Porto Alegre, 16 de março de 2026 Ano 20 - N° 4.590
Queijos e lácteos sustentam estratégia de expansão da RAR
Divisão de lácteos e gastronomia da RAR cresce e pode liderar receitas do grupo até 2034
Os lácteos da RAR ganham papel central na estratégia de crescimento da RAR Agro & Indústria, empresa da família Randon sediada em Vacaria, no Rio Grande do Sul.
Embora a fruticultura ainda seja o principal negócio do grupo, a companhia aposta na expansão da divisão dedicada a queijos e outros produtos gastronômicos para dobrar o faturamento e alcançar R$1 bilhão em receitas até 2034.
Em 2025, a empresa registrou faturamento de R$510 milhões e projeta atingir R$558 milhões em 2026. Parte relevante desse crescimento deve vir da unidade RAR Gastronomia, responsável pela produção de queijos, manteiga, creme de leite e outros alimentos. Segundo a empresa, a expectativa é que essa divisão se torne a maior fonte de receita do grupo ao longo da próxima década.
A operação de lácteos da companhia tem origem em uma decisão estratégica tomada por Raul Randon no final dos anos 1990. Ao apostar na produção de queijo tipo grana no Brasil, o empresário percebeu que o país não possuía leite com o padrão necessário para esse tipo de produto. Para viabilizar o projeto, trouxe vacas leiteiras dos Estados Unidos para o interior gaúcho, estruturou um laticínio e enviou equipes à Itália para aprender o processo de produção.
Hoje, a empresa mantém a maior fazenda de gado leiteiro do Rio Grande do Sul, com extração aproximada de 52 mil litros de leite por dia. A produção inclui queijos tipo grana e parmesão, além de manteiga e creme de leite.
Em 2024, a unidade de gastronomia produziu 957 toneladas de queijo tipo grana, 545 toneladas de parmesão e cerca de 600 toneladas de creme de leite e manteiga. O faturamento da divisão alcançou R$189 milhões no período.
O desempenho foi influenciado pelas oscilações no custo da matéria-prima. No primeiro semestre, a rentabilidade foi pressionada pela alta do preço do leite, que superou R$ 2,80 por litro na média nacional, segundo dados citados pela empresa. Já na segunda metade do ano, a queda nos preços ajudou a melhorar os resultados operacionais.
Para 2026, a RAR estima que a receita da unidade chegue a R$205 milhões, crescimento superior a 8% em relação ao ano anterior. De acordo com a empresa, o início do ano apresenta desempenho melhor que o registrado no mesmo período anterior.
A estratégia comercial da divisão de lácteos combina dois canais principais. Mais da metade das vendas ocorre no varejo, com presença em redes de supermercados, enquanto cerca de 45% do volume é direcionado ao food service, atendendo restaurantes e outros estabelecimentos.
A empresa também fornece queijo ralado para marcas próprias de redes varejistas, ampliando sua presença no mercado interno. O principal destino dos produtos é o estado de São Paulo, onde os itens da marca são distribuídos em diferentes redes supermercadistas.
No mercado externo, a companhia realizou uma primeira exportação de 700 kg de queijo tipo grana para Miami, nos Estados Unidos, no final de 2024. O envio foi temporariamente interrompido após a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros, mas as exportações já foram retomadas após o recuo dessas medidas.
Além dos lácteos, a divisão de gastronomia inclui vinhos, produzidos a partir de uvas cultivadas pela própria empresa e vinificados pela Miolo, em Bento Gonçalves. A operação comercializa atualmente 150 mil garrafas por ano, com planos de ampliar o volume para 220 mil garrafas em 2030 e 300 mil em 2034.
Mesmo com a expansão do portfólio gastronômico, a base econômica da empresa continua sendo a fruticultura. A unidade Rasip Agro responde por cerca de 8% do mercado brasileiro de maçãs e foi responsável por R$221 milhões do faturamento total em 2025.
Para a cadeia láctea, a estratégia da RAR indica um movimento relevante: a consolidação de operações integradas que combinam produção de leite, industrialização de queijos de longa maturação e presença simultânea em varejo e food service. A empresa aposta que esse modelo será o principal motor de crescimento nos próximos anos. (Escrito para o eDairyNews, com informações de AgFeed)
A proteína é a grande estrela da nutrição ativa em 2026?
A demanda por proteína continua sendo um dos principais motores da nutrição voltada ao desempenho físico e ao estilo de vida ativo. Mas, à medida que esse nutriente ganha ainda mais espaço no mercado, surgem também novas oportunidades — e novos formatos de consumo.
Durante muito tempo associada quase exclusivamente a frequentadores de academia e atletas, a proteína deixou de ser um nicho. Hoje, tornou-se uma megatrend global, impulsionando inovação em toda a indústria de alimentos, bebidas e suplementos.
Dados da empresa de inteligência de mercado SPINS mostram a dimensão desse movimento: as vendas de suplementos proteicos e substitutos de refeição cresceram em ritmo de dois dígitos, com aumento de 13% em volume e 12,4% em valor no último ano. Só os suplementos de proteína movimentaram cerca de US$ 8,6 bilhões em 2025. Para comparação, os eletrólitos — a segunda maior categoria — geraram US$ 266 milhões no mesmo período.
Esse crescimento acompanha uma mudança no comportamento do consumidor. À medida que mais pessoas adotam um estilo de vida ativo, a proteína passa a ser vista não apenas como um nutriente para performance esportiva, mas como um componente central da alimentação voltada à saúde e ao bem-estar.
Da academia para o consumo cotidiano
Nos últimos anos, a proteína saiu do universo dos shakes e suplementos esportivos para entrar em produtos muito mais diversos. Hoje, ela aparece em alimentos cotidianos — de lanches e bebidas a sobremesas e refeições prontas.
Na indústria de alimentos e bebidas, a proteína passou a ser tratada como um ingrediente de valor agregado, capaz de elevar o perfil nutricional de praticamente qualquer categoria de produto.
Mas nem todos os formatos têm o mesmo desempenho no mercado. Alguns têm se mostrado especialmente promissores.
A evolução dos formatos: do pó às bebidas prontas
Os tradicionais pós proteicos continuam relevantes — especialmente os derivados de soro do leite (whey) — que ainda dominam o mercado de suplementos e substitutos de refeição. No entanto, a forma de consumir proteína está evoluindo rapidamente.
Produtos prontos para beber (RTD — ready to drink) estão ganhando espaço entre consumidores que buscam praticidade. Essas bebidas oferecem uma solução rápida para quem deseja aumentar a ingestão de proteína sem recorrer a preparações ou misturas. Esse movimento acompanha um padrão mais amplo da indústria: nutrição funcional combinada com conveniência.
Proteína como base da nutrição funcional
A proteína também vem sendo incorporada a produtos com diferentes objetivos nutricionais — desde suporte muscular até saciedade e controle de peso.
Isso reflete um mercado em expansão, no qual consumidores procuram alimentos que entreguem benefícios claros à saúde, mas que ainda ofereçam sabor, textura e prazer de consumo.
Ao mesmo tempo, a inovação em ingredientes permite desenvolver produtos com altos níveis de proteína sem comprometer a experiência sensorial, um desafio histórico para formuladores.
O próximo passo da tendência
À medida que a nutrição ativa se torna mais popular, a proteína tende a se consolidar não apenas como um diferencial de produto, mas como um componente padrão de formulação.
O nutriente já ultrapassou o nicho esportivo e passou a fazer parte da alimentação de consumidores de diferentes perfis — de atletas e praticantes de atividade física a pessoas interessadas simplesmente em manter uma dieta mais equilibrada.
Nesse cenário, a grande questão para a indústria deixa de ser se os produtos devem conter proteína — e passa a ser como entregá-la da forma mais eficiente, saborosa e conveniente possível.
As informações são do Dairy Reporter, traduzidas pela Equipe MilkPoint.
Milk Pro Summit 2026: Associados do Sindilat têm 10% de desconto
Os associados do Sindilat terão 10% de desconto na inscrição para o Milk Pro Summit 2026, que será realizado nos dias 28 e 29 de maio, no Bourbon Resort Atibaia, em Atibaia (SP).
Organizado pela MilkPoint Ventures, o evento reúne produtores, técnicos e empresas do setor lácteo. A programação está dividida em seis painéis. No primeiro dia, os debates tratam de cenário econômico e comércio internacional, desafios regionais da produção, parcerias com varejo e food service, inovação tecnológica, gestão de risco, sucessão familiar e fundamentos técnicos e econômicos da atividade. À noite, ocorre a premiação dos 100 maiores produtores de leite.
No segundo dia, os painéis abordam gestão de pessoas e liderança, sustentabilidade aplicada à produção, uso de dejetos como fonte de receita, agricultura regenerativa, programas de incentivo e modelos de expansão da atividade no Brasil e no exterior.
As inscrições podem ser feitas via link disponível no site do Sindilat/RS clicando aqui. (Sindilat/RS)
Jogo Rápido
Gargalos da cadeia foram debatidos na 21ª edição do Fórum do Leite
O secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS), Darlan Palharini, destacou a necessidade de melhorar a competitividade do setor e mais assistência técnica para o produtor. Ouça clicando aqui. (Agert)