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19/03/2026

Porto Alegre, 19 de março de 2026                                                         Ano 20 - N° 4.593


Brasileiros 50+ sustentam consumo premium e redefinem prioridades no varejo

A transição demográfica em curso no Brasil e no mundo já se traduz em impacto direto no consumo de bens massivos. Dados do estudo Consumer Insights 2025 – O Shopper no Controle: Como suas decisões reorientam o varejo e a indústria, da Worldpanel by Numerator, mostram que os lares com consumidores acima de 50 anos ampliam sua participação e consolidam protagonismo nas decisões de compra, reforçando sua relevância estratégica para a indústria e o varejo.

Hoje, mais de um quarto da população brasileira tem 50 anos ou mais — participação que passou de 17%, em 2010, para 26%, em 2022. O movimento reflete a mudança na estrutura demográfica do país e ocorre em paralelo à redução do tamanho médio dos lares, fatores que reconfiguram padrões de consumo. Esse contingente concentra renda, protagoniza decisões de compra e impõe novos parâmetros de valor às categorias.

Mesmo em um ambiente de pressão sobre a renda, a população 50+ mantém padrões de consumo mais qualificados e maior direcionamento para categorias associadas a bem-estar e prevenção. Esse grupo gasta, em média, 6% acima do total dos shoppers em bebidas e pet food e 10% a mais em medicamentos sem prescrição (OTC).

Além disso, quando analisamos o ciclo de vida dos lares, a relação entre pressão econômica e configuração familiar ajuda a explicar por que consumidores 50+ têm sustentado um padrão de compra mais qualificado. À medida que os filhos deixam a casa, muitos lares avançam para estágios menos pressionados — seja como casais maduros, lares independentes ou arranjos seniores. Esses perfis passam a operar com maior estabilidade financeira e menor volatilidade, reforçando consumo premium e ampliando investimentos em bem-estar e prevenção.

Em contraste, famílias com crianças ou adolescentes seguem mais pressionadas, com maior fragmentação do gasto e escolhas mais sensíveis a preço, o que ressalta a relevância estratégica dos lares seniores e independentes como âncoras de valor no varejo.

A saúde ocupa papel central

Entre os consumidores 50+, 57,3% declaram monitorar a saúde sempre ou com frequência, percentual superior ao observado na média da população (46,3%). As principais preocupações estão relacionadas a colesterol, diabetes e hipertensão, o que influencia decisões de compra recorrentes.

O comportamento preventivo também aparece no consumo de suplementos: 33,1% afirmam consumir vitamínicos sempre ou frequentemente, acima da média nacional (28,3%). A busca está menos associada a tratamento e mais à manutenção de qualidade de vida ao longo do tempo.

No padrão alimentar, observa-se maior atenção ao controle de ingestão. Enquanto 10,9% declaram buscar ativamente produtos sem açúcar, 12,9% preferem adoçantes — proporção superior à média da população (8,5%). O movimento indica ajustes graduais na dieta, alinhados à gestão de saúde.

No varejo, o grupo concentra maior participação no canal moderno — supermercados de rede e hipermercados — favorecendo ambientes com maior amplitude de sortimento, incluindo linhas premium. Também registra 10% mais ocasiões de consumo associadas à saudabilidade em comparação com a média, e o atributo “saudável” já representa 15,4% dos motivos de consumo desse público.

Há ainda um padrão distinto de escolha de marcas. Consumidores 50+ acessam um portfólio mais restrito e apresentam maior concentração de gasto, indicando comportamento menos orientado à experimentação e mais à continuidade.

O resultado é um segmento com maior previsibilidade de consumo e menor volatilidade nas decisões. Para indústria e varejo, trata-se de uma base relevante para estratégias de rentabilidade, fidelização e desenvolvimento de portfólio com foco em valor agregado.

 As informações são da Worldpanel by Numerator, resumidas pela Equipe MilkPoint.


Como a água da chuva completa o ciclo produtivo de fazendas que são destaque na sustentabilidade

Com a proximidade do Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, o MilkPoint destaca produtores de leite que fazem a diferença na preservação deste recurso essencial para a cadeia e o planeta. Nesta edição, duas propriedades mostram como é possível combinar eficiência produtiva, sustentabilidade e redução de custos por meio do reaproveitamento da água.

Com a proximidade do Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, o MilkPoint destaca produtores de leite que fazem a diferença na preservação deste recurso essencial para a cadeia e o planeta. Nesta edição, duas propriedades mostram como é possível combinar eficiência produtiva, sustentabilidade e redução de custos por meio do reaproveitamento da água.

