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25/02/2026

Porto Alegre, 25 de fevereiro de 2026                                                    Ano 20 - N° 4.577


Cooperativa Santa Clara projeta dobrar a produção de queijos em novo ciclo de investimentos

No ano em que completa 115 anos como marca, a Cooperativa Santa Clara, que tem origem em Carlos Barbosa, na Serra, investe para consolidar a sua cadeia produtiva de laticínios e suínos bem além do município serrano. De acordo com o diretor administrativo e financeiro da Santa Clara, Alexandre Guerra, entre 2026 e 2027, serão aportados R$ 200 milhões em três frentes: ampliação da produção de laticínios, de embutidos de suínos e da estrutura de distribuição e armazenamento da cooperativa.

"Hoje a cooperativa conta com 4,7 mil associados e uma estrutura cada vez mais consolidada para dar suporte e condições aos produtores entre a Serra, Alto Uruguai e Alto Jacuí. Como cooperativa, nós conseguimos garantir assistência técnica e pagamento com retorno a esse associado, porque o produtor, principalmente de leite, que é a nossa maior operação, se equipou para produzir mais e, hoje, com qualidade semelhante à União Europeia, mas o momento é muito delicado. Por isso, nossos investimentos querem garantir custos menores, especialmente em logística, que castiga muito o produtor no Rio Grande do Sul", explica Guerra.

A maior fatia dos investimentos da cooperativa neste ciclo será direcionada à construção de uma nova queijaria em Casca, na região da Produção. A perspectiva é de que as obras iniciem até o final deste ano, com início da produção previsto para 2028. De acordo com o diretor, o projeto atenderá ao aumento da produção de 14% de leite no campo, entre os 2,4 mil produtores leiteiros associados à cooperativa. Na indústria que já opera em Casca, a Santa Clara projeta um aumento de 20% na produção de leite UHT.

A cooperativa já conta com queijarias em Carlos Barbosa — dedicada aos queijos mais nobres — e em Getúlio Vargas, garantindo uma capacidade produtiva de 600 toneladas de queijo ao mês. A meta, aponta o dirigente, é conseguir dobrar este volume com a operação da futura queijaria de Casca.

"Mesmo com o cenário desafiador, especialmente a partir da metade do ano passado, conseguimos, como cooperativa, ampliar em 50 o número de produtores cooperados. Estamos presentes em uma bacia leiteira muito forte, que precisa de toda a estrutura para agregar valor ao que produz", diz o dirigente.

Melhoria logística e aumento da produção suína
Não à toa, a Santa Clara inicia a operação neste mês de fevereiro do seu novo Centro de Distribuição, em Carlos Barbosa, finalizando um investimento de R$ 22 milhões. Ao todo, a cooperativa conta com sete CDs, mas este mudará a lógica dessas operações.

"Teremos em Carlos Barbosa uma espécie de pulmão para todas as indústrias, com 5,3 mil metros quadrados e um aumento em espaços para armazenamento de mais de 70% em relação à estrutura anterior. Isso significa que, ao centralizarmos em Carlos Barbosa matérias-primas, suprimentos e produtos para distribuição, abrimos mais área operacional nas demais unidades industriais", detalha.

Entre os aportes logísticos, a cooperativa também amplia a sua estrutura em Canoas, na Região Metropolitana, com especial atenção à sua linha de food service, com a distribuição de produtos que são bases para restaurantes, hotéis e lancherias. A partir dessa ampliação, toda a distribuição a este setor será centralizada no município da Região Metropolitana.

Na outra ponta, será concluída este ano uma nova loja agropecuária para atendimento aos produtores em Paraí, com 4,2 mil metros quadrados, e o início das obras de uma nova estrutura em Nova Roma do Sul, ambas na Serra. A cooperativa conta com 30 lojas no Rio Grande do Sul.

O plano de investimentos contempla ainda a ampliação e, principalmente, qualificação da produção suína da Cooperativa Santa Clara. Os aportes preveem ampliação de 17% na capacidade de abate e desossa no frigorífico adquirido ano passado em Vila Lângaro, na região Nordeste do Estado. Hoje, a unidade tem capacidade de abate de 600 suínos por dia. A unidade dará suporte à cadeia de 63 produtores integrados de suínos e sete unidades de produção de leitões.

A partir de lá, a cooperativa também vai ampliar a sua capacidade de produção de embutidos e cozidos, como salames com maior valor agregado, em Carlos Barbosa.

Ficha técnica

Investimento: R$ 200 milhões
Estágio: Em execução até 2027
Empresa: Cooperativa Santa Clara
Cidades: Carlos Barbosa, Casca, Canoas, Vila Lângaro, Nova Roma do Sul
Área: Indústria
Investimento em 2025: R$ 30 milhões

As informações são do Jornal do Comércio


CEPEA: Boletim do leite Ano 32 nº 368 | FEVEREIRO - 2026

Depois de recuar mais de 25% no ano passado, preço do leite começa 2026 em estabilidade.

O preço do leite ao produtor captado em dezembro/25 fechou a R$ 1,9966/litro na Média Brasil – quedas de 5,78% frente a novembro/25 e de expressivos 25,79% sobre a de dezembro/24, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de dezembro/25).

Com o resultado, a média anual, de R$ 2,5617/litro, ficou 6,8% abaixo da de 2024, em termos reais. Já a desvalorização real acumulada em 2025 foi de 25,8%.

A pesquisa realizada pelo Cepea, com apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), mostra que, em janeiro, a cotação do leite UHT negociado no atacado de São Paulo recuou 1,44% em relação ao mês anterior, com a média passando para R$ 3,31/litro.

O queijo muçarela também se desvalorizou, 1,49%, com preço médio de R$ 28,35/kg em janeiro. As exportações brasileiras de lácteos recuaram 16,75% de dezembro/25 para janeiro/26, somando 4,30 milhões de litros em Equivalente-Leite (EqL), enquanto as importações aumentaram 7,94%, para 178,53 milhões de litros EqL. Na comparação com janeiro/25, tanto os embarques quanto as compras caíram, em respectivos 11,43% e 14,32%.

Os dados são da Secex e foram analisados pelo Cepea. Os custos de produção da pecuária leiteira aumentaram em janeiro de 2026.

Esse cenário e a baixa nos preços da matéria-prima deixam o produtor em alerta, visto que apertam ainda mais as margens e afetam diretamente o poder de compra. Acesse o boletim completo clicando aqui. As informações são do Cepea.

CONSELHO PARITÁRIO PRODUTORES/INDÚSTRIAS DE LEITE DO ESTADO 
DO PARANÁ – CONSELEITE–PARANÁ 

RESOLUÇÃO Nº 02/2026 

A diretoria do Conseleite-Paraná reunida no dia 25 de fevereiro de 2026 na sede da FAEP na cidade de Curitiba, atendendo os dispositivos disciplinados no Capítulo II do Título II do seu Regulamento, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima leite realizados em Janeiro de 2026 e a projeção dos valores de referência para o mês de Fevereiro de 2026, calculados por metodologia definida pelo Conseleite-Paraná, a partir dos preços médios e do mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes. 

Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada “Leite Padrão”, se referem ao leite analisado que contém 3,50% de gordura, 3,10% de proteína, 500 mil células somáticas/ml; 300 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Os maiores valores de referência se referem ao leite analisado que contém acima de 4,25% de gordura, acima de 3,40% de proteína, abaixo de 200 mil células somáticas/ml, abaixo de 100 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário superior a 3.000 litros/dia; Os menores valores de referência se referem ao leite analisado que contém 3% de gordura, 2,9% de proteína, acima de 600 mil células somáticas/ml, acima de 500 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Esses parâmetros são apresentados na primeira tabela dessa resolução. Para o leite pasteurizado o valor projetado para o mês de Fevereiro de 2026 é de R$ 3,8601/litro. Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade, o Conseleite-Paraná disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas e contagem bacteriana. O simulador está disponível no seguinte https://www.sistemafaep.org.br/conseleite-parana/


Jogo Rápido

Olimpíadas de Inverno | Ranking da fome olímpica: Grana Padano no topo
O Grana Padano foi protagonista nos Jogos de Inverno, com números que impressionam até fora das pistas. Uma tonelada. Em apenas 16 dias. Esse é o tamanho da fome dos atletas que disputaram os Jogos de Inverno em Milão-Cortina. Durante as duas semanas de competição, os competidores consumiram cerca de 60 quilos por dia do tradicional queijo italiano, o equivalente a aproximadamente duas peças diárias. O dado foi revelado por Andrea Varnier, CEO dos Jogos, e virou um dos números mais comentados fora das pistas. Mas o queijo não esteve sozinho no pódio gastronômico. Os atletas também comeram diariamente 365 quilos de massa, 10 mil ovos, 8 mil cafés e 12 mil fatias de pizza. Somadas, as pizzas servidas ao longo do evento alcançariam cerca de 1.800 metros de extensão. Uma linha reta de massa e molho atravessando quase dois quilômetros. Para dimensionar a operação, Varnier apresentou uma comparação visual: se todas as bandejas usadas nas refeições fossem empilhadas diariamente, formariam uma torre de 60 quilômetros de altura. Isso equivale a cerca de 18 vezes o Monte Tofana, em Cortina, que tem 3.225 metros. A escala da alimentação acompanha o nível de exigência do esporte de alto rendimento. Jovens atletas submetidos a provas intensas precisam de elevado consumo energético. Na vila olímpica de Milão foram preparados até 4.500 cafés da manhã, almoços e jantares por dia. Em Cortina, quase 4 mil refeições diárias. Em Predazzo, cerca de 2.300. Por trás desses números, houve planejamento. A elaboração dos cardápios levou cerca de um ano, segundo os organizadores. O objetivo era equilibrar volume, qualidade nutricional e identidade gastronômica local. Segundo o presidente dos Jogos, Giovanni Malagò, a qualidade da comida foi amplamente elogiada. Fora das cozinhas, o evento também apresentou desempenho robusto. Foram vendidos cerca de 1,3 milhão de ingressos, o equivalente a 88% da capacidade total das sessões. O público foi majoritariamente internacional: 63% vieram de fora da Itália. A Alemanha respondeu por 15% dos espectadores, os Estados Unidos por 14% e Reino Unido e Suíça por cerca de 6% cada. Entre medalhas, recordes e celebrações, os Jogos deixaram também um retrato curioso: grandes eventos esportivos não se medem apenas em quilômetros percorridos na neve, mas também em toneladas de Grana Padano consumidas. *Escrito para o eDairyNews, com informações de UOL