Porto Alegre, 18 de março de 2026 Ano 20 - N° 4.592
Pesquisa Trimestral do Leite do IBGE
No 4º trimestre de 2025, a aquisição de leite cru feita pelos estabelecimentos que atuam sob algum tipo de inspeção sanitária (Federal, Estadual ou Municipal) foi de 7,36 bilhões de litros, acréscimo de 8,6% em relação ao 4° trimestre de 2024, e aumento de 3,9% em comparação com o trimestre imediatamente anterior. Trata-se da maior aquisição de leite nesses estabelecimentos de toda a série histórica, superando o recorde do trimestre anterior. No Gráfico I.11 é possível perceber um comportamento cíclico no setor leiteiro, em que os 4os trimestres, regularmente, apresentam pico de produção em relação aos trimestres anteriores impulsionado pelo período de safra em algumas das principais bacias leiteiras do País. O mês de maior captação dentro do período foi outubro, no qual foram contabilizados 2,48 bilhões de litros de leite.
No comparativo do 4º trimestre de 2025 com o mesmo período em 2024, o acréscimo de 580,72 milhões de litros de leite captados, em nível nacional, é proveniente de aumento de produção registrado em 19 das 26 UFs participantes da Pesquisa Trimestral do Leite. Em nível de Unidades da Federação, os acréscimos mais relevantes ocorreram no Rio Grande do Sul (+161,48 milhões de litros), São Paulo (+92,43 milhões de litros) e Paraná (+70,73 milhões de litros). Em compensação, as reduções mais significativas ocorreram em Mato Grosso (-4,39 milhões de litros), Tocantins (-3,17 milhões de litros) e Mato Grosso do Sul (-2,23 milhões de litros). Minas Gerais continuou liderando o ranking de aquisição de leite, com 23,5% da captação nacional, seguido por Paraná (15,6%) e Rio Grande do Sul (13,5%) (Gráfico I.12).
O preço médio do litro de leite cru pago ao produtor, no 4º trimestre de 2025, foi de R$ 2,21, valor 19,9% inferior ao praticado no trimestre equivalente do ano anterior. Em comparação ao preço médio auferido no 3º trimestre de 2025, também houve queda, sendo na ordem de 14,0%. (Gráfico I.13).
Todos os estados com mais de três informantes apresentaram variação negativa no preço em relação ao 4º trimestre de 2024, sendo a maior variação verificada em Rondônia (-31,3%) com preço a R$ 1,91. O maior valor médio pago pelos laticínios sob inspeção ao leite cru (resfriado ou não) em UFs com mais de três informantes foi de R$ 2,44, em Roraima, e a menor média foi de R$ 1,81, no Tocantins, neste 4º trimestre de 2025. Segundo o IPCA, o item Leite e derivados teve queda na ordem de -3,63% no acumulado de janeiro a dezembro de 2025, no sentido oposto ao Índice geral da inflação de +4,26% no mesmo período. Dos oito subitens desta lista, as variações negativas no período foram verificadas no Leite longa vida (-12,87%) e na Manteiga (-4,48%), ao passo que os maiores aumentos se deram no Leite em pó (+5,33%) e Requeijão (+4,66).
A maior parte da captação de leite pelos laticínios brasileiros foi realizada por estabelecimentos de grande porte, que receberam mais de 150 mil litros de leite/dia (6,9% do total de estabelecimentos) e foram responsáveis por 70,8% do volume de leite cru captado no 4º trimestre de 2025 (Tabela I.13).
No 4º trimestre de 2025, participaram da Pesquisa Trimestral do Leite 2 002 estabelecimentos, 646 (32,3%) registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF), 882 (44,1%) nos Serviços de Inspeção Estadual (SIE) e 474 (23,7 %) nos Serviços de Inspeção Municipal (SIM), respondendo, respectivamente, por 87,8%, 10,4% e 1,8% do total de leite captado. O Estado do Amapá foi a única Unidade da Federação a não participar da Pesquisa, por não apresentar estabelecimento elegível ao universo investigado. (As informações da Pesquisa Trimestral do Leite do IBGE - Publicado em 18/03/2025 às 09:00 adaptado pelo SINDILAT/RS)
GDT 400: estabilidade indica acomodação após ciclo de altas
O 400º leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT) apresentou estabilidade nos preços internacionais dos lácteos, com o price index variando 0,1%, e a média dos produtos comercializados foi USD 4.330/tonelada, após a sequência recente de altas mais expressivas observadas nos eventos anteriores.