Na Fazenda Santa Carla, o produtor Alessandro Chiogna transformou a água da chuva em um recurso estratégico: a água captada dos telhados é armazenada em um reservatório de 4 milhões de litros e reaproveitada em diferentes etapas da produção, do resfriamento dos animais à fertirrigação das lavouras.

Água da chuva: da captação ao ciclo completo

Segundo Alessandro Chiogna, o sistema de aproveitamento da água na Fazenda Santa Carla é simples, mas extremamente eficiente: "Nós aproveitamos a água da chuva há vários anos na fazenda. Toda a água que cai no telhado do barracão é canalizada para um tanque de água de 4 milhões de litros. E a gente reutiliza essa água para aspersão do gado", explica o produtor.

O processo gera benefícios duplos: redução do consumo de água potável e resfriamento dos animais, melhorando o conforto térmico do rebanho. Além disso, a água retorna ao sistema produtivo:

"Ela volta a re-circular no sistema. A gente capta a água da chuva, resfria as vacas com ela, e a água que cai no chão do curral também é reaproveitada para a limpeza dos barracões e dos sistemas de flushing. No final, o excedente ainda é usado na fertirrigação", completa Chiogna.

Para o produtor, essa estratégia é de baixo custo, mas gera impacto ambiental e econômico significativo. "Dessa forma, conseguimos aproveitar o benefício do meio ambiente, reduzir custos e melhorar a produtividade. Tudo isso torna a propriedade mais sustentável", destaca.

Reaproveitamento simples e eficiente na Fazenda Moleque

Da mesma maneira, a Fazenda Moleque, de Erasmo Carlos Rabelo, também investe em soluções práticas para otimizar o uso da água. Segundo a Gerente da Fazenda, Meire Soares da Costa, a reutilização impacta diretamente no custo e na gestão da propriedade:

"Sim, temos redução nos custos. Reutilizamos a água da chuva para a limpeza das pistas do barracão. O melhoramento da gestão é nítido, é um processo simples que faz toda a diferença", afirma Meire.

Além disso, a propriedade observa benefícios adicionais: menor uso de máquinas, diminuição do consumo de energia e aproveitamento dos dejetos do rebanho na fertilização do solo.

"Utilizamos a água para limpeza das pistas e, com isso, temos um manejo mais eficiente. Ainda aproveitamos os dejetos para fertilização da terra", explica Meire.

Um ponto importante destacado por ela é o dimensionamento do armazenamento: "O conselho é investir em piscinões que comportem toda a água, para garantir que nada seja desperdiçado", completa a gerente.

Sustentabilidade e eficiência: lições para outros produtores

Tanto a Fazenda Santa Carla quanto a Fazenda Moleque mostram que, mesmo soluções simples e de baixo custo, quando planejadas, podem gerar ciclos produtivos virtuosos e reduzir significativamente o impacto ambiental. Para Alessandro e Meire, a chave está no planejamento, no aproveitamento de recursos naturais e na integração do sistema de água com a rotina de manejo.

"É uma atitude simples, mas que pode impactar muito qualquer propriedade", resume Chiogna, reforçando a importância da água como recurso estratégico na pecuária de leite. (Milkpoint)

Pecuarista que investe em genética mantém aposta em tecnologia, diz Asbia

A entrada de doses de sêmen bovino no mercado brasileiro cresceu em 2025 em relação ao ano anterior, segundo a Asbia, isso é reflexo de uma mudança estrutural na pecuária nacional.

A entrada de doses de sêmen bovino no mercado brasileiro cresceu 15,5% em 2025 na comparação com o ano anterior, segundo relatório da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) em parceria com o Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea), da USP.

Para a Asbia, o avanço reflete uma mudança estrutural na pecuária nacional. “É um registro claro de que o pecuarista que começa a investir em genética mantém seus investimentos, pois percebe os ganhos reais em produtividade”, afirmou Lilian Matimoto, executiva da entidade.

De acordo com o levantamento, o volume considera o total produzido no país somado às doses importadas. Em 2025, foram produzidas 23.097.678 doses de sêmen, alta de 12,46% em relação a 2024. Já as importações somaram 7.275.207 doses, crescimento de 26,71% na mesma base de comparação.

Tecnologia sustenta crescimento

Ao analisar os dados históricos da venda de sêmen, do uso de inseminação artificial (IA) e adoção da inseminação artificial em tempo fixo (IATF), a Asbia avalia que, apesar das variações do ciclo pecuário, o crescimento do mercado está diretamente ligado à adoção de tecnologias de melhoramento genético.

“Estamos falando de uso de tecnologias, que trazem uma maior rentabilidade ao produtor em um menor tempo de produção, um caminho sem volta. O efeito do ciclo pecuário existe sim e talvez seja algo que teremos que repensar como trabalhar a favor (com planejamento), mas a cada mudança de ciclo, os patamares anteriores são sempre superados”, destacou Lilian.

Investimentos acompanham valorização do bezerro

Matimoto explica que entre os anos de 2018 a 2021, observou-se uma relação clara entre a valorização do bezerro, a diminuição do abate de fêmeas e o crescimento dos investimentos em genética. 

Segundo ela, nesse período, as vendas de doses de sêmen para o cliente final subiram de menos de 14 milhões de doses (2018) para mais de 25 milhões (2021). No mesmo intervalo, o bezerro quase dobrou de valor, e o abate de fêmeas caiu cerca de 20%.

“Entretanto, mesmo com a retomada do ciclo a partir de 2021, podemos verificar que os investimentos em genética se mantiveram muito aquecidos, com vendas totais sempre acima das 22 milhões de doses, mesmo em cenários de maior abate de fêmeas e desvalorização do bezerro”, apontou a executiva.

Exportações ampliam presença da genética brasileira 

Ainda em 2025, de acordo com o levantamento da Asbia/Cepea, a saída de sêmen, que considera vendas ao cliente final, exportações e contratos de inseminação por prestação de serviço, cresceu 8,87%, somando 27.979.347 de doses comercializadas. 

Lilian acredita que apesar dos desafios comerciais, a genética brasileira é reconhecida mundialmente e apresenta crescimento contínuo. 

“Hoje nossas exportações se concentram mais nos países da América do Sul e Central, até mesmo pela característica de clima, mas outros mercados têm se interessado pelo nosso trabalho e apontado chances cada vez maiores de aumento das exportações. Isso indica que, depois de um ano de recordes, temos tudo para seguir avançando e levando a genética brasileira para o mundo”, afirmou.

Genética leiteira bate recorde de produção 

Um outro destaque do levantamento feito pela Asbia foi a produção de sêmen com aptidão leiteira, que aumentou 20,90% em relação a 2024, alcançando o recorde histórico de 3.819.753 doses. 

Marcos Barbosa, pesquisador da Embrapa Gado de Leite, acredita que tal crescimento aponta para uma mudança estrutural na pecuária de leite brasileira, impulsionada pela busca por maior eficiência e consolidação do setor. 

Segundo ele, mesmo com a baixa remuneração e a redução do preço do leite, o aumento observado no número de inseminações reflete a adoção de tecnologias reprodutivas e genômicas pelas propriedades, de modo que elas possam se tornar cada vez mais competitivas.

“A genética tem papel fundamental na eficiência alimentar dos rebanhos leiteiros, pois permite identificar e selecionar animais capazes de produzir o mesmo volume de leite e sólidos consumindo menos alimento, sem comprometer a saúde ou a fertilidade. Trata-se de uma característica complexa, mas que permite avanços consistentes por meio de programas de melhoramento”, apontou.

As informações são do Canal Rural, adaptadas pela equipe MilkPoint.


Jogo Rápido

Quase 25% das empresas não conseguem gerar caixa suficiente para pagar os juros de suas dívidas
O anúncio quase simultâneo das recuperações extrajudiciais do Grupo Pão de Açúcar e da Raízen na semana passada acendeu um alerta sobre a saúde financeira do setor corporativo brasileiro. O juro alto fez o custo da dívida das empresas aumentar e encareceu boa parte dos planos de investimentos. Entre as companhias abertas brasileiras, por exemplo, 24% já não conseguem gerar caixa suficiente para pagar os juros de suas dívidas, segundo um levantamento da consultoria especializada em reestruturação de dívida RK Partners. O estudo da consultoria leva em conta a situação das 282 empresas com ações listadas na Bolsa de Valores. Os estragos dos juros elevados no balanço das companhias também se refletem em outros indicadores: 23% das empresas têm alavancagem entre três vezes e seis vezes a relação dívida líquida/ebitda anual e 24% tem alavancagem acima de seis vezes. Esse tipo de comparação é importante porque o ebitda é olhado de perto pelos analistas. Ele revela o resultado operacional de uma empresa ao medir o lucro da companhia antes de juros, impostos, depreciação e amortização. “Vemos que algumas empresas ficaram com uma alavancagem elevada diante de uma taxa Selic muito alta. Até 2022, tínhamos em média 25 empresas de grande porte pedindo recuperação judicial e extrajudicial por trimestre. Agora, estamos com um patamar de 50 empresas”, diz Ricardo Knoepfelmacher, sócio da RK Partners. “Essa é uma tendência enquanto a Selic tiver alta. As empresas estão com o balanço muito machucado. Vão ter de fazer um esforço para reestruturar o capital.” (Estadão)