Porto Alegre, 13 de março de 2026 Ano 20 - N° 4.589
Inteligência artificial deve impulsionar nova fase da cadeia leiteira no Rio Grande do Sul
Especialistas apontam a inteligência artificial como aliada para uma nova fase da cadeia leiteira no RS. Investimentos em tecnologia e pesquisa buscam ampliar a produtividade, melhorar a qualidade do leite e fortalecer a renda dos produtores, com monitoramento desde a fazenda até o consumidor.
O futuro da cadeia leiteira deve ter a inteligência artificial como aliada. É o que apontam os especialistas do setor que participaram do painel Conecta GZH, nesta última quarta-feira (11) na Expodireto, em Não-Me-Toque.
Com o tema "Do campo ao consumidor: como a tecnologia pode elevar a qualidade do leite gaúcho", o debate contou com a presença do professor da Universidade de Passo Fundo (UPF), Carlos Bondan, do presidente da Emater/RS, Claudinei Baldissera, e do gerente de prestação de serviços da UPF, Clóvis Tadeu Alves.
Conforme Bondan, a metade norte do Estado é responsável pela maior produtividade de leite do RS, com 70% do volume total. Nesse contexto, a UPF investiu aproximadamente R$ 2,8 milhões para a aquisição de equipamentos que permitem análises mais completas e ágeis do leite e da reprodução animal.
"A atividade leiteira é uma das que tem o maior potencial de geração de recursos financeiros e de distribuí-los dentro de uma cidade e região. Diante disto, a UPF criou o laboratório do leite e queremos dar um novo passo com outros equipamentos", explicou.
A partir desses investimentos, a universidade pretende estruturar um centro de inteligência artificial para monitorar a qualidade do leite em todas as etapas produtivas — desde a fazenda até o consumo final.
"Nosso objetivo é tornar o RS o Estado que mais produz leite no Brasil" projeta o professor.
Produtores investem em tecnologia
Um acompanhamento feito pela UPF mostra que, desde 1997, o setor leiteiro tem apresentado redução no número de produtores. Porém, segundo o gerente de prestação de serviços da universidade, quem fica na área investe em mais animais, focando no aumento da produtividade.
"Nas últimas décadas, tivemos exclusão de produtores, mas inclusão de animais. Ou seja, para se manter nessa cadeia, tem que ter volume de produtividade. Quem fica na atividade tem alto volume e consegue controlar o custo" pontuou Clóvis Tadeu Alves.
Neste cenário, o apoio ao produtor prestado pela Emater é essencial. De acordo com o presidente da entidade, o trabalho desenvolvido acompanha de perto as pesquisas e extensões das universidades.
Entre as apostas a longo prazo estão os equipamentos modernos para análise de leite e o sistema de análise espermática, ideal para pesquisas sobre reprodução animal. Essas tecnologias têm potencial de aumentar a produtividade e, consequentemente, a renda.
"Sempre que surge uma tecnologia, o produtor vai ter que fazer o investimento", resume o gerente de prestação de serviços da UPF.
As informações são do GZH, via Milkpoint, editadas pelo Sindilat.
Exportações de lácteos da Argentina caem 23% em janeiro, após forte desempenho ao fim de 2025
As exportações de produtos lácteos da Argentina registraram queda em janeiro na comparação com dezembro de 2025. Segundo dados do Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA), os embarques somaram 38.992 toneladas no primeiro mês de 2026 — uma retração de 22,9% em relação ao mês anterior.
Em valor, as vendas externas alcançaram US$ 147,3 milhões, redução de 22,2%. Na prática, foram exportadas cerca de 11,6 mil toneladas a menos, o equivalente a US$ 42 milhões. Na comparação anual, porém, o cenário é diferente. Em relação a janeiro de 2025, as exportações cresceram 31,8% em volume e 26,6% em receita. O OCLA ressalta, no entanto, que esse avanço expressivo ocorre porque o volume exportado no início do ano passado foi excepcionalmente baixo.
Com isso, a participação das exportações na produção total de leite da Argentina ficou em 29,1% em janeiro de 2026 — um nível considerado dentro da faixa histórica normal.
