito mal alocado pode comprometer resultados.
Dados apresentados mostram impactos concretos: aumento da produção, melhoria da qualidade do leite e redução de emissões por litro. Nesse contexto, a indústria pode desempenhar papel central ao facilitar o acesso ao crédito, aproveitando sua proximidade com o produtor e fortalecendo o ecossistema como um todo.
Encerrando o bloco, Valter Galan, Sócio da MilkPoint Ventures, trouxe uma análise sobre o comportamento recente do mercado e as perspectivas para o restante de 2026. Segundo ele, o principal driver das oscilações de preço tem sido o desequilíbrio entre oferta e demanda. Após um período mais equilibrado, o início de 2026 já apresenta sinais de escassez de leite, com reação rápida nos preços spot. A rentabilidade pressionada ao longo de 2025 ainda deve impactar a produção em 2026, com recuperação mais consistente apenas no segundo semestre. Ao mesmo tempo, fatores externos, como possíveis efeitos da guerra sobre custos de energia e fertilizantes, seguem no radar.
Do lado da demanda, há sinais positivos, com destaque para o crescimento no consumo de queijos, possivelmente impulsionado pela busca por proteínas. No entanto, o cenário internacional, com maior competitividade do Mercosul, pode pressionar importações e influenciar o equilíbrio interno.
No geral, a leitura é de um mercado que inicia 2026 com preços em alta devido ao desbalanceamento de curto prazo, mas ainda cercado por incertezas relevantes — tanto do lado da produção quanto da demanda. (Milkpoint)
EMATER/RS: Informativo Conjuntural nº 1914 – 09 abr. 2026
BOVINOCULTURA DE LEITE
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a produção continua em declínio, evidenciando a entrada do vazio forrageiro outonal. Em Hulha Negra, apesar do uso de silagem de milho da safra atual, de feno de azevém com trevo e de pastejo por curtos períodos em áreas de sorgo forrageiro em final de ciclo, os produtores relatam médias reduzidas de produção por matriz. Em razão do estresse hídrico em algumas lavouras, a silagem apresenta baixa participação de grãos, além de menor digestibilidade, em função da senescência precoce de parte das folhas, o que impacta negativamente a capacidade de consumo pelos animais. A irregularidade das chuvas nas últimas semanas pode atrasar o início da utilização das pastagens de aveia e azevém para o mês de maio, prolongando o período de baixas médias por vaca em lactação, devido à menor participação de forragem verde de qualidade nas dietas.
Na de Erechim, os animais sofreram estresse térmico por altas temperaturas, não afetando, de maneira significativa, a produção.
Na de Frederico Westphalen, a produção apresentou redução em decorrência das altas temperaturas, registradas na última semana, e da irregularidade das chuvas. Os produtores têm adotado práticas voltadas ao bem-estar do rebanho.
Na de Ijuí, a produção segue estável de maneira geral, com pequena redução nos sistemas de produção a pasto. Observa-se aumento no fornecimento de forragem conservada para a manutenção da dieta dos animais, bem como leve diminuição no uso de concentrados, visando à diminuição dos custos de produção.
Na de Porto Alegre, o rebanho apresenta boas condições gerais e estado nutricional adequado, mesmo com o início do vazio forrageiro, devido ao uso de suplementação e à adequada condição das pastagens. Alguns produtores relataram aumento na infestação por carrapatos e ocorrência de óbitos com suspeita de tristeza parasitária, o que reforça a atenção em relação ao manejo sanitário.
Na de Santa Maria, em função do vazio forrageiro outonal, observou-se queda na produção, redução do escore corporal, e/ou aumento dos custos nos sistemas que adotam suplementação estratégica para suprir a deficiência de forragem. Os produtores seguem monitorando a ocorrência de moscas e carrapatos e adotando estratégias de controle.
Na de Santa Rosa, devido às chuvas e das temperaturas dentro da média para o período, observou-se melhora nas condições de ambiência animal, favorecendo o conforto térmico e o desempenho produtivo. Os produtores relatam aumento no tempo de pastejo em virtude da menor ocorrência e duração de temperaturas extremas ao longo do dia. (Emater/RS adaptado pelo Sindilat/RS)
Jogo Rápido
Previsão do tempo: Boletim Integrado Agrometeorológico 15-2026
Na próxima semana, o tempo deverá variar entre condições estáveis e instáveis em grande parte do território gaúcho. Nos dias 10/04 (sexta-feira) e 11/04 (sábado), o tempo voltará a ficar estável em praticamente todo o estado, sem previsão de chuva significativa. Em 12/04 (domingo), o transporte de umidade associado aos efeitos de circulação deverá favorecer a ocorrência de chuva fraca a moderada, principalmente nas metades oeste e sul do estado. Em 13/04 (segunda-feira), a redução do transporte de umidade deverá favorecer o retorno da estabilidade na maior parte das regiões. Dessa forma, há previsão de chuva fraca apenas em pontos bem isolados. Nos dias 14/04 (terça-feira) e 15/04 (quarta-feira), a atuação de um sistema de baixa pressão poderá provocar chuva fraca a moderada, localmente forte, em diversas regiões do estado. A partir do dia 13/04, as temperaturas deverão apresentar leve elevação. (Seapi)