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18/02/2026

Porto Alegre, 18 de fevereiro de 2026                                                    Ano 20 - N° 4.575


“É um gargalo que precisamos enfrentar”

Gustavo Paim assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Rural. Com longa trajetória política, terá pela frente a missão de conduzir a pasta dedicada aos produtores familiares no ano final da atual gestão. Também produtor de leite em Campestre da Serra, conversou com a coluna sobre desafios e metas. Confira trechos.

● A secretaria tem recebido relatos de danos por falta de chuva?

Estamos vivendo uma onda de calor muito grande e isso tem reflexo na safra em algumas regiões. Não é algo, digamos, generalizado. Esse é um dos grandes gargalos que precisamos enfrentar. O governador anunciou, no lançamento da Expodireto, a ideia de um grande programa de irrigação (a partir da prorrogação da suspensão do pagamento da dívida com a União). Porque discutimos a questão climática, nos últimos seis anos são quatro estiagens severas e isso tem impacto, segundo a Farsul, de R$ 17 bilhões. Estamos falando mais do que um orçamento do Estado no período 2024 em razão das estiagens.

● Acha viável o projeto em ano de restrições eleitorais e polarização política?

Embora a dificuldade política vivida hoje, há que se compreender que um mandato de quatro anos não pode ser a cada dois interrompido em razão de questões eleitorais. Não há dúvida que há restrições da legislação, mas tem de se pensar sempre no Estado, não como um governo, e sim, como programas de Estado. Um plano desses se desenvolve ao longo de um certo tempo. É algo que será demandado ao longo de alguns anos, para termos a capacidade para chegar no investimento necessário para uma cobertura maior de irrigação. Não estamos pedindo perdão ou para deixar de pagar a dívida, mas permitir que esse recurso possamos reverter em investimentos.

● Como produtor de leite, que ações entende necessárias para os problemas da atividade?

Sou produtor de leite em Campestre da Serra, e sei das dificuldades para fechar as contas. Lembro que na Expointer foi até mencionado na abertura que era uma das atividades com o melhor resultado naquele momento. De lá para cá, mês a mês, analisando o índice Cepea, vemos o preço do leite caindo, e os custos para a produção não acompanham essa curva descendente. Temos o programa do Bônus Mais Leite, que permite uma subvenção de valores, a um orçamento de R$ 30 milhões, para custeio e investimento. Talvez um dos grandes desafios é fazer a mensuração desses programas, o quanto esse recurso reproduz em rendimento, aumento de produtividade e otimização da produção, para conseguir medir os resultados dessas políticas públicas.

● A pasta cuida das agroindústrias familiares, um sucesso...

Em 2025, foram 139 feiras e um investimento de R$ 14 milhões, com mais de R$ 46 milhões em vendas. Estamos falando de quase quatro vezes o valor de investimentos. Tenho desejo de fazer algo puxando aqui para os grandes centros também para realizar um evento que possa ser quase um lançamento do que vemos na Expointer, para unir um pouco mais a cidade e o campo. (Zero Hora)


GDT - GLOBAL DAIRY TRADE

Fonte: GDT adaptado pelo Sindilat/RS

 

 

Fundesa-RS: Conselho Técnico propõe nova tabela de indenizações da pecuária leiteira

Valores serão apreciados no dia 10 de março em reunião do Conselho Deliberativo do fundo

Em reunião híbrida realizada na Casa do Fundesa-RS nesta sexta-feira (13), integrantes do Conselho Técnico Operacional da Pecuária Leiteira (CTOPL) do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do RS, aprovaram a nova tabela de indenizações para produtores de leite que tiverem a determinação de sacrifício ou abate sanitário de animais diagnosticados com brucelose e tuberculose. Os valores serão reajustados em 8% sobre a tabela vigente, sendo que o menor valor, pago para animais sem registro de zero a 12 meses será de R$ 1.636,00 e o maior valor, pago sobre animais com registro puro de origem de 25 a 36 meses será de R$ 4.548,00. Após a consolidação da nova tabela, os valores irão para apreciação do Conselho Deliberativo do fundo, que terá reunião no dia 10 de março.

Conforme a vice-presidente do CTOPL, Ana Groff, o percentual sugerido é superior ao reajuste da UPF (Unidade Padrão Fiscal) do Rio Grande do Sul, critério adotado no anos anteriores, e também maior do que a inflação no período. Os conselheiros não descartam uma revisão dos valores após avaliação da implantação da tabela atualizada. Os novos valores têm o objetivo de trazer mais robustez ao fundo que tem se destacado em alto aporte para a indenização de produtores ao longo de sua existência. “Desde o início das indenizações, o Fundesa já indenizou produtores em mais de R$53 milhões”, afirma o presidente do Fundesa, Rogério Kerber. A medida visa dar mais segurança ao produtor e estimular os testes e a eliminação de animais doentes.