Preços também recuam
O preço médio das exportações foi de US$ 3.778 por tonelada em janeiro, queda de 4% em relação ao mesmo mês de 2025. No caso do leite em pó — principal produto exportado pelo país, responsável por 42,4% dos embarques totais — o preço médio foi de US$ 3.492 por tonelada, 11,7% abaixo do registrado no ano anterior.
Fator sazonal explica parte da queda
De acordo com o OCLA, a redução nas exportações tem forte relação com a sazonalidade da produção de leite na Argentina. O país registra seu pico produtivo na primavera. Nesse período, que vai da saída do inverno até o final do ano, é comum que as exportações aumentem para escoar os excedentes de produção. Quando a produção diminui, esse movimento tende a desacelerar — o que ajuda a explicar o desempenho de janeiro.
Outro fator relevante é o forte desempenho de dezembro. O último mês de 2025 registrou um volume elevado de exportações, o que amplia a diferença na comparação mensal. Mesmo assim, quando se analisa o acumulado anual, o desempenho externo permanece positivo: tanto o volume quanto o valor exportado cresceram mais de 25% em relação ao ano anterior.
Mercado interno segue pressionado
No mercado doméstico, os dados mostram comportamentos distintos dependendo da base de comparação. Em relação a janeiro de 2025, as vendas de produtos lácteos recuaram 5,6%. Já na comparação com dezembro, houve crescimento de 2,6%.
Esse resultado, porém, muda quando se observa o consumo em litros equivalentes — medida que considera o volume de leite utilizado na fabricação dos produtos. Nesse caso, foi registrada uma queda de 8% frente a dezembro.
Leite em pó lidera as quedas
Entre as principais categorias, o maior recuo nas vendas em relação a janeiro do ano passado ocorreu no leite em pó, com queda de 23,4%.
Na sequência aparecem:
Outros produtos lácteos (como doce de leite, manteiga e iogurtes): -9,1%
Leites fluidos: -5%
O consumo de queijos, por outro lado, apresentou crescimento de 1,9% na comparação anual. Esse segmento tem grande relevância para a cadeia, já que cerca de 50% da produção nacional de leite é destinada à fabricação de queijos.
Mudança no comportamento de consumo
O OCLA aponta duas possíveis explicações para a retração nas vendas.
A primeira está relacionada à base de dados utilizada. As informações de vendas são coletadas pela Direção Nacional de Laticínios a partir de indústrias que representam cerca de 60% do mercado, o que significa que parte relevante do consumo — incluindo marcas menores e o mercado informal — não é capturada pela pesquisa. Segundo o observatório, há indícios de que o segmento não monitorado possa ter registrado aumento nas vendas em janeiro.
Nesse contexto, uma das hipóteses é que consumidores estejam migrando das marcas líderes — incluídas no levantamento — para produtos mais baratos ou de marcas menores.
Além disso, o desempenho do consumo também reflete oscilações no poder de compra da população. “Há variações nesses períodos de acordo com a recuperação do poder aquisitivo das pessoas. Se compararmos janeiro deste ano com o de 2025, as vendas parecem menores porque naquele momento o desempenho havia sido relativamente bom, considerando que vínhamos de um 2024 mais difícil”, aponta o relatório (Com informações do Clarín, resumidas pela Equipe MilkPoint)
EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1910 de 12 de março de 2026
BOVINOCULTURA DE LEITE
A atividade está estável na maior parte das regiões, e houve recuperação gradual da produção em áreas beneficiadas pelas chuvas do período. Ainda assim, as temperaturas elevadas seguem provocando estresse térmico nos rebanhos, reduzindo o tempo de pastejo e exigindo ajustes de manejo, como maior oferta de sombra, de água e de suplementação alimentar. Em diversas propriedades, estão sendo ofertados alimentos conservados, como silagem, feno e pré-secado, para complementar a dieta e garantir o atendimento das exigências nutricionais. O escore corporal e a qualidade do leite, avaliada pelos parâmetros legais, estão dentro de níveis adequados.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Fronteira Oeste, em Manoel Viana e Alegrete, a produção vem reagindo gradualmente devido à melhoria da oferta de pastagens após as chuvas das últimas semanas. As temperaturas elevadas no período causaram estresse no rebanho, levando produtores a ajustar os horários de pastejo para reduzir impactos no consumo de forragem. A silagem produzida em janeiro e início de fevereiro já está sendo utilizada por alguns produtores, contribuindo para a qualidade da dieta das matrizes.
