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04/03/2026

Porto Alegre, 04 de março de 2026                                                         Ano 20 - N° 4.582


Agrotec Cotrisal destaca avanços na produção de leite com gestão e inovação 

A profissionalização do setor leiteiro e o processo avançado de sucessão nas propriedades ganharam destaque na Agrotec Cotrisal 2026, em Sarandi (RS). Conforme o secretário executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat), Darlan Palharini, são iniciativas que já se traduzem em resultados positivos no trabalho de mais de 100 propriedades acompanhadas por meio do sistema SmartCoop. 

No 2º Benchmarking do Leite, os dados apresentados com o acompanhamento da plataforma mostram o crescimento dos produtores leiteiros que têm gestão baseada em dados. “Desde o nascimento da bezerra até a produção de sólidos, passando por ganho médio diário, taxa de serviço e conversão alimentar, os números são acompanhados por equipe técnica especializada, com ranking de desempenho. É todo um conjunto de dados que garante assertividade e melhoria produtiva”, destaca. 

Outro aspecto é a entrada dos jovens, assumindo a produção e garantindo a sucessão familiar. “Isso mostra que a atividade leiteira tem futuro, ainda mais se ancorada em gestão, tecnologia e acompanhamento técnico”, assinala. “Quando produtor, cooperativa e assistência técnica trabalham de forma integrada, a produção de leite passa a ser um negócio estruturado, competitivo e sustentável”, indica Darlan.

O gerente de produção animal da Cotrisal, Frederico Trindade, reforça que o leite tem papel estratégico no desenvolvimento regional por gerar renda mensal, movimentar o comércio local e manter famílias no meio rural. “O leite precisa ser tratado como um negócio estruturado, baseado em dados, planejamento e visão de longo prazo. O benchmarking tira todos da zona de conforto e estimula a evolução contínua dos indicadores”, salienta. Segundo ele, ao reunir mais de 100 produtores para analisar desempenho técnico, qualidade, reprodução e rentabilidade, o evento fortalece a profissionalização e a inovação como pilares do crescimento da atividade. (Sindilat RS)


GDT 399: registra nova alta e consolida cenário de oferta mais ajustada

O 399º leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT) registrou nova valorização nos preços internacionais dos lácteos, marcando a quinta alta consecutiva do price index, que avançou 5,7% e atingiu a média de USD 4.301/tonelada. O resultado consolida o movimento de recuperação iniciado no começo do ano e indica um mercado internacional operando em patamares mais firmes.
Gráfico 1: Preço médio leilão GDT. 

Entre os produtos negociados, os destaques ficaram para o leite em pó desnatado (LPD), com alta de 9,1% (USD 3.243/tonelada), e para a muçarela, que avançou 7,9%, alcançando USD 4.189/tonelada. O leite em pó integral (LPI), principal produto comercializado, também manteve trajetória positiva, com valorização de 4,5%, sendo negociado a USD 3.863/tonelada.

Gráfico 2. Preço médio LPI. 

No segmento de gorduras, a manteiga subiu 6,1% (USD 6.728/tonelada) e a gordura anidra do leite avançou 5,7%, cotada a USD 7.147/tonelada, reforçando o bom momento desse complexo no comércio internacional. O cheddar apresentou alta de 4,3%, enquanto a lactose (-3,9%) e o leitelho em pó (-0,2%) registraram leves recuos. O movimento generalizado de altas confirma um ambiente de maior sustentação de preços, agora com maior participação também dos derivados industriais.

A Tabela 1 apresenta os preços médios dos derivados ao fim do evento, assim como suas respectivas variações em relação ao leilão anterior.

Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 03/03/2026. Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Volume negociado recua novamente

O volume total negociado no leilão somou 18.861 toneladas, representando queda de 15,2% frente ao evento anterior. Além disso, houve manutenção no número de participantes, indicando que a retração esteve concentrada na oferta, e não na demanda.

Esta é a 15ª sessão consecutiva em que o evento apresenta redução no volume ofertado, reforçando o movimento contínuo de ajuste na disponibilidade. Embora essa diminuição seja típica para o período, a combinação entre menor volume ofertado e demanda relativamente estável tem contribuído para sustentar o avanço dos preços.

Na comparação com o leilão equivalente de 2025, o volume negociado foi 10,1% inferior, evidenciando um cenário de menor excedente global de leite. Esse contexto ajuda a explicar tanto a sequência de altas recentes no GDT quanto o comportamento firme dos contratos futuros, que já precificam um ambiente de oferta mais ajustada ao longo de 2026.

Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT. Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.

Impacto nos contratos futuros

A evolução dos contratos futuros reforça essa leitura. As cotações para vencimentos entre março e junho de 2026 seguem em trajetória ascendente, com ganhos sucessivos nas últimas sessões.

O avanço das curvas futuras indica que o mercado precifica continuidade do cenário de oferta mais ajustada e crescimento moderado da produção global ao longo de 2026. Mesmo diante de ajustes pontuais entre as sessões, o viés permanece positivo.

Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures). 

Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2026.

Cenário internacional

Relatórios internacionais indicam que o mercado global de lácteos segue ajustado pelo lado da oferta. A Oceania avança para o período pós-pico de safra, reduzindo gradualmente a disponibilidade exportável da Nova Zelândia, o que contribui para um ambiente de menor excedente global. Paralelamente, as tensões geopolíticas no Oriente Médio — especialmente em torno do Estreito de Hormuz, importante corredor logístico mundial — elevam as incertezas sobre custos de transporte e cadeias de suprimento, adicionando um componente adicional de risco ao mercado internacional.

Do lado da demanda, os sinais permanecem positivos. Dados recentes mostram que o consumo internacional continua resiliente, como por exemplo, os dados mais recentes dos Estados Unidos, cujas exportações de lácteos seguem próximas de níveis recordes. Esse conjunto de fatores ajuda a explicar a quinta alta consecutiva do índice do Global Dairy Trade (GDT), sinalizando que o mercado opera sob fundamentos mais consistentes do que os observados no segundo semestre do ano passado.

E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?

Para o Mercosul, a continuidade das altas internacionais tende a manter suporte aos preços regionais, especialmente para leites em pó e muçarela. No caso do Brasil, o cenário externo mais firme já reduz parte do diferencial competitivo das importações.

Juntamente a isso, a recente valorização do dólar — influenciada pelo aumento das tensões internacionais — adiciona um novo elemento ao cenário doméstico. Com os preços internacionais em alta e o câmbio também mais elevado nesta última semana, a competitividade dos produtos importados diminui, o que pode trazer certo alívio aos preços nacionais e favorecer o processo de recomposição do mercado interno.

Dessa forma, o GDT 399 consolida um ciclo de recuperação consistente no mercado lácteo internacional, agora reforçado não apenas por fundamentos de oferta e demanda mais ajustados, mas também por um ambiente cambial que pode reduzir a pressão das importações sobre o Brasil ao longo do primeiro semestre de 2026. (Milkpoint)

 

 

 

Sistema FIERGS amplia diálogo para aprovação dos fundos constitucionais do Sul e Sudeste

Em encontro com coordenador da bancada federal gaúcha e presidente da Assembleia Legislativa, federação ressaltou importância do projeto para o desenvolvimento do RS

O Sistema FIERGS reforçou, nesta segunda-feira (2), a necessidade de aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 27/2023, que prevê a criação de um fundo constitucional para o desenvolvimento econômico e social dos estados do Sul. O tema foi debatido durante reunião do Conselho de Articulação Política (Coap) da federação com a presença do presidente da Assembleia Legislativa, Sérgio Peres (Republicanos), e do deputado e coordenador da bancada federal gaúcha, Afonso Hamm (PP).