O 400º leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT) indicou estabilidade nos preços internacionais dos lácteos, com o índice geral registrando leve variação de 0,1% e média de USD 4.330 por tonelada para os produtos comercializados, após uma sequência recente de altas mais expressivas observadas nos eventos anteriores.
Gráfico 1: Preço médio leilão GDT.
O comportamento entre os derivados foi misto, com destaque para a gordura anidra do leite, que registrou a maior alta do leilão, com avanço de 6,4%, cotada a USD 7.602/tonelada. O movimento reforça a continuidade da valorização do segmento, sustentado por uma menor disponibilidade, decorrente da desaceleração sazonal da produção na Oceania.
O leite em pó desnatado (LPD) também apresentou desempenho relevante, com alta de 5,2%, atingindo USD 3.409/tonelada e mantendo trajetória de valorização nas últimas sessões. Por outro lado, o leite em pó integral (LPI) — principal produto negociado — registrou queda de 4,0% - revertendo as altas consecutivas dos últimos leilões, sendo negociado a USD 3.709/tonelada.
Gráfico 2. Preço médio LPI.
Entre os queijos, a muçarela apresentou leve alta de 0,5%, chegando a USD 4.208/tonelada, enquanto o cheddar se manteve estável (+0,1%), cotado a USD 4.925/tonelada. A lactose, por sua vez, registrou leve recuo de 0,3%, sendo negociada a USD 1.450/tonelada. A tabela 1 apresenta os preços médios dos derivados ao fim do evento, assim como suas respectivas variações em relação ao leilão anterior.
Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 171/03/2026. Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.
Volume negociado volta a crescer
O volume total negociado no leilão somou 19.500 toneladas, representando alta de 3,4% frente ao evento anterior. Na comparação com o leilão equivalente em 2025, o volume ficou estável, com leve recuo de 0,2%.
Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT.
Impacto nos contratos futuros
Com um mercado especulativo, os preços futuros vinham apresentando altas. Agora, reforçando essa visão de maior estabilidade no GDT, os preços futuros para os próximos meses passaram a apresentar variações desde o início de março, indicando um cenário de maior acomodação após um período de fortes e rápidas recuperações de preços.
Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures). Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2026.
Impacto nos contratos futuros
Com um mercado especulativo, os preços futuros vinham apresentando altas. Agora, reforçando essa visão de maior estabilidade no GDT, os preços futuros para os próximos meses passaram a apresentar variações desde o início de março, indicando um cenário de maior acomodação após um período de fortes e rápidas recuperações de preços.
Além disso, a recente valorização do dólar — influenciada pelo aumento das tensões internacionais — adiciona um novo elemento ao cenário doméstico. Com os preços internacionais em alta e o câmbio também mais elevado nesta última semana, a competitividade dos produtos importados diminui, o que pode trazer certo alívio aos preços nacionais e favorecer o processo de recomposição do mercado interno.
O GDT 400 marca um momento de transição no mercado lácteo internacional: após uma sequência de altas, os preços entram em fase de acomodação, mas seguem sustentados por fundamentos positivos. Para o Brasil, esse cenário — aliado ao comportamento recente do câmbio — pode contribuir para um ambiente mais favorável à sustentação dos preços ao longo de 2026, com possível menor volume de leite importado. (Milkpoint)
Produção Argentina
Produção de leite na Argentina iniciou em 2026 com crescimento de +10% versus mesmo período de 2025.
Redução sazonal no 1 trimestre será seguido de crescimento a partir abril 2026.
No Brasil as importações estão em alta. O ano que poderia ser de recuperação gradual e sólida de preços se mistura em cenário de incertezas geradas pela forte alta do leite spot (USD 0,60/L).
O consumidor brasileiro será exposto a preço de lácteos fora da realidade do mercado internacional. Qual será o impacto? Será que os brasileiros irão conseguir absorver as altas sem queda de consumo? Histórico dos últimos anos revelam que esse cenário não é positivo para os atores da cadeia produtiva (produtores; cooperativas; indústrias; consumidores). (Dairylando)
Jogo Rápido
No Pampa Debates desta quinta-feira (12), Darlan Palharini comenta os reflexos da supersafra de produção leiteira em 2025, a queda no preço pago ao produtor e os desafios enfrentados pelo setor diante dos custos de produção e da concorrência com países como Argentina e Uruguai. Confira clicando aqui. (Pampa Debates)