Na de Caxias do Sul, os produtores suplementam os volumosos com silagem. As tardes ainda quentes exigiram medidas para diminuir o estresse térmico. Os bovinos a pasto têm buscado sombra e aguadas, e para os animais confinados foram utilizados ventiladores e vaporizadores para amenizar o calor. A qualidade do leite, avaliada pela contagem de células somáticas (CCS) e pela contagem padrão em placas (CPP), está dentro dos limites estabelecidos pelo Ministério da Agricultura – MAPA.
Na de Erechim, os produtores que utilizam sistemas de pastoreio recolocaram os animais nos piquetes para melhor aproveitamento das pastagens, após a recuperação das áreas. A utilização de alimentos conservados, como silagens, fenos e pré-secados, continua como parte das dietas para complementar a oferta de nutrientes e atender à demanda energética dos rebanhos.
Na de Ijuí, a produção apresentou leve queda. Porém, a curva de sazonalidade está menos acentuada do que no mesmo período de 2025. O escore corporal dos animais está bom, e a qualidade do leite coletado segue dentro dos parâmetros estabelecidos pela legislação.
Na de Pelotas, em algumas propriedades, tem sido utilizada silagem e ração para suprir a menor disponibilidade de forragem. De modo geral, a produção está em bons níveis. Em relação ao aspecto sanitário, observa-se aumento da incidência de carrapatos em algumas propriedades, sendo recomendados tratamentos preventivos para evitar infestações mais severas. Também foram registrados casos de raiva em alguns municípios.
Na de Santa Maria, as condições climáticas mais amenas têm proporcionado maior conforto aos animais, reduzindo o estresse térmico e favorecendo o consumo de forragem.
Na de Santa Rosa, as altas temperaturas têm provocado estresse térmico nos rebanhos leiteiros, diminuindo o tempo de pastejo e levando os animais a buscar áreas sombreadas durante as horas mais quentes do dia. Embora os rebanhos estejam com escore corporal adequado, observa-se desenvolvimento mais lento e necessidade de intensificar o uso de alimentos conservados, como silagem, feno e pré-secado.
Em Cândido Godói, as chuvas leves não interferiram no manejo das propriedades, mas as temperaturas elevadas têm demandado, nos sistemas semiconfinados, a intensificação do fornecimento de alimento no cocho para suprir as necessidades nutricionais do rebanho. (Emater/RS adaptado pelo Sindilat/RS)
Jogo Rápido
PREVISÃO METEOROLÓGICA
Na maior parte da próxima semana, o tempo deverá permanecer estável em todo o território gaúcho. No dia 13/03 (sexta-feira), o sistema deverá se afastar gradualmente, reduzindo sua influência sobre o Estado. Assim, há previsão de chuva fraca e passageira em pontos isolados da Serra e dos Campos de Cima da Serra. No dia 14/03 (sábado), o tempo voltará a ficar predominantemente estável, sem previsão de chuva significativa em todo o território gaúcho. Nos dias 15/03 (domingo), 16/03 (segunda-feira), 17/03 (terça-feira) e 18/03 (quarta-feira), as condições de estabilidade deverão continuar predominando na maior parte do Estado. Entretanto, nos dias 17 e 18/03, na Fronteira Oeste, poderá ocorrer chuva fraca a moderada, associado ao transporte de umidade. A partir do dia 16/03 (segunda-feira), as temperaturas deverão voltar a se elevar gradualmente. De forma geral, os acumulados de precipitação deverão chegar a 30 mm ao longo da semana. Em alguns pontos isolados da Fronteira Oeste e Campos de Cima da Serra, esse valor poderá ser ultrapassado. Nas regiões Central, Campanha e na porção mais a Sudeste, os valores previstos não ultrapassarão os 10 mm acumulados. (Fonte: Simagro – Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos)