Porto Alegre, 23 de fevereiro de 2026 Ano 20 - N° 4.575
Sooro Renner | Fábrica de whey e fórmula infantil inicia em 2027
Fábrica em Francisco Beltrão terá operação 24h e investimento superior a R$ 680 milhões.
A fábrica de fórmula infantil e whey protein da Sooro Renner em Francisco Beltrão, no Sudoeste do Paraná, deve iniciar operações em 2027, consolidando um novo ciclo de expansão industrial no estado.
O complexo está em construção desde o primeiro semestre de 2025 e ocupará uma área de 340 mil metros quadrados. O investimento supera R$ 680 milhões apenas nesta unidade. Somados os aportes já realizados e previstos no Paraná, o montante deve alcançar R$ 1 bilhão até 2027. A planta integra o plano de crescimento da companhia projetado até 2030.
O impacto regional é relevante. A expectativa é de geração de 250 empregos diretos e cerca de 1.200 indiretos. Em regime pleno, a estrutura terá capacidade para processar até 5 milhões de litros de soro de leite por dia, com operação contínua, 24 horas.
A produção anual estimada inclui 40 mil toneladas de Lactose Infant Formula, 12 mil toneladas de whey protein e 6 mil toneladas de manteiga. O mix amplia a presença da empresa em diferentes segmentos de derivados lácteos e agrega valor ao processamento do soro.
A estratégia industrial dialoga com a dinâmica do mercado. O Brasil ainda depende majoritariamente de importações para suprir a demanda por fórmulas infantis. A nova unidade foi projetada para atender esse segmento sob padrões rigorosos de controle e qualidade.
No caso do whey protein, a decisão acompanha o avanço do mercado de nutrição esportiva e fitness. Já a produção de manteiga ganha tração após a incorporação da Concen, uma das maiores fabricantes do produto no país, fortalecendo a atuação da empresa nesse segmento.
Com duas plantas no estado, incluindo a inaugurada em Marechal Cândido Rondon em 2021, a Sooro Renner amplia sua capacidade industrial no Paraná e posiciona a nova fábrica como eixo estratégico para o processamento de soro e derivados de maior valor agregado. (Escrito para o eDairyNews, com informações de Tribuna)
StoneX | Mercado de leite busca novo equilíbrio após pico de captação
Após forte expansão da captação, mercado de leite entra em fase de ajuste, com impactos ao produtor, indústria e varejo
O mercado de leite brasileiro começa 2026 sob ajuste, após um ciclo de forte expansão da produção que desorganizou a relação entre oferta e demanda ao longo de 2025.
Segundo análise da StoneX, o avanço expressivo da captação no último ano foi impulsionado por rentabilidade favorável ao produtor e custos relativamente controlados. O resultado foi um volume de leite acima da capacidade de absorção do mercado, pressionando preços em todos os elos da cadeia.
A consequência direta foi a compressão das margens, sobretudo no campo. A queda mais intensa nos preços ao produtor ao longo do segundo semestre de 2025 reduziu a rentabilidade, mesmo com custos de alimentação ainda considerados estáveis. Para 2026, a expectativa é de manutenção dos volumes, porém sem novos saltos de crescimento.
A leitura do mercado indica que a restrição de margens tende a moderar a produção a partir do segundo trimestre, criando condições para um reequilíbrio gradual entre oferta e demanda. Sinais iniciais desse movimento já aparecem no mercado spot, que registrou alta em janeiro após uma sequência de recuos na segunda metade de 2025. O comportamento sugere ambiente mais firme entre as indústrias.
No campo dos preços, a tendência projetada é de recuperação progressiva ao longo de 2026, em ritmo semelhante ao observado no início de 2024. Esse avanço, contudo, dependerá da capacidade do mercado interno de absorver a oferta disponível. Para o produtor, a combinação entre custos mais estáveis e possível reação dos preços pode aliviar parcialmente as margens no primeiro semestre, desde que o equilíbrio se consolide.
No varejo, os lácteos acumularam deflação no IPCA em 2025, movimento que se estendeu ao início deste ano. A redução dos preços ao consumidor não decorreu de enfraquecimento da demanda, mas da abundância de leite no mercado. Como as quedas foram mais intensas no produtor e no atacado do que no varejo, existe espaço para repasses parciais ao consumidor ao longo de 2026, condicionados à renda das famílias e às estratégias comerciais.
No cenário externo, as importações encerraram 2025 em patamar elevado, ainda que abaixo de anos anteriores. Em janeiro de 2026 houve avanço mensal, mas com volumes inferiores aos registrados em 2024 e 2025. Apesar da relevância dos embarques, o principal fator de oferta continua sendo o crescimento da produção interna.
Em perspectiva estrutural, o acordo entre Mercosul e União Europeia adiciona uma variável competitiva ao setor. A redução gradual de tarifas e a criação de cotas para leite em pó, manteiga e queijos ampliam o espaço para produtos europeus ao longo de até dez anos. Enquanto as exportações do bloco sul-americano permanecem residuais, as importações oriundas da Europa já têm peso na oferta doméstica.
O novo ciclo do mercado de leite, portanto, exigirá ganhos de eficiência e maior disciplina produtiva. O ano de 2026 será menos sobre expansão e mais sobre ajuste. (Escrito para o eDairyNews, com informações de Compre Rural)
Bônus Mais Leite ultrapassa as 2 mil declarações assinadas, com mais de R$ 133 milhões em contratos
Operações de Custeio ainda possuem recursos e seguem com as inscrições abertas
O Programa Plano Safra RS – Bônus Mais Leite, alcançou nessa quinta-feira (19/02) a marca de mais de 2 mil declarações emitidas pela SDR, até o momento os contratos assinados chegam a R$ 133,1 milhões de reais, desse valor R$ 23,3 milhões correspondem à subvenção do Estado.
Lançado pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) no mês de novembro de 2025, como forma de fortalecer o setor produtivo, o programa havia alcançado até o final do mês de janeiro de 2026, 1.432 declarações assinadas, totalizando R$ 98,8 milhões em contratos, dos quais R$ 17,6 milhões são subvencionados.
Com o objetivo de fortalecer e qualificar a cadeia produtiva do leite na agricultura familiar, a iniciativa representa um investimento total de R$ 30 milhões, e oferece um bônus financeiro de até 25% sobre o valor contratado por produtores enquadrados no Pronaf, em operações de custeio e investimento voltados à atividade leiteira.
De acordo com o engenheiro agrônomo e coordenador do Programa Jonas Wesz, o grande número de solicitações em um curto período evidencia que o programa se encaixou muito bem na necessidade e demanda dos produtores de leite. O perfil dos projetos técnicos deixa claro que o produtor de leite precisa manter os investimentos na unidade produtiva mesmo nos momentos de crise e, assim, possa ter a perspectiva de se manter na produção passando pelos momentos de dificuldade de preço como os que estão sendo enfrentados neste momento.
Operações de Custeio seguem com inscrições abertas
Além disso, as operações de custeio ainda possuem verba para implementação e seguem com inscrições abertas, para os produtores selecionados será concedido bônus financeiro de 25% do valor financiado, limitado a R$ 5.000,00 (cinco mil reais) em subvenção.
O produtor interessado em acessar o Programa Bônus Mais Leite deverá seguir os seguintes passos:
Ler atentamente o Manual Operativo do Programa, clicando aqui.
Elaborar projeto técnico de crédito alinhado com as diretrizes do programa junto à Emater/RS ou outro escritório de assistência técnica;
Solicitar o enquadramento do seu projeto junto à SDR por meio do preenchimento do Formulário de Solicitação de Enquadramento disponível no link a seguir:
https://form.jotform.com/bonusmaisleite/enquadramento2025
Após receber a Declaração de Enquadramento emitida pela SDR, o produtor protocola a documentação para financiamento PRONAF em uma das instituições financeiras habilitadas.
Entre os exemplos de objetos de financiamento enquadrados nas linhas de crédito de custeio pecuário e agrícola estão: formação de cultivos anuais de inverno e/ou verão para alimentação animal (cereais de inverno, milho, pastagem, silagem, pré-secado e feno); aquisição de insumos (calcário, fertilizantes, bioinsumos); aquisição de ração, silagem, pré-secado, feno, sanidade animal, higienização, etc.
O Programa Bônus Mais Leite é uma iniciativa da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), inserida na carteira do Plano Rio Grande, e financiada pelo Fundo do Plano Rio Grande – FUNRIGS. O programa é gerido pelo BADESUL, que é gestor financeiro e contábil do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Estabelecimentos Rurais (FEAPER). (SDR)
Jogo Rápido
Fórum MilkPoint Mercado abordará desafios e oportunidades do setor leiteiro em 2026
Os desafios no curto prazo e as oportunidades a longo prazo da cadeia do leite em 2026 serão foco do Fórum MilkPoint Mercado que, este ano, acontece no dia 9 de abril, em Piracicaba (SP) , no chamado “Vale do Silício do Agro”, ninho de startups e grandes inovações do setor. Para participarem, associados do Sindilat/RS têm garantido 10% de desconto na inscrição, que pode ser feita no link disponível no site do Sindilat, clicando aqui. O primeiro lote está disponível até o dia 06 de fevereiro. A programação do Fórum MilkPoint Mercado 2026 foi estruturada para oferecer uma visão completa e estratégica da cadeia láctea, combinando análises de mercado, qualidade do leite e performance financeira da indústria ao longo de um dia inteiro de debates e networking. (Sindilat)