Porto Alegre, 06 de março de 2026 Ano 20 - N° 4.584
Balança comercial de lácteos mantém déficit em fevereiro
As importações somaram 176,4 milhões de litros em equivalente-leite, com leve aumento de 1,7% frente a janeiro. Apesar da alta mensal, o volume permanece 16% abaixo do registrado em fevereiro de 2025, reforçando a tendência de desaceleração das compras externas que já havia sido observada na balança de janeiro.
A balança comercial brasileira de lácteos registrou déficit de 171,3 milhões de litros em equivalente-leite em fevereiro de 2026, resultado 1,1% mais negativo que o observado em janeiro. Na comparação com o mesmo mês de 2025, porém, o déficit apresenta recuo de 16%, indicando uma redução na dependência de lácteos importados ao longo do último ano.
Gráfico 1. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos – equivalente leite. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.
As importações somaram 176,4 milhões de litros em equivalente-leite, com leve aumento de 1,7% frente a janeiro. Apesar da alta mensal, o volume permanece 16% abaixo do registrado em fevereiro de 2025, reforçando a tendência de desaceleração das compras externas que já havia sido observada na balança de janeiro.
Gráfico 2. Importações em equivalente-leite. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.
Do lado das vendas externas, as exportações totalizaram 5,1 milhões de litros em equivalente-leite, registrando crescimento expressivo de 27,4% em relação ao mês anterior. Ainda assim, o volume embarcado permanece 15% inferior ao observado em fevereiro de 2025, mostrando que, apesar da recuperação mensal, as exportações brasileiras ainda operam em patamar inferior ao do ano passado.
Em fevereiro, as exportações de lácteos apresentaram movimentos distintos entre os principais produtos:
Soro de leite: principal item da pauta exportadora brasileira, voltou a registrar alta nos embarques, com aumento de 23% frente a janeiro, retomando a trajetória de crescimento após o recuo observado no mês anterior.
Manteigas: mais do que dobrando o volume exportado, a categoria apresentou alta de 125%, alcançando 574 mil quilos embarcados no mês.
Creme de leite: após a forte recuperação vista em janeiro, os embarques voltaram a recuar, registrando queda de 13% em relação ao último mês.
Leites em pó: o leite em pó integral apresentou aumento relevante nas exportações, ainda que os volumes embarcados permaneçam relativamente baixos na pauta exportadora.
No campo das importações, os principais movimentos observados foram:
Leite em pó integral (LPI): principal produto da pauta importadora brasileira, continuou a apresentar crescimento nos volumes. Em fevereiro, a alta foi de 12%, podendo indicar desaceleração frente ao avanço de 23% registrado em janeiro.
Leite em pó desnatado (LPD): segundo item mais relevante nas importações, apresentou leve recuo de 2% nos volumes, mantendo a tendência de estabilidade observada nos últimos meses.
As tabelas 1 e 2 mostram as principais movimentações do comércio internacional de lácteos nos meses de janeiro de 2026 e fevereiro de 2026.
Tabela 1. Balança comercial de lácteos em fevereiro de 2026. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT.
Tabela 2. Balança comercial de lácteos em janeiro de 2026. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT.
O que podemos esperar para os próximos meses?
Para os próximos meses, a expectativa é de recuo no volume total de lácteos importados ao longo de 2026. A recuperação dos preços internacionais, aliada a uma produção brasileira ainda elevada, mesmo que com crescimento mais moderado, pode reduzir parte da atratividade das compras externas.
Outro fator importante é o câmbio. Nas últimas semanas, o dólar vinha operando em patamares mais baixos, o que sustentava a competitividade dos produtos importados no mercado brasileiro. No entanto, o aumento das tensões geopolíticas recentes pode trazer maior volatilidade cambial, influenciando diretamente as negociações internacionais de lácteos.
Nesse cenário, embora os preços dos lácteos no Mercosul já apresentem tendência de alta, o dólar mais baixo vinha funcionando como um fator de equilíbrio para as importações. Ainda assim, alguns produtos nacionais seguem com preços superiores aos equivalentes importados, o que mantém as compras externas ainda como uma alternativa competitiva para o mercado nacional. (Milkpoint)
Oferta elevada pressiona preços no mercado global de lácteos, aponta relatório do Rabobank
O mercado global de lácteos segue bem abastecido e com níveis elevados de produção, cenário que continua influenciando os preços internacionais da categoria. A avaliação faz parte de uma análise recente do relatório Global Dairy Quarterly, publicado pelo Rabobank, que acompanha as principais tendências do setor leiteiro no mundo.
Segundo o banco, a produção de leite continua crescendo nas principais regiões exportadoras — com exceção da Austrália. Esse avanço foi favorecido principalmente pelos custos relativamente baixos de alimentação animal, o que incentivou os produtores a ampliar o volume de produção e manter a oferta global em níveis elevados.
O aumento da disponibilidade de leite teve impacto direto sobre os preços internacionais dos lácteos. Os mercados de gordura foram os mais afetados, com quedas superiores a 40% entre setembro e fevereiro. O leite em pó integral seguiu movimento semelhante, acumulando recuo de cerca de 30% no mesmo período.
Já os produtos ricos em proteína apresentaram maior resiliência. Mercados como os de leite em pó desnatado, queijos e soro de leite registraram retrações mais moderadas, em torno de 15%. No caso do soro, os preços chegaram até a continuar em alta, sustentados pela forte demanda por produtos proteicos de maior valor agregado.
Mais recentemente, no entanto, o mercado começou a mostrar sinais iniciais de recuperação. Resultados positivos consecutivos nos leilões da Global Dairy Trade, além de desempenhos mais firmes nos eventos GDT Pulse, contribuíram para melhorar o sentimento entre os participantes do setor.
Apesar disso, os dados atuais de oferta ainda não indicam que essa recuperação seja estruturalmente sustentável. A produção de leite na União Europeia, nos Estados Unidos, na América do Sul e na Nova Zelândia permanece bem acima dos níveis registrados no ano passado. Embora o ritmo de crescimento esteja gradualmente voltando ao normal, o mercado global ainda apresenta grande disponibilidade de produtos lácteos.
Mesmo assim, após um período prolongado de queda nos preços, o movimento recente de recuperação é visto como um sinal positivo para o setor, ao mostrar que as cotações podem voltar a subir.
Nos próximos meses, a tendência é de um ajuste gradual do mercado. À medida que as margens nas fazendas enfrentam maior pressão e as comparações favoráveis com o ano anterior começam a desaparecer após o primeiro trimestre, a expectativa é de que o equilíbrio entre oferta e demanda se torne mais apertado.
A previsão do Rabobank é que a produção dos sete principais exportadores globais termine 2026 com crescimento de apenas 0,2% em relação ao ano anterior, após uma expansão de 2,6% registrada em 2025.
Esse cenário é explicado, em grande parte, pela desaceleração do crescimento da oferta em regiões como América do Sul, Austrália e China. Na Europa, a produção de leite deve recuar cerca de 0,9%, com impactos mais visíveis ao longo do ano, especialmente nos mercados de manteiga e leite em pó desnatado.
Nos Estados Unidos, por outro lado, as margens dos produtores seguem sustentadas pelos preços elevados da carne bovina, o que tende a manter o crescimento da produção de leite ao longo do ano. Nesse caso, a expansão deverá ser direcionada principalmente para a fabricação de queijos — especialmente muçarela e cheddar — além do soro de leite.
Do lado da demanda, as condições econômicas em regiões importadoras importantes, especialmente na Ásia, continuam favoráveis para a manutenção das compras de lácteos no mercado internacional. No entanto, o relatório destaca que a instabilidade geopolítica segue como um fator de risco relevante.
Tensões envolvendo países como Irã e Ucrânia, entre outras regiões, podem provocar interrupções temporárias no equilíbrio do comércio global. Como o Oriente Médio é um mercado relevante para importações de produtos como leite em pó, pós lácteos enriquecidos com gordura e leite evaporado, o setor acompanha de perto a evolução do cenário geopolítico e seus possíveis impactos sobre o fluxo internacional de lácteos.
As informações são do Rabobank, adaptadas pela Equipe MilkPoint.
Informativo Conjuntural 1909 de 05 de março de 2026
BOVINOCULTURA DE LEITE
Observa-se que em função da menor disponibilidade de forragem, os produtores têm ampliado o uso de silagem, feno, pré-secado e ração no cocho para atender à demanda nutricional do rebanho.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, alguns produtores com açudes menores, que receberam precipitações pouco significativas nas últimas semanas, enfrentam dificuldades para atender à demanda de dessedentação animal. As temperaturas mais amenas proporcionaram maior conforto térmico, ampliando os períodos de acesso dos animais aos potreiros de pastagem. Em algumas propriedades com médio nível tecnológico, a produção apresentou leve reação.
Na de Caxias do Sul, os animais sofreram com o estresse térmico, mas não houve prejuízo na produção, que manteve volume e padrão de qualidade.
Na de Frederico Westphalen, a produção apresentou leve queda, principalmente em função das altas temperaturas e da falta de chuvas. A sanidade do rebanho está adequada.
Na de Passo Fundo, ocorreu leve queda de produção.
Na de Porto Alegre, houve conforto térmico para os rebanhos, e a condição corporal dos animais está adequada.
Na de Santa Rosa, houve redução da quantidade e da qualidade do volumoso disponível. Nas propriedades sem irrigação ou com oferta limitada de sombra, estimaram-se perdas de até 15% na produtividade, associadas à menor disponibilidade de forragem e ao estresse térmico.
As temperaturas elevadas da última semana intensificaram o desconforto dos animais, reduzindo o tempo de pastejo e o consumo de alimento, especialmente em raças europeias, mais sensíveis ao calor. Ainda assim, a qualidade do leite produzido está estável. (Emater editado pelo Sindilat)
Jogo Rápido
PREVISÃO METEOROLÓGICA
Na próxima semana, a aproximação de uma frente fria e a atuação de um sistema de baixa pressão voltarão a deixar o tempo instável em grande parte do Rio Grande do Sul. Nos dias 06/03 (sexta-feira) e 07/03 (sábado), o tempo permanecerá instável devido à atuação de um sistema de baixa pressão. Nesse período, há previsão de chuva em todas as regiões do Estado, e as temperaturas devem entrar em declínio. No dia 08/03 (domingo), o sistema começará a se afastar, e há previsão de chuva fraca isolada apenas na porção Nordeste. Nos dias 09/03 (segunda-feira) e 10/03 (terça-feira), o tempo voltará a ficar instável em parte do Estado, devido à atuação de outro sistema de baixa pressão nas proximidades da região. Assim, há previsão de chuva fraca a moderada na Metade Oeste no dia 09/03 e nas metades Leste e Norte no dia 10/03. No dia 11/03 (quarta-feira), o tempo voltará a ficar mais estável em parte do Estado, e há previsão de chuva apenas em pontos isolados. A partir do dia 09/03 (segunda-feira), as temperaturas deverão voltar a se elevar gradualmente. Os acumulados de precipitação deverão variar entre 5 e 100 mm ao longo da semana, e os maiores volumes estão previstos para a porção Central e Norte do Estado. Já na Metade Sul, os acumulados tendem a ser menores, com exceção do Litoral Sul, onde os volumes podem ser mais elevados. (Fonte: Simagro – Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos)