Porto Alegre, 06 de fevereiro de 2026 Ano 20 - N° 4.569
Balança de lácteos: janeiro registra aumento mensal do déficit, mas melhora no ano a ano
Janeiro marcou um aumento do déficit da balança de lácteos frente a dezembro, mas com sinais de menor pressão no comparativo anual. O cenário reforça a importância do câmbio, da oferta interna e do mercado internacional para 2026.
O saldo da balança comercial de lácteos iniciou o ano atingindo um déficit de 169,2 milhões de litros em equivalente-leite, o que representa um aumento de 9% no déficit frente ao mês de dezembro de 2025. Na comparação com janeiro de 2025, no entanto, observa-se um recuo de 14% no saldo negativo.
Gráfico 1. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos – equivalente leite.
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.
As exportações de lácteos totalizaram 4,2 milhões de litros em equivalente-leite no mês, registrando queda de 16,4% em relação a dezembro e ficando 11% abaixo do volume exportado em janeiro do ano passado.
Gráfico 2. Exportações em equivalente-leite.
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.
Já as importações avançaram 8,1% frente ao último mês de 2025, alcançando 173,4 milhões de litros, embora ainda apresentem retração de 14% na comparação anual.
Gráfico 3. Importações em equivalente-leite.
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado a partir dos dados da COMEXSTAT.
Em janeiro, as exportações de lácteos apresentaram movimentos distintos entre os principais produtos:
Soro de leite: principal item da pauta exportadora brasileira, apresentou recuo de 31% no volume exportado, interrompendo uma sequência de altas observada nos meses anteriores;
Leite condensado: após meses de crescimento, registrou queda de 11% nos embarques;
Creme de leite: após sucessivos recuos, apresentou forte recuperação, com aumento de 52% nas exportações frente a dezembro;
Leite em pó desnatado e leite evaporado: ainda com participação reduzida no total exportado, mas com crescimento percentual relevante no volume embarcado no mês.
No campo das importações, os principais movimentos observados foram:
Leite em pó integral (LPI): após dois meses consecutivos de queda, voltou a apresentar crescimento, com avanço de 23% no volume importado frente a dezembro;
Leite em pó desnatado (LPD): segundo principal produto da pauta de importações, manteve a tendência de retração e registrou queda de 22% no volume importado em janeiro.
As tabelas 1 e 2 mostram as principais movimentações do comércio internacional de lácteos nos meses de dezembro de 2025 e janeiro de 2026.
Tabela 1. Balança comercial de lácteos em janeiro de 2026
Tabela 2. Balança comercial de lácteos em dezembro de 2025
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT.
O que podemos esperar para os próximos meses?
O mercado brasileiro de lácteos tende a operar ao longo de 2026 com boa disponibilidade interna de produto, refletindo a expectativa de manutenção de uma produção elevada no país. Esse cenário pode contribuir para reduzir o ritmo das importações ao longo do ano e, em alguns momentos, abrir espaço para o avanço das exportações, ainda que de forma pontual e concentrada em alguns produtos. (Milkpoint)
Sistema FIERGS inclui projetos prioritários para a indústria gaúcha em agenda legislativa da CNI
O Seminário de Construção da Agenda Legislativa da Indústria 2026, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), definiu as prioridades legislativas da indústria para este ano. O Sistema FIERGS participou do encontro, com coordenadores e equipes técnicas dos conselhos temáticos, nesta terça (3) e quarta-feira (4), na sede da entidade.
Ao longo do seminário, foram apreciadas 572 preposições de interesse da indústria, das quais 147 foram incluídas e debatidas em seminário realizado pela CNI, com a presença de 27 federações estaduais e 112 associações setoriais. A configuração da Agenda Legislativa da Indústria 2026 ainda será submetida à deliberação da diretoria da CNI, responsável também pela definição da Pauta Mínima, que concentra as matérias consideradas estratégicas para a atuação do setor na defesa da indústria no âmbito do Legislativo federal.