O coordenador do Coap, Diogo Bier, destacou que o diálogo institucional é fundamental para sensibilizar o governo e avançar na tramitação da proposta. Segundo Diogo, a relação com os Poderes, especialmente com os parlamentos, tem sido construída de forma sólida. “Plantamos, no ano passado, a semente do fundo constitucional, que hoje é uma bandeira da bancada federal. Colocamos como prioridade na agenda legislativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em 2025 e foi uma conquista mantê-lo também em 2026", afirmou. 

A PEC 27/2023 propõe criar fundos constitucionais de financiamento para as regiões Sul e Sudeste, sem retirar recursos dos fundos já existentes do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e aumentar a parcela do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) de 22,5% para 23,5% da arrecadação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados, destinar 0,5 ponto percentual à segurança pública. "Se construirmos uma estratégia com habilidade política, tenho convicção de que avançaremos na Câmara e no Senado. Estamos inteiramente à disposição para contribuir”, complementou.

A diretora-geral do Sistema FIERGS, Ana Paula Werlang, também ressaltou que o fundo constitucional é uma das principais bandeiras da gestão do presidente Claudio Bier. “Pedimos apoio à indústria e ao fundo constitucional. Temos também outras pautas importantes, como irrigação. Trabalhando juntos, fortalecemos a indústria e consolidamos uma bancada forte nos âmbitos estadual e federal”, afirmou.

Coordenador da bancada federal, Hamm destacou que o fundo é importante para subsidiar programas de desenvolvimento nos estados do Sul. “Esses recursos fazem falta para equalizar programas e subsidiar iniciativas de desenvolvimento. Estamos trabalhando nessa pauta e precisaremos intensificar a interlocução”, pontuou. Além da própria PEC 27, o alongamento da dívida dos produtores gaúchos, afetados por estiagens e pelas enchentes de 2024, também é uma prioridade para este ano.

O presidente da Assembleia Legislativa reforçou o compromisso com projetos que fortaleçam a indústria e o desenvolvimento do Rio Grande do Sul. “Estamos aqui para ouvir. Enfrentamos hoje desafios importantes, como a escassez de mão de obra. Precisamos ouvir quem investe e gera emprego, e pautar projetos importantes para o setor também no parlamento gaúcho”, afirmou Peres.

Uma audiência da comissão especial que trata da PEC 27 está prevista para o dia 24 de março, com a participação de federações empresariais das regiões Sul e Sudeste. O encontro deverá reunir representantes das federações e dos estados dessas regiões para fortalecer a articulação e a construção de uma política regional.

A discussão sobre a jornada de trabalho também foi tema na reunião. Diogo Bier alertou para os impactos da proposta de redução das horas de trabalho, em tramitação no Congresso Nacional, sobre a indústria e o comércio. “Quem vai arcar com o custo da redução das horas trabalhadas? Isso impacta o chamado Custo Brasil e pode comprometer a capacidade competitiva no médio prazo”, afirmou. (Fiergs)


Jogo Rápido

‘PER CAPITA’: RS tem terceiro maior rendimento 
O Rio Grande do Sul registrou rendimento domiciliar per capita de R$ 2.839 em 2025, valor 22,6% acima da média nacional estimada em R$ 2.316 no mesmo período. O resultado põe o estado em terceiro lugar entre as unidades da Federação, atrás de Distrito Federal (R$ 4.538) e São Paulo (R$ 2.956), segundo dados divulgados ontem pelo IBGE. Os valores estão no levantamento anual elaborado com base na Pnad Contínua. No cálculo entram rendimentos do trabalho e outras fontes de renda, incluindo aposentadorias, pensões e benefícios sociais. Entre os estados com maior rendimento domiciliar per capita, o Sul concentra três das seis primeiras posições. Além do RS em terceira posição com R$ 2.839, Santa Catarina, em quarto lugar, registra R$ 2.809.  Em sexto lugar, o Paraná registra R$ 2.762. Já o Rio de Janeiro ocupa a quinta posição com rendimento médio de R$ 2.794 por pessoa. DF e São Paulo são os primeiros. (Correio do Povo)