Todo o trabalho do Fundesa segue o recomendado pelo Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose (PNCEBT), que estabelece protocolos obrigatórios para garantir a sanidade do rebanho e a segurança dos alimentos. Para ter direito às indenizações, o pecuarista deve estar em dia com suas contribuições e apresentar o laudo oficial emitido pelo médico veterinário habilitado e a comprovação do abate em estabelecimento com inspeção oficial. A contribuição do setor leiteiro é recolhida pela indústria.

Fórum vai debater sanidade para acesso a mercados

Outro tema abordado na reunião do CTOPL foi a realização de um evento durante a Expoleite Fenasul para abordar a responsabilidade compartilhada para o controle das duas doenças no rebanho leiteiro gaúcho. O Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul é reconhecido como atuante no trabalho junto aos produtores para reduzir a presença de brucelose e tuberculose na produção e o evento deverá ter na pauta as exigências para acesso a novos mercados, medida que será importante para melhorar as condições de preço e liquidez ao produtor.

Conforme o presidente do CTOPL, Marcos Tang, também presidente da Gadolando, o evento tem o foco no papel das indústrias no estímulo à prevenção. O evento será realizado no dia 14 de maio, das 13h30 às 17h, na casa do Fundesa, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. A Expoleite Fenasul será realizada de 13 a 17 de maio.

As informações são do Fundesa


Jogo Rápido

Estudos apontam efeito de consumo de leite na pressão arterial
O leite voltou ao centro do debate científico sobre saúde cardiovascular, desta vez com evidências consistentes que associam seu consumo à redução da pressão arterial e a um menor risco de hipertensão. A relação entre leite, derivados lácteos e saúde do coração tem sido amplamente estudada nas últimas décadas, e os dados mais recentes ajudam a separar mitos de achados sustentados por pesquisa. Estudos populacionais de grande escala indicam que pessoas que consomem leite e produtos lácteos regularmente tendem a apresentar níveis mais baixos de pressão arterial. Uma meta-análise de estudos prospectivos publicada no Journal of Human Hypertension observou uma redução de aproximadamente 13% no risco de hipertensão entre indivíduos com maior consumo de lácteos, em comparação aos que consomem pouco ou nenhum. Parte dessa associação é explicada pelo perfil nutricional do leite. O alimento é fonte relevante de cálcio, mineral envolvido na regulação da contração e do relaxamento dos vasos sanguíneos. Também fornece potássio, nutriente que ajuda a contrabalançar os efeitos do sódio e favorece sua excreção urinária, além de magnésio, associado ao controle da pressão arterial e à função vascular. A gordura do leite também tem sido reavaliada. Ácidos graxos como o oleico, conhecido por suas propriedades antiaterogênicas, e o ácido linoleico conjugado (CLA) têm sido associados à melhora da função endotelial e a perfis lipídicos mais favoráveis em alguns grupos populacionais. Esses achados ajudam a explicar por que estudos recentes não confirmam uma associação direta entre consumo moderado de gordura láctea e maior risco cardiovascular. Evidências de ensaios clínicos reforçam essa leitura. Uma meta-análise publicada no American Journal of Clinical Nutrition, que reuniu 29 estudos randomizados, identificou reduções estatisticamente significativas da pressão arterial sistólica e diastólica associadas ao consumo de produtos lácteos. O efeito foi mais pronunciado em indivíduos já diagnosticados com hipertensão. Resultados semelhantes foram observados no estudo de coorte EPIC-Norfolk, que acompanhou mais de 25 mil pessoas por cerca de 12 anos. Os participantes com consumo regular de lácteos apresentaram um risco 16% menor de desenvolver hipertensão ao longo do período analisado. Quando se comparam diferentes tipos de leite, os benefícios não parecem restritos ao produto integral. Um estudo publicado no Journal of Dairy Science mostrou que o consumo de leite desnatado também contribuiu para a redução da pressão arterial, sem aumento dos níveis de colesterol, indicando que parte dos efeitos positivos está ligada aos micronutrientes e proteínas do leite. Em um cenário marcado por modismos alimentares e informações conflitantes, o conjunto dessas evidências reposiciona o leite como um alimento funcional, capaz de integrar uma dieta equilibrada voltada à saúde cardiovascular. Para o público em geral, a mensagem é simples: o consumo moderado de leite, dentro de um padrão alimentar saudável, pode ser um aliado adicional no controle da pressão arterial. Autora:  Valeria Hamann para o eDairyNews, com informações de American Journal of Clinical Nutrition