A diretora-executiva e de Relações Institucionais do Sistema FIERGS, Ana Paula Werlang, destacou que “o objetivo é dar continuidade ao trabalho iniciado, consolidando o que foi construído no último ano e colocando em prática o que foi planejado”. Já o coordenador do Conselho de Articulação Política (Coap) do Sistema FIERGS, Diego Bier, parabenizou pelo trabalho realizado pela entidade na proposição de projetos de interesse, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 27/2023, que cria o Fundo Constitucional do Sul e do Sudeste. “A PEC 27 foi uma conquista nossa e demandou muito esforço. Não podemos perder essa prerrogativa de continuidade”, ressaltou Bier.
PROJETOS DEBATIDOS
A participação do Sistema FIERGS no seminário resultou na inclusão e manutenção de projetos estratégicos para o setor produtivo na Agenda Legislativa da Indústria. Por meio do Coap e do Conselho de Assuntos Tributários, Legais e Cíveis (Contec), foi mantida a PEC 27/2023, que institui os fundos constitucionais do Sul e do Sudeste. A proposta, de iniciativa do Sistema FIERGS em conjunto com as federações do Paraná e de Santa Catarina, prevê destinar, da arrecadação federal de Imposto de Renda e de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), 1% para cada uma das regiões e para o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e 0,5% para segurança pública em todos os estados.
Outra conquista relevante foi a permanência do Projeto de Lei 2168/2021, que declara como de utilidade pública as obras de infraestrutura de irrigação e dessedentação animal. A medida facilita os processos de licenciamento ambiental, especialmente em contextos de adversidades climáticas.
Também foi mantido na Agenda o Projeto de Lei 1321/2023, que altera as regras do vale-pedágio. A proposta, apresentada pela deputada federal Any Ortiz (Cidadania/RS), a pedido do Sistema FIERGS, busca corrigir dispositivos da legislação que instituiu o vale-pedágio obrigatório.
OUTROS PLEITOS
Na área trabalhista, o Sistema FIERGS atuou em relação ao PLP 28/2015, de autoria do deputado Pompeo de Mattos (PDT/RS). Embora o projeto tenha tido deliberação majoritária pela retirada da Agenda Legislativa, a entidade conseguiu manter no documento, considerando que o texto determina a prevalência do piso salarial legal sobre o negociado coletivamente, o que restringe a autonomia de empregadores e trabalhadores para ajustar condições de trabalho conforme a realidade econômica.
Destaca-se ainda a articulação da entidade para o acompanhamento da PEC 8/2025, de autoria da deputada federal Erika Hilton (PSOL/SP), que propõe a redução da jornada de trabalho para oito horas diárias e 36 horas semanais, distribuídas em quatro dias. Com posicionamento contrário, o Sistema FIERGS defendeu a inclusão da proposta na Agenda para monitoramento permanente, por entender que a legislação atual já permite flexibilidade suficiente para negociação de jornadas por meio de instrumentos coletivos.
Com atuação da FIERGS, foi incluído na Agenda Legislativa o Projeto de Lei 4459/2025, apresentado pelo deputado Marcelo Moraes (PL/RS), que trata da flexibilização de cláusulas de manutenção ou ampliação de empregos em financiamentos emergenciais. A proposta atende a uma demanda da base industrial surgida após as enchentes.
A Agenda Legislativa da Indústria 2026, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com os projetos de lei que integrarão o documento base da atuação legislativa (pauta mínima), será lançada em 24 de março, em sessão solene na Câmara dos Deputados, em Brasília. (FIERGS)
EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1905 de 5 de fevereiro de 2026
BOVINOCULTURA DE LEITE
As temperaturas elevadas contribuíram com o aumento da incidência de ectoparasitas, especialmente carrapatos, e com os casos de tristeza parasitária bovina. O estresse térmico causado por essas condições impactou o bem-estar e, em alguns casos, resultou em redução da produção, exigindo ajustes no manejo dos rebanhos. Entre as medidas adotadas, destacam-se a condução dos animais, nas horas mais quentes do dia, para locais com sombra e disponibilidade de água, o uso de estratégias de resfriamento, como aspersão e ventilação, além da intensificação da suplementação alimentar.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, as temperaturas elevadas afetaram o bem-estar e o desempenho das matrizes em lactação.
Em Hulha Negra, alguns produtores avaliam se será realizado corte antecipado de parte das lavouras de milho destinadas à produção de silagem para fornecimento no cocho como forma de complementar a dieta dos animais.
Na de Caxias do Sul, as altas temperaturas provocaram estresse térmico nos animais, mas, devido à suplementação alimentar e à qualidade da forragem, a produtividade e a qualidade do leite estão estáveis.
Na de Erechim, a produção está estável. As condições gerais dos rebanhos estão apropriadas, e são feitas adequações, como aumento da disponibilidade de sombra e de água, devido às temperaturas elevadas. Foi utilizada suplementação alimentar.
Na de Passo Fundo, o volume de produção está elevado, impulsionado pelas pastagens e por suplementação alimentar.
Na de Pelotas, as temperaturas elevadas causaram estresse térmico nos animais, com impactos negativos sobre o bem-estar, o consumo de matéria seca e a produção.
Na de Porto Alegre, a produção está elevada em função das adequadas condições corporais e nutricionais do rebanho, associadas à oferta de forragem de qualidade, o que possibilitou a redução do uso de concentrados e de silagem.
Na de Santa Rosa, as temperaturas elevadas provocaram estresse térmico nos animais, e houve redução do tempo de pastejo, do consumo alimentar e da produtividade, além de prejuízos ao desempenho reprodutivo das vacas leiteiras (diminuição das taxas de concepção e maior retorno ao cio). Os criadores ajustaram o manejo, priorizando o pastejo noturno e o fornecimento de alimentos conservados. (Emater adaptado pelo Sindilat/RS)
Jogo Rápido
BOLETIM INTEGRADO AGROMETEOROLÓGICO Nº 06/2026 – SEAPI
Na próxima semana, a atuação predominante de um sistema de alta pressão favorecerá a manutenção do tempo estável em grande parte do estado do Rio Grande do Sul. Em 06/02 (sexta-feira), as condições de tempo estável ainda deverão predominar na maior parte do estado, exceto nas regiões da Campanha e do Litoral Sul, onde há possibilidade de chuva fraca a moderada em pontos isolados. As temperaturas seguirão em elevação, podendo se aproximar dos 40 °C, ou até superar esse valor em pontos isolados do estado. Em 07/02 (sábado), a atuação de um sistema de baixa pressão nas proximidades do estado poderá trazer instabilidade para a metade norte do Rio Grande do Sul. Assim, há previsão de chuva fraca a moderada, localmente forte, nessa região. Nas demais áreas, não há previsão de chuva significativa. Ao longo desse período, as temperaturas deverão entrar em declínio. Em 08/02 (domingo), o tempo deverá voltar a ficar estável, sem previsão de chuva significativa na maior parte do estado, e as temperaturas voltarão a se elevar. Em 09/02 (segunda-feira) e em 10/02 (terça-feira), a manutenção do padrão atmosférico do dia anterior favorecerá a continuidade do tempo estável em grande parte do Rio Grande do Sul, sem previsão de chuva significativa, e com elevação das temperaturas. Em 11/02 (quarta-feira), a aproximação de um sistema frontal poderá trazer instabilidade para a metade sul, bem como para pontos isolados da metade norte do estado. Dessa forma, há previsão de chuva nessas localidades. De forma geral, os acumulados de precipitação devem variar entre 0 e 50 milímetros ao longo da semana. Na metade oeste e sul, encontram-se os menores valores previstos; assim, os volumes de chuva não deverão ultrapassar 20 milímetros. Já os maiores volumes são esperados na metade norte do estado, principalmente na região dos Campos de Cima da Serra, onde, em pontos isolados, os acumulados podem ultrapassar 50 milímetros. (Seapi adaptado pelo Sindilat/RS)